O palhaço triste – finalmente entendi

Já ouvi inúmeras vezes a história do palhaço triste, que faz com que todos riam, enquanto ele chora por dentro. Hoje, eu a entendi. Ou melhor, a vivenciei.

Pera, explico.

Estou há um bom tempo sem atualizar o blog e, desde a última postagem, vivenciei inúmeras coisas. Coisas essas que não relatei por aqui, como vinha fazendo através de textos (sim, todos estes textos expressam momentos da minha vida em que eu os escrevi).

Pois bem, nesse período de vivência, justamente compreendi que, não basta apenas racionalizar sobre um assunto, para ele fazer parte de mim, preciso vivenciar (ou sentir) isso de alguma forma.

Recentemente assisti a uma palestra sobre inteligência emocional, com dicas interessantes sobre fatos e nossas percepções sobre os mesmos. Dizia que os fatos são neutros em si mesmos; nossas percepções sobre tais fatos é que variam de acordo com nossas memórias gravadas e os devidos vínculos que fazemos. Assim, o que pode parecer negativo para alguém, porventura aparenta positividade em outra pessoa. Sim, complexo, mas dá para entender – quem quiser eu indico a palestra.

Assim, hoje, me vi de um estado a outro em questão de minutos e percebi todo o impacto negativo que teve em mim – um ciclotímico, segundo a psicologia. Sim, venho há tempos falando sobre a necessidade de aprender a se observar e a atentar para a maneira que agimos e os padrões que adotamos. E, justamente hoje, percebi que por algo corriqueiro, fiquei triste além do ‘normal’. Por um tempo, tentei apenas repelir a sensação, tal qual alguém que toma um xarope para a tosse, sem se importar em pesquisar para ver se a tal tosse se origina de uma alergia ou mesmo de uma tuberculose. Depois de ver que tal sentimento não se afastava, resolvi aprofundar em minha mente e rever quais conexões eu estava fazendo acerca de tal fato. Afinal, o fato era normal, justificável e corriqueiro; então por que raios aquilo tinha provocado uma hecatombe interna?

Assim, por momentos de introspecção, ouvindo um som de calmaria, que teve efeito contrário, me dando vontade de chorar, encontrei, no fundo das minhas conexões neurais (abraço, Léo!) um possível motivo para tal reação…

O fato estava atrelado a uma possibilidade de melhoria (a curto prazo, o que não inviabiliza ainda de acontecer mais à frente) que ruiu por um motivo simples. Então, nada mais normal que uma frustração sobre uma expectativa (que erroneamente criei, ao contrário do meu mantra: ‘não crie expectativas, crie porcos, que, na pior das hipóteses ainda te dá bacon’ – o que também explica muita coisa que entendi mais à frente). Acontece diariamente com todo mundo. Só que, no meu caso, essa frustração desencadeou uma série de lembranças e suas devidas emoções vinculadas, onde entendi – ou melhor, senti – o impacto negativo sobre o fato: estava fazendo o vínculo dessa frustração com todas as esperanças e expectativas que não se concretizaram ao longo da minha vida, além de também atrelar isso à uma sensação de inoperância, fracasso e de todas as vergonhas que senti ao não conseguir sucesso em algo. A necessidade de querer me validar como alguém bem sucedido, ou, ao menos, que não seja um peso na vida dos outros (sim, fui fundo).

Assim, concluí que minha auto-sabotagem consiste em vincular o ‘ter esperança’ ou ‘criar expectativas’ ou até mesmo confiar em mim e na minha capacidade é o prenúncio de frustrações e vergonhas futuras.

BUUUUUUUUM!

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Sim, o momento mind blowing foi tão suave quanto Bruce Lee me dando uma voadora nos bagos… mas, vou sobreviver, pois desse momento eu consegui extrair uma resposta a uma pergunta que eu sequer ainda tinha conseguido formular bem.

Tá, mas o que isso tem a ver com o palhaço? Palhaçada foi esse título aí – porventura alguém pode estar pensando no momento. Explico.

Tal momento ocorreu durante o dia e no ambiente de trabalho. Esse tsunami de emoções, sinapses, liberações químicas e interações de neocórtex, interno, teve que ser montado com uma cara de paisagem constante. Olhos marejados podem ser confundidos com rinite alérgica (ou maconha, mas como quem me conhece sabe que eu não curto essas coisas, então acho que passa batido), logo, bola pra frente e finjamos que está tudo bem.

