Metáforas, alegorias and Bullshits

Tenho adentrado em estudos acerca do comportamento humano, há tempos, desde que me apaixonei pela psicologia, fazendo vínculos em meus estudos com a filosofia, buscando (ainda sem grande sucesso) compreender a alma humana, sua vontade e o que os move. Dentre tantos cantos percorridos, encontrei de tudo, desde insights profundos em músicas, desenhos animados, games, livros e, até mesmo, gurus especialistas; e, como tudo na vida, vi o lado bom e o lado ruim disso; afinal, há de se ter parcimônia para tudo nessa vida.

Por exemplo, o uso de metáfora e alegorias. Sempre tem alguém contando uma historinha bonitinha para exemplificar uma situação de vida, onde, embutido, está o ensinamento. Algumas são realmente interessantes, pois, como toda a historinha, a gente ouve, compreende o que precisa e segue firme. Isso, obviamente, para os normais; já, para os chatos de plantão, como eu, sempre haverá de ter mais de uma interpretação para a coisa. Talvez porque eu, revisitando a fase dos porquês, ainda esteja querendo entender os contextos do que atiram por aí em broadcast.

Sempre gostei de histórias e o que podem nos ensinar. Até arrisquei uma parábola por aqui, outro dia, com a das ostras; sou fã da “Roupa nova do rei” e me identifico muito com o guri que grita que o rei está nu (Spoiler Alert! Ops, tarde demais), enquanto os demais fingiam ser inteligentes, admirando o tecido invisível. Mas, como tudo são filtros nessa vida, hoje noto que poderia vir um outro sabichão dizendo que na verdade, tal tecido existia e apenas alguns ‘escolhidos’ poderiam, de fato, vê-lo. E, assim, o menino, representante do atraso e da intolerância, grita dentre a turba, que estaria o rei despido, fomentando a ignorância dos que não conseguiam ver, frente à visão avançada dos iluminados… e, ainda poderia ilustrar com uma frase célebre de algum filósofo importante, fazendo o devido link.

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Pois, depois que iniciaram as recontagens de histórias no mundo cinematográfico, com o Drácula tendo uma origem diferente, ou a Malévola sendo vítima dum macho opressor, dando início a um período de dissonância cognitiva, até a redenção ao final (outro spoiler: foda-se!), é normal que a onda do ‘tudo tem dois lados e as visões podem ser deturpadas), há de se ponderar a utilização dessas figuras de linguagem.

Bom, para começar, definamos a diferença entre metáfora e alegoria, de acordo com o tio Google:

A principal distinção feita entre alegoria e metáfora se refere à frequência e extensão do uso da linguagem simbólica. A metáfora é usada mais pontualmente, se referindo a termos isolados. A alegoria ocorre na totalidade do texto, sendo formada por diversas metáforas interligadas entre si.

Pois, nessas figuras, temos muita coisa por aí… desde animais de poder, até contos diversos, onde a técnica do storytelling, cuja qual fiz um curso na Iversity, potencializa os ensinamentos, envolvendo o conteúdo em algo lúdico ou impactante de outra forma.

Mas, como sou eu esse xarope de sempre, me vi, para variar, ponderando o outro lado da coisa. Até por estar convivendo com essa geração que problematiza tudo, desde comercial de margarina, até se algum famoso se apropriou de algo ao fazer um penteado diferente. Assim, ao me deparar com uma metáfora de que deveríamos, tal qual os pássaros, alçar voos maiores e coisas do tipo – com variações para águias que arrancam o bico ou as penas -, percebi que dá para arrumar maneira de esculhambar a coisa, usando essa mesma técnica de perturbação.

Pássaros cagam na cabeça dos outros, um engraçadinho dirá. Sim, também podemos dizer que pardais comem bosta, urubus alimentam-se de carniça e por aí vai. Assim, quando adentrarmos a seara da ilustração figurativa, devemos tabular bem a coisa de forma a não dar muita margem a alguns bestas subversivos, colocarem tudo a perder.

Assim, que fique claro que uma ilustração é apenas isso: um exemplo. Algo a se compreender, de forma mais simples. Grandes mestres o fazem em amplo espectro, como Tolkien, por exemplo, contou a segunda guerra mundial, na obra-prima, “O Senhor dos Anéis”, ou mesmo C.S. Lewis falou de religião nas “Crônicas de Nárnia”.

Também há de se ponderar que toda história (ou estória) tem um conteúdo embutido e uma ideia central. Antigamente se dizia que “…a moral da história…”, de forma definida, apontava o ensinamento em si. Ao menos antes dos relativistas morais darem jeito de desconstruir as coisas. Há, inclusive, um cidadão que resolveu recontar “O Senhor dos Anéis”, sob a visão dos vilões. Obviamente, mesmo eu não tendo lido, imagino que há muita semelhança com alguns padrões atuais de pós-verdade que encontramos inseridos nas narrativas midiáticas.

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Os conceitos de heróis e vilões, baseados em arquétipos pré-definidos por cultura vigente, podem variar de acordo com o viés de quem conta tal história. Ora vejamos: haverá muita diferença entre os heróis de um acontecimento histórico, de acordo com qual lado você está da história. O certo é que o cerne da história contada, diz qual é a ‘moral’ por detrás da coisa. E, assim, saberemos qual a ideia ali contida e qual a intenção da mesma.

