Fé, fanatismo e submissão…

Os tempos atuais requerem, de fato, muita reflexão para que se aprenda a diferenciar as nuances de cada coisa. Fator fundamental, ao meu ver, para conseguir sair de uma enrascada ou atolar-se nela até o pescoço.

Vejamos. É notório que a fé e o fanatismo são separados por uma linha muito tênue… e, já dizia um ex-professor de filosofia meu (que graças a Deus não era exclusivo da esquerda): “é o que diferencia os que oram e acreditam, dos que amarram-se a cintos-bomba e explodem-se…”.

frase-o-fanatismo-e-a-unica-forma-de-vontade-que-pode-ser-incutida-nos-fracos-e-nos-timidos-friedrich-nietzsche-101607

Mas, eu diria que há um outro elemento que une uma coisa e outra. A submissão. A voluntária ou a involuntária. Podemos ser submissos, por exemplo, apenas sendo omissos (rimando e tudo).

Ok. Já sabemos que vem enrosco aí… e, portanto, vamos, como de praxe, ao amansa-burro primeiramente:


s. f. 1. Crença, crédito; convicção da existência de algum fato ou de veracidade de alguma asserção. 2. Crença nas doutrinas da religião cristã. 4. A primeira das três virtudes teologais. 5. Fidelidade a compromissos e promessas; confiança. 6. Confirmação, prova.

fa.na.tis.mo
s. m. 1. Excessivo zelo religioso. 2. Dedicação excessiva; paixão. 3. Adesão cega a uma doutrina ou sistema.

fa.ná.ti.co
adj. e s. m. 1. Que, ou o que se julga inspirado por Deus. 2. Que, ou o que se apaixona demasiadamente por uma causa ou pessoa.

sub.mis.são
s. f. 1. Ato ou efeito de submeter(-se); obediência, sujeição. 2. Disposição para aceitar um estado de dependência. 3. Estado de rebaixamento servil; subserviência.

sub.mis.so
adj. 1. Que denota submissão. 2. Que está em posição inferior. 3. Humilde, suplicante. 4. Dócil, respeitoso.

sub.ser.vi.en.te
adj. m. e f. 1. Que serve às ordens de outrem servilmente. 2. Muito condescendente.

ser.vil
adj. m. e f. 1. Relativo a servo. 2. Baixo, ignóbil, torpe, vil. 3. Subserviente, bajulador, sabujo. 4. Que segue rigorosamente um modelo ou original.

o.mis.so
adj. 1. Em que há falta ou esquecimento. 2. Descuidado, negligente.

Ok! Acho que já chega… o nosso querido amansa nos brinda com alguns links que podemos fazer, para entender o contexto de onde eu quero chegar.

frase-os-homens-tem-dois-caminhos-quando-nascem-o-da-submissao-que-os-esmaga-e-deteriora-ou-o-da-jose-julian-marti-perez-128369

Pois, creio eu, que há oceanos de diferença entre uma coisa e outra. A fé, em si mesma, é algo bom, pois nutre a esperança de que algo melhor, ao menos, nos aguarda. Ela permite mudança. A fé no sentido de crer em algo bom e melhor. Não necessariamente o do sistema teológico em si. Mas, ainda assim, há os que dentro desse mesmo sistema, possam variar entre a fé e o fanatismo. Não só o sistema teológico. O sistema político, o sistema financeiro, ideológico, filosófico, administrativo, etc… afinal, a teoria dos sistemas nos diz que podemos analisar tudo de forma interdisciplinar…

 

A ‘teoria de sistemas estuda, de modo interdisciplinar, a organização abstrata de fenômenos, independente de sua formação e configuração presente. Investiga todos os princípios comuns a todas as entidades complexas, e modelos que podem ser utilizados para a sua descrição.

frase-a-submissao-a-um-homem-fraco-e-disciplina-a-submissao-a-um-homem-forte-e-servilismo-gilbert-chesterton-145590

Portanto, invoco a teoria dos sistemas (A la Yu-Gi-Oh) para que façamos as devidas correlações entre os diversos sistemas que nos rodeiam e o que cada um deles interfere em nosso dia-a-dia.

Vejamos que o fanatismo e a submissão são relacionados diretamente com o tratado social. Enquanto alguns “especialistas” de causas, ou fanáticos, no bom português, alardeiam as regras e não admitem que pessoas tentem sair delas, há os que, igualmente, submetem-se a tais regras de forma servil. De forma omissa.

Dependendo do que chamamos de "bem" e "mal"...

Dependendo do que chamamos de “bem” e “mal”…

Para os que creem nos sistemas religiosos, podemos, inclusive, dizer que omissões são pecados, ou faltas que cometemos. Lembro ainda, entre um cochilo e outro nas missas em que frequentei, do ato de contrição, onde todos repetíamos:

Confesso a Deus Todo-Poderoso
e a vós, irmãos(a)
que pequei muitas vezes
por pensamentos, palavras,
atos e omissões,
por minha culpa,
minha tão grande culpa.
E peço à Virgem Maria,
aos anjos e santos
e a vós, irmãos,
que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.

E que seu coração seja o meu caminho por toda a minha vida

Amem.

Inclusive grandes cagadas...

Inclusive grandes cagadas…

Tá bem, todos fazemos merda coisas que nos arrependemos na vida, mas, ao meu ver, erros constroem acertos futuros. Não no caso da omissão.  Ela não nos ensina nada. Ela apenas posterga alguma coisa. Embora, também, sob outro prisma, possamos pensar que omitir-se é um ato em si. É uma escolha de não fazer. Portanto, é nossa responsabilidade igualmente. O que, não considero culpa. Considero consequência.

Seguindo: a omissão e a submissão, por outro lado, têm seus pontos de convergência à medida em que delegamos a outros nossas escolhas. Sendo-lhes obedientes, ou, abstendo-nos de nossas vontades em pró de outras. Assim, seja lá por qual motivo seja, sendo obediente e servil à fanáticos, estamos automaticamente reforçando seus sistemas e suas retroalimentações.

frase-o-fanatismo-consiste-em-redobrar-o-proprio-esforco-quando-nos-esquecemos-do-objetivo-george-santayana-102120

O momento atual, ao meu ver, é todo explicado sobre essa ótica de fé x fanatismo x submissão/omissão. E, com os devidos links, notamos que muitas pessoas de fé, acabam-se vendo enredados em contextos complexos e rígidos, para que, dentro de suas ideias de fé e crença, tenham que obedecer a sistemas fechados, que as restringem de expandir suas mentes para o aprimoramento de tais sistemas. Afinal, na mente dos fanáticos, qualquer mudança ao sistema é heresia, e, portanto, digna de punição. E por aí, muito do atraso do mundo se explica também (tudo, obviamente, na minha ótica e análise).

