O futuro não é mais como era antigamente…

A frase do título, conforme cantava Renato Russo, no seu Legião Urbana, evidencia algumas coisas, ao meu ver, que podem exemplificar o momento atual que vivemos…

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Basta que comparemos, por exemplo, a ficção científica, tanto em filmes quanto livros, do passado, com os atuais…

Fomos de sociedades com facilidades extremas de um simples apertar de botões, com direito a carros voadores, jet packs e coisas do tipo, para visões cataclísmicas… passando desde apocalipses naturais, até guerras atômicas que dizimam o planeta. Sem esquecer, é claro, as invasões alienígenas, com os apocalipses zumbis que voltaram à moda recentemente…

…ok, ok… o apocalipse zumbi não parece lá tão distante, vide o número crescente de acéfalos que dominam as mídias, a “cultura” e tentam se apropriar do senso comum…

Mas, minha proposta é outra ao escrever isto. É tentar resgatar uma visão construtivista de futuro. A crítica diária já é ferrenha e, com ela, conseguimos evidenciar o tamanho de coisas erradas que vemos. Aliás, são óbvias as coisas erradas. Mas, como dizia o sábio:

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Pois então…

Assim, podemos ponderar que as obviedades atuais estão longe de nos apontar um futuro digno… muito menos um entusiasmante. Tenho visto que os mais otimistas, projetam um futuro bem distante, onde o aprendizado atual, vulgo ‘quantidade de merda praticada’, nos dará bases a cenários onde não voltaremos a incorrer nas mesmas cagadas premissas erradas de pensamento…

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Ok. Aí me interessa…

Acho que um padrão pode ser reconhecido: temos nos baseado pelo passado para tentar projetar um futuro. Ou seja, comparamos a tudo o que já ocorreu, citamos pensadores antigos e que sequer estão vivos para presenciar o cenário atual ou mesmo poder compará-lo com suas obras, até, ideologias seculares e poeirentas que ainda são exaltadas mesmo que em nenhum caso elas tenham sido bem sucedidas.

Funcionam como antíteses umas das outras, criando um emaranhado de pensamentos antagônicos entre si, sem que se proponha nada de novo, de atual, que tenha foco na realidade atual, com o povo e a mentalidade atual, por exemplo.

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Claro que para entender alguns padrões, tem-se que recorrer ao passado. Às origens das coisas e como elas se desenvolveram até o momento atual. E era isso. De resto, teremos que identificar que há a enorme necessidade de se criar algo novo. De modificarmos o marasmo atual e a pouca diversidade de ideias que nos encaixota o pensamento.

Temos as falácias de autoridade, por exemplo, praticadas quando citamos pessoas de grande apelo, para embasarmos nossas próprias ideias. Como se tivéssemos que nos validar não por nós mesmos, mas, apenas quando equiparamos nosso pensar a algum baluarte de alguma coisa. E, PARA MIM, tá aí o erro básico.

Não estou eu aqui dizendo, de forma alguma, que devamos deixar de lado esses pensadores. Apenas acho que eles fazem parte do arcabouço de conhecimento de cada um. Ou seja, eles nos municiam de itens de pensamento. Eles nos instigam a pensar. A nos modificarmos nas formas estanques em que nossas mentes se encontram. E, a cada ideia nova, passamos a ser novas pessoas, com novas perspectivas e com novos desafios a percorrer. É disso que eu acho que se trata a coisa. E não que devamos nos validar por eles. Citá-los para exemplificar algo, sim. Chancelar nossas ideias por outras, mesmo que seja por senso comum, não.

Não é porque um autor, dez, cem ou milhares, concordam acerca de um assunto que este passa a ser imutável, insofismável ou mesmo que, mais adiante, com novos elementos, técnicas, tecnologias, et cetera, não possam ser refutados por termos mais bases de ponderação.

A verdade absoluta de hoje pode ser derrubada amanhã. Basta que paremos de encará-las como absolutas. Não por relativismo moral, ou, no intento de derrubar uma tese simplesmente por derrubá-la, ou validar nossa ideia sobre a simples desconstrução de outra. Mas sim, pela necessidade de criar algo novo e melhor. E isso é ESSENCIAL!!! A criação de algo melhor para substituir o anterior… se não for, pelo menos um pouco melhor, deixa como está. Afinal, tem aquele outro sábio que dizia:

nada é tão ruim que não possa piorar

Quem me lê, tanto por aqui, quanto pelo que falo no Facebook, sabe da minha ranzinzice com o momento atual. Noto a pobreza intelectual do país, baseada muito mais na incapacidade de contestação dos tais baluartes do que propriamente por suas capacidades, vejo ideologias cerceando pensamentos, vejo o politicamente correto encaixotando opiniões… enfim… mas, chega de só criticar… tá na hora de fazer alguma coisa. De propor algo novo. De tentar sair desse mato sem coelho (ou cachorro, sei lá). Para tanto, será preciso que comecemos a construir um pensamento novo. Adequado às realidades de cada um. Sintético ou analítico, por vezes, mas, ainda assim, essencial para que algo novo, ao menos, seja plantado. Uma semente a ser geminada, que seja.

