O futuro não é mais como era antigamente…

A frase do título, conforme cantava Renato Russo, no seu Legião Urbana, evidencia algumas coisas, ao meu ver, que podem exemplificar o momento atual que vivemos…

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Basta que comparemos, por exemplo, a ficção científica, tanto em filmes quanto livros, do passado, com os atuais…

Fomos de sociedades com facilidades extremas de um simples apertar de botões, com direito a carros voadores, jet packs e coisas do tipo, para visões cataclísmicas… passando desde apocalipses naturais, até guerras atômicas que dizimam o planeta. Sem esquecer, é claro, as invasões alienígenas, com os apocalipses zumbis que voltaram à moda recentemente…

…ok, ok… o apocalipse zumbi não parece lá tão distante, vide o número crescente de acéfalos que dominam as mídias, a “cultura” e tentam se apropriar do senso comum…

Mas, minha proposta é outra ao escrever isto. É tentar resgatar uma visão construtivista de futuro. A crítica diária já é ferrenha e, com ela, conseguimos evidenciar o tamanho de coisas erradas que vemos. Aliás, são óbvias as coisas erradas. Mas, como dizia o sábio:

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Pois então…

Assim, podemos ponderar que as obviedades atuais estão longe de nos apontar um futuro digno… muito menos um entusiasmante. Tenho visto que os mais otimistas, projetam um futuro bem distante, onde o aprendizado atual, vulgo ‘quantidade de merda praticada’, nos dará bases a cenários onde não voltaremos a incorrer nas mesmas cagadas premissas erradas de pensamento…

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Ok. Aí me interessa…

Acho que um padrão pode ser reconhecido: temos nos baseado pelo passado para tentar projetar um futuro. Ou seja, comparamos a tudo o que já ocorreu, citamos pensadores antigos e que sequer estão vivos para presenciar o cenário atual ou mesmo poder compará-lo com suas obras, até, ideologias seculares e poeirentas que ainda são exaltadas mesmo que em nenhum caso elas tenham sido bem sucedidas.

Funcionam como antíteses umas das outras, criando um emaranhado de pensamentos antagônicos entre si, sem que se proponha nada de novo, de atual, que tenha foco na realidade atual, com o povo e a mentalidade atual, por exemplo.

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Claro que para entender alguns padrões, tem-se que recorrer ao passado. Às origens das coisas e como elas se desenvolveram até o momento atual. E era isso. De resto, teremos que identificar que há a enorme necessidade de se criar algo novo. De modificarmos o marasmo atual e a pouca diversidade de ideias que nos encaixota o pensamento.

Temos as falácias de autoridade, por exemplo, praticadas quando citamos pessoas de grande apelo, para embasarmos nossas próprias ideias. Como se tivéssemos que nos validar não por nós mesmos, mas, apenas quando equiparamos nosso pensar a algum baluarte de alguma coisa. E, PARA MIM, tá aí o erro básico.

Não estou eu aqui dizendo, de forma alguma, que devamos deixar de lado esses pensadores. Apenas acho que eles fazem parte do arcabouço de conhecimento de cada um. Ou seja, eles nos municiam de itens de pensamento. Eles nos instigam a pensar. A nos modificarmos nas formas estanques em que nossas mentes se encontram. E, a cada ideia nova, passamos a ser novas pessoas, com novas perspectivas e com novos desafios a percorrer. É disso que eu acho que se trata a coisa. E não que devamos nos validar por eles. Citá-los para exemplificar algo, sim. Chancelar nossas ideias por outras, mesmo que seja por senso comum, não.

Não é porque um autor, dez, cem ou milhares, concordam acerca de um assunto que este passa a ser imutável, insofismável ou mesmo que, mais adiante, com novos elementos, técnicas, tecnologias, et cetera, não possam ser refutados por termos mais bases de ponderação.

A verdade absoluta de hoje pode ser derrubada amanhã. Basta que paremos de encará-las como absolutas. Não por relativismo moral, ou, no intento de derrubar uma tese simplesmente por derrubá-la, ou validar nossa ideia sobre a simples desconstrução de outra. Mas sim, pela necessidade de criar algo novo e melhor. E isso é ESSENCIAL!!! A criação de algo melhor para substituir o anterior… se não for, pelo menos um pouco melhor, deixa como está. Afinal, tem aquele outro sábio que dizia:

nada é tão ruim que não possa piorar

Quem me lê, tanto por aqui, quanto pelo que falo no Facebook, sabe da minha ranzinzice com o momento atual. Noto a pobreza intelectual do país, baseada muito mais na incapacidade de contestação dos tais baluartes do que propriamente por suas capacidades, vejo ideologias cerceando pensamentos, vejo o politicamente correto encaixotando opiniões… enfim… mas, chega de só criticar… tá na hora de fazer alguma coisa. De propor algo novo. De tentar sair desse mato sem coelho (ou cachorro, sei lá). Para tanto, será preciso que comecemos a construir um pensamento novo. Adequado às realidades de cada um. Sintético ou analítico, por vezes, mas, ainda assim, essencial para que algo novo, ao menos, seja plantado. Uma semente a ser geminada, que seja.

