Metáforas, alegorias and Bullshits

Tenho adentrado em estudos acerca do comportamento humano, há tempos, desde que me apaixonei pela psicologia, fazendo vínculos em meus estudos com a filosofia, buscando (ainda sem grande sucesso) compreender a alma humana, sua vontade e o que os move. Dentre tantos cantos percorridos, encontrei de tudo, desde insights profundos em músicas, desenhos animados, games, livros e, até mesmo, gurus especialistas; e, como tudo na vida, vi o lado bom e o lado ruim disso; afinal, há de se ter parcimônia para tudo nessa vida.

Por exemplo, o uso de metáfora e alegorias. Sempre tem alguém contando uma historinha bonitinha para exemplificar uma situação de vida, onde, embutido, está o ensinamento. Algumas são realmente interessantes, pois, como toda a historinha, a gente ouve, compreende o que precisa e segue firme. Isso, obviamente, para os normais; já, para os chatos de plantão, como eu, sempre haverá de ter mais de uma interpretação para a coisa. Talvez porque eu, revisitando a fase dos porquês, ainda esteja querendo entender os contextos do que atiram por aí em broadcast.

Sempre gostei de histórias e o que podem nos ensinar. Até arrisquei uma parábola por aqui, outro dia, com a das ostras; sou fã da “Roupa nova do rei” e me identifico muito com o guri que grita que o rei está nu (Spoiler Alert! Ops, tarde demais), enquanto os demais fingiam ser inteligentes, admirando o tecido invisível. Mas, como tudo são filtros nessa vida, hoje noto que poderia vir um outro sabichão dizendo que na verdade, tal tecido existia e apenas alguns ‘escolhidos’ poderiam, de fato, vê-lo. E, assim, o menino, representante do atraso e da intolerância, grita dentre a turba, que estaria o rei despido, fomentando a ignorância dos que não conseguiam ver, frente à visão avançada dos iluminados… e, ainda poderia ilustrar com uma frase célebre de algum filósofo importante, fazendo o devido link.

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Pois, depois que iniciaram as recontagens de histórias no mundo cinematográfico, com o Drácula tendo uma origem diferente, ou a Malévola sendo vítima dum macho opressor, dando início a um período de dissonância cognitiva, até a redenção ao final (outro spoiler: foda-se!), é normal que a onda do ‘tudo tem dois lados e as visões podem ser deturpadas), há de se ponderar a utilização dessas figuras de linguagem.

Bom, para começar, definamos a diferença entre metáfora e alegoria, de acordo com o tio Google:

A principal distinção feita entre alegoria e metáfora se refere à frequência e extensão do uso da linguagem simbólica. A metáfora é usada mais pontualmente, se referindo a termos isolados. A alegoria ocorre na totalidade do texto, sendo formada por diversas metáforas interligadas entre si.

Pois, nessas figuras, temos muita coisa por aí… desde animais de poder, até contos diversos, onde a técnica do storytelling, cuja qual fiz um curso na Iversity, potencializa os ensinamentos, envolvendo o conteúdo em algo lúdico ou impactante de outra forma.

Mas, como sou eu esse xarope de sempre, me vi, para variar, ponderando o outro lado da coisa. Até por estar convivendo com essa geração que problematiza tudo, desde comercial de margarina, até se algum famoso se apropriou de algo ao fazer um penteado diferente. Assim, ao me deparar com uma metáfora de que deveríamos, tal qual os pássaros, alçar voos maiores e coisas do tipo – com variações para águias que arrancam o bico ou as penas -, percebi que dá para arrumar maneira de esculhambar a coisa, usando essa mesma técnica de perturbação.

Pássaros cagam na cabeça dos outros, um engraçadinho dirá. Sim, também podemos dizer que pardais comem bosta, urubus alimentam-se de carniça e por aí vai. Assim, quando adentrarmos a seara da ilustração figurativa, devemos tabular bem a coisa de forma a não dar muita margem a alguns bestas subversivos, colocarem tudo a perder.

Assim, que fique claro que uma ilustração é apenas isso: um exemplo. Algo a se compreender, de forma mais simples. Grandes mestres o fazem em amplo espectro, como Tolkien, por exemplo, contou a segunda guerra mundial, na obra-prima, “O Senhor dos Anéis”, ou mesmo C.S. Lewis falou de religião nas “Crônicas de Nárnia”.

Também há de se ponderar que toda história (ou estória) tem um conteúdo embutido e uma ideia central. Antigamente se dizia que “…a moral da história…”, de forma definida, apontava o ensinamento em si. Ao menos antes dos relativistas morais darem jeito de desconstruir as coisas. Há, inclusive, um cidadão que resolveu recontar “O Senhor dos Anéis”, sob a visão dos vilões. Obviamente, mesmo eu não tendo lido, imagino que há muita semelhança com alguns padrões atuais de pós-verdade que encontramos inseridos nas narrativas midiáticas.

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Os conceitos de heróis e vilões, baseados em arquétipos pré-definidos por cultura vigente, podem variar de acordo com o viés de quem conta tal história. Ora vejamos: haverá muita diferença entre os heróis de um acontecimento histórico, de acordo com qual lado você está da história. O certo é que o cerne da história contada, diz qual é a ‘moral’ por detrás da coisa. E, assim, saberemos qual a ideia ali contida e qual a intenção da mesma.