‘Ah, mas histórias são apenas histórias’, dirão. E eu discordarei radicalmente. Mesmo um conto infantil tem algo embutido. Vide a Chapeuzinho Vermelho que, desde sempre, toca o terror para lembrar que pode dar muita merda quando a criança não obedece os pais.

Também, para tal, cito todo o nosso conceito cultural do momento. Desde obras de arte, exposições, programas de auditório, jornais – impressos, de rádio ou televisão -, peças teatrais, cinema, séries, novelas e uma infinidade de itens, que, contemplam toda uma ideia inserida. Ideia essa que compõe um inconsciente coletivo. E, não por acaso, essa narrativa é insistente, contínua e incessante. Ela se baseia no conceito de transvaloração, do Nietzsche, que diz:

Por outro lado, Nietzsche fala em transvaloração, entendendo por isso o processo pelo qual a dissonância cognitiva passa para a história. Em outras palavras, o modo pelo qual os valores vão mudando ao longo do tempo. Nos primeiros choques, a consciência rejeita as contradições de seus “princípios” assentados em convicções. Depois, começa a envergonhar-se de suas evidências, e por fim a admitir o que antes seria impossível. O processo de mudança é por isso lento e de alta ansiedade.

Um outro exemplo, é o conto da “Raposa e as uvas”, que tem por moral da história, dizer que sempre tendemos a menosprezar aquilo que não conseguimos ter.

Eu, insistentemente tenho falado sobre o assunto, das narrativas diárias e o que elas embutem em nosso inconsciente, de forma meticulosa, tentando formatar as ideias e nossas conexões futuras.

Para tal, a máxima do nosso folclórico ET Bilú, é ainda primordial: “…buuuuusquem o conhecimeeeeeentoooo”.

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O futuro não é mais como era antigamente…

A frase do título, conforme cantava Renato Russo, no seu Legião Urbana, evidencia algumas coisas, ao meu ver, que podem exemplificar o momento atual que vivemos…

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Basta que comparemos, por exemplo, a ficção científica, tanto em filmes quanto livros, do passado, com os atuais…

Fomos de sociedades com facilidades extremas de um simples apertar de botões, com direito a carros voadores, jet packs e coisas do tipo, para visões cataclísmicas… passando desde apocalipses naturais, até guerras atômicas que dizimam o planeta. Sem esquecer, é claro, as invasões alienígenas, com os apocalipses zumbis que voltaram à moda recentemente…

…ok, ok… o apocalipse zumbi não parece lá tão distante, vide o número crescente de acéfalos que dominam as mídias, a “cultura” e tentam se apropriar do senso comum…

Mas, minha proposta é outra ao escrever isto. É tentar resgatar uma visão construtivista de futuro. A crítica diária já é ferrenha e, com ela, conseguimos evidenciar o tamanho de coisas erradas que vemos. Aliás, são óbvias as coisas erradas. Mas, como dizia o sábio:

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Pois então…

Assim, podemos ponderar que as obviedades atuais estão longe de nos apontar um futuro digno… muito menos um entusiasmante. Tenho visto que os mais otimistas, projetam um futuro bem distante, onde o aprendizado atual, vulgo ‘quantidade de merda praticada’, nos dará bases a cenários onde não voltaremos a incorrer nas mesmas cagadas premissas erradas de pensamento…

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Ok. Aí me interessa…

Acho que um padrão pode ser reconhecido: temos nos baseado pelo passado para tentar projetar um futuro. Ou seja, comparamos a tudo o que já ocorreu, citamos pensadores antigos e que sequer estão vivos para presenciar o cenário atual ou mesmo poder compará-lo com suas obras, até, ideologias seculares e poeirentas que ainda são exaltadas mesmo que em nenhum caso elas tenham sido bem sucedidas.

Funcionam como antíteses umas das outras, criando um emaranhado de pensamentos antagônicos entre si, sem que se proponha nada de novo, de atual, que tenha foco na realidade atual, com o povo e a mentalidade atual, por exemplo.

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Claro que para entender alguns padrões, tem-se que recorrer ao passado. Às origens das coisas e como elas se desenvolveram até o momento atual. E era isso. De resto, teremos que identificar que há a enorme necessidade de se criar algo novo. De modificarmos o marasmo atual e a pouca diversidade de ideias que nos encaixota o pensamento.

Temos as falácias de autoridade, por exemplo, praticadas quando citamos pessoas de grande apelo, para embasarmos nossas próprias ideias. Como se tivéssemos que nos validar não por nós mesmos, mas, apenas quando equiparamos nosso pensar a algum baluarte de alguma coisa. E, PARA MIM, tá aí o erro básico.