Me vi num ponto onde noto coisas boas e ruins por onde transito, aprendo, observo. E, como tudo na vida, devemos ponderar. Por isso, por vezes concluo que todos estão certos, à medida que todos estão errados…. e aí é preocupante. Quando ideias baseiam-se em apenas apontar os erros alheios, sem proposição alguma depois, tornam-se inócuas. Sem serventia alguma. Por isso, durante alguns encontros com amigos, e, sobretudo com um específico, onde um cara que admiro bastante me levou a criar uma ruptura na minha linha de pensamento, cuja qual acabei notando que se encaixava no perfil anterior, o de criticar apenas, sem propor soluções. Me vi despido naquele momento… e, sem trocadilhos maldosos, ali despido, puder ver que não bastava eu me cobrir com qualquer colcha de retalhos de pensamentos alheios. Era necessário que eu buscasse o meu próprio. E, tal qual eu sempre utilizo aqui citações de pessoas durante meus textos, numa tentativa de validação do que eu digo, notei que eu mesmo posso, através do meu desenvolvimento, embasar minhas próprias teses. Buscar minhas próprias alternativas e, quem sabe, encontrar as respostas que sigo buscando.

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Aguardemos as cenas dos próximos capítulos…

A instrumentalização da bondade

Noto que muita gente boa, por vezes, acaba refém de algo, alguém ou alguma causa, justamente por ser boa…

Enrolada a formulação, né? Claro… é complicado para mim, sequer, formular a linha de raciocínio para tentar explicar…

Vamos tentar…

Pessoas notadamente boas, com boas intenções, essências boas, veem-se presas em causas, filosofias ou ideologias…

Tentando exemplificar: pessoas tendem a aceitar um estereótipo de uma figura “boa”, ou “elevada espiritualmente”, ou, seja lá qual for a ideia que ela quer passar de si, aos outros…

Putz, segue enrolado…

Ok, vamos tentar por partes…

Para iniciar, o bom e velho amansa-burro:

Estereótipo:

Estereótipo são generalizações que as pessoas fazem sobre comportamentos ou características de outros. Estereótipo significa impressão sólida, e pode ser sobre a aparência, roupas, comportamento, cultura etc.

Então, por exemplo, quem aqui não viu aquela pessoa que quer passar a imagem de “elevada espiritual”, com roupas hippies, falando manso e arrastado, como se estivesse chapado (ou de fato estando), falando das fraternidades brancas, amarelas, verdes com petit-pois rosa…

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Pois é… da mesma forma, aquela pessoa que hoje quer salvar o mundo, vê-se sendo obrigada a andar de bicicleta, ser vegetariana, socialista, feminista e uma série de outros ‘istas’…

Sim, muitos de nós já devem ter visto…

Mas, cá entre nós, não precisa de nada disso para ser uma pessoa boa. Essa composição de estereótipos pode ser desde uma jogada de marketing pessoal, como também apenas uma bobagem tentativa de expressar de forma externa, seu interior…

Vá lá… seja qual o motivo for, a verdade é que não precisa nada disso para ser bom… para fazer o bem…

Você não precisa estar vinculado a uma religião, a um partido, a um coletivo, a um grupo social ou seja lá o que for… você apenas precisa SER BOM. Ponto. Agir de forma boa diariamente.

Assim, indo mais além, essa estereotipagem, pode ser apenas mais um blefe do que realmente ser algo produtivo, ou mesmo, que faça alguma diferença.

Certamente aos incautos, que deixam-se levar por aparências, ou delegam o pensar, como costumo dizer, o impacto é fundamental para induzir a pessoa a achar o que o outro quiser…

Claro que, se a premissa de que uma pessoa vestindo roupas extremamente sexys, não necessariamente é uma profissional do sexo, da mesma forma dá pra concluir que algum cabeludo em vestes desleixadas, com pentagramas tatuados e símbolos esotéricos em pendentes e acessórios, necessariamente, é um ser “elevado”…

Adquira já o seu kit 'I wanna be esoteric' na nossa store...

Adquira já o seu kit ‘I wanna be esoteric’ na nossa store…

– E o que nós temos a ver com isso? – certamente vocês devem estar perguntando-se…

Bem, na verdade eu me importo com isso porque ver pessoas caindo em engodos me incomoda muito. Ainda mais as de boa-fé…

Vejo gente boa abraçando causas estapafúrdias apenas para justificar suas bondades. Acabam sendo instrumentalizadas por essas causas, que as tolhem, as “corrigem” e as enquadram em seus sistemas para que essas possam pertencem ao clubinho…

DANEM-SE OS CLUBINHOS!!! – eu digo.

Não, eu sou declaradamente um POLITICAMENTECORRETOFÓBICO!!!

Não, eu sou declaradamente um POLITICAMENTECORRETOFÓBICO!!!

Para mim, se você é uma boa pessoa, não me interessa se você é ateu, católico, umbandista, branco, negro, cafuzo ou mameluco, hétero, gay ou se curte orgias com coalas em plena selva australiana… tampouco se pertence à direita, esquerda ou fique em cima ou embaixo do muro… estou cagando pouco me importando se você vê gnomos, alienígenas ou elefantes cor-de-rosa quando toma chá alucinógenos ou mesmo fuma erva-mate em cuia de chimarrão…

O que eu realmente me importo é que pessoas sejam livres para escolherem seus caminhos. Em seus próprios termos. Com suas próprias características… que cada um vista-se como quiser, leia o que quiser, reze para quem quiser, ou para ninguém, que se alimente do que bem entender e, sobretudo, que mantenha a SUA PRÓPRIA LINHA DE PENSAMENTO. APENAS A SUA!