‘Ah, mas histórias são apenas histórias’, dirão. E eu discordarei radicalmente. Mesmo um conto infantil tem algo embutido. Vide a Chapeuzinho Vermelho que, desde sempre, toca o terror para lembrar que pode dar muita merda quando a criança não obedece os pais.

Também, para tal, cito todo o nosso conceito cultural do momento. Desde obras de arte, exposições, programas de auditório, jornais – impressos, de rádio ou televisão -, peças teatrais, cinema, séries, novelas e uma infinidade de itens, que, contemplam toda uma ideia inserida. Ideia essa que compõe um inconsciente coletivo. E, não por acaso, essa narrativa é insistente, contínua e incessante. Ela se baseia no conceito de transvaloração, do Nietzsche, que diz:

Por outro lado, Nietzsche fala em transvaloração, entendendo por isso o processo pelo qual a dissonância cognitiva passa para a história. Em outras palavras, o modo pelo qual os valores vão mudando ao longo do tempo. Nos primeiros choques, a consciência rejeita as contradições de seus “princípios” assentados em convicções. Depois, começa a envergonhar-se de suas evidências, e por fim a admitir o que antes seria impossível. O processo de mudança é por isso lento e de alta ansiedade.

Um outro exemplo, é o conto da “Raposa e as uvas”, que tem por moral da história, dizer que sempre tendemos a menosprezar aquilo que não conseguimos ter.

Eu, insistentemente tenho falado sobre o assunto, das narrativas diárias e o que elas embutem em nosso inconsciente, de forma meticulosa, tentando formatar as ideias e nossas conexões futuras.

Para tal, a máxima do nosso folclórico ET Bilú, é ainda primordial: “…buuuuusquem o conhecimeeeeeentoooo”.

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Amar os outros como a si mesmo… what?!

E eis a máxima maior (com o perdão da redundância) de toda a cultura judaico-cristã. Jesus deixou-nos essa… digamos… sugestão, para que pudéssemos ser um pouco menos… digamos… tudo aquilo que Ele não queria que fôssemos. Eu suponho, é claro.

Com isso, também creio eu, que Ele estaria falando algo do tipo “amor incondicional”, ou algum outro tipo de amor que apenas um iluminado, como o autor da frase, poderia ter o alcance de sugerir, como está escrito, segundo o amigo Google, em Mateus 22:39, como referência à Levítico 19:18 (mais uma vez, obrigado, Google).

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Pois, o papo de hoje não é religioso e, tampouco, contrário a qualquer dogma. Na verdade, ele é uma tentativa de utilizar a lógica para tentar entender a coisa. Alguns acham tal frase muito simples; outros, como eu, espumam ao tentar alcançar a essência da frase, que pode parecer muito mais complicada do que inicialmente é. Ao menos a mim, um complicador nato das coisas.

Ora vejamos: “amar os outros como a ti mesmo”, pode ser desmembrada em uma série de perguntas que, provavelmente, deixarão o cidadão no vácuo por um bom tempo. Ao menos, em tempos de reflexão profunda, como a fase atual, algumas máximas soam de forma diferente do que em outras vezes. Como dizia o Heráclito, que citei no post anterior…

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Pois bem, voltei a ouvir a máxima cristã e eis que ela me soou diferente desta vez. Soou menos dogmática e mais psicológica. Então, em primeira sugestão de desmembramento, começamos perguntando: o que você entende por amor?

Seria aquele amor entre namorados em início de namoro? Ou aquele amor que faz com que o namoro prossiga mesmo com tantas adversidades? Aquele amor de pais e filhos, quando a criança, tão esperada (em alguns casos, claro) é munida de todos os mimos? Ou aquele amor que faz com que se ature um filho problemático? Seria o amor utilitarista, que é aquela troca de produtos e serviços, ou o amor que não exige nada em troca? O amor da essência da pessoa ou o amor pela projeção que se faz dela? Aquele amor idealizado em sua mente como o que você espera, ou o amor que apenas se sente ao passar dos dias?

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Enfim, vocês entenderam o meu ponto…

Compreender o amor, por si só, já é difícil o bastante. Suas nuances, seu alcance, se é por algum tempo, se ele varia de acordo com as circunstâncias e por aí vai.

Agora, o outro ponto a desmembrar, talvez seja o mais complicado ainda. A parte do “… como a ti mesmo…”; sim, a pergunta é relevante e é bem complicada: você se ama?

Não precisa me dar a resposta. Guarda ela para aquele momento em que você estiver apenas com seus pensamentos. Ou, talvez seja mais complicado ainda, porque você tem evitado essa pergunta, por anos, como eu.

Não se enganem, não estou eu aqui dizendo que estou em depressão ou coisa do tipo. Apenas, me pego, às vezes, pensando no assunto. Sobretudo quando escuto algum terapeuta holístico, seja em algum vídeo de meditação no Youtube, ou mesmo quando alguém me sugere algum exercício qualquer de desprogramação de pensamentos negativos ou coisas do tipo, onde, geralmente o mote principal é o “ame-se, perdoe-se e aceite-se”.

