Imagina, querido John…

 

Querido John, sou seu fã e creio que sua obra-prima, a “Imagine” seja um símbolo mundial da busca pela paz e igualdade. Também acredito que tu não sejas apenas um sonhador, pois qualquer ser humano que tenha um pouco de bondade em si, certamente não compactua com o monte de iniquidades que assolam o planeta, mais do que nunca, após a tua partida.

Mas olha só, querido, creio que o pessoal tenha pegado tuas palavras e as colocado em um contexto que não sei bem se era o que tu imaginavas.

Eu também tenho... ser normal no mundo de hoje é atestado de insanidade...

Eu também tenho… ser normal no mundo de hoje é atestado de insanidade…

Sim, ao dizeres que um mundo sem “paraíso” ou “sem religião”, creio que falavas algo sobre os conceitos religiosos e suas distorções, onde o pessoal age como cães adestrados em busca de suas recompensas… mas, hoje prega-se o ateísmo em função disso.

Ok, iremos discutir por horas e mais horas sobre o conceito de Deus… aquele que existe e é a soma de tudo, contra aquele criado e inventado, para que seja o produto final de um projeto.

Ah, ok... pensamos parecido...

Ah, ok… pensamos parecido…

Pois bem, John, imagina então, como seria um mundo onde mais do que não haver religiões… imagine um mundo onde pessoas espiritualizassem-se da forma que mais lhes fosse apraz. Que cada um tivesse seu conceito próprio de divindade, de paraíso, de objetivos e recompensas. Os seus… e não os que estão por aí, dispostos como opções pouco apetitosas para o “consumidor”?

Acima de nós, apenas o céu… mas, te pergunto: qual céu? Aquele imenso, que estende-se ao infinito, num imenso vazio de bolas de fogo flutuando num vácuo, com outras de outros materiais as orbitando, ou um céu onde possam haver outras culturas, outras mentes maiores ou mesmo até, civilizações que tenham pisado por aqui em algum tempo, como algumas culturas antigas sugerem?

Imagine, querido, que tivéssemos, além de um céu acima de nós, uma consciência maior. Uma que nos permitisse imaginar que somos parte de tudo. Que tanto subindo aos céus, quanto internalizando em nossas frequências atômicas, alcançássemos o mesmo todo?

Aê, garoto... é disso que eu falava...

Aê, garoto… é disso que eu falava…

Ao falar em um mundo sem países, creio que quiseste dizer um lugar onde pessoas pudessem fazer parte de uma comunidade humana. Independente de sua origem. Que todos tivessem um convívio pacífico. E, aí, é claro, voltamos ao conceito de “não religião” proposto. Afinal, meu velho, deves estar acompanhando daí de algum lugar, que provavelmente não é o paraíso, pois não o querias, mas, ainda assim, tua consciência deve seguir existindo em algum lugar… e, daí, deves estar vendo que mesmo quebrando-se barreiras e fronteiras, algumas pessoas simplesmente não têm ainda condições de conviver com outras. E não só por questões limítrofes de países ou religiões. Trata-se de algo maior. De algo que reside em cada uma dessas pessoas. De serem simplesmente pacíficas por si só. Por exemplo: eu acredito que para uma pessoa saber que estuprar uma mulher e agredi-la é um ato torpe, covarde e mais um monte de outros xingamentos que aqui me ocorrem, ela não precisa estar convertida a alguma religião. Ou, mesmo, como tu propuseste, despida de todas elas. Afinal, bem ou mal é coisa que não necessariamente se aprende, mas, se vivencia.

Calma, meu velho... não é pra tanto... sem sonhos, não se projetam realidades...

Calma, meu velho… não é pra tanto… sem sonhos, não se projetam realidades…

Veja, querido, que o teu canto comoveu bilhões de pessoas, eu creio, mas, poucos se valem dele para realmente agir de forma melhor. E, assim também é com as religiões. Algumas pregam o bem, mas, seus seguidores não deixam de ser abestalhados só porque se especializaram em um livro específico. Eles precisam aprender a agir por conta própria, de forma correta, independente da “recompensa” que lhes for oferecida.