Como já disse inúmeras vezes, se é que eu tenho alguma missão com esse blog e o que eu falo e encho o saco aconselho os outros com que falo, é a de gerar livres-pensadores. E não mais os propagandistas ou fiéis de causas prontas.

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O livre pensar, de cada um, obviamente é um sistema que constrói-se diariamente, e, é claro, pode se utilizar de filosofias e pensamentos de outros. Mas, sem que fique-se preso a tais filosofias. Que tenhamos a vontade de avançar e a transcender esses pensamentos. Incluindo nossos próprios. Agregando coisas. Valendo-se deles para que multipliquemos ideias, ideais…

Portanto, gostaria de pedir a todos que pensam parecido, que deixem de ser apenas expectadores e que juntem-se ao levante de pessoas que simplesmente cansaram de observar os demais se debater…

Não, eram pessoas que começavam a despertar para uma coisa. Sem ainda terem a visão do todo. Escravidão era válida pela lei, mas, a bondade já era latente...

Não, eram pessoas que começavam a despertar para uma coisa. Sem ainda terem a visão do todo. Escravidão era válida pela lei, mas, a bondade já era latente…

 

E, para tal, você não precisa ser nenhum ‘mestre ascenso’, ‘coaching’, ‘líder-religioso’ ou qualquer outro ‘título’ que possa ser um ‘carteiraço’ nas fuças dos incrédulos… você precisa apenas ter a boa vontade em compartilhar com os outros. Compartilhar pensamentos, ideias, maneiras de fazer as coisas, contar suas histórias e como você atravessou períodos difíceis… para inspirar ou mesmo consolar quem passa por períodos semelhantes. Nunca, ao MEU VER, de forma proselitista, pregadora… como se você estivesse num púlpito em nível mais elevado, falando para baixo, aos que lá estão. Faça isso olho no olho, afinal, somos todos iguais. Mesmo que estejamos em estágios de experiências diferentes. E, mesmo aquela pessoa que você jura de pés juntos que você está ajudando, pareça não ter nada a lhe oferecer de volta, simplesmente continue. Pois o ganho disso não se dá na troca direta, mas sim, na reação em cadeia. Ou, quanto mais pessoas com a mente livre, felizes e com energias em frequências altas tivermos ao nosso redor, melhor nos sentiremos. E isso não é dogma de nada… é simplesmente física. Sim, física cartesiana… aumente a frequência boa e a frequência ruim não será capaz de te bagunçar a sintonia… matemática pura…

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Assim, físicos-ateus ou missionários-religiosos encontram um ponto de consonância, à media que não servirão mais a ‘senhores’ ou ao ‘grande vácuo de matéria-escura’… apenas servirão a si mesmos, implantando um ambiente de alta vibração em torno de si… uma troca quase alquímica, para que através dos fatores externos, seu interior vire ouro… essa é a pedra filosofal, no meu entender… mental e energética…

Ah, e os alquimistas não precisam mais usar hobbies com capuzes…

Pô, essa capa é mó style, merrmão...

Pô, essa capa é mó style, merrmão…

Reação ou ação repetida?

Tenho obviamente acompanhado todas as discussões dualistas que estamos tendo no país e no mundo. A retomada da guerra fria, comunistas x capitalistas (como se fossem realmente antagônicos entre si, ou polaridades opostas. Não são.), coxinhas x mortadelas, tucanos x petralhas, etc, etc, etc… e, dentre elas, me deparei inúmeras vezes com o “xingamento” “reaça”.

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O tal “reaça”, obviamente, vem de “reacionário”, ou seja… bem, não vou sair lascando… vamos, primeiramente, ao amansa-burro, como de costume:

re.a.ci.o.ná.rio
adj. Relativo ao partido da reação, acep. 7. 2. Contrário à liberdade individual e coletiva. S. m. Indivíduo reacionário.

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Notemos que é relativo (e não relativismo) ao partido da reação. Mas, o nosso Michaelis inseriu o conceito de contrário à liberdade… será mesmo? Vamos lá…

re.a.ção
s. f. 1. Ato ou efeito de reagir. 2. Ação que resiste ou se opõe a outra; resistência. 3. Fís. Ação reflexa ou resistência que um corpo opõe pela sua inércia a outro que sobre ele atua, ou a uma forma que o solicita. 4. Fisiol. Ação orgânica resultante do emprego de um estimulante. 5. Psicol. Resposta a um estímulo qualquer. 6. Quím. Processo pelo qual, da ação recíproca entre duas ou mais substâncias, se forma outra ou outras, de características diferentes. 7. Polít. Sistema político contrário à liberdade; absolutismo.