Não estou eu aqui dizendo, de forma alguma, que devamos deixar de lado esses pensadores. Apenas acho que eles fazem parte do arcabouço de conhecimento de cada um. Ou seja, eles nos municiam de itens de pensamento. Eles nos instigam a pensar. A nos modificarmos nas formas estanques em que nossas mentes se encontram. E, a cada ideia nova, passamos a ser novas pessoas, com novas perspectivas e com novos desafios a percorrer. É disso que eu acho que se trata a coisa. E não que devamos nos validar por eles. Citá-los para exemplificar algo, sim. Chancelar nossas ideias por outras, mesmo que seja por senso comum, não.

Não é porque um autor, dez, cem ou milhares, concordam acerca de um assunto que este passa a ser imutável, insofismável ou mesmo que, mais adiante, com novos elementos, técnicas, tecnologias, et cetera, não possam ser refutados por termos mais bases de ponderação.

A verdade absoluta de hoje pode ser derrubada amanhã. Basta que paremos de encará-las como absolutas. Não por relativismo moral, ou, no intento de derrubar uma tese simplesmente por derrubá-la, ou validar nossa ideia sobre a simples desconstrução de outra. Mas sim, pela necessidade de criar algo novo e melhor. E isso é ESSENCIAL!!! A criação de algo melhor para substituir o anterior… se não for, pelo menos um pouco melhor, deixa como está. Afinal, tem aquele outro sábio que dizia:

nada é tão ruim que não possa piorar

Quem me lê, tanto por aqui, quanto pelo que falo no Facebook, sabe da minha ranzinzice com o momento atual. Noto a pobreza intelectual do país, baseada muito mais na incapacidade de contestação dos tais baluartes do que propriamente por suas capacidades, vejo ideologias cerceando pensamentos, vejo o politicamente correto encaixotando opiniões… enfim… mas, chega de só criticar… tá na hora de fazer alguma coisa. De propor algo novo. De tentar sair desse mato sem coelho (ou cachorro, sei lá). Para tanto, será preciso que comecemos a construir um pensamento novo. Adequado às realidades de cada um. Sintético ou analítico, por vezes, mas, ainda assim, essencial para que algo novo, ao menos, seja plantado. Uma semente a ser geminada, que seja.

Me vi num ponto onde noto coisas boas e ruins por onde transito, aprendo, observo. E, como tudo na vida, devemos ponderar. Por isso, por vezes concluo que todos estão certos, à medida que todos estão errados…. e aí é preocupante. Quando ideias baseiam-se em apenas apontar os erros alheios, sem proposição alguma depois, tornam-se inócuas. Sem serventia alguma. Por isso, durante alguns encontros com amigos, e, sobretudo com um específico, onde um cara que admiro bastante me levou a criar uma ruptura na minha linha de pensamento, cuja qual acabei notando que se encaixava no perfil anterior, o de criticar apenas, sem propor soluções. Me vi despido naquele momento… e, sem trocadilhos maldosos, ali despido, puder ver que não bastava eu me cobrir com qualquer colcha de retalhos de pensamentos alheios. Era necessário que eu buscasse o meu próprio. E, tal qual eu sempre utilizo aqui citações de pessoas durante meus textos, numa tentativa de validação do que eu digo, notei que eu mesmo posso, através do meu desenvolvimento, embasar minhas próprias teses. Buscar minhas próprias alternativas e, quem sabe, encontrar as respostas que sigo buscando.

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Aguardemos as cenas dos próximos capítulos…

Fé, fanatismo e submissão…

Os tempos atuais requerem, de fato, muita reflexão para que se aprenda a diferenciar as nuances de cada coisa. Fator fundamental, ao meu ver, para conseguir sair de uma enrascada ou atolar-se nela até o pescoço.

Vejamos. É notório que a fé e o fanatismo são separados por uma linha muito tênue… e, já dizia um ex-professor de filosofia meu (que graças a Deus não era exclusivo da esquerda): “é o que diferencia os que oram e acreditam, dos que amarram-se a cintos-bomba e explodem-se…”.

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Mas, eu diria que há um outro elemento que une uma coisa e outra. A submissão. A voluntária ou a involuntária. Podemos ser submissos, por exemplo, apenas sendo omissos (rimando e tudo).

Ok. Já sabemos que vem enrosco aí… e, portanto, vamos, como de praxe, ao amansa-burro primeiramente:


s. f. 1. Crença, crédito; convicção da existência de algum fato ou de veracidade de alguma asserção. 2. Crença nas doutrinas da religião cristã. 4. A primeira das três virtudes teologais. 5. Fidelidade a compromissos e promessas; confiança. 6. Confirmação, prova.

fa.na.tis.mo
s. m. 1. Excessivo zelo religioso. 2. Dedicação excessiva; paixão. 3. Adesão cega a uma doutrina ou sistema.

fa.ná.ti.co
adj. e s. m. 1. Que, ou o que se julga inspirado por Deus. 2. Que, ou o que se apaixona demasiadamente por uma causa ou pessoa.

sub.mis.são
s. f. 1. Ato ou efeito de submeter(-se); obediência, sujeição. 2. Disposição para aceitar um estado de dependência. 3. Estado de rebaixamento servil; subserviência.

sub.mis.so
adj. 1. Que denota submissão. 2. Que está em posição inferior. 3. Humilde, suplicante. 4. Dócil, respeitoso.

sub.ser.vi.en.te
adj. m. e f. 1. Que serve às ordens de outrem servilmente. 2. Muito condescendente.

ser.vil
adj. m. e f. 1. Relativo a servo. 2. Baixo, ignóbil, torpe, vil. 3. Subserviente, bajulador, sabujo. 4. Que segue rigorosamente um modelo ou original.

o.mis.so
adj. 1. Em que há falta ou esquecimento. 2. Descuidado, negligente.