Uma voz ao fundo, de um amigo, comenta que eu, usando meu headset, pareço um piloto de helicóptero. Respondo prontamente que sim, só me falta o helicóptero e aprender a pilotar. Risos ao redor e mais duas ou três piadas decorrentes, gerando mais sorrisos e alegria no ambiente. Sim, eles todos sorriram junto comigo… só que eu, apenas sorria com expressões faciais, não por dentro. Pobres palhaços…

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A loucura nossa de cada dia…

Já disseram que, de médico e louco, todo mundo tem um pouco…

Bem, para mim, a premissa é verdadeira, pois, embora seja administrador, sou metido a dar prognósticos de doenças… pelo menos, as que eu já tive e lembro dos sintomas e tratamentos… é claro que, com a ajuda do São Google, padroeiro dos autodidatas (ou auto-idiotas), geralmente costuma funcionar para casos simples.

Mas, a parte do louco… bem, essa eu me identifico bastante…

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Ainda ontem estive em um jantar com amigos de infância… amigos há mais de 30 anos, que, hoje, considero uma família. Pois bem, durante a conversa, ficou a minha verve em externar todas as sandices que me ocorrem, evidente a todos. Principalmente aos que são meus amigos no Facebook (e que não deixaram de seguir minhas postagens). Respondi um “ame-o ou deixe-o”, para resumir a minha fase com ausência de meios termos, coisa que anda também, bem evidente.

Rimos dos causos antigos e velhas histórias que ao longo dos 30 anos repetem-se em reencontros. Nessa irmandade criada, temos um publicitário brilhante, um competente funcionário público, um engenheiro de sucesso, um médico genial… e eu. Também percebi que todos têm suas vertentes “insanas”. As declaradas, as não declaradas e as reprimidas.

Sim, eu imagino (na minha insanidade assumida) que estejamos divididos entre esses três tipos.

Temos os que declararam isso, como eu, os que não declararam, pois ainda sequer se deram conta de que são ou estão insanos, e, para finalizar, os que já se deram conta, mas, tentam aparentar a vivência dentro da “normalidade”.

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Bem, e daí? – devem estar perguntando-se…

Pois bem, explico:

Acredito que a -dita- insanidade ou loucura, ou qualquer outro nome que queiram dar, trata-se de uma dissonância nossa em relação a algo… ou a alguém…

Complicou, né?

Bem, sigo tentando explicar…

Eu imagino que alguns tipos de “problemas mentais” (para achar um termo genérico para a tal insanidade) são sintomas. E não causas em si. Já escrevi sobre isso, certa vez… não lembro o texto e nem a data.

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E, tal qual a tosse é um sintoma de uma doença que possa variar entre uma simples gripe, alergia, refluxo… até tuberculose ou coisas mais graves… e é aí que eu quero chegar.

Essa tosse é o convite à investigação, para que, durante a pesquisa, acabemos reavaliando processos, modo de vida, reeducações alimentares ou de atividades… enfim, é durante o check up que acabamos tendo uma visão do todo e, nele, acabamos tomando medidas de melhoria.

Certamente tudo isso é para quem se dispor a investigar, e, sobretudo, a se adaptar para propiciar tal melhoria…

Posso usar outro exemplo, onde uma pessoa que identificou como causa da tal tosse, um péssimo hábito, como fumar, por exemplo, e, com o início do tratamento, tem em seu mais primordial pré-requisito, o parar de fumar. Bem, aí amigos, o exemplo figurativo vai além…

Durante o processo, a pessoa terá desde a mudança de humor, até crises de abstinência do antigo hábito… que, enquanto a química corporal e cerebral se adapta à nova realidade, o indivíduo (que é a soma das químicas, físicas e outras ciências), padece e sofre…

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…sofre desde conflitos internos, ou, consigo mesmo, até dramas maiores em suas relações mais próximas. Familiares, colegas de trabalho e tals…

Também é interessante dizer que, este subprocesso também serve para determinar quem realmente se importa com o cidadão e quer seu bem, de quem é apenas reativo ao momento que ele vive… resumindo: amizades vêm e irão de acordo com o avançar do processo…

Outras, permanecem… como no meu caso, por décadas, ou, quase a minha vida toda de convívio social, como meus amigos-irmãos do jantar de ontem. Mas, isso foi pura sorte minha, que, ao longo do período, conseguiram suportar minhas insanidades… tal qual suportei as deles…

O momento atual, me diz que, nesse instante, minha insanidade me aponta a necessidade de revisitar processos da minha vida… escolhas feitas… um balanço do que fiz até então… e isso não é a solução em si de nada, mas, simplesmente, o início de um diagnóstico… o tratamento é outra coisa.

Pois eu diria que o diagnóstico para possíveis causas dessa insanidade é vasto… o mundo em que eu vivo, a sociedade, o cenário político, o plano astral, o universo, enfim… em qualquer abordagem que eu venha a fazer, encontrarei dissonâncias minhas em relação a tais fatores…

Mas, e daí?