Ação… resiste… inércia… resposta… Ok…

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Acho que dá para iniciar um esboço a partir daí… reagir a uma coisa, ao meu ver, é a base do pensamento. Ação x Reação… 3ª lei de Newton… ou, se preferirem, Lei da “Causa e Efeito”…

Ressalto um trecho extraído do link do site “infoescola.com”:

Em casos de troca de forças é indiferente saber qual corpo realizou a ação e qual realizou a reação, pois as forças sempre estarão aos pares, quando existe uma ação sendo realizado sempre haverá uma reação. Que é o equivalente a dizer que não existe uma ação sem reação.

Pois bem, tanto no sentido físico, quanto no esotérico/espiritualista, podemos dizer que ações e reações são parte de sistemas maiores. Desde a criação de matéria, até mesmo ao de evolução do pensar.

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Pois é aí que eu quero me adentrar mais um pouco.

Notemos que o jogo todo se desenha sobre uma discussão sobre quem é que fez a ação e quem é que reagiu a ela… como crianças pequenas que, ao serem repreendidas, soltam o clássico “FOI ELE QUEM COMEÇOU!”.

Pois, a lei de Newton, com a citação acima, nos dão a resposta que é indiferente. Uma é ligada a outra e ambas são sinérgicas em um processo maior. Chame-o do que quiser, sobre a ótica que quiser, mas, essa lei, ao meu ver, é uma das poucas que encontra eco no universo todo. Ação e reação. Causa e efeito. Escolhas e consequências.

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Enfim, notemos que o agir ou reagir, está inserido em um contexto… e, então, resta fazer a pergunta a todos nós: QUAL CONTEXTO?

Pois é nesse contexto que poderemos basear a trajetória e tentar prever o resultado. Se ele será benéfico ou será um desastre completo. Não acham que faz diferença? Para mim, faz toda… explico:

Quando uma empresa está operando em sua produção, de forma deficitária, a primeira medida do controller é suspender a produção. Afinal, quanto mais se produzir de forma deficitária, maior será o rombo.

Ou seja, agir é uma coisa, mas, identificar o tipo de ação é primordial. Afinal, para uma ação ruim, a reação será ruim… tal qual para uma ação boa, a reação será igualmente boa…

Sorria e sorrirão de volta… xingue e será xingado… ofereça rosas e veja a reação… dê um safanão em alguém e espere a reação…

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Assim, posso dizer também que nossas ações ditam as reações. É claro, baseado em conceitos éticos sociais considerados normais… afinal, há quem achará que oferecer flores à uma dama possa ser assédio e tals… coisas dos tempos merda modernos em que vivemos…

Para tal, eu diria que a reação, pode, obviamente, se opor a outra… e é essa terminologia que vou adotar… pois que citei acima, nos exemplos de flores e xingamentos, eu consideraria como consequências de atos…

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Uma boa ação, terá uma boa consequência, refazendo o pensamento. Tal qual, uma má ação, exigirá uma reação de oposição.

Eu venho notado em meus pensamentos a necessidade de expor a diferença entre reagir e estancar uma má ação.

Tenho falado muito ultimamente nisso… não basta apenas agredir de volta o agressor. Tem-se que aprender o porquê essa pessoa quer lhe agredir. Se existe algum padrão nisso. E, se puder, acabar com qualquer tentativa de agressão futura, ao invés apenas de estar preparado para surrar de volta o agressor.

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Ok. Não é um bom exemplo ainda… mas, a ideia central é nos levar a pensar nos cenários que se montam para que percamos mais tempo reagindo (ou nos opondo a) do que nos perguntando o porquê essas ações ruins seguem acontecendo. É nisso que eu os convido a pensar.

Seja na nova guerra fria, seja no cenário político brasileiro, seja no que for. Nos perguntemos se seguir agindo, sem pensar nas causas disso e nos porquês, não seguiremos sempre dentro do mesmo circuito de consequências/reações/efeitos?

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Reagir é diferente de re-agir… ou, agir novamente… ou, simplesmente, seguir agindo… para a ação, sempre foi e sempre será, primeiramente, o planejamento. E é aí que diferenciamos bons projetos de simples tentativas aleatórias…

Pensemos nisso… ou, simplesmente, pensemos…

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O profeta, as ostras e as pérolas

Certa feita, um homem desesperado caminhava sem rumo pela orla marítima em um mundo muito distante. Pensava em seus problemas e como resolvê-los. Os tempos eram difíceis e sua vida se atrapalhava em virtude de dinheiro.

Assim, enquanto lamentava, cabisbaixo, perto de algumas pedras, encontrou uma comunidade de ostras que viviam pacificamente.

Observou por instantes e viu que, apesar de primitivas, vivam suas vidas de forma relativamente tranquila. Naquele ambiente rochoso, com a água do mar a todo instante batendo, podiam extrair tudo o que necessitavam.

Notou também, uma certa comoção em torno de uma ostra, que convalescia.

Imaginando do que se tratava, o homem aproximou-se e apresentou-se como um profeta. Contou às ostras que aquela que convalescia havia sido agraciada com uma dádiva divina. A de produzir tesouros internos.

Sendo assim, o homem diz que o sacrifício da ostra não seria em vão e que ela seria recebida com todas as glórias em um lugar maravilhoso onde todas as ostras viveriam felizes para todo o sempre.