Pois é nessa hora que eu vejo que não estou bem em consonância com a coisa toda. Eu até vou com a minha cara, me acho um cara legal; conheço gente melhor e gente pior que eu, enfim. Agora, como classificar isso como amor? Eu me aceito? Sim. Eu me acho legal? Sim. Eu, basicamente não tenho vontade de trocar de corpo ou personalidade com outra pessoa? Não. Então, por que raios não dá pra chamar isso de amor? Simplesmente porque eu não entendo bem desse negócio de amor incondicional. O que seria isso?

O mais perto que eu cheguei disso é o amor que tenho pela minha filha. Foi ali que eu entendi que há enorme diferença no tal amor apaixonado, carnal e físico, com as devidas trocas de um relacionamento, para um amor que simplesmente existe, independente do que aconteça diariamente. Mas, ainda assim, não impede de eu me emputecer volta e meia com as cagadas de adolescente e as devidas chatices do período da vida que ela atravessa. Amenizo, por lembrar que eu também fui um adolescente mala, com variáveis de alternância entre fazer coisas legais e idiotices inomináveis por todos os períodos da minha vida.

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Sendo assim, o tal amor a mim mesmo, não é também um amor auto-condescendente. Lembro de inúmeras passagens da minha vida e, certamente, mentalmente me xingo. Que tipo de amor incondicional faria eu simplesmente negar o tanto de cagadas que já fiz? Também não sou nenhum criminoso e me orgulho em dizer que não possuo inimigos em meus 44 anos de vida. Só que, aprendi, a duras penas, a não repetir cagadas, praticando-as. Logo, já fui canalha, idiota, imbecil, inoportuno e uma série de outras coisas que me saltam à mente a toda vez que se fala em amar a mim mesmo.

Mas, como eu sei que o relacionamento comigo é para a vida toda, não tenho outra escolha senão trabalhar o relacionamento diariamente. Óbvio que este, como qualquer outro, não é lá um mar de rosas, com dias melhores, outros piores. A diferença é que não dá para dar um tempo ou fingir demência.

Bem, a essa altura do campeonato, acho que me fiz entender no questionamento central do post. Como é que eu vou amar alguém como a mim mesmo, se eu sequer entendo o sentido real de amor e muito menos eu me amo?

Creio que, porventura, essa seja a profundidade da proposição bíblica. E, também o porquê pouquíssimos têm essa aptidão. Provavelmente eu tenha que seguir me esforçando em ser um cara legal com os outros, para, quem sabe, eu seguir me achando um cara legal também. Afinal, compreender o tal amor é um troço pra lá de complicado.

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Há quem diga que amores vêm e vão, são aves de verão e se tens que me deixar, que seja então feeeeeliiiiiiz… mas como eu não aprendi dizer adeus, muito menos a mim mesmo, tampouco pretendo me deixar, pode ser que eu me ame platonicamente, sem nenhum interesse envolvido. Só que, por definição, ele é entre duas pessoas. E a pessoa que eu sou hoje, não ama a pessoa que eu já fui. Logo, tal amor não é bem correspondido. Talvez eu amasse alguém que eu idealizasse, lá na frente, realizando os sonhos que eu tenho. Talvez eu ame de forma não correspondida, talvez eu me traia e me revolte tantas vezes comigo, que esteja difícil a relação no momento. 

Talvez eu devesse ser aquele cara que as possibilidades me apresentam. Aquele que poderia ter feito tanta coisa e fosse bem sucedido em todas. Não aquele que tentou tanto, se frustrou pra caramba e segue, de teimoso, não desistindo de se reinventar, mesmo após um fracasso atrás do outro. Bem isso é uma característica de amor próprio, dirão; e eu concordaria, afinal, o amor não é um eterno tentar novamente? Seja em relacionamentos que mudam de pessoas, que mudam as pessoas, que têm que perdoar, que refazer, que construir, destruir e reconstruir?

Talvez eu queira para os outros (uma boa parcela das pessoas que conheço, ao menos) o que eu quero para mim. Que sejam felizes, que tenham uma vida boa, próspera e que façam o bem para si e para os outros. Logo, aos outros como a mim mesmo. E eis que dá para fechar o acordo aqui. Não sei se o Mestre está de acordo com esse pensamento, mas, certamente Ele entendendo muito melhor que eu do assunto, há de me perdoar, pois se a premissa for verdadeira, Ele me ama. Seja Ele a entidade descrita nas escrituras, ou qualquer outra em equivalência de magnitude, em qualquer outra filosofia ou dogma. Um ser supremo, há de entender essa tentativa de entendimento que compartilho aqui.

E assim a banda toca… em pleno carnaval de 2019… buscando entendimento.

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O palhaço triste – finalmente entendi

Já ouvi inúmeras vezes a história do palhaço triste, que faz com que todos riam, enquanto ele chora por dentro. Hoje, eu a entendi. Ou melhor, a vivenciei.

Pera, explico.

Estou há um bom tempo sem atualizar o blog e, desde a última postagem, vivenciei inúmeras coisas. Coisas essas que não relatei por aqui, como vinha fazendo através de textos (sim, todos estes textos expressam momentos da minha vida em que eu os escrevi).

Pois bem, nesse período de vivência, justamente compreendi que, não basta apenas racionalizar sobre um assunto, para ele fazer parte de mim, preciso vivenciar (ou sentir) isso de alguma forma.