Vejamos em um cenário mundial. Notemos que forças binárias e antagônicas digladiam-se eternamente, fazendo com que necessariamente escolha-se um time ou outro, sendo que uma escolha, automaticamente, exclui a outra. E, sob a ótica de cada sistema, os prós e contras para quem não os seguem à risca os preceitos, são aterradores.

frase-a-humildade-nao-e-mais-que-uma-falsa-submissao-de-que-nos-servimos-para-submeter-os-outros-e-francois-de-la-rochefoucauld-149478

Notemos as nuances de cada sistema. O que nos oferece de bom. O que nos ameaça como punição por descumprimento de regras e normas. O que nos engessa o pensar. E, sobretudo, pensemos, como a sociedade só evoluiu quando algum engraçadinho ousou não obedecê-los. É claro, que nem sempre com ganhos reais. Afinal, como já disse inúmeras vezes, as nuances são embaçadas e difíceis de enxergar a olho nu.

O que fazer então?

frase-a-submissao-a-vontade-geral-e-o-vinculo-de-todas-as-sociedades-sem-exceptuar-as-que-sao-diderot-146352 (1)

Eu, como de costume, não dou receitas prontas. Pois não acredito mais em saídas mágicas. Acredito em construção de resultados. E, sendo assim, poderia dizer que apenas conhecendo cada nuance é que poderemos identificá-las. E, após a identificação, poder entender o que nos é proposto. Qual nosso ganho… e, sobretudo, a qual custo…

Escrevo esse pensamento à medida que vejo muita gente boa, bem intencionada, sendo engolida por esses sistemas que vendem benesses, que se autoproclamam bons e fundam assim “clubes” de gente do bem. Quando, na verdade, são vertentes de um plano dual e maniqueísta, onde o “bem” e o “mal”, obedecem a um mesmo senhor. Apenas, o “mal” exercendo um papel tão assustador, que faz com que todos aceitem o “bem”, independente do quão esse “bem” não seja lá essas coisas… mesmo que ele seja cheio de regras cerceantes, de ações ignóbeis e de obediência servil. De submissão.

frase-ha-epocas-de-tal-corrupcao-que-durante-elas-talvez-so-o-excesso-do-fanatismo-possa-no-meio-alexandre-herculano-148313

Certamente há quem goste de submissão. Que sinta, inclusive, prazer com ela… mas, aí entraremos na seara sexual-sadomasoquista, e, apesar de eu ter lá meus fetiches, não é lá bem a minha praia…

Ok... não é lá de todo ruim...

Ok… não é lá de todo ruim…

Anúncios

O profeta, as ostras e as pérolas

Certa feita, um homem desesperado caminhava sem rumo pela orla marítima em um mundo muito distante. Pensava em seus problemas e como resolvê-los. Os tempos eram difíceis e sua vida se atrapalhava em virtude de dinheiro.

Assim, enquanto lamentava, cabisbaixo, perto de algumas pedras, encontrou uma comunidade de ostras que viviam pacificamente.

Observou por instantes e viu que, apesar de primitivas, vivam suas vidas de forma relativamente tranquila. Naquele ambiente rochoso, com a água do mar a todo instante batendo, podiam extrair tudo o que necessitavam.

Notou também, uma certa comoção em torno de uma ostra, que convalescia.

Imaginando do que se tratava, o homem aproximou-se e apresentou-se como um profeta. Contou às ostras que aquela que convalescia havia sido agraciada com uma dádiva divina. A de produzir tesouros internos.

Sendo assim, o homem diz que o sacrifício da ostra não seria em vão e que ela seria recebida com todas as glórias em um lugar maravilhoso onde todas as ostras viveriam felizes para todo o sempre.

Apesar da tristeza com que as demais ostras receberam a notícia, foram novamente reconfortadas pelo homem que seguia afirmando que aquele sofrimento todo era uma dádiva e que ele, como intermediador divino, iria por fim a todo o sofrimento dela, garantindo sua passagem ao outro mundo. O mundo de sonhos e de realizações.

Após instantes, as outras ostras, já conformadas, aceitaram o destino daquela. E a própria já se sentia reconfortada por ter seu sofrimento terminado e as promessas de bem-aventurança futura.

Assim, o homem abre a ostra e mostra a todos o maravilhoso tesouro que o sofrimento dela havia produzido. Com discursos inflamados sobre a beleza, a perfeição, o brilho e a bênção que era ter a honra de produzir a pérola, faz com que as demais passassem, inclusive, a invejar o destino daquela que havia partido.

Dias se passam, e o homem retorna para o local, sempre procurando pelos outros “escolhidos”. Aqueles que haviam sido agraciados com a escolha divina. Encontrava, eventualmente, uma ou outra ostra nessa situação, sempre repetindo o ritual de exaltação do maravilhoso destino dessas ostras.

As que não conseguiam a “graça”, sempre indagavam o homem para que lhes ensinasse o caminho mais rápido para atingir suas metas.

O homem conta uma história sobre o toque divino, que perfuraria suas conchas e atingiria seus interiores, forçando assim, com que elas imediatamente iniciassem o processo de produção do tesouro através de seus sofrimentos. Contou-lhes que o sofrimento engrandeceria a tarefa, pois as mais belas pérolas viriam dos maiores sofrimentos. E, que cada uma, igualmente, estaria mais evoluída que as outras à medida que produzissem mais de uma pérola ou, de tamanhos maiores.

As ostras entravam em estados frenéticos de êxtase, buscando a todo instante o tal fator externo que lhes proporcionaria o tão sonhado destino final. E, assim, buscavam refazer os passos das demais ostras que ascenderam em seus sofrimentos. Peregrinar por locais por onde passaram, copiar hábitos…

O homem, com o passar dos tempos, notou que muitas delas conseguiram produzir as esperadas pérolas. Mas, com isso, a população começou a diminuir. Assim, contou-lhes o quão importante seria que multiplicassem-se entre si antes de atingir o estado de graça. Que, seus caminhos deveriam seguir uma cartilha, que visava torna-las mais dignas da graça maior.

Assim, as ostras reproduziam-se até certa idade, o máximo possível, até que pudessem buscar de forma natural, a produção das pérolas.

Nem todas produziam pérolas perfeitas, sendo assim, o homem dizia a elas que suas entregas à causa não haviam sido suficientes. Também, demonstrando às demais que o tesouro poderia não ser tão valioso assim, se cada uma delas não se esforçasse para seguir as regras que ele havia passado.

Exaltando as melhores produtoras e corrigindo as que não conseguiam o padrão maior de qualidade, o homem manteve as atenções das ostras totalmente sob controle. Com vários cerimoniais e discursos inflamados sobre a conduta de cada uma delas.