Me vi num ponto onde noto coisas boas e ruins por onde transito, aprendo, observo. E, como tudo na vida, devemos ponderar. Por isso, por vezes concluo que todos estão certos, à medida que todos estão errados…. e aí é preocupante. Quando ideias baseiam-se em apenas apontar os erros alheios, sem proposição alguma depois, tornam-se inócuas. Sem serventia alguma. Por isso, durante alguns encontros com amigos, e, sobretudo com um específico, onde um cara que admiro bastante me levou a criar uma ruptura na minha linha de pensamento, cuja qual acabei notando que se encaixava no perfil anterior, o de criticar apenas, sem propor soluções. Me vi despido naquele momento… e, sem trocadilhos maldosos, ali despido, puder ver que não bastava eu me cobrir com qualquer colcha de retalhos de pensamentos alheios. Era necessário que eu buscasse o meu próprio. E, tal qual eu sempre utilizo aqui citações de pessoas durante meus textos, numa tentativa de validação do que eu digo, notei que eu mesmo posso, através do meu desenvolvimento, embasar minhas próprias teses. Buscar minhas próprias alternativas e, quem sabe, encontrar as respostas que sigo buscando.

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Aguardemos as cenas dos próximos capítulos…

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A instrumentalização da bondade

Noto que muita gente boa, por vezes, acaba refém de algo, alguém ou alguma causa, justamente por ser boa…

Enrolada a formulação, né? Claro… é complicado para mim, sequer, formular a linha de raciocínio para tentar explicar…

Vamos tentar…

Pessoas notadamente boas, com boas intenções, essências boas, veem-se presas em causas, filosofias ou ideologias…

Tentando exemplificar: pessoas tendem a aceitar um estereótipo de uma figura “boa”, ou “elevada espiritualmente”, ou, seja lá qual for a ideia que ela quer passar de si, aos outros…

Putz, segue enrolado…

Ok, vamos tentar por partes…

Para iniciar, o bom e velho amansa-burro:

Estereótipo:

Estereótipo são generalizações que as pessoas fazem sobre comportamentos ou características de outros. Estereótipo significa impressão sólida, e pode ser sobre a aparência, roupas, comportamento, cultura etc.

Então, por exemplo, quem aqui não viu aquela pessoa que quer passar a imagem de “elevada espiritual”, com roupas hippies, falando manso e arrastado, como se estivesse chapado (ou de fato estando), falando das fraternidades brancas, amarelas, verdes com petit-pois rosa…

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Pois é… da mesma forma, aquela pessoa que hoje quer salvar o mundo, vê-se sendo obrigada a andar de bicicleta, ser vegetariana, socialista, feminista e uma série de outros ‘istas’…

Sim, muitos de nós já devem ter visto…

Mas, cá entre nós, não precisa de nada disso para ser uma pessoa boa. Essa composição de estereótipos pode ser desde uma jogada de marketing pessoal, como também apenas uma bobagem tentativa de expressar de forma externa, seu interior…

Vá lá… seja qual o motivo for, a verdade é que não precisa nada disso para ser bom… para fazer o bem…

Você não precisa estar vinculado a uma religião, a um partido, a um coletivo, a um grupo social ou seja lá o que for… você apenas precisa SER BOM. Ponto. Agir de forma boa diariamente.

Assim, indo mais além, essa estereotipagem, pode ser apenas mais um blefe do que realmente ser algo produtivo, ou mesmo, que faça alguma diferença.

Certamente aos incautos, que deixam-se levar por aparências, ou delegam o pensar, como costumo dizer, o impacto é fundamental para induzir a pessoa a achar o que o outro quiser…

Claro que, se a premissa de que uma pessoa vestindo roupas extremamente sexys, não necessariamente é uma profissional do sexo, da mesma forma dá pra concluir que algum cabeludo em vestes desleixadas, com pentagramas tatuados e símbolos esotéricos em pendentes e acessórios, necessariamente, é um ser “elevado”…

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Adquira já o seu kit ‘I wanna be esoteric’ na nossa store…

– E o que nós temos a ver com isso? – certamente vocês devem estar perguntando-se…

Bem, na verdade eu me importo com isso porque ver pessoas caindo em engodos me incomoda muito. Ainda mais as de boa-fé…

Vejo gente boa abraçando causas estapafúrdias apenas para justificar suas bondades. Acabam sendo instrumentalizadas por essas causas, que as tolhem, as “corrigem” e as enquadram em seus sistemas para que essas possam pertencem ao clubinho…

DANEM-SE OS CLUBINHOS!!! – eu digo.

Não, eu sou declaradamente um POLITICAMENTECORRETOFÓBICO!!!

Não, eu sou declaradamente um POLITICAMENTECORRETOFÓBICO!!!

Para mim, se você é uma boa pessoa, não me interessa se você é ateu, católico, umbandista, branco, negro, cafuzo ou mameluco, hétero, gay ou se curte orgias com coalas em plena selva australiana… tampouco se pertence à direita, esquerda ou fique em cima ou embaixo do muro… estou cagando pouco me importando se você vê gnomos, alienígenas ou elefantes cor-de-rosa quando toma chá alucinógenos ou mesmo fuma erva-mate em cuia de chimarrão…

O que eu realmente me importo é que pessoas sejam livres para escolherem seus caminhos. Em seus próprios termos. Com suas próprias características… que cada um vista-se como quiser, leia o que quiser, reze para quem quiser, ou para ninguém, que se alimente do que bem entender e, sobretudo, que mantenha a SUA PRÓPRIA LINHA DE PENSAMENTO. APENAS A SUA!