Recentemente assisti a uma palestra sobre inteligência emocional, com dicas interessantes sobre fatos e nossas percepções sobre os mesmos. Dizia que os fatos são neutros em si mesmos; nossas percepções sobre tais fatos é que variam de acordo com nossas memórias gravadas e os devidos vínculos que fazemos. Assim, o que pode parecer negativo para alguém, porventura aparenta positividade em outra pessoa. Sim, complexo, mas dá para entender – quem quiser eu indico a palestra.

Assim, hoje, me vi de um estado a outro em questão de minutos e percebi todo o impacto negativo que teve em mim – um ciclotímico, segundo a psicologia. Sim, venho há tempos falando sobre a necessidade de aprender a se observar e a atentar para a maneira que agimos e os padrões que adotamos. E, justamente hoje, percebi que por algo corriqueiro, fiquei triste além do ‘normal’. Por um tempo, tentei apenas repelir a sensação, tal qual alguém que toma um xarope para a tosse, sem se importar em pesquisar para ver se a tal tosse se origina de uma alergia ou mesmo de uma tuberculose. Depois de ver que tal sentimento não se afastava, resolvi aprofundar em minha mente e rever quais conexões eu estava fazendo acerca de tal fato. Afinal, o fato era normal, justificável e corriqueiro; então por que raios aquilo tinha provocado uma hecatombe interna?

Assim, por momentos de introspecção, ouvindo um som de calmaria, que teve efeito contrário, me dando vontade de chorar, encontrei, no fundo das minhas conexões neurais (abraço, Léo!) um possível motivo para tal reação…

O fato estava atrelado a uma possibilidade de melhoria (a curto prazo, o que não inviabiliza ainda de acontecer mais à frente) que ruiu por um motivo simples. Então, nada mais normal que uma frustração sobre uma expectativa (que erroneamente criei, ao contrário do meu mantra: ‘não crie expectativas, crie porcos, que, na pior das hipóteses ainda te dá bacon’ – o que também explica muita coisa que entendi mais à frente). Acontece diariamente com todo mundo. Só que, no meu caso, essa frustração desencadeou uma série de lembranças e suas devidas emoções vinculadas, onde entendi – ou melhor, senti – o impacto negativo sobre o fato: estava fazendo o vínculo dessa frustração com todas as esperanças e expectativas que não se concretizaram ao longo da minha vida, além de também atrelar isso à uma sensação de inoperância, fracasso e de todas as vergonhas que senti ao não conseguir sucesso em algo. A necessidade de querer me validar como alguém bem sucedido, ou, ao menos, que não seja um peso na vida dos outros (sim, fui fundo).

Assim, concluí que minha auto-sabotagem consiste em vincular o ‘ter esperança’ ou ‘criar expectativas’ ou até mesmo confiar em mim e na minha capacidade é o prenúncio de frustrações e vergonhas futuras.

BUUUUUUUUM!

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Sim, o momento mind blowing foi tão suave quanto Bruce Lee me dando uma voadora nos bagos… mas, vou sobreviver, pois desse momento eu consegui extrair uma resposta a uma pergunta que eu sequer ainda tinha conseguido formular bem.

Tá, mas o que isso tem a ver com o palhaço? Palhaçada foi esse título aí – porventura alguém pode estar pensando no momento. Explico.

Tal momento ocorreu durante o dia e no ambiente de trabalho. Esse tsunami de emoções, sinapses, liberações químicas e interações de neocórtex, interno, teve que ser montado com uma cara de paisagem constante. Olhos marejados podem ser confundidos com rinite alérgica (ou maconha, mas como quem me conhece sabe que eu não curto essas coisas, então acho que passa batido), logo, bola pra frente e finjamos que está tudo bem.

Uma voz ao fundo, de um amigo, comenta que eu, usando meu headset, pareço um piloto de helicóptero. Respondo prontamente que sim, só me falta o helicóptero e aprender a pilotar. Risos ao redor e mais duas ou três piadas decorrentes, gerando mais sorrisos e alegria no ambiente. Sim, eles todos sorriram junto comigo… só que eu, apenas sorria com expressões faciais, não por dentro. Pobres palhaços…

O futuro não é mais como era antigamente…

A frase do título, conforme cantava Renato Russo, no seu Legião Urbana, evidencia algumas coisas, ao meu ver, que podem exemplificar o momento atual que vivemos…

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Basta que comparemos, por exemplo, a ficção científica, tanto em filmes quanto livros, do passado, com os atuais…

Fomos de sociedades com facilidades extremas de um simples apertar de botões, com direito a carros voadores, jet packs e coisas do tipo, para visões cataclísmicas… passando desde apocalipses naturais, até guerras atômicas que dizimam o planeta. Sem esquecer, é claro, as invasões alienígenas, com os apocalipses zumbis que voltaram à moda recentemente…

…ok, ok… o apocalipse zumbi não parece lá tão distante, vide o número crescente de acéfalos que dominam as mídias, a “cultura” e tentam se apropriar do senso comum…

Mas, minha proposta é outra ao escrever isto. É tentar resgatar uma visão construtivista de futuro. A crítica diária já é ferrenha e, com ela, conseguimos evidenciar o tamanho de coisas erradas que vemos. Aliás, são óbvias as coisas erradas. Mas, como dizia o sábio:

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Pois então…

Assim, podemos ponderar que as obviedades atuais estão longe de nos apontar um futuro digno… muito menos um entusiasmante. Tenho visto que os mais otimistas, projetam um futuro bem distante, onde o aprendizado atual, vulgo ‘quantidade de merda praticada’, nos dará bases a cenários onde não voltaremos a incorrer nas mesmas cagadas premissas erradas de pensamento…

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Ok. Aí me interessa…

Acho que um padrão pode ser reconhecido: temos nos baseado pelo passado para tentar projetar um futuro. Ou seja, comparamos a tudo o que já ocorreu, citamos pensadores antigos e que sequer estão vivos para presenciar o cenário atual ou mesmo poder compará-lo com suas obras, até, ideologias seculares e poeirentas que ainda são exaltadas mesmo que em nenhum caso elas tenham sido bem sucedidas.

Funcionam como antíteses umas das outras, criando um emaranhado de pensamentos antagônicos entre si, sem que se proponha nada de novo, de atual, que tenha foco na realidade atual, com o povo e a mentalidade atual, por exemplo.

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Claro que para entender alguns padrões, tem-se que recorrer ao passado. Às origens das coisas e como elas se desenvolveram até o momento atual. E era isso. De resto, teremos que identificar que há a enorme necessidade de se criar algo novo. De modificarmos o marasmo atual e a pouca diversidade de ideias que nos encaixota o pensamento.

Temos as falácias de autoridade, por exemplo, praticadas quando citamos pessoas de grande apelo, para embasarmos nossas próprias ideias. Como se tivéssemos que nos validar não por nós mesmos, mas, apenas quando equiparamos nosso pensar a algum baluarte de alguma coisa. E, PARA MIM, tá aí o erro básico.

Não estou eu aqui dizendo, de forma alguma, que devamos deixar de lado esses pensadores. Apenas acho que eles fazem parte do arcabouço de conhecimento de cada um. Ou seja, eles nos municiam de itens de pensamento. Eles nos instigam a pensar. A nos modificarmos nas formas estanques em que nossas mentes se encontram. E, a cada ideia nova, passamos a ser novas pessoas, com novas perspectivas e com novos desafios a percorrer. É disso que eu acho que se trata a coisa. E não que devamos nos validar por eles. Citá-los para exemplificar algo, sim. Chancelar nossas ideias por outras, mesmo que seja por senso comum, não.

Não é porque um autor, dez, cem ou milhares, concordam acerca de um assunto que este passa a ser imutável, insofismável ou mesmo que, mais adiante, com novos elementos, técnicas, tecnologias, et cetera, não possam ser refutados por termos mais bases de ponderação.

A verdade absoluta de hoje pode ser derrubada amanhã. Basta que paremos de encará-las como absolutas. Não por relativismo moral, ou, no intento de derrubar uma tese simplesmente por derrubá-la, ou validar nossa ideia sobre a simples desconstrução de outra. Mas sim, pela necessidade de criar algo novo e melhor. E isso é ESSENCIAL!!! A criação de algo melhor para substituir o anterior… se não for, pelo menos um pouco melhor, deixa como está. Afinal, tem aquele outro sábio que dizia:

nada é tão ruim que não possa piorar

Quem me lê, tanto por aqui, quanto pelo que falo no Facebook, sabe da minha ranzinzice com o momento atual. Noto a pobreza intelectual do país, baseada muito mais na incapacidade de contestação dos tais baluartes do que propriamente por suas capacidades, vejo ideologias cerceando pensamentos, vejo o politicamente correto encaixotando opiniões… enfim… mas, chega de só criticar… tá na hora de fazer alguma coisa. De propor algo novo. De tentar sair desse mato sem coelho (ou cachorro, sei lá). Para tanto, será preciso que comecemos a construir um pensamento novo. Adequado às realidades de cada um. Sintético ou analítico, por vezes, mas, ainda assim, essencial para que algo novo, ao menos, seja plantado. Uma semente a ser geminada, que seja.

Me vi num ponto onde noto coisas boas e ruins por onde transito, aprendo, observo. E, como tudo na vida, devemos ponderar. Por isso, por vezes concluo que todos estão certos, à medida que todos estão errados…. e aí é preocupante. Quando ideias baseiam-se em apenas apontar os erros alheios, sem proposição alguma depois, tornam-se inócuas. Sem serventia alguma. Por isso, durante alguns encontros com amigos, e, sobretudo com um específico, onde um cara que admiro bastante me levou a criar uma ruptura na minha linha de pensamento, cuja qual acabei notando que se encaixava no perfil anterior, o de criticar apenas, sem propor soluções. Me vi despido naquele momento… e, sem trocadilhos maldosos, ali despido, puder ver que não bastava eu me cobrir com qualquer colcha de retalhos de pensamentos alheios. Era necessário que eu buscasse o meu próprio. E, tal qual eu sempre utilizo aqui citações de pessoas durante meus textos, numa tentativa de validação do que eu digo, notei que eu mesmo posso, através do meu desenvolvimento, embasar minhas próprias teses. Buscar minhas próprias alternativas e, quem sabe, encontrar as respostas que sigo buscando.