O que eu devo concluir com isso?

Sinceramente, não sei… só sei que o processo segue e está a todo vapor… talvez demorando mais do que eu previa, ou, pelo simples fato de eu ainda não ter entendido que ele irá durar o tempo em que eu viver… afinal, a melhoria deve ser constante…

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Também acho que, como tenho pensado muito ultimamente, ele é algo que, por mais que eu viva socialmente, diz respeito unica e exclusivamente a mim. Afinal, não se trata de que eu mude (ou deixe de ser “louco”) para não desagradar aos outros… mas sim, de que eu apenas atinja a razão para que isso tudo faça sentido A MIM. É a mim que eu devo satisfações. Sou eu quem me cobra a todo instante, o porquê disso tudo… o que eu tenho ganho com isso? Se o feito até então valeu a pena… e, sobretudo, para que eu tenho procedido? Para qual rumo eu estou indo? Terá algum nexo nisso tudo?

Será que o nexo disso tem algo a ver com o Nexus, a explosão de uma suposta Supernova do centro da galáxia e que nos irradia com raios gama, desde 2008, segundo vertentes esotéricas ou pseudo-científicas que corroboram com todas as teorias da mudança global, nova era, 2012, apocalipses e fins de mundo que, a todo instante nos assaltam a mente?

Sabe-se lá…

Também as vertentes religiosas nos falam de mudanças em planos espirituais, de reformas de moralidade necessárias para “passar de fase” (sim, parece um RPG astral onde temos que realizar quests para ganhar pontos, evoluir o personagem e avançar de fase).

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Completei 40 este ano… espero que tenha uma coisa ou outra ainda reservada…

Experienciei muita coisa de 2010 para cá, embora, tenha tido prévias do porvir bem antes disso… e, durante os vários discursos ouvidos, tanto de espíritos, de mentores, de médicos, familiares, amigos e uma gama de gente que tentava me ajudar a voltar à “normalidade”, notei algumas ligações e “coincidências” que me apontavam que haveria uma necessidade de mudança… ouvi desde que “…tempos difíceis se avizinham”, até que “…tempos novos e alegres estão surgindo”…

E, nessa diferença gritante de “dicas”, que mais parecem fornecidas por institutos de pesquisa brasileiros e suas margens de erro ridículas (como a que transforma 1 milhão de pessoas em 20 ou 30 mil, para, em outras situações, transforme meia dúzia de gatos pingados em “milhares de pessoas”), percebi que também são causas de insanidade… afinal, como tentar pensar racionalmente com tantos dados difusos?

Mais adiante, me dei conta de que nem sempre pensar racionalmente é solução para tudo… sentir era tão essencial quanto pensar…

Mas, sensações e sentimentos, variam muito de momento para momento… o que “racionalmente” podem ser encaradas como problemas de ordem mental e que carecem de medicamento…

Eu diria que não… que essas mudanças são tão frequentes quanto novos paradigmas se apresentam aos que estão abertos a vê-los…

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Mentes fechadas em suas “certezas” dificilmente percebem coisas que fujam de suas cognições… já, aos loucos que percebem tudo de forma diferente…

Raul Seixas, o nosso maluco beleza, nos brindou com inúmeros pensamentos que, hoje, notadamente estavam à frente de seu tempo… o que, me parece mais que a sua insanidade residia muito na incapacidade dos “sãos” em perceber sua genialidade, do que, necessariamente, na “maluquez” dele… ilustrada, magistralmente, ao meu ver com a frase “…quem não tem visão, bate a cara contra o muro…”.

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Pois bem, queridos, se temos ao nosso redor pessoas caçando borboletas, OVNI’s nos céus ou a iluminação interior, se encharcando de Santo Daime, eu diria que são sinais de que algo grita dentro de cada um… são sintomas de que o “real” não basta, sintomas de que suas realidades são insuficientes para justificar o porquê disso tudo… e, por mais que ainda não tenhamos a menor ideia de qual seja essa solução, abrir cada vez mais os olhos, seja fundamental para que, caso nos cruze a frente, consigamos enxergar tal solução… ou, atingir meios de criá-la nós mesmos… sem ficar refém de nenhum baluarte ou arauto da “normalidade”… e, Deus nos livre, dos ditadores do novo “politicamente correto”…

Pensemos nisso… ou, simplesmente, pensemos…

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**Peço licença poética para as trossentas reticências usadas, pois elas justamente representam a não finitude do pensamento em cada frase em que as empreguei… (inclusive aqui)