Sim... Sim!!! Por isso que cuidar de si antes de tentar cuidar dos outros é primordial...

Sim… Sim!!! Por isso que cuidar de si antes de tentar cuidar dos outros é primordial…

Tal qual devolver uma carteira recheada de dinheiro na rua. Deve-se devolver simplesmente porque é o certo a se fazer. Não para ficar com os louros da fama em uma matéria exaltando o óbvio, e, tampouco para ser recompensando com algum presente por isso.

Sabia que tu me entenderia...

Sabia que tu me entenderia…

Bem, agora vem a parte mais complicada… imagine um mundo sem posses… e, na mesma estrofe, propor um mundo sem ganância e sem fome…

Olha só, meu querido, já tentamos isso… lá na idade das pedras. E não funcionou… ninguém tinha nada… todo dia, saía-se para caçar, pelo menos até que aprendemos a plantar. E, daí, estabeleceu-se o escambo, a necessidade de estoque e etc… ainda mais que as pessoas viam que não duravam para sempre. Viam que ficavam velhos e lentos para a caça. E que seus filhos e dependentes ainda assim, deviam comer… pois daí a necessidade de evoluir, meu velho. Não se trata de ganância ser previdente e imaginar que poderíamos ser feridos durante uma caçada e que, talvez, tivéssemos que focar em algum estoque para tal.

Pois é... por isso é que temos que começar a ser previdentes e parar de querer depender dos outros...

Pois é… por isso é que temos que começar a ser previdentes e parar de querer depender dos outros…

Mas, concordo na parte da irmandade humana… acho que aí seria uma ótima solução. O pessoal vivendo em comunidades, com ajuda mútua, com cada um fazendo o melhor de si, tanto para si quanto para os que o cercam. Nisso sim tu acertastes em cheio!

E eu, em minha arrogância de tentar retocar uma obra-prima, te proporia um mundo sem política e sem ideologias de manada. Sim, pode parecer controverso, à medida que eu creio na vida em comunidade. Mas, veja bem, querido, o princípio de comunidade no qual eu acredito é baseado, estruturalmente no poder do indivíduo. No bem estar de cada um, primeiramente, que se expande e alcança a todos. Creio em um conceito onde a pessoa seja tão feliz a ponto de querer compartilhá-la com o mundo todo. E não naquele conceito onde deva-se abrir mão de si mesmo em função do outro. Esse pseudo-altruísmo é o que tem ferrado com tudo. Ele multiplica pessoas infelizes, sacrificando suas próprias felicidades em nome de outros. E, pode aqui até parecer que eu estou sendo chato demais, mas, acaba justamente entrando naquele conceito religioso de sofrimento x recompensa futura e não sabida em algum “paraíso”, dos quais pediste para imaginarmos o mundo livre…

Bingo! Poder para o povo significa poder para cada um de nós... o povo não é uma entidade em si, mas sim a soma de pessoas...

Bingo! Poder para o povo significa poder para cada um de nós… o povo não é uma entidade em si, mas sim a soma de pessoas…

Que tal então, fecharmos um acordo agora em uma estrofe do tipo:

“Imagine o mundo sem salvadores;

sim, é preciso ter coragem para tal;

cada um cuidando de si mesmo com garra;

e não mais ser vítima de coisa alguma;”

Ou, se preferir:

“Imagine todas as pessoas, 

vivendo em harmonia consigo mesmas;

saindo de seus casulos de escolhas marcadas;

e rumando ao que nasceram para fazer;”

Bem, tu podes dizer que eu estou sonhando… mas eu acho que eu não estou só… eu espero que um dia, todos unam-se em suas próprias causas de felicidade. E, então, o mundo viverá como um só…

Imagine só, querido John…

#SemMaisMeritíssimo

#SemMaisMeritíssimo

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A loucura nossa de cada dia…

Já disseram que, de médico e louco, todo mundo tem um pouco…

Bem, para mim, a premissa é verdadeira, pois, embora seja administrador, sou metido a dar prognósticos de doenças… pelo menos, as que eu já tive e lembro dos sintomas e tratamentos… é claro que, com a ajuda do São Google, padroeiro dos autodidatas (ou auto-idiotas), geralmente costuma funcionar para casos simples.