As ostras que eram levadas, nunca mais eram vistas pelas que ficavam, dando embasamento à teoria de que haviam transcendido o local e o ambiente em que viviam.

Certo dia, uma das ostras, indignada com o sistema que vivia a comunidade, resolve investigar melhor o homem e seus ditos e histórias.

Pensa que o sofrimento poderia gerar tesouros, mas, ainda assim, era um processo que não gerava bem estar algum às ostras e seus modos de vida. E, principalmente, pensou sobre o tal tesouro. A quem ele era realmente um tesouro? Não a elas, que, apenas queriam verem-se livres de tal sofrimento o quanto antes.

Fez de tudo para que não tivesse como gerar uma pérola. Fugiu de todas as regras e indicações do homem e de suas próprias irmãs, que entusiasmadas com a causa, faziam de tudo para que o ciclo da “virtude” se mantivesse.

Pregavam a ela que eram úteis em seus sofrimentos para uma causa maior. Uma causa além de seus entendimentos e compreensões. Que, apenas a fé de saber que alguém se beneficiaria disso, além da promessa futura, eram motivos de orgulho suficientes para seguirem.

A ostra inconformada, tenta dissuadir as outras, dizendo-lhes que o modo de vida anterior era calmo e tranquilo. E, que elas eram felizes sem a necessidade de nada daquilo.

As outras acusam-na de ser agitadora e de heresia, fazendo com que se isolasse da comunidade.

E, durante o tempo em que se manteve afastada, a ostra dissidente começa a sentir os efeitos de uma pérola.

Ela revolta-se contra tudo aquilo, que, mesmo fazendo parte de suas naturezas, não era nada agradável. E tampouco útil a ela mesmo, que não via sentido algum naquilo tudo.

Ela resiste à dor e mantém-se no exílio. E, mesmo com as visitas do homem, ela nega-se a dizer que está sofrendo e que tem uma pérola em si.

O tempo se passa e ela percebe que novas inserções do agente externo estão se formando nela. E, mesmo com seu interior lutando contra aquilo tudo, com todas as forças que tinha, nega-se a deixar transparecer nada daquilo.

O homem, um dia, vê que a ostra havia se alterado e que marcas em sua concha eram visíveis, caracterizando assim, a produção de pérolas.

Ele resolve levá-la à cerimônia com as demais, exaltando seu exílio como sendo uma purificação extrema e que ela havia, através daquela situação extrema, tornado-se a maior de todas as ostras que já haviam habitado aquela comunidade.

Nesse momento, a ostra toma a palavra para si e diz que o exílio, de fato, havia lhe ensinado muito. Havia, sobretudo lhe ensinado que era possível viver com o sofrimento. Aprendeu que era possível seguir a vida, mesmo com as agruras do processo, e que, mais à frente, cessavam as dores. Também disse ter aprendido que muitas outras pérolas poderiam ser produzidas sem a necessidade que nenhuma delas fosse levada à lugar algum. E, sobretudo, diz ter aprendido que as pérolas são realmente tesouros. Mas, por mais que pudessem ser tesouros por suas belezas e formatos, para ela, o valor havia se tornado inestimável. Ela havia aprendido que todas as pérolas se formavam não para exaltar seus sofrimentos, mas sim, para protegê-las de um parasita que as atacava. E, cada pérola que agora continha nela, era a lembrança de uma vitória sobre os agressores. Uma lembrança de sua resistência, de sua bravura e sua inconformidade em desistir.

Olhou para o homem e agradeceu por tudo, mas, que naquele momento, não precisaria de homenagem alguma. E, sequer queria ser conduzida ao paraíso. Pediu que como prêmio, pudesse viver sua vida até os últimos dias, e, ao final, quando a hora derradeira chegasse, suas pérolas fossem lembretes às demais, de que é possível triunfar sobre qualquer sofrimento. E que a recompensa era a sapiência que cada pérola lhe proporcionou. Seu verdadeiro valor estava, paradoxalmente, não na quantidade de pérolas geradas, que ela sabia serem dezenas, e nem na beleza estética de cada uma delas, mas sim, na forma com que cada uma delas foi gerada.

Assim, o homem viu seu discurso perdendo força, até que, dando-se conta de que ali não mais teria influência, foi em busca de uma nova comunidade para “orientar”…

topic4

 

Post Scriptum: Arrisquei-me nessa tentativa de conto para pensar junto à vocês, a qual sistema nosso sofrimento interessa? Em qual contexto? A quem ele é belo? Ele existe por existir ou há motivos para tal?

Não que precisemos nos exilar para aprender o real motivo pelo qual essas coisas acontecem, mas, certamente é primordial refletir a respeito. Se ele é algo que, de fato, nos eleva em um contexto maior de evolução, ou, se simplesmente ele é produto de uma causa que quer produzir ostras em hospedeiros dispostos à morrer pela causa?

Para as que aprenderam algo com o processo, o parasita pode ser considerado realmente um “toque divino”. Já, para as que simplesmente se atiraram no processo, crendo que sofrer é bom, terão seus anseios atingidos. Sofrerão e serão úteis a uma causa que sequer compreendem direito.

Pensemos nisso… ou, simplesmente, pensemos…

fazenda_perolas_douradas_Filipinas_02

Salvadores x Salvados x Salvos

Já escrevi, há tempos, um texto sobre salvação e a necessidade de salvarmos a nós mesmos… mas, notei que há uma vontade de esmiuçar um pouco mais o caso, quando vejo ainda, pessoas debilmente tentando “salvar seus salvadores”… ou seja, uma criatura que julgam tê-las salvo, e, assim, depositando seus resquícios de esperança em algo ou alguém, além delas mesmas, encontra a necessidade de salvar-lhes a esperança, que é refletida em outrém…

O conceito de salvação é muito amplo… afinal, ele pode ir desde uma pessoa que lhe resgate, passando por alguém que lhe estenda a mão em uma hora difícil, a, até mesmo, uma simples tábua boiando durante um naufrágio…

Sim, ficou enrolado… vamos lá…

Comecemos diferenciando o conceito de salvo e de salvados (não incluirei os “sinistrados” no caso, embora, até pudesse)…

sal.vo
adj. 1. Fora de perigo; livre de risco, doença, morte ou desgraça. 2. Intacto; ileso, incólume. 3. Animador, salutar. 4. Resguardado, ressalvado. 5. Que obteve a bem-aventurança eterna. 6. Remido. 7. Excetuado, omitido. Prep. Exceto, afora.

salvados

s.m.pl. Objetos que escaparam de uma catástrofe, principalmente de incêndio ou naufrágio. Um leilão de salvados.

