O futuro não é mais como era antigamente…

A frase do título, conforme cantava Renato Russo, no seu Legião Urbana, evidencia algumas coisas, ao meu ver, que podem exemplificar o momento atual que vivemos…

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Basta que comparemos, por exemplo, a ficção científica, tanto em filmes quanto livros, do passado, com os atuais…

Fomos de sociedades com facilidades extremas de um simples apertar de botões, com direito a carros voadores, jet packs e coisas do tipo, para visões cataclísmicas… passando desde apocalipses naturais, até guerras atômicas que dizimam o planeta. Sem esquecer, é claro, as invasões alienígenas, com os apocalipses zumbis que voltaram à moda recentemente…

…ok, ok… o apocalipse zumbi não parece lá tão distante, vide o número crescente de acéfalos que dominam as mídias, a “cultura” e tentam se apropriar do senso comum…

Mas, minha proposta é outra ao escrever isto. É tentar resgatar uma visão construtivista de futuro. A crítica diária já é ferrenha e, com ela, conseguimos evidenciar o tamanho de coisas erradas que vemos. Aliás, são óbvias as coisas erradas. Mas, como dizia o sábio:

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Pois então…

Assim, podemos ponderar que as obviedades atuais estão longe de nos apontar um futuro digno… muito menos um entusiasmante. Tenho visto que os mais otimistas, projetam um futuro bem distante, onde o aprendizado atual, vulgo ‘quantidade de merda praticada’, nos dará bases a cenários onde não voltaremos a incorrer nas mesmas cagadas premissas erradas de pensamento…

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Ok. Aí me interessa…

Acho que um padrão pode ser reconhecido: temos nos baseado pelo passado para tentar projetar um futuro. Ou seja, comparamos a tudo o que já ocorreu, citamos pensadores antigos e que sequer estão vivos para presenciar o cenário atual ou mesmo poder compará-lo com suas obras, até, ideologias seculares e poeirentas que ainda são exaltadas mesmo que em nenhum caso elas tenham sido bem sucedidas.

Funcionam como antíteses umas das outras, criando um emaranhado de pensamentos antagônicos entre si, sem que se proponha nada de novo, de atual, que tenha foco na realidade atual, com o povo e a mentalidade atual, por exemplo.

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Claro que para entender alguns padrões, tem-se que recorrer ao passado. Às origens das coisas e como elas se desenvolveram até o momento atual. E era isso. De resto, teremos que identificar que há a enorme necessidade de se criar algo novo. De modificarmos o marasmo atual e a pouca diversidade de ideias que nos encaixota o pensamento.

Temos as falácias de autoridade, por exemplo, praticadas quando citamos pessoas de grande apelo, para embasarmos nossas próprias ideias. Como se tivéssemos que nos validar não por nós mesmos, mas, apenas quando equiparamos nosso pensar a algum baluarte de alguma coisa. E, PARA MIM, tá aí o erro básico.

Não estou eu aqui dizendo, de forma alguma, que devamos deixar de lado esses pensadores. Apenas acho que eles fazem parte do arcabouço de conhecimento de cada um. Ou seja, eles nos municiam de itens de pensamento. Eles nos instigam a pensar. A nos modificarmos nas formas estanques em que nossas mentes se encontram. E, a cada ideia nova, passamos a ser novas pessoas, com novas perspectivas e com novos desafios a percorrer. É disso que eu acho que se trata a coisa. E não que devamos nos validar por eles. Citá-los para exemplificar algo, sim. Chancelar nossas ideias por outras, mesmo que seja por senso comum, não.

Não é porque um autor, dez, cem ou milhares, concordam acerca de um assunto que este passa a ser imutável, insofismável ou mesmo que, mais adiante, com novos elementos, técnicas, tecnologias, et cetera, não possam ser refutados por termos mais bases de ponderação.

A verdade absoluta de hoje pode ser derrubada amanhã. Basta que paremos de encará-las como absolutas. Não por relativismo moral, ou, no intento de derrubar uma tese simplesmente por derrubá-la, ou validar nossa ideia sobre a simples desconstrução de outra. Mas sim, pela necessidade de criar algo novo e melhor. E isso é ESSENCIAL!!! A criação de algo melhor para substituir o anterior… se não for, pelo menos um pouco melhor, deixa como está. Afinal, tem aquele outro sábio que dizia:

nada é tão ruim que não possa piorar

Quem me lê, tanto por aqui, quanto pelo que falo no Facebook, sabe da minha ranzinzice com o momento atual. Noto a pobreza intelectual do país, baseada muito mais na incapacidade de contestação dos tais baluartes do que propriamente por suas capacidades, vejo ideologias cerceando pensamentos, vejo o politicamente correto encaixotando opiniões… enfim… mas, chega de só criticar… tá na hora de fazer alguma coisa. De propor algo novo. De tentar sair desse mato sem coelho (ou cachorro, sei lá). Para tanto, será preciso que comecemos a construir um pensamento novo. Adequado às realidades de cada um. Sintético ou analítico, por vezes, mas, ainda assim, essencial para que algo novo, ao menos, seja plantado. Uma semente a ser geminada, que seja.