Como já disse inúmeras vezes, se é que eu tenho alguma missão com esse blog e o que eu falo e encho o saco aconselho os outros com que falo, é a de gerar livres-pensadores. E não mais os propagandistas ou fiéis de causas prontas.

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O livre pensar, de cada um, obviamente é um sistema que constrói-se diariamente, e, é claro, pode se utilizar de filosofias e pensamentos de outros. Mas, sem que fique-se preso a tais filosofias. Que tenhamos a vontade de avançar e a transcender esses pensamentos. Incluindo nossos próprios. Agregando coisas. Valendo-se deles para que multipliquemos ideias, ideais…

Portanto, gostaria de pedir a todos que pensam parecido, que deixem de ser apenas expectadores e que juntem-se ao levante de pessoas que simplesmente cansaram de observar os demais se debater…

Não, eram pessoas que começavam a despertar para uma coisa. Sem ainda terem a visão do todo. Escravidão era válida pela lei, mas, a bondade já era latente...

Não, eram pessoas que começavam a despertar para uma coisa. Sem ainda terem a visão do todo. Escravidão era válida pela lei, mas, a bondade já era latente…

 

E, para tal, você não precisa ser nenhum ‘mestre ascenso’, ‘coaching’, ‘líder-religioso’ ou qualquer outro ‘título’ que possa ser um ‘carteiraço’ nas fuças dos incrédulos… você precisa apenas ter a boa vontade em compartilhar com os outros. Compartilhar pensamentos, ideias, maneiras de fazer as coisas, contar suas histórias e como você atravessou períodos difíceis… para inspirar ou mesmo consolar quem passa por períodos semelhantes. Nunca, ao MEU VER, de forma proselitista, pregadora… como se você estivesse num púlpito em nível mais elevado, falando para baixo, aos que lá estão. Faça isso olho no olho, afinal, somos todos iguais. Mesmo que estejamos em estágios de experiências diferentes. E, mesmo aquela pessoa que você jura de pés juntos que você está ajudando, pareça não ter nada a lhe oferecer de volta, simplesmente continue. Pois o ganho disso não se dá na troca direta, mas sim, na reação em cadeia. Ou, quanto mais pessoas com a mente livre, felizes e com energias em frequências altas tivermos ao nosso redor, melhor nos sentiremos. E isso não é dogma de nada… é simplesmente física. Sim, física cartesiana… aumente a frequência boa e a frequência ruim não será capaz de te bagunçar a sintonia… matemática pura…

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Assim, físicos-ateus ou missionários-religiosos encontram um ponto de consonância, à media que não servirão mais a ‘senhores’ ou ao ‘grande vácuo de matéria-escura’… apenas servirão a si mesmos, implantando um ambiente de alta vibração em torno de si… uma troca quase alquímica, para que através dos fatores externos, seu interior vire ouro… essa é a pedra filosofal, no meu entender… mental e energética…

Ah, e os alquimistas não precisam mais usar hobbies com capuzes…

Pô, essa capa é mó style, merrmão...

Pô, essa capa é mó style, merrmão…

Fé, fanatismo e submissão…

Os tempos atuais requerem, de fato, muita reflexão para que se aprenda a diferenciar as nuances de cada coisa. Fator fundamental, ao meu ver, para conseguir sair de uma enrascada ou atolar-se nela até o pescoço.

Vejamos. É notório que a fé e o fanatismo são separados por uma linha muito tênue… e, já dizia um ex-professor de filosofia meu (que graças a Deus não era exclusivo da esquerda): “é o que diferencia os que oram e acreditam, dos que amarram-se a cintos-bomba e explodem-se…”.

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Mas, eu diria que há um outro elemento que une uma coisa e outra. A submissão. A voluntária ou a involuntária. Podemos ser submissos, por exemplo, apenas sendo omissos (rimando e tudo).

Ok. Já sabemos que vem enrosco aí… e, portanto, vamos, como de praxe, ao amansa-burro primeiramente:


s. f. 1. Crença, crédito; convicção da existência de algum fato ou de veracidade de alguma asserção. 2. Crença nas doutrinas da religião cristã. 4. A primeira das três virtudes teologais. 5. Fidelidade a compromissos e promessas; confiança. 6. Confirmação, prova.

fa.na.tis.mo
s. m. 1. Excessivo zelo religioso. 2. Dedicação excessiva; paixão. 3. Adesão cega a uma doutrina ou sistema.

fa.ná.ti.co
adj. e s. m. 1. Que, ou o que se julga inspirado por Deus. 2. Que, ou o que se apaixona demasiadamente por uma causa ou pessoa.

sub.mis.são
s. f. 1. Ato ou efeito de submeter(-se); obediência, sujeição. 2. Disposição para aceitar um estado de dependência. 3. Estado de rebaixamento servil; subserviência.

sub.mis.so
adj. 1. Que denota submissão. 2. Que está em posição inferior. 3. Humilde, suplicante. 4. Dócil, respeitoso.

sub.ser.vi.en.te
adj. m. e f. 1. Que serve às ordens de outrem servilmente. 2. Muito condescendente.

ser.vil
adj. m. e f. 1. Relativo a servo. 2. Baixo, ignóbil, torpe, vil. 3. Subserviente, bajulador, sabujo. 4. Que segue rigorosamente um modelo ou original.

o.mis.so
adj. 1. Em que há falta ou esquecimento. 2. Descuidado, negligente.