Ok! Acho que já chega… o nosso querido amansa nos brinda com alguns links que podemos fazer, para entender o contexto de onde eu quero chegar.

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Pois, creio eu, que há oceanos de diferença entre uma coisa e outra. A fé, em si mesma, é algo bom, pois nutre a esperança de que algo melhor, ao menos, nos aguarda. Ela permite mudança. A fé no sentido de crer em algo bom e melhor. Não necessariamente o do sistema teológico em si. Mas, ainda assim, há os que dentro desse mesmo sistema, possam variar entre a fé e o fanatismo. Não só o sistema teológico. O sistema político, o sistema financeiro, ideológico, filosófico, administrativo, etc… afinal, a teoria dos sistemas nos diz que podemos analisar tudo de forma interdisciplinar…

 

A ‘teoria de sistemas estuda, de modo interdisciplinar, a organização abstrata de fenômenos, independente de sua formação e configuração presente. Investiga todos os princípios comuns a todas as entidades complexas, e modelos que podem ser utilizados para a sua descrição.

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Portanto, invoco a teoria dos sistemas (A la Yu-Gi-Oh) para que façamos as devidas correlações entre os diversos sistemas que nos rodeiam e o que cada um deles interfere em nosso dia-a-dia.

Vejamos que o fanatismo e a submissão são relacionados diretamente com o tratado social. Enquanto alguns “especialistas” de causas, ou fanáticos, no bom português, alardeiam as regras e não admitem que pessoas tentem sair delas, há os que, igualmente, submetem-se a tais regras de forma servil. De forma omissa.

Dependendo do que chamamos de "bem" e "mal"...

Dependendo do que chamamos de “bem” e “mal”…

Para os que creem nos sistemas religiosos, podemos, inclusive, dizer que omissões são pecados, ou faltas que cometemos. Lembro ainda, entre um cochilo e outro nas missas em que frequentei, do ato de contrição, onde todos repetíamos:

Confesso a Deus Todo-Poderoso
e a vós, irmãos(a)
que pequei muitas vezes
por pensamentos, palavras,
atos e omissões,
por minha culpa,
minha tão grande culpa.
E peço à Virgem Maria,
aos anjos e santos
e a vós, irmãos,
que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.

E que seu coração seja o meu caminho por toda a minha vida

Amem.

Inclusive grandes cagadas...

Inclusive grandes cagadas…

Tá bem, todos fazemos merda coisas que nos arrependemos na vida, mas, ao meu ver, erros constroem acertos futuros. Não no caso da omissão.  Ela não nos ensina nada. Ela apenas posterga alguma coisa. Embora, também, sob outro prisma, possamos pensar que omitir-se é um ato em si. É uma escolha de não fazer. Portanto, é nossa responsabilidade igualmente. O que, não considero culpa. Considero consequência.

Seguindo: a omissão e a submissão, por outro lado, têm seus pontos de convergência à medida em que delegamos a outros nossas escolhas. Sendo-lhes obedientes, ou, abstendo-nos de nossas vontades em pró de outras. Assim, seja lá por qual motivo seja, sendo obediente e servil à fanáticos, estamos automaticamente reforçando seus sistemas e suas retroalimentações.

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O momento atual, ao meu ver, é todo explicado sobre essa ótica de fé x fanatismo x submissão/omissão. E, com os devidos links, notamos que muitas pessoas de fé, acabam-se vendo enredados em contextos complexos e rígidos, para que, dentro de suas ideias de fé e crença, tenham que obedecer a sistemas fechados, que as restringem de expandir suas mentes para o aprimoramento de tais sistemas. Afinal, na mente dos fanáticos, qualquer mudança ao sistema é heresia, e, portanto, digna de punição. E por aí, muito do atraso do mundo se explica também (tudo, obviamente, na minha ótica e análise).

Vejamos em um cenário mundial. Notemos que forças binárias e antagônicas digladiam-se eternamente, fazendo com que necessariamente escolha-se um time ou outro, sendo que uma escolha, automaticamente, exclui a outra. E, sob a ótica de cada sistema, os prós e contras para quem não os seguem à risca os preceitos, são aterradores.

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Notemos as nuances de cada sistema. O que nos oferece de bom. O que nos ameaça como punição por descumprimento de regras e normas. O que nos engessa o pensar. E, sobretudo, pensemos, como a sociedade só evoluiu quando algum engraçadinho ousou não obedecê-los. É claro, que nem sempre com ganhos reais. Afinal, como já disse inúmeras vezes, as nuances são embaçadas e difíceis de enxergar a olho nu.

O que fazer então?