Me vi num ponto onde noto coisas boas e ruins por onde transito, aprendo, observo. E, como tudo na vida, devemos ponderar. Por isso, por vezes concluo que todos estão certos, à medida que todos estão errados…. e aí é preocupante. Quando ideias baseiam-se em apenas apontar os erros alheios, sem proposição alguma depois, tornam-se inócuas. Sem serventia alguma. Por isso, durante alguns encontros com amigos, e, sobretudo com um específico, onde um cara que admiro bastante me levou a criar uma ruptura na minha linha de pensamento, cuja qual acabei notando que se encaixava no perfil anterior, o de criticar apenas, sem propor soluções. Me vi despido naquele momento… e, sem trocadilhos maldosos, ali despido, puder ver que não bastava eu me cobrir com qualquer colcha de retalhos de pensamentos alheios. Era necessário que eu buscasse o meu próprio. E, tal qual eu sempre utilizo aqui citações de pessoas durante meus textos, numa tentativa de validação do que eu digo, notei que eu mesmo posso, através do meu desenvolvimento, embasar minhas próprias teses. Buscar minhas próprias alternativas e, quem sabe, encontrar as respostas que sigo buscando.

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Aguardemos as cenas dos próximos capítulos…

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O anti(a)

Estamos em tempos dualistas. Ou se é preto, ou branco; gay ou hétero; macho ou fêmea; petista ou peessedebista; coxinha ou pão com mortadela; esquerda ou direita… enfim, um saco!

Pois, novamente, me pego observando um padrão nisso tudo. Sim, tento o tempo todo dissecar coisas para ver se enxergo um padrão interno. Um algoritmo, programação, ou coisa que o valha.

Pois nesses comportamentos conflitantes, geralmente encontramos a figura do “anti”. Que, ao final, pode também ser encarada como uma figura “anta” (sempre lembrando que o meu sobrenome “Ketzer” é “Herege” em alemão, ou seja, eu sou “anti(a)” de nascença).

Não, o “anta” não é nenhuma pegadinha para pessoas que alteram títulos, incluindo este sufixo, embora, não esteja descartada a possibilidade.

Essa figura é o antagonista, o do contra, a via oposta. Mas, a pergunta é: o porquê ocupa-se esse papel… e, daí resulta se a criatura é um anti ou uma anta…

Se é contra por convicção própria, beleza. Se é por convicção alheia… bem… dá para imaginar em qual categoria eu o encaixaria.

Pois então. Como de costume, iniciemos no amansa (o de hoje é o Michaelis versão digital da UOL):

an.ta.go.nis.ta
adj. e s., m. e f. Que, ou o que é oposto ou contrário a alguém ou alguma coisa.

an.ta.go.nis.mo
s. m. 1. Estado de oposição, velada ou declarada, entre duas pessoas, duas nações ou duas idéias. 2. Rivalidade, hostilidade.

an.ta.gô.ni.co
adj. Contrário, oposto.

an.ta
s. f. Zool. Ungulado da ordem dos Perissodátilos, da família dos Tapirídeos, um dos maiores animais da fauna brasileira; tapir.

Ok. A parte do anta, foi uma inserção de merda piadista para identificar o prefixo das expressões, incluindo-os na proposição inicial de “anti” ou “anta”. Embora, no dicionário informal, o termo anta refira-se à burro mesmo. Ih, piorou. Deixa pra lá. Seguimos.

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Fazer oposição é direito de qualquer um. É um dever, eu diria. Ainda mais quando a causa dessa oposição é algo corrosivo e danoso. Mas, a oposição apenas como “anti”, ou, como uma simples força contrária na tentativa de anular a outra força, pode ser apenas um dos tantos estratagemas de controle ou desordem de mentes.

Explico. Exemplificando, é claro… ou tentando.

A antimatéria. É um conceito da física, buscado desde sempre, e, com o conceito complicado. Quer ver?

Antimatéria na física de partículas e na química quântica, é a extensão do conceito de antipartícula da matéria, por meio de que a antimatéria é composta de antipartículas da mesma maneira que matéria normal está composta das partículas.

Por exemplo, anti-elétrons (pósitrons, elétrons com carga positiva), antiprótons (prótons com carga negativa) e antinêutrons (com carga nula como os nêutrons) poderiam dar forma a antiátomos da mesma maneira que elétrons, prótons e nêutrons dão forma a átomos normais da matéria.