Ok! Acho que já chega… o nosso querido amansa nos brinda com alguns links que podemos fazer, para entender o contexto de onde eu quero chegar.

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Pois, creio eu, que há oceanos de diferença entre uma coisa e outra. A fé, em si mesma, é algo bom, pois nutre a esperança de que algo melhor, ao menos, nos aguarda. Ela permite mudança. A fé no sentido de crer em algo bom e melhor. Não necessariamente o do sistema teológico em si. Mas, ainda assim, há os que dentro desse mesmo sistema, possam variar entre a fé e o fanatismo. Não só o sistema teológico. O sistema político, o sistema financeiro, ideológico, filosófico, administrativo, etc… afinal, a teoria dos sistemas nos diz que podemos analisar tudo de forma interdisciplinar…

 

A ‘teoria de sistemas estuda, de modo interdisciplinar, a organização abstrata de fenômenos, independente de sua formação e configuração presente. Investiga todos os princípios comuns a todas as entidades complexas, e modelos que podem ser utilizados para a sua descrição.

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Portanto, invoco a teoria dos sistemas (A la Yu-Gi-Oh) para que façamos as devidas correlações entre os diversos sistemas que nos rodeiam e o que cada um deles interfere em nosso dia-a-dia.

Vejamos que o fanatismo e a submissão são relacionados diretamente com o tratado social. Enquanto alguns “especialistas” de causas, ou fanáticos, no bom português, alardeiam as regras e não admitem que pessoas tentem sair delas, há os que, igualmente, submetem-se a tais regras de forma servil. De forma omissa.

Dependendo do que chamamos de "bem" e "mal"...

Dependendo do que chamamos de “bem” e “mal”…

Para os que creem nos sistemas religiosos, podemos, inclusive, dizer que omissões são pecados, ou faltas que cometemos. Lembro ainda, entre um cochilo e outro nas missas em que frequentei, do ato de contrição, onde todos repetíamos:

Confesso a Deus Todo-Poderoso
e a vós, irmãos(a)
que pequei muitas vezes
por pensamentos, palavras,
atos e omissões,
por minha culpa,
minha tão grande culpa.
E peço à Virgem Maria,
aos anjos e santos
e a vós, irmãos,
que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.

E que seu coração seja o meu caminho por toda a minha vida

Amem.

Inclusive grandes cagadas...

Inclusive grandes cagadas…

Tá bem, todos fazemos merda coisas que nos arrependemos na vida, mas, ao meu ver, erros constroem acertos futuros. Não no caso da omissão.  Ela não nos ensina nada. Ela apenas posterga alguma coisa. Embora, também, sob outro prisma, possamos pensar que omitir-se é um ato em si. É uma escolha de não fazer. Portanto, é nossa responsabilidade igualmente. O que, não considero culpa. Considero consequência.

Seguindo: a omissão e a submissão, por outro lado, têm seus pontos de convergência à medida em que delegamos a outros nossas escolhas. Sendo-lhes obedientes, ou, abstendo-nos de nossas vontades em pró de outras. Assim, seja lá por qual motivo seja, sendo obediente e servil à fanáticos, estamos automaticamente reforçando seus sistemas e suas retroalimentações.

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O momento atual, ao meu ver, é todo explicado sobre essa ótica de fé x fanatismo x submissão/omissão. E, com os devidos links, notamos que muitas pessoas de fé, acabam-se vendo enredados em contextos complexos e rígidos, para que, dentro de suas ideias de fé e crença, tenham que obedecer a sistemas fechados, que as restringem de expandir suas mentes para o aprimoramento de tais sistemas. Afinal, na mente dos fanáticos, qualquer mudança ao sistema é heresia, e, portanto, digna de punição. E por aí, muito do atraso do mundo se explica também (tudo, obviamente, na minha ótica e análise).

Vejamos em um cenário mundial. Notemos que forças binárias e antagônicas digladiam-se eternamente, fazendo com que necessariamente escolha-se um time ou outro, sendo que uma escolha, automaticamente, exclui a outra. E, sob a ótica de cada sistema, os prós e contras para quem não os seguem à risca os preceitos, são aterradores.

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Notemos as nuances de cada sistema. O que nos oferece de bom. O que nos ameaça como punição por descumprimento de regras e normas. O que nos engessa o pensar. E, sobretudo, pensemos, como a sociedade só evoluiu quando algum engraçadinho ousou não obedecê-los. É claro, que nem sempre com ganhos reais. Afinal, como já disse inúmeras vezes, as nuances são embaçadas e difíceis de enxergar a olho nu.

O que fazer então?