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Eu, como de costume, não dou receitas prontas. Pois não acredito mais em saídas mágicas. Acredito em construção de resultados. E, sendo assim, poderia dizer que apenas conhecendo cada nuance é que poderemos identificá-las. E, após a identificação, poder entender o que nos é proposto. Qual nosso ganho… e, sobretudo, a qual custo…

Escrevo esse pensamento à medida que vejo muita gente boa, bem intencionada, sendo engolida por esses sistemas que vendem benesses, que se autoproclamam bons e fundam assim “clubes” de gente do bem. Quando, na verdade, são vertentes de um plano dual e maniqueísta, onde o “bem” e o “mal”, obedecem a um mesmo senhor. Apenas, o “mal” exercendo um papel tão assustador, que faz com que todos aceitem o “bem”, independente do quão esse “bem” não seja lá essas coisas… mesmo que ele seja cheio de regras cerceantes, de ações ignóbeis e de obediência servil. De submissão.

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Certamente há quem goste de submissão. Que sinta, inclusive, prazer com ela… mas, aí entraremos na seara sexual-sadomasoquista, e, apesar de eu ter lá meus fetiches, não é lá bem a minha praia…

Ok... não é lá de todo ruim...

Ok… não é lá de todo ruim…

Reação ou ação repetida?

Tenho obviamente acompanhado todas as discussões dualistas que estamos tendo no país e no mundo. A retomada da guerra fria, comunistas x capitalistas (como se fossem realmente antagônicos entre si, ou polaridades opostas. Não são.), coxinhas x mortadelas, tucanos x petralhas, etc, etc, etc… e, dentre elas, me deparei inúmeras vezes com o “xingamento” “reaça”.

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O tal “reaça”, obviamente, vem de “reacionário”, ou seja… bem, não vou sair lascando… vamos, primeiramente, ao amansa-burro, como de costume:

re.a.ci.o.ná.rio
adj. Relativo ao partido da reação, acep. 7. 2. Contrário à liberdade individual e coletiva. S. m. Indivíduo reacionário.

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Notemos que é relativo (e não relativismo) ao partido da reação. Mas, o nosso Michaelis inseriu o conceito de contrário à liberdade… será mesmo? Vamos lá…

re.a.ção
s. f. 1. Ato ou efeito de reagir. 2. Ação que resiste ou se opõe a outra; resistência. 3. Fís. Ação reflexa ou resistência que um corpo opõe pela sua inércia a outro que sobre ele atua, ou a uma forma que o solicita. 4. Fisiol. Ação orgânica resultante do emprego de um estimulante. 5. Psicol. Resposta a um estímulo qualquer. 6. Quím. Processo pelo qual, da ação recíproca entre duas ou mais substâncias, se forma outra ou outras, de características diferentes. 7. Polít. Sistema político contrário à liberdade; absolutismo.

Ação… resiste… inércia… resposta… Ok…

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Acho que dá para iniciar um esboço a partir daí… reagir a uma coisa, ao meu ver, é a base do pensamento. Ação x Reação… 3ª lei de Newton… ou, se preferirem, Lei da “Causa e Efeito”…

Ressalto um trecho extraído do link do site “infoescola.com”:

Em casos de troca de forças é indiferente saber qual corpo realizou a ação e qual realizou a reação, pois as forças sempre estarão aos pares, quando existe uma ação sendo realizado sempre haverá uma reação. Que é o equivalente a dizer que não existe uma ação sem reação.

Pois bem, tanto no sentido físico, quanto no esotérico/espiritualista, podemos dizer que ações e reações são parte de sistemas maiores. Desde a criação de matéria, até mesmo ao de evolução do pensar.

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Pois é aí que eu quero me adentrar mais um pouco.

Notemos que o jogo todo se desenha sobre uma discussão sobre quem é que fez a ação e quem é que reagiu a ela… como crianças pequenas que, ao serem repreendidas, soltam o clássico “FOI ELE QUEM COMEÇOU!”.

Pois, a lei de Newton, com a citação acima, nos dão a resposta que é indiferente. Uma é ligada a outra e ambas são sinérgicas em um processo maior. Chame-o do que quiser, sobre a ótica que quiser, mas, essa lei, ao meu ver, é uma das poucas que encontra eco no universo todo. Ação e reação. Causa e efeito. Escolhas e consequências.

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Enfim, notemos que o agir ou reagir, está inserido em um contexto… e, então, resta fazer a pergunta a todos nós: QUAL CONTEXTO?

Pois é nesse contexto que poderemos basear a trajetória e tentar prever o resultado. Se ele será benéfico ou será um desastre completo. Não acham que faz diferença? Para mim, faz toda… explico:

Quando uma empresa está operando em sua produção, de forma deficitária, a primeira medida do controller é suspender a produção. Afinal, quanto mais se produzir de forma deficitária, maior será o rombo.