Mas, a parte do louco… bem, essa eu me identifico bastante…

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Ainda ontem estive em um jantar com amigos de infância… amigos há mais de 30 anos, que, hoje, considero uma família. Pois bem, durante a conversa, ficou a minha verve em externar todas as sandices que me ocorrem, evidente a todos. Principalmente aos que são meus amigos no Facebook (e que não deixaram de seguir minhas postagens). Respondi um “ame-o ou deixe-o”, para resumir a minha fase com ausência de meios termos, coisa que anda também, bem evidente.

Rimos dos causos antigos e velhas histórias que ao longo dos 30 anos repetem-se em reencontros. Nessa irmandade criada, temos um publicitário brilhante, um competente funcionário público, um engenheiro de sucesso, um médico genial… e eu. Também percebi que todos têm suas vertentes “insanas”. As declaradas, as não declaradas e as reprimidas.

Sim, eu imagino (na minha insanidade assumida) que estejamos divididos entre esses três tipos.

Temos os que declararam isso, como eu, os que não declararam, pois ainda sequer se deram conta de que são ou estão insanos, e, para finalizar, os que já se deram conta, mas, tentam aparentar a vivência dentro da “normalidade”.

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Bem, e daí? – devem estar perguntando-se…

Pois bem, explico:

Acredito que a -dita- insanidade ou loucura, ou qualquer outro nome que queiram dar, trata-se de uma dissonância nossa em relação a algo… ou a alguém…

Complicou, né?

Bem, sigo tentando explicar…

Eu imagino que alguns tipos de “problemas mentais” (para achar um termo genérico para a tal insanidade) são sintomas. E não causas em si. Já escrevi sobre isso, certa vez… não lembro o texto e nem a data.

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E, tal qual a tosse é um sintoma de uma doença que possa variar entre uma simples gripe, alergia, refluxo… até tuberculose ou coisas mais graves… e é aí que eu quero chegar.

Essa tosse é o convite à investigação, para que, durante a pesquisa, acabemos reavaliando processos, modo de vida, reeducações alimentares ou de atividades… enfim, é durante o check up que acabamos tendo uma visão do todo e, nele, acabamos tomando medidas de melhoria.

Certamente tudo isso é para quem se dispor a investigar, e, sobretudo, a se adaptar para propiciar tal melhoria…

Posso usar outro exemplo, onde uma pessoa que identificou como causa da tal tosse, um péssimo hábito, como fumar, por exemplo, e, com o início do tratamento, tem em seu mais primordial pré-requisito, o parar de fumar. Bem, aí amigos, o exemplo figurativo vai além…

Durante o processo, a pessoa terá desde a mudança de humor, até crises de abstinência do antigo hábito… que, enquanto a química corporal e cerebral se adapta à nova realidade, o indivíduo (que é a soma das químicas, físicas e outras ciências), padece e sofre…

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…sofre desde conflitos internos, ou, consigo mesmo, até dramas maiores em suas relações mais próximas. Familiares, colegas de trabalho e tals…

Também é interessante dizer que, este subprocesso também serve para determinar quem realmente se importa com o cidadão e quer seu bem, de quem é apenas reativo ao momento que ele vive… resumindo: amizades vêm e irão de acordo com o avançar do processo…

Outras, permanecem… como no meu caso, por décadas, ou, quase a minha vida toda de convívio social, como meus amigos-irmãos do jantar de ontem. Mas, isso foi pura sorte minha, que, ao longo do período, conseguiram suportar minhas insanidades… tal qual suportei as deles…

O momento atual, me diz que, nesse instante, minha insanidade me aponta a necessidade de revisitar processos da minha vida… escolhas feitas… um balanço do que fiz até então… e isso não é a solução em si de nada, mas, simplesmente, o início de um diagnóstico… o tratamento é outra coisa.