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Eu, como de costume, não dou receitas prontas. Pois não acredito mais em saídas mágicas. Acredito em construção de resultados. E, sendo assim, poderia dizer que apenas conhecendo cada nuance é que poderemos identificá-las. E, após a identificação, poder entender o que nos é proposto. Qual nosso ganho… e, sobretudo, a qual custo…

Escrevo esse pensamento à medida que vejo muita gente boa, bem intencionada, sendo engolida por esses sistemas que vendem benesses, que se autoproclamam bons e fundam assim “clubes” de gente do bem. Quando, na verdade, são vertentes de um plano dual e maniqueísta, onde o “bem” e o “mal”, obedecem a um mesmo senhor. Apenas, o “mal” exercendo um papel tão assustador, que faz com que todos aceitem o “bem”, independente do quão esse “bem” não seja lá essas coisas… mesmo que ele seja cheio de regras cerceantes, de ações ignóbeis e de obediência servil. De submissão.

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Certamente há quem goste de submissão. Que sinta, inclusive, prazer com ela… mas, aí entraremos na seara sexual-sadomasoquista, e, apesar de eu ter lá meus fetiches, não é lá bem a minha praia…

Ok... não é lá de todo ruim...

Ok… não é lá de todo ruim…

Reação ou ação repetida?

Tenho obviamente acompanhado todas as discussões dualistas que estamos tendo no país e no mundo. A retomada da guerra fria, comunistas x capitalistas (como se fossem realmente antagônicos entre si, ou polaridades opostas. Não são.), coxinhas x mortadelas, tucanos x petralhas, etc, etc, etc… e, dentre elas, me deparei inúmeras vezes com o “xingamento” “reaça”.

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O tal “reaça”, obviamente, vem de “reacionário”, ou seja… bem, não vou sair lascando… vamos, primeiramente, ao amansa-burro, como de costume:

re.a.ci.o.ná.rio
adj. Relativo ao partido da reação, acep. 7. 2. Contrário à liberdade individual e coletiva. S. m. Indivíduo reacionário.

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Notemos que é relativo (e não relativismo) ao partido da reação. Mas, o nosso Michaelis inseriu o conceito de contrário à liberdade… será mesmo? Vamos lá…

re.a.ção
s. f. 1. Ato ou efeito de reagir. 2. Ação que resiste ou se opõe a outra; resistência. 3. Fís. Ação reflexa ou resistência que um corpo opõe pela sua inércia a outro que sobre ele atua, ou a uma forma que o solicita. 4. Fisiol. Ação orgânica resultante do emprego de um estimulante. 5. Psicol. Resposta a um estímulo qualquer. 6. Quím. Processo pelo qual, da ação recíproca entre duas ou mais substâncias, se forma outra ou outras, de características diferentes. 7. Polít. Sistema político contrário à liberdade; absolutismo.

Ação… resiste… inércia… resposta… Ok…

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Acho que dá para iniciar um esboço a partir daí… reagir a uma coisa, ao meu ver, é a base do pensamento. Ação x Reação… 3ª lei de Newton… ou, se preferirem, Lei da “Causa e Efeito”…

Ressalto um trecho extraído do link do site “infoescola.com”:

Em casos de troca de forças é indiferente saber qual corpo realizou a ação e qual realizou a reação, pois as forças sempre estarão aos pares, quando existe uma ação sendo realizado sempre haverá uma reação. Que é o equivalente a dizer que não existe uma ação sem reação.

Pois bem, tanto no sentido físico, quanto no esotérico/espiritualista, podemos dizer que ações e reações são parte de sistemas maiores. Desde a criação de matéria, até mesmo ao de evolução do pensar.

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Pois é aí que eu quero me adentrar mais um pouco.

Notemos que o jogo todo se desenha sobre uma discussão sobre quem é que fez a ação e quem é que reagiu a ela… como crianças pequenas que, ao serem repreendidas, soltam o clássico “FOI ELE QUEM COMEÇOU!”.

Pois, a lei de Newton, com a citação acima, nos dão a resposta que é indiferente. Uma é ligada a outra e ambas são sinérgicas em um processo maior. Chame-o do que quiser, sobre a ótica que quiser, mas, essa lei, ao meu ver, é uma das poucas que encontra eco no universo todo. Ação e reação. Causa e efeito. Escolhas e consequências.

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Enfim, notemos que o agir ou reagir, está inserido em um contexto… e, então, resta fazer a pergunta a todos nós: QUAL CONTEXTO?

Pois é nesse contexto que poderemos basear a trajetória e tentar prever o resultado. Se ele será benéfico ou será um desastre completo. Não acham que faz diferença? Para mim, faz toda… explico:

Quando uma empresa está operando em sua produção, de forma deficitária, a primeira medida do controller é suspender a produção. Afinal, quanto mais se produzir de forma deficitária, maior será o rombo.

Ou seja, agir é uma coisa, mas, identificar o tipo de ação é primordial. Afinal, para uma ação ruim, a reação será ruim… tal qual para uma ação boa, a reação será igualmente boa…

Sorria e sorrirão de volta… xingue e será xingado… ofereça rosas e veja a reação… dê um safanão em alguém e espere a reação…

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Assim, posso dizer também que nossas ações ditam as reações. É claro, baseado em conceitos éticos sociais considerados normais… afinal, há quem achará que oferecer flores à uma dama possa ser assédio e tals… coisas dos tempos merda modernos em que vivemos…

Para tal, eu diria que a reação, pode, obviamente, se opor a outra… e é essa terminologia que vou adotar… pois que citei acima, nos exemplos de flores e xingamentos, eu consideraria como consequências de atos…

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Uma boa ação, terá uma boa consequência, refazendo o pensamento. Tal qual, uma má ação, exigirá uma reação de oposição.