Apesar da tristeza com que as demais ostras receberam a notícia, foram novamente reconfortadas pelo homem que seguia afirmando que aquele sofrimento todo era uma dádiva e que ele, como intermediador divino, iria por fim a todo o sofrimento dela, garantindo sua passagem ao outro mundo. O mundo de sonhos e de realizações.

Após instantes, as outras ostras, já conformadas, aceitaram o destino daquela. E a própria já se sentia reconfortada por ter seu sofrimento terminado e as promessas de bem-aventurança futura.

Assim, o homem abre a ostra e mostra a todos o maravilhoso tesouro que o sofrimento dela havia produzido. Com discursos inflamados sobre a beleza, a perfeição, o brilho e a bênção que era ter a honra de produzir a pérola, faz com que as demais passassem, inclusive, a invejar o destino daquela que havia partido.

Dias se passam, e o homem retorna para o local, sempre procurando pelos outros “escolhidos”. Aqueles que haviam sido agraciados com a escolha divina. Encontrava, eventualmente, uma ou outra ostra nessa situação, sempre repetindo o ritual de exaltação do maravilhoso destino dessas ostras.

As que não conseguiam a “graça”, sempre indagavam o homem para que lhes ensinasse o caminho mais rápido para atingir suas metas.

O homem conta uma história sobre o toque divino, que perfuraria suas conchas e atingiria seus interiores, forçando assim, com que elas imediatamente iniciassem o processo de produção do tesouro através de seus sofrimentos. Contou-lhes que o sofrimento engrandeceria a tarefa, pois as mais belas pérolas viriam dos maiores sofrimentos. E, que cada uma, igualmente, estaria mais evoluída que as outras à medida que produzissem mais de uma pérola ou, de tamanhos maiores.

As ostras entravam em estados frenéticos de êxtase, buscando a todo instante o tal fator externo que lhes proporcionaria o tão sonhado destino final. E, assim, buscavam refazer os passos das demais ostras que ascenderam em seus sofrimentos. Peregrinar por locais por onde passaram, copiar hábitos…

O homem, com o passar dos tempos, notou que muitas delas conseguiram produzir as esperadas pérolas. Mas, com isso, a população começou a diminuir. Assim, contou-lhes o quão importante seria que multiplicassem-se entre si antes de atingir o estado de graça. Que, seus caminhos deveriam seguir uma cartilha, que visava torna-las mais dignas da graça maior.

Assim, as ostras reproduziam-se até certa idade, o máximo possível, até que pudessem buscar de forma natural, a produção das pérolas.

Nem todas produziam pérolas perfeitas, sendo assim, o homem dizia a elas que suas entregas à causa não haviam sido suficientes. Também, demonstrando às demais que o tesouro poderia não ser tão valioso assim, se cada uma delas não se esforçasse para seguir as regras que ele havia passado.

Exaltando as melhores produtoras e corrigindo as que não conseguiam o padrão maior de qualidade, o homem manteve as atenções das ostras totalmente sob controle. Com vários cerimoniais e discursos inflamados sobre a conduta de cada uma delas.

As ostras que eram levadas, nunca mais eram vistas pelas que ficavam, dando embasamento à teoria de que haviam transcendido o local e o ambiente em que viviam.

Certo dia, uma das ostras, indignada com o sistema que vivia a comunidade, resolve investigar melhor o homem e seus ditos e histórias.

Pensa que o sofrimento poderia gerar tesouros, mas, ainda assim, era um processo que não gerava bem estar algum às ostras e seus modos de vida. E, principalmente, pensou sobre o tal tesouro. A quem ele era realmente um tesouro? Não a elas, que, apenas queriam verem-se livres de tal sofrimento o quanto antes.

Fez de tudo para que não tivesse como gerar uma pérola. Fugiu de todas as regras e indicações do homem e de suas próprias irmãs, que entusiasmadas com a causa, faziam de tudo para que o ciclo da “virtude” se mantivesse.

Pregavam a ela que eram úteis em seus sofrimentos para uma causa maior. Uma causa além de seus entendimentos e compreensões. Que, apenas a fé de saber que alguém se beneficiaria disso, além da promessa futura, eram motivos de orgulho suficientes para seguirem.

A ostra inconformada, tenta dissuadir as outras, dizendo-lhes que o modo de vida anterior era calmo e tranquilo. E, que elas eram felizes sem a necessidade de nada daquilo.

As outras acusam-na de ser agitadora e de heresia, fazendo com que se isolasse da comunidade.

E, durante o tempo em que se manteve afastada, a ostra dissidente começa a sentir os efeitos de uma pérola.

Ela revolta-se contra tudo aquilo, que, mesmo fazendo parte de suas naturezas, não era nada agradável. E tampouco útil a ela mesmo, que não via sentido algum naquilo tudo.

Ela resiste à dor e mantém-se no exílio. E, mesmo com as visitas do homem, ela nega-se a dizer que está sofrendo e que tem uma pérola em si.

O tempo se passa e ela percebe que novas inserções do agente externo estão se formando nela. E, mesmo com seu interior lutando contra aquilo tudo, com todas as forças que tinha, nega-se a deixar transparecer nada daquilo.