Pois eu diria que o diagnóstico para possíveis causas dessa insanidade é vasto… o mundo em que eu vivo, a sociedade, o cenário político, o plano astral, o universo, enfim… em qualquer abordagem que eu venha a fazer, encontrarei dissonâncias minhas em relação a tais fatores…

Mas, e daí?

O que eu devo concluir com isso?

Sinceramente, não sei… só sei que o processo segue e está a todo vapor… talvez demorando mais do que eu previa, ou, pelo simples fato de eu ainda não ter entendido que ele irá durar o tempo em que eu viver… afinal, a melhoria deve ser constante…

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Também acho que, como tenho pensado muito ultimamente, ele é algo que, por mais que eu viva socialmente, diz respeito unica e exclusivamente a mim. Afinal, não se trata de que eu mude (ou deixe de ser “louco”) para não desagradar aos outros… mas sim, de que eu apenas atinja a razão para que isso tudo faça sentido A MIM. É a mim que eu devo satisfações. Sou eu quem me cobra a todo instante, o porquê disso tudo… o que eu tenho ganho com isso? Se o feito até então valeu a pena… e, sobretudo, para que eu tenho procedido? Para qual rumo eu estou indo? Terá algum nexo nisso tudo?

Será que o nexo disso tem algo a ver com o Nexus, a explosão de uma suposta Supernova do centro da galáxia e que nos irradia com raios gama, desde 2008, segundo vertentes esotéricas ou pseudo-científicas que corroboram com todas as teorias da mudança global, nova era, 2012, apocalipses e fins de mundo que, a todo instante nos assaltam a mente?

Sabe-se lá…

Também as vertentes religiosas nos falam de mudanças em planos espirituais, de reformas de moralidade necessárias para “passar de fase” (sim, parece um RPG astral onde temos que realizar quests para ganhar pontos, evoluir o personagem e avançar de fase).

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Completei 40 este ano… espero que tenha uma coisa ou outra ainda reservada…

Experienciei muita coisa de 2010 para cá, embora, tenha tido prévias do porvir bem antes disso… e, durante os vários discursos ouvidos, tanto de espíritos, de mentores, de médicos, familiares, amigos e uma gama de gente que tentava me ajudar a voltar à “normalidade”, notei algumas ligações e “coincidências” que me apontavam que haveria uma necessidade de mudança… ouvi desde que “…tempos difíceis se avizinham”, até que “…tempos novos e alegres estão surgindo”…

E, nessa diferença gritante de “dicas”, que mais parecem fornecidas por institutos de pesquisa brasileiros e suas margens de erro ridículas (como a que transforma 1 milhão de pessoas em 20 ou 30 mil, para, em outras situações, transforme meia dúzia de gatos pingados em “milhares de pessoas”), percebi que também são causas de insanidade… afinal, como tentar pensar racionalmente com tantos dados difusos?

Mais adiante, me dei conta de que nem sempre pensar racionalmente é solução para tudo… sentir era tão essencial quanto pensar…

Mas, sensações e sentimentos, variam muito de momento para momento… o que “racionalmente” podem ser encaradas como problemas de ordem mental e que carecem de medicamento…

Eu diria que não… que essas mudanças são tão frequentes quanto novos paradigmas se apresentam aos que estão abertos a vê-los…

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Mentes fechadas em suas “certezas” dificilmente percebem coisas que fujam de suas cognições… já, aos loucos que percebem tudo de forma diferente…

Raul Seixas, o nosso maluco beleza, nos brindou com inúmeros pensamentos que, hoje, notadamente estavam à frente de seu tempo… o que, me parece mais que a sua insanidade residia muito na incapacidade dos “sãos” em perceber sua genialidade, do que, necessariamente, na “maluquez” dele… ilustrada, magistralmente, ao meu ver com a frase “…quem não tem visão, bate a cara contra o muro…”.