Eu venho notado em meus pensamentos a necessidade de expor a diferença entre reagir e estancar uma má ação.

Tenho falado muito ultimamente nisso… não basta apenas agredir de volta o agressor. Tem-se que aprender o porquê essa pessoa quer lhe agredir. Se existe algum padrão nisso. E, se puder, acabar com qualquer tentativa de agressão futura, ao invés apenas de estar preparado para surrar de volta o agressor.

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Ok. Não é um bom exemplo ainda… mas, a ideia central é nos levar a pensar nos cenários que se montam para que percamos mais tempo reagindo (ou nos opondo a) do que nos perguntando o porquê essas ações ruins seguem acontecendo. É nisso que eu os convido a pensar.

Seja na nova guerra fria, seja no cenário político brasileiro, seja no que for. Nos perguntemos se seguir agindo, sem pensar nas causas disso e nos porquês, não seguiremos sempre dentro do mesmo circuito de consequências/reações/efeitos?

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Reagir é diferente de re-agir… ou, agir novamente… ou, simplesmente, seguir agindo… para a ação, sempre foi e sempre será, primeiramente, o planejamento. E é aí que diferenciamos bons projetos de simples tentativas aleatórias…

Pensemos nisso… ou, simplesmente, pensemos…

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Salvadores x Salvados x Salvos

Já escrevi, há tempos, um texto sobre salvação e a necessidade de salvarmos a nós mesmos… mas, notei que há uma vontade de esmiuçar um pouco mais o caso, quando vejo ainda, pessoas debilmente tentando “salvar seus salvadores”… ou seja, uma criatura que julgam tê-las salvo, e, assim, depositando seus resquícios de esperança em algo ou alguém, além delas mesmas, encontra a necessidade de salvar-lhes a esperança, que é refletida em outrém…

O conceito de salvação é muito amplo… afinal, ele pode ir desde uma pessoa que lhe resgate, passando por alguém que lhe estenda a mão em uma hora difícil, a, até mesmo, uma simples tábua boiando durante um naufrágio…

Sim, ficou enrolado… vamos lá…

Comecemos diferenciando o conceito de salvo e de salvados (não incluirei os “sinistrados” no caso, embora, até pudesse)…

sal.vo
adj. 1. Fora de perigo; livre de risco, doença, morte ou desgraça. 2. Intacto; ileso, incólume. 3. Animador, salutar. 4. Resguardado, ressalvado. 5. Que obteve a bem-aventurança eterna. 6. Remido. 7. Excetuado, omitido. Prep. Exceto, afora.

salvados

s.m.pl. Objetos que escaparam de uma catástrofe, principalmente de incêndio ou naufrágio. Um leilão de salvados.

O dicionário não ajudou lá essas coisas no que eu gostaria de mostrar. Mas, sabemos que o termo “salvados” serve àqueles itens que sobreviveram a algum evento catastrófico, e, assim, são reutilizados mais tarde. Geralmente por um valor mais baixo do que o “original”.

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Pois bem, dito isso, adentro no cerne da questão inicial. Pessoas salvas, podem salvar-se a si mesmas, já,as “salvadas”, são utilizadas em um contexto diferente, sob o ponto de vista político-social, por exemplo.

Ok… não tá bom ainda… vamos adiante…

Vamos à tentativa de exemplificação…

A pessoa pode ter tido inúmeras dificuldades na vida, passado pelo inferno e um mar de fogo descalço, mas, lá pelas tantas, encontra subsídios em si mesma para sair da situação por conta própria. Ela pode ter se modificado profundamente no período complicado e, assim, forçada a dar um jeito por conta própria para, seja por instinto de sobrevivência ou por avanço intelectual, de sair dali. Ou seja, ela foi salva… mas não por algo ou alguém… foi salva por si mesma (e não entrarei em meandros religiosos neste caso).

Só Zeus salva... não, pera...

Só Zeus salva… não, pera…

Já, alguém que está na pior situação possível, já abatida. Seja por desistência ou por simplesmente não conseguir superar os obstáculos do momento, é resgatada dali por algo ou alguém (seja um evento ou um ente qualquer). Essa pessoa terá um “salvador”. E, assim, será ela uma pessoa, segundo minha proposição de raciocínio, uma “salvada” e não uma pessoa “salva”…

Sim, o jogo de palavras é apenas para demonstrar que vejo diferenças gritantes entre uma “salvação” e outra… tal qual, vejo enormes e colossais diferenças entre “salvadores”.

Pois eu acredito que alguns salvam pessoas, para que possam reutilizá-las depois… e por um “preço” muito mais acessível… como em um leilão de salvados…

Já, há os que simplesmente auxiliam pessoas a encontrarem suas próprias soluções para que não apenas saiam de situações complicadas, mas sim, que não mais voltem à elas. E, apesar de concordarmos que são esses os verdadeiros “salvadores”, os mesmos sequer se considerarão como tal, afinal, ajudar o próximo não é salvá-lo, segundo seus entendimentos, é apenas uma característica humana que todos deveríamos ter originalmente.

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Assim, podemos separar um tipo de salvador de outro, à medida de como os salvos ou salvados irão se reinserir no sistema após o evento.