Ou seja, agir é uma coisa, mas, identificar o tipo de ação é primordial. Afinal, para uma ação ruim, a reação será ruim… tal qual para uma ação boa, a reação será igualmente boa…

Sorria e sorrirão de volta… xingue e será xingado… ofereça rosas e veja a reação… dê um safanão em alguém e espere a reação…

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Assim, posso dizer também que nossas ações ditam as reações. É claro, baseado em conceitos éticos sociais considerados normais… afinal, há quem achará que oferecer flores à uma dama possa ser assédio e tals… coisas dos tempos merda modernos em que vivemos…

Para tal, eu diria que a reação, pode, obviamente, se opor a outra… e é essa terminologia que vou adotar… pois que citei acima, nos exemplos de flores e xingamentos, eu consideraria como consequências de atos…

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Uma boa ação, terá uma boa consequência, refazendo o pensamento. Tal qual, uma má ação, exigirá uma reação de oposição.

Eu venho notado em meus pensamentos a necessidade de expor a diferença entre reagir e estancar uma má ação.

Tenho falado muito ultimamente nisso… não basta apenas agredir de volta o agressor. Tem-se que aprender o porquê essa pessoa quer lhe agredir. Se existe algum padrão nisso. E, se puder, acabar com qualquer tentativa de agressão futura, ao invés apenas de estar preparado para surrar de volta o agressor.

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Ok. Não é um bom exemplo ainda… mas, a ideia central é nos levar a pensar nos cenários que se montam para que percamos mais tempo reagindo (ou nos opondo a) do que nos perguntando o porquê essas ações ruins seguem acontecendo. É nisso que eu os convido a pensar.

Seja na nova guerra fria, seja no cenário político brasileiro, seja no que for. Nos perguntemos se seguir agindo, sem pensar nas causas disso e nos porquês, não seguiremos sempre dentro do mesmo circuito de consequências/reações/efeitos?

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Reagir é diferente de re-agir… ou, agir novamente… ou, simplesmente, seguir agindo… para a ação, sempre foi e sempre será, primeiramente, o planejamento. E é aí que diferenciamos bons projetos de simples tentativas aleatórias…

Pensemos nisso… ou, simplesmente, pensemos…

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Imagina, querido John…

 

Querido John, sou seu fã e creio que sua obra-prima, a “Imagine” seja um símbolo mundial da busca pela paz e igualdade. Também acredito que tu não sejas apenas um sonhador, pois qualquer ser humano que tenha um pouco de bondade em si, certamente não compactua com o monte de iniquidades que assolam o planeta, mais do que nunca, após a tua partida.

Mas olha só, querido, creio que o pessoal tenha pegado tuas palavras e as colocado em um contexto que não sei bem se era o que tu imaginavas.

Eu também tenho... ser normal no mundo de hoje é atestado de insanidade...

Eu também tenho… ser normal no mundo de hoje é atestado de insanidade…

Sim, ao dizeres que um mundo sem “paraíso” ou “sem religião”, creio que falavas algo sobre os conceitos religiosos e suas distorções, onde o pessoal age como cães adestrados em busca de suas recompensas… mas, hoje prega-se o ateísmo em função disso.

Ok, iremos discutir por horas e mais horas sobre o conceito de Deus… aquele que existe e é a soma de tudo, contra aquele criado e inventado, para que seja o produto final de um projeto.

Ah, ok... pensamos parecido...

Ah, ok… pensamos parecido…

Pois bem, John, imagina então, como seria um mundo onde mais do que não haver religiões… imagine um mundo onde pessoas espiritualizassem-se da forma que mais lhes fosse apraz. Que cada um tivesse seu conceito próprio de divindade, de paraíso, de objetivos e recompensas. Os seus… e não os que estão por aí, dispostos como opções pouco apetitosas para o “consumidor”?

Acima de nós, apenas o céu… mas, te pergunto: qual céu? Aquele imenso, que estende-se ao infinito, num imenso vazio de bolas de fogo flutuando num vácuo, com outras de outros materiais as orbitando, ou um céu onde possam haver outras culturas, outras mentes maiores ou mesmo até, civilizações que tenham pisado por aqui em algum tempo, como algumas culturas antigas sugerem?

Imagine, querido, que tivéssemos, além de um céu acima de nós, uma consciência maior. Uma que nos permitisse imaginar que somos parte de tudo. Que tanto subindo aos céus, quanto internalizando em nossas frequências atômicas, alcançássemos o mesmo todo?

Aê, garoto... é disso que eu falava...

Aê, garoto… é disso que eu falava…

Ao falar em um mundo sem países, creio que quiseste dizer um lugar onde pessoas pudessem fazer parte de uma comunidade humana. Independente de sua origem. Que todos tivessem um convívio pacífico. E, aí, é claro, voltamos ao conceito de “não religião” proposto. Afinal, meu velho, deves estar acompanhando daí de algum lugar, que provavelmente não é o paraíso, pois não o querias, mas, ainda assim, tua consciência deve seguir existindo em algum lugar… e, daí, deves estar vendo que mesmo quebrando-se barreiras e fronteiras, algumas pessoas simplesmente não têm ainda condições de conviver com outras. E não só por questões limítrofes de países ou religiões. Trata-se de algo maior. De algo que reside em cada uma dessas pessoas. De serem simplesmente pacíficas por si só. Por exemplo: eu acredito que para uma pessoa saber que estuprar uma mulher e agredi-la é um ato torpe, covarde e mais um monte de outros xingamentos que aqui me ocorrem, ela não precisa estar convertida a alguma religião. Ou, mesmo, como tu propuseste, despida de todas elas. Afinal, bem ou mal é coisa que não necessariamente se aprende, mas, se vivencia.