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Pois bem, queridos, se temos ao nosso redor pessoas caçando borboletas, OVNI’s nos céus ou a iluminação interior, se encharcando de Santo Daime, eu diria que são sinais de que algo grita dentro de cada um… são sintomas de que o “real” não basta, sintomas de que suas realidades são insuficientes para justificar o porquê disso tudo… e, por mais que ainda não tenhamos a menor ideia de qual seja essa solução, abrir cada vez mais os olhos, seja fundamental para que, caso nos cruze a frente, consigamos enxergar tal solução… ou, atingir meios de criá-la nós mesmos… sem ficar refém de nenhum baluarte ou arauto da “normalidade”… e, Deus nos livre, dos ditadores do novo “politicamente correto”…

Pensemos nisso… ou, simplesmente, pensemos…

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**Peço licença poética para as trossentas reticências usadas, pois elas justamente representam a não finitude do pensamento em cada frase em que as empreguei… (inclusive aqui)

Profissão: vítima da sociedade

Estou aqui recuperando um post antigo, do tempo em que escrevia o blog do Ferris (http://qcferris.wordpress.com), lá de 2010, mas que, ainda mantêm-se atualizado hoje em dia…

Profissão: Vítima da sociedade

20/05/2010 por qcferris

…e num futuro nem tão distante…

– Que bom que o senhor aceitou dar essa entrevista para a nossa revista, senhor…

– O prazer é todo meu…

– Quer dizer então que o senhor enriqueceu apenas se beneficiando da burrice alheia?

– Eu não diria só da burrice… eu diria que foi à base da intolerância, preconceito, segregação e todos os atos falhos que a sociedade insiste em manter ao longo dos anos…

– Entendo… e como essa trajetória se iniciou?

– Foi logo na entrada da escola… como sou filho adotado de pais gays, sofri Bullying preconceituoso dos meus coleguinhas e, como um dos meus pais era ativista do movimento gay, me ensinou como corrigir adequadamente essas arestas sociais das crianças ditas normais…

– Sim… mas o senhor sendo menor de idade, suponho que deva ter tido um tutor nisso tudo…

– No início sim… mas, ao longo dos anos, fomos adquirindo parceiros na nossa causa… hoje já contamos com 38 advogados especializados… temos também a nossa loja de venda de acessórios de apoio à decisão nos processos… contamos com um varejo de câmeras escondidas, microfones de longo alcance… temos também um portfólio de testemunhas onde pode-se contratar várias delas sem custo algum, apenas dispondo de 10% dos ganhos nas causas…

– Isso é praticamente uma empresa então?

– Nem pensar… somos uma ONG com fins não lucrativos que visa doutrinar a sociedade a ser mais aberta e mais respeitosa com todos nós…

– Todos nós? E qual grupo seria esse ‘nós’?

– Todos os oprimidos… aqueles que são marginalizados por aqueles que detém o poder de fato e que não abrem mão de conceitos ultrapassados…

– E essas pessoas seriam quem?

– Aqueles que não atingiram o ponto de educação necessário para conviver com as adversidades…

– Entendo… o conceito adversidade é vasto, não é? Fiquei sabendo que o senhor, sozinho, já ganhou alguns milhões em causas próprias…

– Sim… como disse, fui adotado por um casal homossexual, sem-terras, perseguidos políticos, e, sendo eu negro, sem curso superior, casado com uma cadeirante, tenho 1 filho emo e gordo e uma filha estudante na  UNIBAN, o senhor já imagina o quanto conseguimos recuperar do nosso orgulho próprio sobre as humilhações diárias que passamos…

– Imagino… mas se a sua ONG é sem fins lucrativos, como ela se mantém?