O dicionário não ajudou lá essas coisas no que eu gostaria de mostrar. Mas, sabemos que o termo “salvados” serve àqueles itens que sobreviveram a algum evento catastrófico, e, assim, são reutilizados mais tarde. Geralmente por um valor mais baixo do que o “original”.

twitter_page-avatar_400x400

Pois bem, dito isso, adentro no cerne da questão inicial. Pessoas salvas, podem salvar-se a si mesmas, já,as “salvadas”, são utilizadas em um contexto diferente, sob o ponto de vista político-social, por exemplo.

Ok… não tá bom ainda… vamos adiante…

Vamos à tentativa de exemplificação…

A pessoa pode ter tido inúmeras dificuldades na vida, passado pelo inferno e um mar de fogo descalço, mas, lá pelas tantas, encontra subsídios em si mesma para sair da situação por conta própria. Ela pode ter se modificado profundamente no período complicado e, assim, forçada a dar um jeito por conta própria para, seja por instinto de sobrevivência ou por avanço intelectual, de sair dali. Ou seja, ela foi salva… mas não por algo ou alguém… foi salva por si mesma (e não entrarei em meandros religiosos neste caso).

Só Zeus salva... não, pera...

Só Zeus salva… não, pera…

Já, alguém que está na pior situação possível, já abatida. Seja por desistência ou por simplesmente não conseguir superar os obstáculos do momento, é resgatada dali por algo ou alguém (seja um evento ou um ente qualquer). Essa pessoa terá um “salvador”. E, assim, será ela uma pessoa, segundo minha proposição de raciocínio, uma “salvada” e não uma pessoa “salva”…

Sim, o jogo de palavras é apenas para demonstrar que vejo diferenças gritantes entre uma “salvação” e outra… tal qual, vejo enormes e colossais diferenças entre “salvadores”.

Pois eu acredito que alguns salvam pessoas, para que possam reutilizá-las depois… e por um “preço” muito mais acessível… como em um leilão de salvados…

Já, há os que simplesmente auxiliam pessoas a encontrarem suas próprias soluções para que não apenas saiam de situações complicadas, mas sim, que não mais voltem à elas. E, apesar de concordarmos que são esses os verdadeiros “salvadores”, os mesmos sequer se considerarão como tal, afinal, ajudar o próximo não é salvá-lo, segundo seus entendimentos, é apenas uma característica humana que todos deveríamos ter originalmente.

frase-ai-percebo-que-sou-a-preciosa-forma-de-enxugar-as-lagrimas-e-que-sou-a-porta-de-saida-de-rafael-silveira-113630

Assim, podemos separar um tipo de salvador de outro, à medida de como os salvos ou salvados irão se reinserir no sistema após o evento.

Haverá quem siga com suas vidas adiante, com toda a gratidão do mundo para aqueles que os auxiliaram, e, os que irão sentirem-se em dívida com quem os resgatou, tornando-se partes úteis de seus sistemas.

Notem que eu não faço distinção de bem e mal nesses conceitos, afinal, acredito quem a percepção da pessoa salva ou salvada é que faz a diferença. Então, se no contexto todo ela sentir-se bem com isso, não podemos dar conotação má ao fato, mesmo que ela não entenda que tenha se inserido em um tipo de servidão por gratidão por conta disso.

Sob o ponto de vista moral, ainda exemplificando, poderia dizer que em um caso, uma pessoa vê uma outra em dificuldade, se afogando, por exemplo, e, a retira da água e a ensina a bater os braços ou a boiar para que evite afogamentos futuros. E, ao ser-lhe oferecida alguma recompensa, nega-a. Afinal, aquilo foi algo que ela fez de bom grado apenas. Já, em outro caso, a pessoa vê outra se afogando e, após retirá-la da água, exige-lhe favores em troca, para que quite-se a dívida de gratidão…

frase-eu-sou-eu-e-minha-circunstancia-e-se-nao-salvo-a-ela-nao-me-salvo-a-mim-jose-ortega-y-gasset-128398

Sim, o exemplo besta simplista do afogamento não alcança o ponto onde abrem-se nichos de mercado em função disso. Os mercados de pessoas incapazes de salvarem-se a si mesmas versus pessoas que obtém vantagens para si mesmas através de salvamentos de outros.

E, como em qualquer outro mercado, temos os “empreendedores” que formatam mercados, criam-nos e moldam-os em função de suas próprias estratégias. Assim, podemos, por exemplo, explicar o contexto da fábrica de “oprimidos” que temos hoje em dia. Não que não existam tais oprimidos, mas, simplesmente pelo fato de que alguns “salvadores” necessitem que exista cada vez mais oprimidos para que estes obtenham suas vantagens, ou alcancem seus objetivos.

Em termos de estratégia administrativa, podemos dizer que, em alguns casos, pessoas “salvadas” podem se constituir em uma matéria-prima muito mais acessível (sob o ponto de vista de custo), do que uma pessoa com capacidade de salvar-se a si mesma.

frase-cada-homem-e-o-seu-proprio-salvador-porque-deus-esta-em-todos-os-homens-john-joseph-murphy-160065

Ofereça uma boia por um real em uma piscina de 2,5 metros de profundidade a uma pessoa que sabe nadar e ela provavelmente não a comprará, pois não necessita dela (ou comprará só porque tá barato demais, no exemplo merda ruim que dei de novo)… já, ofereça a mesma boia por 1000 reais a quem não sabe nadar e está já se afogando de fato…

Assim, teremos os aproveitadores de vítimas como quase que uma forma de “ganhar” a vida… que, por mais irônico que seja o termo “ganhar a vida” em relação à emprego e remuneração, pode estar diretamente ligado ao fato de ganhar algo evitando que pessoas percam. Nada errado até aí… só que no caso, quanto mais pessoas existirem num contexto de incapacidade, mais outros aproveitadores (ou “salvadores”) terão seus meios de atingirem seus objetivos de forma menos complicada.

...ou, a melhor forma de salvar-se, caro doutor...