Calma, meu velho... não é pra tanto... sem sonhos, não se projetam realidades...

Calma, meu velho… não é pra tanto… sem sonhos, não se projetam realidades…

Veja, querido, que o teu canto comoveu bilhões de pessoas, eu creio, mas, poucos se valem dele para realmente agir de forma melhor. E, assim também é com as religiões. Algumas pregam o bem, mas, seus seguidores não deixam de ser abestalhados só porque se especializaram em um livro específico. Eles precisam aprender a agir por conta própria, de forma correta, independente da “recompensa” que lhes for oferecida.

Sim... Sim!!! Por isso que cuidar de si antes de tentar cuidar dos outros é primordial...

Sim… Sim!!! Por isso que cuidar de si antes de tentar cuidar dos outros é primordial…

Tal qual devolver uma carteira recheada de dinheiro na rua. Deve-se devolver simplesmente porque é o certo a se fazer. Não para ficar com os louros da fama em uma matéria exaltando o óbvio, e, tampouco para ser recompensando com algum presente por isso.

Sabia que tu me entenderia...

Sabia que tu me entenderia…

Bem, agora vem a parte mais complicada… imagine um mundo sem posses… e, na mesma estrofe, propor um mundo sem ganância e sem fome…

Olha só, meu querido, já tentamos isso… lá na idade das pedras. E não funcionou… ninguém tinha nada… todo dia, saía-se para caçar, pelo menos até que aprendemos a plantar. E, daí, estabeleceu-se o escambo, a necessidade de estoque e etc… ainda mais que as pessoas viam que não duravam para sempre. Viam que ficavam velhos e lentos para a caça. E que seus filhos e dependentes ainda assim, deviam comer… pois daí a necessidade de evoluir, meu velho. Não se trata de ganância ser previdente e imaginar que poderíamos ser feridos durante uma caçada e que, talvez, tivéssemos que focar em algum estoque para tal.

Pois é... por isso é que temos que começar a ser previdentes e parar de querer depender dos outros...

Pois é… por isso é que temos que começar a ser previdentes e parar de querer depender dos outros…

Mas, concordo na parte da irmandade humana… acho que aí seria uma ótima solução. O pessoal vivendo em comunidades, com ajuda mútua, com cada um fazendo o melhor de si, tanto para si quanto para os que o cercam. Nisso sim tu acertastes em cheio!

E eu, em minha arrogância de tentar retocar uma obra-prima, te proporia um mundo sem política e sem ideologias de manada. Sim, pode parecer controverso, à medida que eu creio na vida em comunidade. Mas, veja bem, querido, o princípio de comunidade no qual eu acredito é baseado, estruturalmente no poder do indivíduo. No bem estar de cada um, primeiramente, que se expande e alcança a todos. Creio em um conceito onde a pessoa seja tão feliz a ponto de querer compartilhá-la com o mundo todo. E não naquele conceito onde deva-se abrir mão de si mesmo em função do outro. Esse pseudo-altruísmo é o que tem ferrado com tudo. Ele multiplica pessoas infelizes, sacrificando suas próprias felicidades em nome de outros. E, pode aqui até parecer que eu estou sendo chato demais, mas, acaba justamente entrando naquele conceito religioso de sofrimento x recompensa futura e não sabida em algum “paraíso”, dos quais pediste para imaginarmos o mundo livre…

Bingo! Poder para o povo significa poder para cada um de nós... o povo não é uma entidade em si, mas sim a soma de pessoas...

Bingo! Poder para o povo significa poder para cada um de nós… o povo não é uma entidade em si, mas sim a soma de pessoas…

Que tal então, fecharmos um acordo agora em uma estrofe do tipo:

“Imagine o mundo sem salvadores;

sim, é preciso ter coragem para tal;

cada um cuidando de si mesmo com garra;

e não mais ser vítima de coisa alguma;”

Ou, se preferir:

“Imagine todas as pessoas, 

vivendo em harmonia consigo mesmas;

saindo de seus casulos de escolhas marcadas;

e rumando ao que nasceram para fazer;”

Bem, tu podes dizer que eu estou sonhando… mas eu acho que eu não estou só… eu espero que um dia, todos unam-se em suas próprias causas de felicidade. E, então, o mundo viverá como um só…

Imagine só, querido John…

#SemMaisMeritíssimo

#SemMaisMeritíssimo

Querido Papai Noel…

E na noite de Natal…

Papai Noel (P.N.): “E então, Rogério, foste bonzinho durante o ano?”