O homem, um dia, vê que a ostra havia se alterado e que marcas em sua concha eram visíveis, caracterizando assim, a produção de pérolas.

Ele resolve levá-la à cerimônia com as demais, exaltando seu exílio como sendo uma purificação extrema e que ela havia, através daquela situação extrema, tornado-se a maior de todas as ostras que já haviam habitado aquela comunidade.

Nesse momento, a ostra toma a palavra para si e diz que o exílio, de fato, havia lhe ensinado muito. Havia, sobretudo lhe ensinado que era possível viver com o sofrimento. Aprendeu que era possível seguir a vida, mesmo com as agruras do processo, e que, mais à frente, cessavam as dores. Também disse ter aprendido que muitas outras pérolas poderiam ser produzidas sem a necessidade que nenhuma delas fosse levada à lugar algum. E, sobretudo, diz ter aprendido que as pérolas são realmente tesouros. Mas, por mais que pudessem ser tesouros por suas belezas e formatos, para ela, o valor havia se tornado inestimável. Ela havia aprendido que todas as pérolas se formavam não para exaltar seus sofrimentos, mas sim, para protegê-las de um parasita que as atacava. E, cada pérola que agora continha nela, era a lembrança de uma vitória sobre os agressores. Uma lembrança de sua resistência, de sua bravura e sua inconformidade em desistir.

Olhou para o homem e agradeceu por tudo, mas, que naquele momento, não precisaria de homenagem alguma. E, sequer queria ser conduzida ao paraíso. Pediu que como prêmio, pudesse viver sua vida até os últimos dias, e, ao final, quando a hora derradeira chegasse, suas pérolas fossem lembretes às demais, de que é possível triunfar sobre qualquer sofrimento. E que a recompensa era a sapiência que cada pérola lhe proporcionou. Seu verdadeiro valor estava, paradoxalmente, não na quantidade de pérolas geradas, que ela sabia serem dezenas, e nem na beleza estética de cada uma delas, mas sim, na forma com que cada uma delas foi gerada.

Assim, o homem viu seu discurso perdendo força, até que, dando-se conta de que ali não mais teria influência, foi em busca de uma nova comunidade para “orientar”…

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Post Scriptum: Arrisquei-me nessa tentativa de conto para pensar junto à vocês, a qual sistema nosso sofrimento interessa? Em qual contexto? A quem ele é belo? Ele existe por existir ou há motivos para tal?

Não que precisemos nos exilar para aprender o real motivo pelo qual essas coisas acontecem, mas, certamente é primordial refletir a respeito. Se ele é algo que, de fato, nos eleva em um contexto maior de evolução, ou, se simplesmente ele é produto de uma causa que quer produzir ostras em hospedeiros dispostos à morrer pela causa?

Para as que aprenderam algo com o processo, o parasita pode ser considerado realmente um “toque divino”. Já, para as que simplesmente se atiraram no processo, crendo que sofrer é bom, terão seus anseios atingidos. Sofrerão e serão úteis a uma causa que sequer compreendem direito.

Pensemos nisso… ou, simplesmente, pensemos…

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Mente vazia, oficina do…?

Quem aqui já não ouviu que a mente vazia é a oficina do diabo?

Photo edited with http://www.tuxpi.com

…e livrai-nos do “mala men”… 

Essa pérola, que me assombrou desde pequeno, sempre me remetia a crer que ficar ocioso era um convite ao diabo para que me orientasse para o mau caminho e, assim, me transformar em um “perdido na vida”.

Essa necessidade de que sempre nos ocupássemos com algo, mesmo em períodos que o pensamento não estaria propício à tomadas de decisão, hoje, analisando a coisa melhor, pode ter me levado por caminhos que poderiam ter sido melhor pensados.

Exemplificando: eu, aos 16 anos, concluí o segundo grau, com as calças na mão, sem sequer saber se eu passaria na recuperação de matemática ou não. Ao final, quando passei (valeu pela força, professor Laudeli!), resolvi fazer um vestibular sem cursinho mesmo, para ver como era. Meu tio e amigo, Betão, insistiu e eu fiz. Passei uma semana na casa dele, com aulas particulares da minha queridíssima tia Sandra, para reforçar a matemática, e, assim, passei em 8º lugar em Informática na ULBRA aqui em Canoas, RS.

Angústia por ter que resolver a sua própria vida, ao invés de fugir ocupando-se do que é dos outros...

Angústia por ter que resolver a sua própria vida, ao invés de fugir ocupando-se do que é dos outros…

O detalhe: eu escolhi informática porque, à época, eu gostava de computadores. Que eram novidade no mercado, lá em 1991, com os MSX, da Gradiente, e suas CPU’s com cartuchos e que operavam em linguagem BASIC. Aquilo me fascinava, mas, eu sequer tinha noção de como o troço funcionava. Fiz, passei e… bem…

Para um guri de 16 anos, tímido, com o cabelo cumprido, que era a moda da época, descobrir em uma faculdade o que era festa e mulherada… digamos apenas que eu não fui lá um bom aluno à época. Aulas pela manhã, e muito sono sobre a pasta ou mesmo dentro do carro no estacionamento…

Porque fazer merda é parte do processo de aprendizagem...