…ou, a melhor forma de salvar-se, caro doutor…

Voltando à exemplificação, já no cunho político-social: utilizando a pirâmide de Maslow, podemos ver que as necessidades básicas estão no topo da pirâmide, enquanto a moralidade está no topo. Sendo assim, quanto mais pessoas lutando para não morrer de fome, ou precisando de abrigo, menos pessoas preocupadas com a moralidade teremos. O que, obviamente nos mostra que poderemos ter pessoas sendo salvas com um simples “prato de comida” (ou bolsa/dentadura/roupa/etc…), enquanto essas mesmas pessoas, em estágio mais avançado, começarão a questionar a moralidade do proposto. Assim, quem está com fome ou morrendo de frio, aceitará dinheiro vindo ele do tráfico, de desvios de merenda escolar, de desfalques no sistema de saúde, etc; enquanto quem não está morrendo de fome, preferirá não pegar o dinheiro sujo para si…

Pirâmide-de-Maslow

 

Portanto, amigos, retorno novamente ao assunto para mostrar que alguns benefícios podem ser atingidos às custas de coisas que nos arrependeríamos se não fosse o quadro desesperador do momento. Assim, sigo dizendo que, infelizmente, o caos é um ótimo fator mercadológico para quem age em cima de planos abusivos. O desespero “facilita” uma negociação… tal qual o medo a torna, inclusive, impositiva… mesmo que ela sequer fosse necessária em tempos “normais”…

Notemos que há oceanos de diferença entre os auxiliadores altruístas do pessoal do “me ajuda que eu te ajudo”… e não coloco aqui o altruísta que vive de forma franciscana e que não quer nada para si, mas sim aquele que entende que o benefício está na boa ação em si mesma, e não no contexto da “gratificação” como forma de “pagamento”.

Pensemos nisso… ou, simplesmente, pensemos…

frase-o-homem-hoje-para-ser-salvo-so-tem-necessidade-de-uma-coisa-abrir-o-coracao-a-alegria-bertrand-russell-94308frase-o-mundo-so-podera-ser-salvo-caso-o-possa-ser-pelos-insubmissos-andre-gide-92047

O santo herege

Já disse que o meu sobrenome, Ketzer, em alemão, é herege. Coisa que fui descobrir só lá por 2010, mas, que fez todo sentido para mim, de acordo com o meu estilo contestador de sempre. Que veio lá do berço.

Descobri quando coloquei o meu sobrenome no Google, pra achar o brasão da família e vi que era xingamento...

Descobri quando coloquei o meu sobrenome no Google, pra achar o brasão da família e vi que era xingamento…

Contesto desde quando minha mãe costumava no método corretivo da palmada/chinelada, dar um tapa por sílaba para explicar o porquê eu estaria apanhando (ou sendo educado, de acordo com a metodologia da época). Um certo dia perguntei se ela poderia simplesmente me bater uma ou duas vezes, pois a explicação sempre era mais dolorida do que o simples tapa. Resumindo: preferi aderir o “eu sei porque tô apanhando”, então, seja breve.

image

Pois, as contestações se estenderam ao longo da vida. Desde as aulas de catequese, onde percebi que o dogma cristão não me era suficiente, até passando por centros espíritas, espiritualistas, esotéricos, políticos, educacionais e mais uma porrada de coisas.

Dá pra resumir que eu sou um baita chato, afinal, era bem mais simples eu fazer como fiz com a minha mãe e, evidentemente, apanhar pouco, pois contestar sempre me fez apanhar mais do que a conta.

Apanhar no sentido de, é claro, estar sempre à margem do sistema. À margem, e não marginal a ele…

Não entendia porque ler autores chatos, prolixos e com dramalhões infindáveis iria me transformar em uma pessoa mais inteligente. Só percebi que ler me deixava mais inteligente depois que passei a escolher meus próprios livros. Também não entendia o porquê rezar 85 ave-maria me deixaria mais desculpado com Deus do que simplesmente não fazer mais a tal merda que eu havia feito. Aprendi depois que vivenciei na pele a vergonha ou o arrependimento de fazer coisas que não deveria, mas, que certamente me ensinaram, através desse processo de vergonha e arrependimento o porquê eu não mais deveria fazer aquela merda… e não por temer o cansaço de ficar horas de joelho repetindo orações até quase dormir…

frase-eu-nasci-uma-herege-desconfio-de-gente-que-sabe-tanto-sobre-o-que-deus-quer-que-elas-facam-aos-susan-b-anthony-135396

Também não entendia se me conectar a um mestre ascenso através da chama azul, violeta, branca, amarela ou petit-pois em tons degradês de magenta com fúcsia iria me deixar mais evoluído do que outros…

Aí, passei um bom tempo simplesmente negando a eficácia dessas coisas, pois não ver sentido nisso…

Até, obviamente, entender que elas todas fazem parte de um processo… tal qual uma criança tem que aprender a encaixar peças redondas e quadradas em seu brinquedo, para começar o seu próprio entendimento de mundo, eu certamente deveria passar por uma série de testes para compreender o que me servia e o que eu achava baboseira.

Depois, mais tarde ainda, entendi que tudo se tratava da minha aceitação e refutação de coisas. Pois entendi que o melhor conhecimento é aquele que é vivenciado e entendido, e não o que é dogmatizado e enfiado goela abaixo para que eu simplesmente aceite porque “dói menos”, como nas chineladas da minha mãe.

Aforismo de Blaise Pascal - Ninguém é tão sábio...

À medida que entendi que o erro é base empírica para futuros acertos, simplesmente entendi que não há problema algum em errar. E, automaticamente me perdoei pelos erros cometidos até então. Claro que alguns ainda arranham para descer na garganta, mas, mesmo assim, já entendi os devidos porquês deles terem sido cometidos.

Tá, ok. Então porque raios esse título de “O santo herege”?

Porque outro dia, durante um reencontro com amigos, um irmão-amigo de longa data, me questionou sobre o fato de estar buscando a evolução e ter estouros de raiva, indignação e de xingamentos diversos no meu dia-a-dia.

Refleti por um bom tempo, mas respondi, mesmo sem saber se ele lembraria no outro dia, pois eu estava tomando água e ele já tinha tomado váááárias cervejas. Mas, mesmo assim, respondi.

Disse que acredito que buscar evolução é uma coisa, buscar a santificação, é outra.

O estereótipo do “evoluído” varia muito de cultura para cultura. E, pode incluir na gama desde Brâmanis seminus e desapegados da matéria, com barbas longas e corpos mal cuidados, para mostrar o desapego da matéria, até militantes de causas quaisquer, com papo bicho-grilo (sim, sou velho nas gírias), maconheiros e que acham que arte é enfiar o dedo no toba alheio em sinal de desapego do seu… ah, deixa pra lá, vocês entenderam…

frase-todos-somos-hereges-todos-somos-ortodoxos-nao-e-a-fe-que-um-movimento-oferece-que-conta-conta-umberto-eco-117773

Também, para outros, o evoluído é aquele que atura tudo e ainda oferece a outra face. O que, no mundo de hoje, seria um problemão, pois o pessoal seguiria batendo sem problemas… então, basicamente o figura do “santo” que aguenta o castigo sem pestanejar e sem se rebelar, não é a minha imagem de ser evoluído. Embora não deixe de ser, em um nível que eu sequer compreendo ainda, mas, talvez em outro grau evolutivo maior do que o atual, eu consiga.