Fonte: Wikipedia

Entenderam? Nem eu… mas, filosoficamente, usa-se o conceito como algo a anular a “matéria”… ou, enquanto alguns acreditam que a antimatéria não deixa de ser matéria, há quem ache que ela é apenas a antítese da matéria… ou, polaridades inversas da matéria em questão. Por isso eu prefiro filosofar ao invés de calcular.

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Uso esse exemplo para tentar abordar os pensamentos meramente “anulantes” do contrário, do que este pensamento ser um construtivista, de fato.

Como?

Bem, vamos lá… isso vai ser complicado.

Quando o ser humano começou a compreender o bem, automaticamente, teve que ter ideia do que era o mal. Para a criação de Deus, criou-se um asmodeus, ou, o diabo. Não se sabe necessariamente se é uma entidade de fato, uma egrégora ou uma construção mental coletiva. Mas, na crendice popular, ele exerce o papel antagônico. Para mim, reflete mais o conflito interno humano, que distancia-se do conceito divino de Deus, na concepção judaico-cristã, do que qualquer outra coisa… mas, ainda assim, há quem creia em sua existência e debite suas falhas à sua ação direta.

Também, em todo e qualquer sistema, teremos uma figura antagônica, com equivalências de poderes e que, servirá de contra-argumento, de relativismo e, sobretudo, com a intenção de atirar de volta no debate forças proporcionalmente inversas com a intenção de anular o que vem do outro lado. Ou, a antimatéria mental.

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E é assim que eu vejo muito do que acontece hoje em dia.

Arthur Schopenhauer em sua dialética erística, escreveu os estratagemas para se ganhar um debate sem precisar ter razão. E, nesse compêndio, ele nos ensina que dá para tergiversar e atacar ideias sem, necessariamente aperfeiçoá-las. Resumindo, detone o debate e seus argumentos e saia vitorioso.

Nos tempos da guerra fria (que voltou à cena “vintage” do mundo político), falava-se muito na informação e na contrainformação. Falava-se nos serviços secretos de espionagem, na CIA x KGB, que inseriam conceitos antagônicos nas mentes para deturpar os entendimentos. Para toda informação, surgia uma contrainformação que negava, ou, colocava aquela pulga atrás da orelha do cidadão e, no mínimo, os mantinha de mãos atadas sem saber bem o que fazer. Pois, à época, não existia a internet… e, o acesso à informação e ao conhecimento estava em livros e bibliotecas… mas, o fato de hoje ter muito mais informação disponível, também, em contrapartida, faz com que se tenha muito mais contrainformação. Pensamentos contrários em tempo integral. Para Marx, temos Mises, para Gramsci, temos que ter todo o resto… afinal, ele “apenas” ensina a ruir toda a civilização ocidental judaico-cristã. E, há quem vincule isso à contrainformação dos tempos da KGB, que, nas palestras do desertor Yuri Bezmenov, ensinou que o seu trabalho era subverter pensamentos. Um a um. Geração a geração. E, desse conceito, o mesmo Gramsci utiliza o termo: “idiota-útil”, para aqueles que se “formaram no programa”. O que, da mesma forma, comprova minha teoria de que dá para ser formado e versado em algo, e, mesmo assim, aumentar o seu idiotismo. Inteligência não está vinculado ao tamanho do seu saber, mas sim, como você o aplica e o que se beneficia disso. Se te traz liberdade mental ou te aprisiona.

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E, é justamente aí o meu ponto-chave do post de hoje. O que essas linhas antagônicas nos proporcionam? Elas nos libertam ao conflitarem-se ou apenas nos enclausuram em um conflito pré-estabelecido para que percamos o foco para o que realmente acontece ao redor?

Será um “bait”, ou isca, para que pensemos que o mundo está restrito àquilo.

Retoco para dizer que é bem diferente o uso da contra-argumentação no caso da antítese a uma tese. E, do processo dentre as duas, extraia-se a síntese. Nisso eu acredito. Acho válido. Mas, como sabemos e já andei dizendo anteriormente, nem todos tem idoneidade moral em seus argumentos. Alguns não querem a síntese. Usam a contra-argumentação, ou, a antimatéria mental para que justamente evite-se isso.

Mas, ao contrário dos tempos atuais, que são dualistas, eu ainda acredito na filosofia da “corda de violão”, onde se apertar demais, arrebenta, e, se afrouxar demais, não dá o tom certo… então, não se trata de matéria ou antimatéria, mas, algo mais na linha “Teoria Hermética”, onde Hermes Trismegistos dizia que quente e frio não são antagônicos entre si, mas, apenas polaridades de uma mesma coisa. A temperatura.

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