– Recebemos doações das empresas de advogados que nos apoiam…

– E isso não seria um conflito de interesses?

– Se imaginarmos que o interesse em comum, nesse caso, é o de estabelecer os reparos pelos danos causados pela sociedade, não…

– Percebo… e o senhor tem planos para o futuro?

– Claro… estamos expandindo na área penitencial… abrimos um braço na sociedade para exigir danos causados pelo sistema penitenciário para alguns detentos… também iremos investir na área de pensões… por exemplo, com esses processos que eu, altruisticamente lancei, fiquei incapacitado de conseguir emprego para me manter… sendo assim, vou exigir que o governo me pague pensão vitalícia para que eu siga lutando pelo direito de todos os excluídos…

– Isso seria viável, já tivemos políticos que fizeram isso… o senhor tem idéia de se lançar em candidatura?

– Nem pensar… como eu disse, estou nisso sem fins lucrativos…

– E o senhor não teme represálias futuras daqueles que perderam causas para o senhor?

– Eu bem que gostaria… com agressão eu teria um acréscimo no faturamento de mais de 50%…

– Mas o senhor não tem medo de morrer?

– Claro que sim… mas como tenho seguro de vida em todas as seguradoras, recebi segurança 24h por cortesia da seguradora…

– Sim… parece realmente um bom negócio…

– Não é um negócio… é a sublimação de uma ideologia! É a realização do sonho de uma sociedade justa, honesta e que presa pelo bem estar e a igualitariedade de todos!!!

– Confesso que estou emocionado com a sua auto-doação social…

– Eu faço isso pelo meu povo!

– Bem… obrigado pelas respostas… vou levar a gravação para a edição e devemos estar publicando isso amanhã… o senhor não se incomoda de eu ter gravado isso, certo?

– Claro que não… também estou levando a minha gravação ao nosso setor jurídico, e, tendo a sua revista, historicamente, classificada como mídia golpista por alguns governos, estaremos atentos à repercussão do publicado… mas, já lhe adianto que dependendo do que o senhor escrever, a sua comissão ficará em torno de 30% dos lucros…

Antes de entrar para a ONG eles eram conhecidos como "Necessitado & José Classe Média"... mas graças ao preconceitos com os cantores sertanejos...

Antes de entrar para a ONG eles eram conhecidos como “Necessitado & José Classe Média”… mas graças ao preconceitos com os cantores sertanejos…

A imensa maioria de minorias…

A sociedade atual, que a trancos e barrancos (achou que) venceu a repressão e, daí para frente implantou a política do “é proibido proibir”, expressão máxima da liberdade total, está livre de verdugos que possam roubar novamente seus direitos?

Liberdade???

Bem, EU não acho…

Uma ditadura travestida de liberal fixou-se em nosso país. Bundas em abundância (com o perdão da pseudo-redundância, rimando e tudo), assistencialismo e protecionismo às minorias. O bom e velho panis et circensis, o pão e circo, que desde a Roma antiga é usado para manter o gado sob controle enquanto encaminha-se ao abate. Enquanto alguns vangloriam a diversidade, esquecem-se que a adversidade que esse ambiente segregado em diversas minorias, que, somando-se, tornam-se maioria, gera atritos, debates inúteis e muita, muita encrenca.

Minorias… o que seriam essas minorias?