Assim, o fato de eu estar tentando evoluir para algo melhor do que eu fui em ponto anterior, não diz que eu deva, necessariamente, adotar uma postura de semi-santo, falando calmo e mansamente e aturando qualquer tipo de bobagem ou idiotice alheia.

frase-o-louco-que-reconhece-sua-loucura-possui-algo-de-prudente-porem-o-louco-que-se-presume-sabio-buda-138248

Ao MEU VER, acho que faz parte do MEU processo evolutivo, não me contaminar mais com a burrice alheia. Ela, evidentemente, faz parte do processo, mas, como já relatei, quando EU julgar que aquilo é uma enorme bobagem, por quaisquer que sejam os motivos (desde eu ter já passado por aquilo e aprendido que era merda, até eu simplesmente ter estudado mais e estar mais aprofundando no conceito).

A irritação é, também, parte do processo. Pois não consegui ainda atingir o nível de ver selvagerias do tipo cortar cabeças de pessoas que rezam para uma divindade diferente, até mesmo uma pessoa dizer que alguém é menos merecedor de algo porque tem características físicas ou sociais diferentes de outros que tiveram mais ou menos sorte na vida.

frase-herege-nao-e-aquele-que-arde-na-fogueira-e-sim-aquele-que-a-acende-william-shakespeare-115807

Enfim, me irrito por não ver mais nexo algum no sistema vigente. Um sistema onde a burrice glamourizada e somada em maior número pode sobrepor a lógica, a razão e o óbvio.

Me irrito e seguirei me irritando sempre que ver um desmando, uma injustiça, um débil mental ou mau caráter arrebanhando incautos bem intencionados à causas torpes e vis.

Fico puto da cara Fico indignado sempre que alguém tira proveito da boa vontade alheia. Alguém que se apropria da sede de saber de outro, para incutir-lhe uma programação mental que o escravize, que o deixe à mercê de uma causa e não de si mesmo. No momento em que deva-se abrir mão de si mesmo para o que quer que seja, é porque a causa não se justifica.

o-que-penso-sobre-o-pseudo-sabio-sobretudo-sobre-o-cetico-aquele-que-estuda-demais-e-acredita-evan-do-carmo-frase-1872-11728

Entendi, ao final, que evolução, é aquilo que te faz ser melhor, que te faz prosperar e gerar prosperidade. Do contrário, é apenas um teatro de fingimentos para que outros acreditem que você evoluiu, e não que de fato você está evoluído.

Ao termos que adotar estereótipos e arquétipos para convencer aos demais que estamos evoluídos, é porque a coisa não funcionou como devia. E, para variar, na minha #RanzinziceNívelMaster (como adotei a hashtag no Facebook), digo que, para mim, evolução é justamente cagar e andar para não se importar com esse tipo de coisa… é simplesmente ser o que se deve ser, e não como acham que deveríamos ser.

Enfim… Pensemos…

"Buscamos uma vida honrada"; "Livre de todo falso orgulho"

“Buscamos uma vida honrada”;
“Livre de todo falso orgulho”

Mente vazia, oficina do…?

Quem aqui já não ouviu que a mente vazia é a oficina do diabo?

Photo edited with http://www.tuxpi.com

…e livrai-nos do “mala men”… 

Essa pérola, que me assombrou desde pequeno, sempre me remetia a crer que ficar ocioso era um convite ao diabo para que me orientasse para o mau caminho e, assim, me transformar em um “perdido na vida”.

Essa necessidade de que sempre nos ocupássemos com algo, mesmo em períodos que o pensamento não estaria propício à tomadas de decisão, hoje, analisando a coisa melhor, pode ter me levado por caminhos que poderiam ter sido melhor pensados.

Exemplificando: eu, aos 16 anos, concluí o segundo grau, com as calças na mão, sem sequer saber se eu passaria na recuperação de matemática ou não. Ao final, quando passei (valeu pela força, professor Laudeli!), resolvi fazer um vestibular sem cursinho mesmo, para ver como era. Meu tio e amigo, Betão, insistiu e eu fiz. Passei uma semana na casa dele, com aulas particulares da minha queridíssima tia Sandra, para reforçar a matemática, e, assim, passei em 8º lugar em Informática na ULBRA aqui em Canoas, RS.

Angústia por ter que resolver a sua própria vida, ao invés de fugir ocupando-se do que é dos outros...

Angústia por ter que resolver a sua própria vida, ao invés de fugir ocupando-se do que é dos outros…

O detalhe: eu escolhi informática porque, à época, eu gostava de computadores. Que eram novidade no mercado, lá em 1991, com os MSX, da Gradiente, e suas CPU’s com cartuchos e que operavam em linguagem BASIC. Aquilo me fascinava, mas, eu sequer tinha noção de como o troço funcionava. Fiz, passei e… bem…

Para um guri de 16 anos, tímido, com o cabelo cumprido, que era a moda da época, descobrir em uma faculdade o que era festa e mulherada… digamos apenas que eu não fui lá um bom aluno à época. Aulas pela manhã, e muito sono sobre a pasta ou mesmo dentro do carro no estacionamento…

Porque fazer merda é parte do processo de aprendizagem...

Porque fazer merda é parte do processo de aprendizagem…

Conto a história toda outra hora com calma… mas, 18 anos depois, me formei em administração com louvores e notas altas. Por quê? Ora, porque foi escolha minha, bem pensada e com a necessidade bem identificada e entendida por mim.

Tal qual o gosto pela leitura. Odiava aulas de literatura e aquele monte de autores “obrigatórios”. Mas, quando pude escolher meus próprios livros e interesses, passei a ser ávido leitor. Até descobrir que a busca incessante por conhecimento era o meu hobby.

E essas lembranças, boas ou ruins, nos obrigam a pensar...

E essas lembranças, boas ou ruins, nos obrigam a pensar… Portanto, ocupar-se apenas, pode ser apenas fuga disso…

Onde quero chegar com isso e o que tem a ver com o título e a frase?

Bem, nessa semana vi “coincidentemente” posts em redes sociais que modificavam essa frase para outros lados.

De um lado, lembravam a antiga frase, com variações do “diabo” para “Marx” ou para “Maomé”, e, de outro, posts que lembravam que a mente vazia era essencial para encontrar a paz na meditação…

E aí, qual estaria correta?

Uma, outra ou nenhuma?