Haverá quem siga com suas vidas adiante, com toda a gratidão do mundo para aqueles que os auxiliaram, e, os que irão sentirem-se em dívida com quem os resgatou, tornando-se partes úteis de seus sistemas.

Notem que eu não faço distinção de bem e mal nesses conceitos, afinal, acredito quem a percepção da pessoa salva ou salvada é que faz a diferença. Então, se no contexto todo ela sentir-se bem com isso, não podemos dar conotação má ao fato, mesmo que ela não entenda que tenha se inserido em um tipo de servidão por gratidão por conta disso.

Sob o ponto de vista moral, ainda exemplificando, poderia dizer que em um caso, uma pessoa vê uma outra em dificuldade, se afogando, por exemplo, e, a retira da água e a ensina a bater os braços ou a boiar para que evite afogamentos futuros. E, ao ser-lhe oferecida alguma recompensa, nega-a. Afinal, aquilo foi algo que ela fez de bom grado apenas. Já, em outro caso, a pessoa vê outra se afogando e, após retirá-la da água, exige-lhe favores em troca, para que quite-se a dívida de gratidão…

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Sim, o exemplo besta simplista do afogamento não alcança o ponto onde abrem-se nichos de mercado em função disso. Os mercados de pessoas incapazes de salvarem-se a si mesmas versus pessoas que obtém vantagens para si mesmas através de salvamentos de outros.

E, como em qualquer outro mercado, temos os “empreendedores” que formatam mercados, criam-nos e moldam-os em função de suas próprias estratégias. Assim, podemos, por exemplo, explicar o contexto da fábrica de “oprimidos” que temos hoje em dia. Não que não existam tais oprimidos, mas, simplesmente pelo fato de que alguns “salvadores” necessitem que exista cada vez mais oprimidos para que estes obtenham suas vantagens, ou alcancem seus objetivos.

Em termos de estratégia administrativa, podemos dizer que, em alguns casos, pessoas “salvadas” podem se constituir em uma matéria-prima muito mais acessível (sob o ponto de vista de custo), do que uma pessoa com capacidade de salvar-se a si mesma.

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Ofereça uma boia por um real em uma piscina de 2,5 metros de profundidade a uma pessoa que sabe nadar e ela provavelmente não a comprará, pois não necessita dela (ou comprará só porque tá barato demais, no exemplo merda ruim que dei de novo)… já, ofereça a mesma boia por 1000 reais a quem não sabe nadar e está já se afogando de fato…

Assim, teremos os aproveitadores de vítimas como quase que uma forma de “ganhar” a vida… que, por mais irônico que seja o termo “ganhar a vida” em relação à emprego e remuneração, pode estar diretamente ligado ao fato de ganhar algo evitando que pessoas percam. Nada errado até aí… só que no caso, quanto mais pessoas existirem num contexto de incapacidade, mais outros aproveitadores (ou “salvadores”) terão seus meios de atingirem seus objetivos de forma menos complicada.

...ou, a melhor forma de salvar-se, caro doutor...

…ou, a melhor forma de salvar-se, caro doutor…

Voltando à exemplificação, já no cunho político-social: utilizando a pirâmide de Maslow, podemos ver que as necessidades básicas estão no topo da pirâmide, enquanto a moralidade está no topo. Sendo assim, quanto mais pessoas lutando para não morrer de fome, ou precisando de abrigo, menos pessoas preocupadas com a moralidade teremos. O que, obviamente nos mostra que poderemos ter pessoas sendo salvas com um simples “prato de comida” (ou bolsa/dentadura/roupa/etc…), enquanto essas mesmas pessoas, em estágio mais avançado, começarão a questionar a moralidade do proposto. Assim, quem está com fome ou morrendo de frio, aceitará dinheiro vindo ele do tráfico, de desvios de merenda escolar, de desfalques no sistema de saúde, etc; enquanto quem não está morrendo de fome, preferirá não pegar o dinheiro sujo para si…

Pirâmide-de-Maslow

 

Portanto, amigos, retorno novamente ao assunto para mostrar que alguns benefícios podem ser atingidos às custas de coisas que nos arrependeríamos se não fosse o quadro desesperador do momento. Assim, sigo dizendo que, infelizmente, o caos é um ótimo fator mercadológico para quem age em cima de planos abusivos. O desespero “facilita” uma negociação… tal qual o medo a torna, inclusive, impositiva… mesmo que ela sequer fosse necessária em tempos “normais”…

Notemos que há oceanos de diferença entre os auxiliadores altruístas do pessoal do “me ajuda que eu te ajudo”… e não coloco aqui o altruísta que vive de forma franciscana e que não quer nada para si, mas sim aquele que entende que o benefício está na boa ação em si mesma, e não no contexto da “gratificação” como forma de “pagamento”.

Pensemos nisso… ou, simplesmente, pensemos…

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Querido Papai Noel…

E na noite de Natal…

Papai Noel (P.N.): “E então, Rogério, foste bonzinho durante o ano?”