Eu: “Não creio em dualismos de que todo mundo seja bom ou mau em essência, mas, creio que oscilei mais dentro do correto do que o que eu acho que foi errado… embora, meus erros tenham me ensinado algo para que tente não cometê-los de novo… então, acho que sim…”

P.N.: “Er… deixa ver… isso não está bem estipulado aqui… pera… média harmônica… não, tem viés… ponderada… ah, sim sim, acho que vamos calcular a moda pelo número de ocorrências positivas ou negativas, ponderar o desvio padrão e assim, estatisticamente ver como tu procedeu…”

Eu: “Estatisticamente, se eu comer 10 pães e o senhor nenhum, pela média, comemos 5 cada, enquanto eu engordei e o senhor morreu de fome… se bem que com essa barriga…”

P.N.: “Olhalá! Vê o que vai falar… mas, então, como vamos ponderar se foste bom ou não?”

Eu: “Bem, eu não fiz nada que pudesse prejudicar alguém diretamente… caso tenha feito, foi indiretamente e não intencionalmente… no máximo, minhas escolhas erradas trouxeram mais dissabores a mim mesmo, mesmo quando refletiram nos outros, justamente porque não sinto prazer algum em ver alguém se ferrando. Muito menos quando é por minha causa…”

P.N.: “Isso é interessante, mas, ainda assim, não sei bem o que dizer…”

Eu: “Olha, quer saber? Eu fui chato pra caramba… eu enchi a paciência do pessoal ao longo do ano, com as minhas irritações e inquietações mentais… compartilhei com todos o que se passava pela minha mente e fiz questão de deixar claro que o meu caminho é só meu, e, que quem quisesse poderia me acompanhar, do contrário, que não atrapalhasse pelo menos…”

P.N.: “Mas isso, assim dito, parece que foi honesto da tua parte…”

Eu: “Honestidade, hoje em dia, tem seu preço. Perde-se de um lado e os ganhos, quase imperceptíveis a olho nú…”

P.N.: “Como assim?”

Eu: “As medidas de “sucesso” se dão pelo que se conquista. Pelo que se atinge. E, para mentes limitadas notarem isso, é basicamente necessário que isso seja demonstrado… visualmente, de preferência, pois presumir e perceber coisas é dom que nem todos têm…”

P.N.: “Isso já parece rancoroso da tua parte…”

Eu: “Pode ser que sim… acho que é mesmo… porém, o rancor é um aviso do sistema interno, corpo e mente, de que você tem que trabalhar na coisa… e, assim, aquilo vai te demandar tempo para que aprenda a lidar e a tirar o ensinamento certo…”

P.N.: “Mas, então, como poderíamos concluir como foi teu ano?”

Eu: “Talvez se pararmos de pensar em “saldos finais” e tecer uma visão mais analítica da coisa… ponto a ponto…”

P.N.: “Ok. Diga lá então…”

Eu: “Em situações em que eu poderia ter tentado obter vantagens por caminhos que minha consciência não concordava, eu preferi não ir adiante. Se fui perguntado sobre algo, respondi com o meu coração e não da forma “politicamente correta”. Se fiz algo para a caridade, fiz porque eu tinha vontade e não para que me achassem um cara bacana. Se perdoei, o fiz porque a raiva estava me fazendo mal, e não porque um dogma me dizia que era o correto. Se magoei alguém, sofri porque a visão de alguém sofrendo, ainda mais por minha causa, me faz mal. E não porque estava escrito em algum lugar que eu deveria pedir perdão. Se alguém me ajudou da forma que foi, mesmo que o resultado final não tenha sido o esperado, agradeci. Não porque o resultado foi bom ou não, mas, porque a disposição de alguém para me ajudar é o que conta. Se agi corretamente, e, ainda assim o resultado foi uma bosta, creio que, apesar da brabeza, eu faria tudo igual novamente…”

P.N.: “E isso te torna um cara bom?”

Eu: “Aí é que está… não importa… não importa o rótulo que irão me dar. Importa é o fato de eu estar tranquilo na minha consciência, mesmo que a sensação de “vitória” ou de “sucesso” não esteja me acompanhando no momento… acho que tenho muita coisa ainda para fazer e para melhorar…  mas quer saber? Não é em um ano que se resolve uma vida… é na soma dos anos…”

P.N.: “Acho que sim… mas, para o presente de Natal…”

Eu: “Desculpa interromper, mas, sendo bem direto e honesto, se eu tiver que me sujeitar à regras de comportamento, só para ganhar um presente ao final do ano, ou melhor, uma vez por ano, creio que não seja lá o meu conceito de evolução… isso parece mais um adestramento canino…”

P.N.: “Aí tu já estás me ofendendo… a intenção é que as pessoas sejam boas ao longo do ano e, assim, sejam recompensadas ao final…”

Eu: “Adestramento, no bom português… Enfim, acho que o senhor não precisa me dar nada, sinceramente. Afinal, não se trata de alguém me recompensar ou me dar algo por eu ter correspondido às suas expectativas. Trata-se de eu mesmo fazê-lo, pois fui bom para mim, o que, de acordo com a minha forma de ver o mundo, se trata de estender aos que me cercam, o que eu quero para mim…”

P.N.: “Mas o presente…”

Eu: “Dê para alguém que realmente precisa de um mimo para entender que tudo o que passou, valeu a pena. Para mim, basta a consciência tranquila… Forte abraço, meu bom velhinho…”

P.N.: “FELIZ NATAL…”

Eu: “Sim… e Ho-Ho-Ho pro senhor também…”

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