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Aguardemos as cenas dos próximos capítulos…

A instrumentalização da bondade

Noto que muita gente boa, por vezes, acaba refém de algo, alguém ou alguma causa, justamente por ser boa…

Enrolada a formulação, né? Claro… é complicado para mim, sequer, formular a linha de raciocínio para tentar explicar…

Vamos tentar…

Pessoas notadamente boas, com boas intenções, essências boas, veem-se presas em causas, filosofias ou ideologias…

Tentando exemplificar: pessoas tendem a aceitar um estereótipo de uma figura “boa”, ou “elevada espiritualmente”, ou, seja lá qual for a ideia que ela quer passar de si, aos outros…

Putz, segue enrolado…

Ok, vamos tentar por partes…

Para iniciar, o bom e velho amansa-burro:

Estereótipo:

Estereótipo são generalizações que as pessoas fazem sobre comportamentos ou características de outros. Estereótipo significa impressão sólida, e pode ser sobre a aparência, roupas, comportamento, cultura etc.

Então, por exemplo, quem aqui não viu aquela pessoa que quer passar a imagem de “elevada espiritual”, com roupas hippies, falando manso e arrastado, como se estivesse chapado (ou de fato estando), falando das fraternidades brancas, amarelas, verdes com petit-pois rosa…

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Pois é… da mesma forma, aquela pessoa que hoje quer salvar o mundo, vê-se sendo obrigada a andar de bicicleta, ser vegetariana, socialista, feminista e uma série de outros ‘istas’…

Sim, muitos de nós já devem ter visto…

Mas, cá entre nós, não precisa de nada disso para ser uma pessoa boa. Essa composição de estereótipos pode ser desde uma jogada de marketing pessoal, como também apenas uma bobagem tentativa de expressar de forma externa, seu interior…

Vá lá… seja qual o motivo for, a verdade é que não precisa nada disso para ser bom… para fazer o bem…

Você não precisa estar vinculado a uma religião, a um partido, a um coletivo, a um grupo social ou seja lá o que for… você apenas precisa SER BOM. Ponto. Agir de forma boa diariamente.

Assim, indo mais além, essa estereotipagem, pode ser apenas mais um blefe do que realmente ser algo produtivo, ou mesmo, que faça alguma diferença.

Certamente aos incautos, que deixam-se levar por aparências, ou delegam o pensar, como costumo dizer, o impacto é fundamental para induzir a pessoa a achar o que o outro quiser…

Claro que, se a premissa de que uma pessoa vestindo roupas extremamente sexys, não necessariamente é uma profissional do sexo, da mesma forma dá pra concluir que algum cabeludo em vestes desleixadas, com pentagramas tatuados e símbolos esotéricos em pendentes e acessórios, necessariamente, é um ser “elevado”…

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Adquira já o seu kit ‘I wanna be esoteric’ na nossa store…

– E o que nós temos a ver com isso? – certamente vocês devem estar perguntando-se…

Bem, na verdade eu me importo com isso porque ver pessoas caindo em engodos me incomoda muito. Ainda mais as de boa-fé…

Vejo gente boa abraçando causas estapafúrdias apenas para justificar suas bondades. Acabam sendo instrumentalizadas por essas causas, que as tolhem, as “corrigem” e as enquadram em seus sistemas para que essas possam pertencem ao clubinho…

DANEM-SE OS CLUBINHOS!!! – eu digo.

Não, eu sou declaradamente um POLITICAMENTECORRETOFÓBICO!!!

Não, eu sou declaradamente um POLITICAMENTECORRETOFÓBICO!!!

Para mim, se você é uma boa pessoa, não me interessa se você é ateu, católico, umbandista, branco, negro, cafuzo ou mameluco, hétero, gay ou se curte orgias com coalas em plena selva australiana… tampouco se pertence à direita, esquerda ou fique em cima ou embaixo do muro… estou cagando pouco me importando se você vê gnomos, alienígenas ou elefantes cor-de-rosa quando toma chá alucinógenos ou mesmo fuma erva-mate em cuia de chimarrão…

O que eu realmente me importo é que pessoas sejam livres para escolherem seus caminhos. Em seus próprios termos. Com suas próprias características… que cada um vista-se como quiser, leia o que quiser, reze para quem quiser, ou para ninguém, que se alimente do que bem entender e, sobretudo, que mantenha a SUA PRÓPRIA LINHA DE PENSAMENTO. APENAS A SUA!

Como já disse inúmeras vezes, se é que eu tenho alguma missão com esse blog e o que eu falo e encho o saco aconselho os outros com que falo, é a de gerar livres-pensadores. E não mais os propagandistas ou fiéis de causas prontas.

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O livre pensar, de cada um, obviamente é um sistema que constrói-se diariamente, e, é claro, pode se utilizar de filosofias e pensamentos de outros. Mas, sem que fique-se preso a tais filosofias. Que tenhamos a vontade de avançar e a transcender esses pensamentos. Incluindo nossos próprios. Agregando coisas. Valendo-se deles para que multipliquemos ideias, ideais…

Portanto, gostaria de pedir a todos que pensam parecido, que deixem de ser apenas expectadores e que juntem-se ao levante de pessoas que simplesmente cansaram de observar os demais se debater…

Não, eram pessoas que começavam a despertar para uma coisa. Sem ainda terem a visão do todo. Escravidão era válida pela lei, mas, a bondade já era latente...