MINORIAS“Numa sociedade global uma minoria é uma sociedade particular caracterizada por aspirar a um modo de viver próprio que a distingue do conjunto e que, de certo modo, a põe à parte. Uma minoria não está necessariamente afastada ou isolada da sociedade nacional. É por isso que nem sempre se identifica com um grupo marginal e não é necessariamente objecto de segregação. Uma minoria constitui-se como colectividade ou comunidade particular na base da raça, da língua, da religião ou de um género de vida e de cultura muito diferentes do resto do país ou conjunto. Deste modo se criam ligações afectivas e afinidades que tendem a afastar este grupo do resto da população ainda que ele se encontre disperso”.[1]

Minoria também pode constituir a referência a categorias ou grupos que, pela sua posição sócio-político-económico-cultural, ocupam um lugar de destaque e de influência na sociedade, sendo aqui sinónimo de “elite”. Esta minoria-maioria (número vs poder) deverá ser enquadrada na perspectiva do poder institucionalizado de uma maioria. No, e para o presente caso, interessa-nos a minoria entendida na perspectiva não institucional, mas marginal, o que nos remete para a definição de Alain Birou.

[1] Dicionário de Ciências Sociais Alain Birou, Publ. D. Quixote, nº5, Lisboa 1982.

Pois bem, notemos que, pelo texto acima, as minorias, por mais que se achem um grupo à parte, ainda seguem fazendo parte da sociedade em que vivem. Então, caros amigos, que tal contribuir para o TODO da sociedade e tentar modificá-la ao invés de retaliá-la às custas de leis específicas? Redundância jurídica, eu diria…

Exemplificando: Leis e protestos contra a homofobia. Justificam-se? Claro, afinal, violência contra homossexuais, só porque são homossexuais é um ato imbecil… concordamos todos?

Bem, e se colocarmos dessa maneira: Violência contra QUALQUER tipo de pessoa, independentemente de sua raça, credo, grupo social ou preferência sexual é um ato imbecil… e aí, que tal?

Alguém aqui vê diferença na gravidade do crime se alguém espancar uma pessoa gay para um negro, um judeu, um emo, um funkeiro, um gordo, um careca, um paraplégico gago que adora goiabada cascão?

Enfim, exemplos ridículos à parte, tento aqui chamar a atenção para a miopia social que instaura-se por aqui e sem vistas de data para acabar (sim, hoje estou metido à engraçadinho nas palavras).

Notemos que o que podemos fazer nem sempre é o que devemos fazer….

Podemos reivindicar qualquer coisa na vida, mas, será que é o que deveríamos estar fazendo? Nem tudo o que se pode, é devido…

Podemos exaltar nossa religião? É claro! Devemos tentar converter o mundo todo à ela? Claro que não…

“O nosso direito termina onde começa o do outro”…. já devem ter ouvido isso antes… eu, por exemplo, ouço desde a infância. Então, com essa simples regrinha, e, adicionando mais uma, que para mim deveria ser o mandamento máximo de uma restruturação social, que é a “não faça aos outros o que não gostaria que fizessem contigo”, poderiam nos poupar tantas trupes de insatisfeitos…

hordas de gente pregando coitadismo e exigindo algo em troca de suas misérias pessoais, não dão-se conta de que quanto mais exigem para si em detrimento de outros, acabam alimentando o círculo vicioso e gerando novos coitados prejudicados por aquele segmento… a roda segue girando e, talvez, no dia em que nos dermos conta de que não estamos divididos entre “maiorias” e “minorias”, pode ser que comecemos a nos tratar como raça única, a humana, e esqueçamos os pormenores, afinal, tanto faz se eu posso ou devo tratar todos como irmãos, porque nesse dia, certamente, eu não precisarei mais estar ponderando esse tipo de coisa.

you may say I’m a dreammer, but I’m not the only one…

Salvem os animais!

Acho muito legal que todos nos preocupemos com nossos animais. A fauna é parte fundamental no nosso planeta, e todo bom ecologista deve militar não só pela sobrevivência das espécies como também pelo seu bem estar. E, para tal, temos militantes bastante enfáticos com isso.