Porque fazer merda é parte do processo de aprendizagem…

Conto a história toda outra hora com calma… mas, 18 anos depois, me formei em administração com louvores e notas altas. Por quê? Ora, porque foi escolha minha, bem pensada e com a necessidade bem identificada e entendida por mim.

Tal qual o gosto pela leitura. Odiava aulas de literatura e aquele monte de autores “obrigatórios”. Mas, quando pude escolher meus próprios livros e interesses, passei a ser ávido leitor. Até descobrir que a busca incessante por conhecimento era o meu hobby.

E essas lembranças, boas ou ruins, nos obrigam a pensar...

E essas lembranças, boas ou ruins, nos obrigam a pensar… Portanto, ocupar-se apenas, pode ser apenas fuga disso…

Onde quero chegar com isso e o que tem a ver com o título e a frase?

Bem, nessa semana vi “coincidentemente” posts em redes sociais que modificavam essa frase para outros lados.

De um lado, lembravam a antiga frase, com variações do “diabo” para “Marx” ou para “Maomé”, e, de outro, posts que lembravam que a mente vazia era essencial para encontrar a paz na meditação…

E aí, qual estaria correta?

Uma, outra ou nenhuma?

Ambas, eu diria…

Vou tentar explicar meu ponto de vista…

Durante as discussões sobre o poder do DMT, a tal “partícula espírito”, componente de alucinógenos como o LSD e o famoso “Santo Daime”, bebida que conecta ao mundo espiritual, percebi que variações de pessoas que ascendem e descendem durante o uso, estariam ligadas não ao produto em si, mas, a seus estados mentais durante o consumo.

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Sim, é complicado… vamos adiante…

Digamos, em uma figura de linguagem, que essa alteração mental, “abre uma porta” para o mundo espiritual. Pois bem, a porta é aberta com a substância, com a meditação, com música, com leituras, ou, ligando ao texto de hoje, com o vazio mental…

… agora, o que iremos encontrar do outro lado da porta, ou o que entrará por ela, são outros 500…

Nossa conexão e atração de energias está ligado ao nosso estado vibracional. E, portanto, somos nós quem “convidamos” o que entrará pela porta que abrirmos.

O pastor tem lá sua utilidade para quem, tal qual ovelha, precisa de quem as cuide e as defenda do lobo... já, para quem aprendeu a se virar por conta, perde a utilidade...

O pastor tem lá sua utilidade para quem, tal qual ovelha, precisa de quem as cuide e as defenda do lobo… já, para quem aprendeu a se virar por conta, perde a utilidade…

Se estivermos, por exemplo, em paz e harmonia, certamente o passeio será interessante e edificante. Já, se estivermos em momento conturbado e com pensamentos pesados, pode ser que o melhor é não abrir tal porta.

Esvaziar a mente ou se conectar a outro estado vibracional é um exercício para poucos. Afinal, requer coragem de entender que é algo que nos leva ao entendimento profundo. Nos leva a conhecer nossos lados luminosos, assim como os mais escuros. Pode mostrar monstros debaixo da cama ou esqueletos no armário, tal qual, também a luminosa conexão com o que temos de melhor.

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Afinal, posso dizer que a tal mente vazia, pode ser sim oficina do diabo, como também pode ser essencial para conexão com uma mente superior… e que isso varia de cada um. Pois esse vazio retira as ideias pré-concebidas, as influências, as manipulações mentais e nos deixa apenas com o que carregamos internamente. Aí é que entenderemos se está na hora de renovar o estoque ou se temos de fato um arcabouço positivo.

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Em outro momento, como o meu atual, pude entender que o arcabouço completo, com o que há de ruim e o que há de bom, é que me trouxe ao momento atual. Foi vivenciando e aprendendo com todas as cagadas que fiz, que pude entender o quanto é essencial me conectar com o meu melhor lado. Pois é nele que produzo o que mais serve à minha vida… PELO MEU ENTENDIMENTO. Não por influências, não por conselhos e nem por “ah, vamos ver no que dá…”. Simplesmente porque entendi, durante todo esse período, com todos os erros e acertos, que foram, afinal, MINHAS ESCOLHAS.

O ócio mental é bom se é criativo… já, se ele simplesmente é para se abster de pensar… aí é ruim…

O que, dependendo do que classificam hoje em dia como cultura (explorar tobas, por exemplo), tá ótimo...

O que, dependendo do que classificam hoje em dia como cultura (explorar tobas, por exemplo), tá ótimo…

O demiurgo e a dualidade…

O assunto hoje é enrolado, pessoal… tomem suas Ritalinas ou, como eu, tomem apenas tento, para nos aprofundarmos na complicação mental em que me enfiei nesses dias…

Pois, como de costume, sigo ouvindo meus pensamentos, à medida que me coloco como observador do mundo e das situações em que ele se desenvolve, e, por várias circunstâncias e “casualidades” (sincronicidades), acabei sendo levado a pesquisar e a ler sobre mitologias e sistemas do pensamento, coisa que faço com todo o prazer, afinal, meu hobby é malhar a mente (que o corpo… enfim… deixa pra lá…).