Não, eram pessoas que começavam a despertar para uma coisa. Sem ainda terem a visão do todo. Escravidão era válida pela lei, mas, a bondade já era latente…

 

E, para tal, você não precisa ser nenhum ‘mestre ascenso’, ‘coaching’, ‘líder-religioso’ ou qualquer outro ‘título’ que possa ser um ‘carteiraço’ nas fuças dos incrédulos… você precisa apenas ter a boa vontade em compartilhar com os outros. Compartilhar pensamentos, ideias, maneiras de fazer as coisas, contar suas histórias e como você atravessou períodos difíceis… para inspirar ou mesmo consolar quem passa por períodos semelhantes. Nunca, ao MEU VER, de forma proselitista, pregadora… como se você estivesse num púlpito em nível mais elevado, falando para baixo, aos que lá estão. Faça isso olho no olho, afinal, somos todos iguais. Mesmo que estejamos em estágios de experiências diferentes. E, mesmo aquela pessoa que você jura de pés juntos que você está ajudando, pareça não ter nada a lhe oferecer de volta, simplesmente continue. Pois o ganho disso não se dá na troca direta, mas sim, na reação em cadeia. Ou, quanto mais pessoas com a mente livre, felizes e com energias em frequências altas tivermos ao nosso redor, melhor nos sentiremos. E isso não é dogma de nada… é simplesmente física. Sim, física cartesiana… aumente a frequência boa e a frequência ruim não será capaz de te bagunçar a sintonia… matemática pura…

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Assim, físicos-ateus ou missionários-religiosos encontram um ponto de consonância, à media que não servirão mais a ‘senhores’ ou ao ‘grande vácuo de matéria-escura’… apenas servirão a si mesmos, implantando um ambiente de alta vibração em torno de si… uma troca quase alquímica, para que através dos fatores externos, seu interior vire ouro… essa é a pedra filosofal, no meu entender… mental e energética…

Ah, e os alquimistas não precisam mais usar hobbies com capuzes…

Pô, essa capa é mó style, merrmão...

Pô, essa capa é mó style, merrmão…

Fé, fanatismo e submissão…

Os tempos atuais requerem, de fato, muita reflexão para que se aprenda a diferenciar as nuances de cada coisa. Fator fundamental, ao meu ver, para conseguir sair de uma enrascada ou atolar-se nela até o pescoço.

Vejamos. É notório que a fé e o fanatismo são separados por uma linha muito tênue… e, já dizia um ex-professor de filosofia meu (que graças a Deus não era exclusivo da esquerda): “é o que diferencia os que oram e acreditam, dos que amarram-se a cintos-bomba e explodem-se…”.

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Mas, eu diria que há um outro elemento que une uma coisa e outra. A submissão. A voluntária ou a involuntária. Podemos ser submissos, por exemplo, apenas sendo omissos (rimando e tudo).

Ok. Já sabemos que vem enrosco aí… e, portanto, vamos, como de praxe, ao amansa-burro primeiramente:


s. f. 1. Crença, crédito; convicção da existência de algum fato ou de veracidade de alguma asserção. 2. Crença nas doutrinas da religião cristã. 4. A primeira das três virtudes teologais. 5. Fidelidade a compromissos e promessas; confiança. 6. Confirmação, prova.

fa.na.tis.mo
s. m. 1. Excessivo zelo religioso. 2. Dedicação excessiva; paixão. 3. Adesão cega a uma doutrina ou sistema.

fa.ná.ti.co
adj. e s. m. 1. Que, ou o que se julga inspirado por Deus. 2. Que, ou o que se apaixona demasiadamente por uma causa ou pessoa.

sub.mis.são
s. f. 1. Ato ou efeito de submeter(-se); obediência, sujeição. 2. Disposição para aceitar um estado de dependência. 3. Estado de rebaixamento servil; subserviência.

sub.mis.so
adj. 1. Que denota submissão. 2. Que está em posição inferior. 3. Humilde, suplicante. 4. Dócil, respeitoso.

sub.ser.vi.en.te
adj. m. e f. 1. Que serve às ordens de outrem servilmente. 2. Muito condescendente.

ser.vil
adj. m. e f. 1. Relativo a servo. 2. Baixo, ignóbil, torpe, vil. 3. Subserviente, bajulador, sabujo. 4. Que segue rigorosamente um modelo ou original.

o.mis.so
adj. 1. Em que há falta ou esquecimento. 2. Descuidado, negligente.

Ok! Acho que já chega… o nosso querido amansa nos brinda com alguns links que podemos fazer, para entender o contexto de onde eu quero chegar.