A onda vegana, o PETA, só para citar movimentos mais fortes, são ativos o bastante para encarar celebridades, governos e povoar a mídia com protestos diversos. Quem aqui não viu ainda pelo facebook ou coisa que o valha, fotos de animais maltratados, estropiados ou mortos. Desagradável, não? Há quem diga que o choque é necessário para abrir mentes. Incomodar a pessoa pode ser o início de um “despertar” de consciências. E por que não?

Não comer carne, para os vegans (antigos vegetarianos, mas o nome não deu ibope) é a maneira de salvar os animais, embora, talvez boa parte deles utilize couro em suas vestimentas ou calçados… o que poderia deixar os militantes do PETA P’s da cara e, provavelmente mandar aquela mulherada protestar pelada, o que, também, não é nada mal.

Mas eu entendo a linha de raciocínio do pessoal. Eles não são apenas contra a matança de animais, eles protestam, sobretudo, contra o sofrimento destes. O que é justo, justíssimo!

Certamente algumas coisas são ridículas, como touradas, rodeios e “esportes” que se divertem às custas do sofrimento. Já, ao meu ver, alimentar-se de animais, embora ainda seja primitivo, justifica-se. E eu, como (quase) todo bom gaúcho, não dispenso um churrasco, portanto, não serei hipócrita de querer aqui pagar de politicamente correto (o que dificilmente me verão fazer).

Mas, voltando ao assunto do sofrimento animal, não posso deixar de entrar em um ponto, diria eu, interessante: NÓS SOMOS ANIMAIS!

Há quem diga que somos animais racionais, embora, muitos de nós desmintam esta afirmação a todo instante. Já, Aristóteles dizia que somos animais políticos, baseado no fato de vivermos em sociedade, nos unirmos em grupos, agirmos de acordo com a moral (ou a falta de), etc e tals; desta forma, seria interessante que os paladinos da fauna lembrassem que fazemos também parte do grupo cujo qual defendem (falando da parte de sofrimento animal). Podemos aí nessa mesma lógica, incluir os grupos minoritários (que já são maioria) que a todo instante reivindicam direitos às suas causas, que, todos eles pertencem a um grupo maior do que suas minorias, então, desta forma, bastaria apenas que todos lutassem pelos direitos humanos.

Ok, eu tenho tendência a desviar o foco do assunto principal, voltemos aos animais. Os outros.

Se somos animais também, e tantos grupos preocupam-se com o sofrimento, seria imperioso que cessássemos o sofrimento como um todo, não se atendo apenas à particularidades. Trabalho escravo, bullying, agressões de todas as matizes, xingamentos, má educação… isso tudo causa sofrimento.

Dirão que eu estou relativizando e matar focas a pauladas para fazer casacos não é a mesma coisa que mandar um blogueiro metido a espertinho para a #$@#%#$@. E não é mesmo a mesma coisa, mas a lógica é a mesmíssima. Ambos causam sofrimento. Combatam o sofrimento apenas.

Sofrimento é a mesma coisa que a morte? Há quem diga que algumas mortes abreviam o sofrimento. Há quem defenda a eutanásia baseado nessa premissa.

Entendamos que a escala evolutiva pode nos levar, quem sabe, a uma época em que comer carne torne-se desnecessário. Eu acredito que este dia virá, talvez não no meu turno, mas, quem sabe? Mas, como ainda galgamos degraus como sociedade civilizada, é normal que a conscientização que fazem estes grupos, de forma pontual, possa ser despertada para um âmbito mais macro, chegando ao ponto de simplesmente ensinar aos demais o quanto causar sofrimento, mesmo a um ser dito irracional, é desprezível. É uma premissa semelhante ao problema do racismo, pois à medida que uma sociedade avança, se dá conta de que segregar quaisquer tipos de pessoas é um ato irracional. Costumo dizer que racismo não é crime, é estupidez mesmo.

SALVEM OS ANIMAIS! AMEM OS ANIMAIS, inclusive os seus semelhantes…

Totó, diga “aaaau”

Sempre simpatizei com os protestos do PETA…