Eu: “Não creio em dualismos de que todo mundo seja bom ou mau em essência, mas, creio que oscilei mais dentro do correto do que o que eu acho que foi errado… embora, meus erros tenham me ensinado algo para que tente não cometê-los de novo… então, acho que sim…”

P.N.: “Er… deixa ver… isso não está bem estipulado aqui… pera… média harmônica… não, tem viés… ponderada… ah, sim sim, acho que vamos calcular a moda pelo número de ocorrências positivas ou negativas, ponderar o desvio padrão e assim, estatisticamente ver como tu procedeu…”

Eu: “Estatisticamente, se eu comer 10 pães e o senhor nenhum, pela média, comemos 5 cada, enquanto eu engordei e o senhor morreu de fome… se bem que com essa barriga…”

P.N.: “Olhalá! Vê o que vai falar… mas, então, como vamos ponderar se foste bom ou não?”

Eu: “Bem, eu não fiz nada que pudesse prejudicar alguém diretamente… caso tenha feito, foi indiretamente e não intencionalmente… no máximo, minhas escolhas erradas trouxeram mais dissabores a mim mesmo, mesmo quando refletiram nos outros, justamente porque não sinto prazer algum em ver alguém se ferrando. Muito menos quando é por minha causa…”

P.N.: “Isso é interessante, mas, ainda assim, não sei bem o que dizer…”

Eu: “Olha, quer saber? Eu fui chato pra caramba… eu enchi a paciência do pessoal ao longo do ano, com as minhas irritações e inquietações mentais… compartilhei com todos o que se passava pela minha mente e fiz questão de deixar claro que o meu caminho é só meu, e, que quem quisesse poderia me acompanhar, do contrário, que não atrapalhasse pelo menos…”

P.N.: “Mas isso, assim dito, parece que foi honesto da tua parte…”

Eu: “Honestidade, hoje em dia, tem seu preço. Perde-se de um lado e os ganhos, quase imperceptíveis a olho nú…”

P.N.: “Como assim?”

Eu: “As medidas de “sucesso” se dão pelo que se conquista. Pelo que se atinge. E, para mentes limitadas notarem isso, é basicamente necessário que isso seja demonstrado… visualmente, de preferência, pois presumir e perceber coisas é dom que nem todos têm…”

P.N.: “Isso já parece rancoroso da tua parte…”

Eu: “Pode ser que sim… acho que é mesmo… porém, o rancor é um aviso do sistema interno, corpo e mente, de que você tem que trabalhar na coisa… e, assim, aquilo vai te demandar tempo para que aprenda a lidar e a tirar o ensinamento certo…”

P.N.: “Mas, então, como poderíamos concluir como foi teu ano?”

Eu: “Talvez se pararmos de pensar em “saldos finais” e tecer uma visão mais analítica da coisa… ponto a ponto…”

P.N.: “Ok. Diga lá então…”

Eu: “Em situações em que eu poderia ter tentado obter vantagens por caminhos que minha consciência não concordava, eu preferi não ir adiante. Se fui perguntado sobre algo, respondi com o meu coração e não da forma “politicamente correta”. Se fiz algo para a caridade, fiz porque eu tinha vontade e não para que me achassem um cara bacana. Se perdoei, o fiz porque a raiva estava me fazendo mal, e não porque um dogma me dizia que era o correto. Se magoei alguém, sofri porque a visão de alguém sofrendo, ainda mais por minha causa, me faz mal. E não porque estava escrito em algum lugar que eu deveria pedir perdão. Se alguém me ajudou da forma que foi, mesmo que o resultado final não tenha sido o esperado, agradeci. Não porque o resultado foi bom ou não, mas, porque a disposição de alguém para me ajudar é o que conta. Se agi corretamente, e, ainda assim o resultado foi uma bosta, creio que, apesar da brabeza, eu faria tudo igual novamente…”

P.N.: “E isso te torna um cara bom?”

Eu: “Aí é que está… não importa… não importa o rótulo que irão me dar. Importa é o fato de eu estar tranquilo na minha consciência, mesmo que a sensação de “vitória” ou de “sucesso” não esteja me acompanhando no momento… acho que tenho muita coisa ainda para fazer e para melhorar…  mas quer saber? Não é em um ano que se resolve uma vida… é na soma dos anos…”

P.N.: “Acho que sim… mas, para o presente de Natal…”

Eu: “Desculpa interromper, mas, sendo bem direto e honesto, se eu tiver que me sujeitar à regras de comportamento, só para ganhar um presente ao final do ano, ou melhor, uma vez por ano, creio que não seja lá o meu conceito de evolução… isso parece mais um adestramento canino…”

P.N.: “Aí tu já estás me ofendendo… a intenção é que as pessoas sejam boas ao longo do ano e, assim, sejam recompensadas ao final…”

Eu: “Adestramento, no bom português… Enfim, acho que o senhor não precisa me dar nada, sinceramente. Afinal, não se trata de alguém me recompensar ou me dar algo por eu ter correspondido às suas expectativas. Trata-se de eu mesmo fazê-lo, pois fui bom para mim, o que, de acordo com a minha forma de ver o mundo, se trata de estender aos que me cercam, o que eu quero para mim…”

P.N.: “Mas o presente…”

Eu: “Dê para alguém que realmente precisa de um mimo para entender que tudo o que passou, valeu a pena. Para mim, basta a consciência tranquila… Forte abraço, meu bom velhinho…”

P.N.: “FELIZ NATAL…”

Eu: “Sim… e Ho-Ho-Ho pro senhor também…”

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