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Pois, creio eu, que há oceanos de diferença entre uma coisa e outra. A fé, em si mesma, é algo bom, pois nutre a esperança de que algo melhor, ao menos, nos aguarda. Ela permite mudança. A fé no sentido de crer em algo bom e melhor. Não necessariamente o do sistema teológico em si. Mas, ainda assim, há os que dentro desse mesmo sistema, possam variar entre a fé e o fanatismo. Não só o sistema teológico. O sistema político, o sistema financeiro, ideológico, filosófico, administrativo, etc… afinal, a teoria dos sistemas nos diz que podemos analisar tudo de forma interdisciplinar…

 

A ‘teoria de sistemas estuda, de modo interdisciplinar, a organização abstrata de fenômenos, independente de sua formação e configuração presente. Investiga todos os princípios comuns a todas as entidades complexas, e modelos que podem ser utilizados para a sua descrição.

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Portanto, invoco a teoria dos sistemas (A la Yu-Gi-Oh) para que façamos as devidas correlações entre os diversos sistemas que nos rodeiam e o que cada um deles interfere em nosso dia-a-dia.

Vejamos que o fanatismo e a submissão são relacionados diretamente com o tratado social. Enquanto alguns “especialistas” de causas, ou fanáticos, no bom português, alardeiam as regras e não admitem que pessoas tentem sair delas, há os que, igualmente, submetem-se a tais regras de forma servil. De forma omissa.

Dependendo do que chamamos de "bem" e "mal"...

Dependendo do que chamamos de “bem” e “mal”…

Para os que creem nos sistemas religiosos, podemos, inclusive, dizer que omissões são pecados, ou faltas que cometemos. Lembro ainda, entre um cochilo e outro nas missas em que frequentei, do ato de contrição, onde todos repetíamos:

Confesso a Deus Todo-Poderoso
e a vós, irmãos(a)
que pequei muitas vezes
por pensamentos, palavras,
atos e omissões,
por minha culpa,
minha tão grande culpa.
E peço à Virgem Maria,
aos anjos e santos
e a vós, irmãos,
que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.

E que seu coração seja o meu caminho por toda a minha vida

Amem.

Inclusive grandes cagadas...

Inclusive grandes cagadas…

Tá bem, todos fazemos merda coisas que nos arrependemos na vida, mas, ao meu ver, erros constroem acertos futuros. Não no caso da omissão.  Ela não nos ensina nada. Ela apenas posterga alguma coisa. Embora, também, sob outro prisma, possamos pensar que omitir-se é um ato em si. É uma escolha de não fazer. Portanto, é nossa responsabilidade igualmente. O que, não considero culpa. Considero consequência.

Seguindo: a omissão e a submissão, por outro lado, têm seus pontos de convergência à medida em que delegamos a outros nossas escolhas. Sendo-lhes obedientes, ou, abstendo-nos de nossas vontades em pró de outras. Assim, seja lá por qual motivo seja, sendo obediente e servil à fanáticos, estamos automaticamente reforçando seus sistemas e suas retroalimentações.

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O momento atual, ao meu ver, é todo explicado sobre essa ótica de fé x fanatismo x submissão/omissão. E, com os devidos links, notamos que muitas pessoas de fé, acabam-se vendo enredados em contextos complexos e rígidos, para que, dentro de suas ideias de fé e crença, tenham que obedecer a sistemas fechados, que as restringem de expandir suas mentes para o aprimoramento de tais sistemas. Afinal, na mente dos fanáticos, qualquer mudança ao sistema é heresia, e, portanto, digna de punição. E por aí, muito do atraso do mundo se explica também (tudo, obviamente, na minha ótica e análise).

Vejamos em um cenário mundial. Notemos que forças binárias e antagônicas digladiam-se eternamente, fazendo com que necessariamente escolha-se um time ou outro, sendo que uma escolha, automaticamente, exclui a outra. E, sob a ótica de cada sistema, os prós e contras para quem não os seguem à risca os preceitos, são aterradores.

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Notemos as nuances de cada sistema. O que nos oferece de bom. O que nos ameaça como punição por descumprimento de regras e normas. O que nos engessa o pensar. E, sobretudo, pensemos, como a sociedade só evoluiu quando algum engraçadinho ousou não obedecê-los. É claro, que nem sempre com ganhos reais. Afinal, como já disse inúmeras vezes, as nuances são embaçadas e difíceis de enxergar a olho nu.

O que fazer então?

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Eu, como de costume, não dou receitas prontas. Pois não acredito mais em saídas mágicas. Acredito em construção de resultados. E, sendo assim, poderia dizer que apenas conhecendo cada nuance é que poderemos identificá-las. E, após a identificação, poder entender o que nos é proposto. Qual nosso ganho… e, sobretudo, a qual custo…

Escrevo esse pensamento à medida que vejo muita gente boa, bem intencionada, sendo engolida por esses sistemas que vendem benesses, que se autoproclamam bons e fundam assim “clubes” de gente do bem. Quando, na verdade, são vertentes de um plano dual e maniqueísta, onde o “bem” e o “mal”, obedecem a um mesmo senhor. Apenas, o “mal” exercendo um papel tão assustador, que faz com que todos aceitem o “bem”, independente do quão esse “bem” não seja lá essas coisas… mesmo que ele seja cheio de regras cerceantes, de ações ignóbeis e de obediência servil. De submissão.

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Certamente há quem goste de submissão. Que sinta, inclusive, prazer com ela… mas, aí entraremos na seara sexual-sadomasoquista, e, apesar de eu ter lá meus fetiches, não é lá bem a minha praia…

Ok... não é lá de todo ruim...

Ok… não é lá de todo ruim…