Ambas, eu diria…

Vou tentar explicar meu ponto de vista…

Durante as discussões sobre o poder do DMT, a tal “partícula espírito”, componente de alucinógenos como o LSD e o famoso “Santo Daime”, bebida que conecta ao mundo espiritual, percebi que variações de pessoas que ascendem e descendem durante o uso, estariam ligadas não ao produto em si, mas, a seus estados mentais durante o consumo.

pgina-vazia-4-638

Sim, é complicado… vamos adiante…

Digamos, em uma figura de linguagem, que essa alteração mental, “abre uma porta” para o mundo espiritual. Pois bem, a porta é aberta com a substância, com a meditação, com música, com leituras, ou, ligando ao texto de hoje, com o vazio mental…

… agora, o que iremos encontrar do outro lado da porta, ou o que entrará por ela, são outros 500…

Nossa conexão e atração de energias está ligado ao nosso estado vibracional. E, portanto, somos nós quem “convidamos” o que entrará pela porta que abrirmos.

O pastor tem lá sua utilidade para quem, tal qual ovelha, precisa de quem as cuide e as defenda do lobo... já, para quem aprendeu a se virar por conta, perde a utilidade...

O pastor tem lá sua utilidade para quem, tal qual ovelha, precisa de quem as cuide e as defenda do lobo… já, para quem aprendeu a se virar por conta, perde a utilidade…

Se estivermos, por exemplo, em paz e harmonia, certamente o passeio será interessante e edificante. Já, se estivermos em momento conturbado e com pensamentos pesados, pode ser que o melhor é não abrir tal porta.

Esvaziar a mente ou se conectar a outro estado vibracional é um exercício para poucos. Afinal, requer coragem de entender que é algo que nos leva ao entendimento profundo. Nos leva a conhecer nossos lados luminosos, assim como os mais escuros. Pode mostrar monstros debaixo da cama ou esqueletos no armário, tal qual, também a luminosa conexão com o que temos de melhor.

mente-vazia-oficina-do-sistema

Afinal, posso dizer que a tal mente vazia, pode ser sim oficina do diabo, como também pode ser essencial para conexão com uma mente superior… e que isso varia de cada um. Pois esse vazio retira as ideias pré-concebidas, as influências, as manipulações mentais e nos deixa apenas com o que carregamos internamente. Aí é que entenderemos se está na hora de renovar o estoque ou se temos de fato um arcabouço positivo.

banner10

Em outro momento, como o meu atual, pude entender que o arcabouço completo, com o que há de ruim e o que há de bom, é que me trouxe ao momento atual. Foi vivenciando e aprendendo com todas as cagadas que fiz, que pude entender o quanto é essencial me conectar com o meu melhor lado. Pois é nele que produzo o que mais serve à minha vida… PELO MEU ENTENDIMENTO. Não por influências, não por conselhos e nem por “ah, vamos ver no que dá…”. Simplesmente porque entendi, durante todo esse período, com todos os erros e acertos, que foram, afinal, MINHAS ESCOLHAS.

O ócio mental é bom se é criativo… já, se ele simplesmente é para se abster de pensar… aí é ruim…

O que, dependendo do que classificam hoje em dia como cultura (explorar tobas, por exemplo), tá ótimo...

O que, dependendo do que classificam hoje em dia como cultura (explorar tobas, por exemplo), tá ótimo…

Revolução ou evolução?

As vezes me pego fazendo jogo de palavras, de forma mental, para a partir delas fazer uma linha de raciocínio. Sim, talvez seja falta do que fazer, ou então a mania que tenho tido, ultimamente, de desconectar com o mundo ao redor e ficar recolhido aos meus pensamentos.

Mas, em um destes “joguinhos” -que invariavelmente me assaltam antes de dormir, e, geralmente quando as luzes estão apagadas e eu, relaxado o suficiente para ter preguiça de levantar e escrever a respeito, tendo então que confiar na memória- acabei aguçando a curiosidade para, no dia seguinte, de manhã, retomar o raciocínio.

Pois foi durante os últimos dias, onde, além de acompanhar as tendências mundiais, com a retomada de pensamentos revolucionários na população, que, nada mais é do que a expressão da insatisfação com os tempos atuais, que cruzei esse pensamento de revolução, com o intuito da evolução…

Pois bem, e será que revoluções nos levam à evoluções?

Então, para começar os trabalhos, como de costume, vamos ao nosso amigo amansa-burro:

re.vo.lu.ção
Substantivo feminino.
1.Ato ou efeito de revolver(-se) ou revolucionar(-se).
2.Rebelião armada; revolta, sublevação.
3.Transformação radical de estrutura política, econômica e social, dos conceitos artísticos ou científicos, etc.
4.Astr. Movimento de um astro em redor de outro. [Pl.: –ções.]

Hmm, vejamos… transformação radical… revolta… ok. Radical??? Pera…

Pedra? Eu vou de Papel...

Pedra? Eu vou de Papel…

ra.di.cal
Adjetivo de dois gêneros.
1.Relativo à raiz.
2.Fig. Fundamental, básico, essencial.
3.P.ext. Fig. Extremo, acentuado, de intensidade ou grau máximos.
4.Relativo ou favorável a mudanças sociais profundas, completas.
5.Caracterizado por falta de moderação, de transigência ou de flexibilidade na adesão a certas ideias.
6.Que envolve risco fora do comum e exige grande perícia.
Substantivo de dois gêneros.
7.Indivíduo que tem ideias ou práticas radicais (v. acepç. 4 e 5).
Substantivo masculino.
8.Gram. Parte invariável duma palavra; base.
9.Mat. Símbolo da operação de extração da raiz de um número ou expressão qualquer.
10.Quím. Radical livre.
11.Quím. V. grupo (3). [Pl.: –cais.]

Úrrú!!!

Úrrú!!!

re.vo.lu.ci:o.nar
Verbo transitivo direto.
1.Revolver ou agitar intensamente.
2.V. revoltar (1).
3.Causar mudança brusca ou notável em.
4.Provocar agitação, perturbação, excitação em (alguém).
Verbo pronominal.
5.V. revoltar (4).

Causar mudança BRUSCA EM… ou seja, em algo ou alguém… provocar…

e.vo.lu.ção
Substantivo feminino.
1.Deslocamento progressivo.
2.Série de movimentos concatenados e harmônicos.
3.Sucessão de acontecimentos em que cada um está condicionado pelo(s) anterior(es).
4.Processo de transformação em que certas características ou elementos simples ou indistintos se tornam aos poucos mais complexos ou mais pronunciados; desenvolvimento.
5.Biol. Segundo o darwinismo (q.v.), processo que, ao longo de sucessivas gerações, leva à diferenciação das espécies, determinado por mutações genéticas e por seleção natural. [Pl.: –ções.]

Calma lá, pessoal...

Calma lá, pessoal…

…série de movimentos concatenados e harmônicos… transformação…

E, é claro, não posso deixar de pensar que, alguém que conseguiu evoluir, é chamado de ser evoluído…

e.vo.lu.í.do
Adjetivo.
1.Que atingiu elevado grau de desenvolvimento, de cultura, etc.
2.Apto a aceitar novas ideias, novos padrões de comportamento; adiantado, avançado.