Analisando o mundo dualista que estamos vivendo, com nuances cada dia mais expostas, mas, em contrapartida, com itens escondidos por detrás de coisas que podem aparentar algo, mas, na verdade, serem outra coisa…

Sim, eu disse que seria enrolado… vamos lá…

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nem anjos e nem demônios…

Tenho visto muito de sistemas escravizantes e tirânicos se valendo de discursos belos e cheios de itens que nos levam a uma armadilha mental de que aquilo é o correto, o bom, ou, o que devemos seguir. Assim, podem vender pacotes completos à mentes atrapalhadas por tantas regras, receitas ou modos de operar.

Esses sistemas podem ser políticos, religiosos, familiares… enfim, encaixa-se em quase tudo hoje em dia. O dualismo do pensar.

...quando na verdade, uma coisa não é distinta da outra...

…quando na verdade, uma coisa não é distinta da outra…

Acabei, dentre essas buscas e leituras, me debatendo com o conceito de demiurgo. Que tem desde bases platônicas, elencando o pensamento e as nuances do bem e do mal, até conceitos gnósticos, onde o “criador do mundo”, seria, por exemplo, uma outra nuance de Deus (o Todo) que poderia enfiar o pé na jaca volta e meia.

Platão falava do sistema onde O Deus Pai, perfeito, pai do Demiurgo, ou “Nous” (que significa nós em francês), que é igualmente bom, mas, tem inclinação à matéria… e que fazem parte de uma trindade santa… coincidência, não?!

O neoplatonismo coloca o demiurgo como o que aborda paradigmas… vejam só:

Segundo Proclo, Plotino considerava que o primeiro demiurgo é o que contempla o paradigma, o segundo é o que dispõe o resultado da contemplação em ação, primeiro criando o universo e então o governando. A parte elevada deve ser chamada Cronos e parte inferior, a ação, traz o nome de Zeus. O reino de Cronos e o intelecto de Zeus, juntamente constituem o nível intermediário entre O Um e o universo. – Fonte: Wikipedia

Pois esses paradigmas são modelos, filosóficos ou pressupostos, que elaboram um padrão a ser seguido. E, assim, podemos fazer o link, novamente, com o mundo dualista e as nuances do pensamento.

nem deuses, nem astronautas... ou, todos eles juntos...

nem deuses, nem astronautas… ou, todos eles juntos…

Também acabei achando conceitos de arcontes, ou seres que lembram outros da mitologia, como os djins, gênios ou mesmo, de acordo com algumas religiões, podem ser operários de alguma causa, que podem operar tanto para o bem, quanto para o mal. Dependendo da situação.

Esse mesmo conceito podemos achar com os nephilim, annunakis, etc, etc, etc… o que, na verdade, sempre acaba nos dizendo que “alguém de fora” interfere no nosso mundo e nos leva a operar de acordo com o “plano maior” de alguém.

Sempre representações de algo externo, e, quase sempre, assustador...

Sempre representações de algo externo, e, quase sempre, assustador…

Então, acabo voltando ao ponto inicial, onde imagino esse sistema dualista atual, como nos levando a ficar a mercê de fatores externos, ou, embrenhados em “planos maiores”, que, invariavelmente nos levam a pensar paradigmas e sistemas para escolher dentre eles o que melhor nos parece… ou, que nos parece menos ruim…

Assim, temos os sistemas de escolha “lesser evil”, ou, mal menor… que já falei inúmeras vezes e que me remete sempre à uma ilusão de escolhas marcadas onde, na maioria das vezes, escolhemos entre o menos ruim, ao invés do que, de fato, gostaríamos…

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Podemos pensar no sistema do tal demiurgo, imaginando-o como uma entidade individual, onde nos coloca em uma armadilha de pensamentos (ou a tal Matrix, segundo teorias mais modernas), fazendo com que sejamos induzidos a agir e a pensar de acordo com regras pré estabelecidas. E não necessariamente as nossas.

E, se pensássemos, por exemplo, que, nesse sistema, teríamos um maniqueísmo (pesquisar sobre o profeta Mani e os maniqueus), onde o mal seja algo tão ruim, tão sórdido e tão horrendo que nos fizesse instintivamente correr para o lado do “bem”, mesmo que esse bem não fosse lá essas coisas todas… mesmo que fosse um bem punitivo, cheio de regras, cheio de inconsistências e com tantas regras que faria com que as pessoas apenas obedecessem os “catedráticos” da área, por, simplesmente, não terem capacidade sequer de compreender como funciona.

...a resposta, geralmente, está lá longe das divisas dualistas... pois elas são ilusão...

…a resposta, geralmente, está lá longe das divisas dualistas… pois elas são ilusão…

E, se nesse sistema, ambos os lados trabalhassem para um mesmo senhor?

Assim, amigos, acabei concluindo que a dualidade é uma armadilha de cartas marcadas. E, ao meu ver, seja lá qual for o nome que demos a ela, o tal demiurgo, ou mesmo o “nous”/nós, me remete que o filho do “Pai Maior”, seja aquele que é parte dele, ou, que detenha coautoria nessa criação. Senão, do contrário, seremos sempre controlados por regras alheias às nossas. Nos tornando reativos… ou, ao meu ver, escravos.

Pensemos nisso… ou, simplesmente, pensemos…

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