Apto a aceitar novas ideias… novos padrões…

Bem, acho que consegui os elementos que precisava para aumentar a linha de raciocínio…

Enquanto a a revolução é uma atitude, ou, um ato radical e extremista, a evolução já é mais progressista e constante…

Bem, daí daria para fazer uma piadinha explicando o porque o pessoal socialista que prega a revolução, nunca acertou no nível de evolução… pois ela exige progresso e constância…

Como é?! Vou lhe apresentar um amigo meu que adora essas piadinhas... se chama EL PAREDÓN!!!

Como é?! Vou lhe apresentar um amigo meu que adora essas piadinhas… se chama EL PAREDÓN!!!

Mas, voltando ao assunto, saindo da esfera política, ainda podemos traçar paralelos para outros âmbitos… revolução ou evolução?

Seriam paradoxos entre si? Exclusivos entre si?

Acho que não, afinal, há casos onde uma evolução passa por um início revolucionário… ou assim alguns pensam…

O termo revolução já nos remete a algo radical… e, para mim, radicalismos nunca acabaram bem na história da humanidade… ou, pelo menos a longo prazo tendem a gerar grandes cagadas problemas para a humanidade…

Esse verme tá tirando uma com a nossa cara, camarada?! Vamos mostrar-lhe o bem social lá no além...

Esse verme tá tirando uma com a nossa cara, camarada?! Vamos mostrar-lhe o bem social lá no além…

A revolução, no mesmo amansa, utilizou o termo “revolta”…

re.vol.ta
Substantivo feminino.
1.Ato ou efeito de revoltar(-se).
2.Manifestação (armada ou não) contra autoridade estabelecida.
3.V. revolução (2).
4.Indignação; repulsa

Hoje jantaremos no inferno!!! E depois escovaremos os dentes com a nova pasta Colgate Luminous White que branqueia os dentes e...

HOJE JANTAREMOS NO INFERNO!!! E depois escovaremos os dentes com a nova pasta Colgate Luminous White que branqueia os dentes… sente o bafo de hortelã…

Vejamos aqui que indignação pode gerar manifestação… e, armada, talvez…

É por isso que falo com cautela sobre revolução, afinal, por mais que ela seja um ato de descontentamento, ou uma vontade de mudar as coisas, ela ainda pode produzir efeitos piores do que aqueles que podemos combater…

“Então ficamos parados esperando?”; “Fazer nada aí sim é que não produz efeito nenhum”, dirão… e com razão…

Mas, notemos que o conceito de evolução, que CREIO EU, seja a meta final de todos nós, nos leva a deslocamento progressivo, movimentos concatenados e harmônicos, transformação e DESENVOLVIMENTO…

Para mim, esse cara desenvolveu problemas mentais, isso sim...

Para mim, esse cara desenvolveu problemas mentais, isso sim…

Bem, acho que notaram o meu ponto…

Pois eu digo que a Revolução e a Evolução não são paradoxos… são polaridades opostas de uma mesma coisa: a vontade de mudar… e, dessa vontade, geralmente vinda de algo profundo, interno e que só nós podemos explicar, surge a vontade da mudança… agora, como você irá proceder com essa mudança é que fará toda a diferença…

Radicalismos ou harmonia?

Revolta ou concatenação?

Quebradeira ou desenvolvimento?

Ok, já me entenderam…

O proposto é mostrar que podemos ser construtivistas ou destrutivos… e há quem ache que devemos passar pelas duas etapas para se atingir a meta. Para MIM, não. Ou, pelo menos, não no sentido em que estão nos incutindo na mente nos últimos tempos.

A revolta pode ser interna. A rebelião pode ser contra seus próprios vícios e maus costumes. Atacar seus próprios inimigos internos. Seus pensamentos destrutivos… e não contra outras pessoas…

Lembremos o dia da traição do Aceto Balsâmico!!!

Lembremos o dia da traição do Aceto Balsâmico!!!

Não me seguiram agora?

Pois bem, o ato revolucionário maior é implantar em si mesmo a mudança. Mude-se antes de mais nada. Crie black blocks internos que vandalizem e matem seus maiores vícios. Mande-os depredar seus castelos de resistência à mudança. Digam que atirem fogo em todas suas construções arraigadas em filosofias ultrapassadas, preconceituosas e nocivas ao bem comum. Aí, ao final dessa sua mudança interna, quando tornarmo-nos pessoas melhores, com uma visão maior e mais ampla, talvez aí notemos que nossa revolução virou evolução. E, com essa nova visão, percebamos que não podemos revolucionar a vida alheia sem que estas pessoas não tenham passado pelos mesmos processos internos. Do contrário, o que VOCÊ chamaria de revolução, para outros, seria apenas uma invasão de seus direitos… mesmo que esse direito seja de permanecer estagnado. E é de direito de todos a estagnação, embora, pouco útil. Alguns, sequer percebem que estão nesse estado, e, talvez aí, você com sua vontade de auxiliar, possa fazer alguma diferença…

E nem precisa perder tempo mudando de roupa...

E nem precisa perder tempo mudando de roupa…

De boas intenções o inferno está cheio, já disseram. E é verdade… grandes revoluções baseadas em grandes idiotices já foram tentadas. Já vimos grandes mudanças que geraram enormes merdas confrontos. E, atos radicais e revoltosos, sem o uso do material interno que temos em nós, ou, a boa intenção primordial, tendem a seguir essa mesma linha.

Olhemos para dentro antes de olhar para fora. O mundo precisa de ajuda sim, mas, ele só será fortalecido se os componentes vivos que o compõem estiverem equilibrados.

Não basta apenas encontrar o inimigo fora, é necessário que antes, o eliminemos de dentro de nós.

Usando uma figura de linguagem que uso frequentemente, poderíamos dizer que: se sua casa está enfestada de baratas e sua cozinha está cheia de restos e louça suja empilhada, por mais que você mate as baratas à chineladas ou com sprays de veneno, elas sempre voltarão… pois o problema não são as baratas, pois é de sua natureza sobreviver de restos e de lixo. O problema é que você não lavando sua louça, permitirá sempre que elas voltem… é VOCÊ que as chama de volta… então, não as culpe por sua própria porquice falta de capricho… mude sua vida, lave sua louça, limpe sua casa e as baratas sumirão… não terão do que se alimentar lá…

Revolucione-se e evolua…

frase-a-verdadeira-revolucao-nao-e-revolucao-violenta-mas-a-que-se-realiza-pelo-cultivo-da-jiddu-krishnamurti-127494

frase-a-nao-violencia-leva-nos-aos-mais-altos-conceitos-de-etica-o-objetivo-de-toda-evolucao-ate-thomas-edison-135598