O futuro não é mais como era antigamente…

A frase do título, conforme cantava Renato Russo, no seu Legião Urbana, evidencia algumas coisas, ao meu ver, que podem exemplificar o momento atual que vivemos…

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Basta que comparemos, por exemplo, a ficção científica, tanto em filmes quanto livros, do passado, com os atuais…

Fomos de sociedades com facilidades extremas de um simples apertar de botões, com direito a carros voadores, jet packs e coisas do tipo, para visões cataclísmicas… passando desde apocalipses naturais, até guerras atômicas que dizimam o planeta. Sem esquecer, é claro, as invasões alienígenas, com os apocalipses zumbis que voltaram à moda recentemente…

…ok, ok… o apocalipse zumbi não parece lá tão distante, vide o número crescente de acéfalos que dominam as mídias, a “cultura” e tentam se apropriar do senso comum…

Mas, minha proposta é outra ao escrever isto. É tentar resgatar uma visão construtivista de futuro. A crítica diária já é ferrenha e, com ela, conseguimos evidenciar o tamanho de coisas erradas que vemos. Aliás, são óbvias as coisas erradas. Mas, como dizia o sábio:

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Pois então…

Assim, podemos ponderar que as obviedades atuais estão longe de nos apontar um futuro digno… muito menos um entusiasmante. Tenho visto que os mais otimistas, projetam um futuro bem distante, onde o aprendizado atual, vulgo ‘quantidade de merda praticada’, nos dará bases a cenários onde não voltaremos a incorrer nas mesmas cagadas premissas erradas de pensamento…

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Ok. Aí me interessa…

Acho que um padrão pode ser reconhecido: temos nos baseado pelo passado para tentar projetar um futuro. Ou seja, comparamos a tudo o que já ocorreu, citamos pensadores antigos e que sequer estão vivos para presenciar o cenário atual ou mesmo poder compará-lo com suas obras, até, ideologias seculares e poeirentas que ainda são exaltadas mesmo que em nenhum caso elas tenham sido bem sucedidas.

Funcionam como antíteses umas das outras, criando um emaranhado de pensamentos antagônicos entre si, sem que se proponha nada de novo, de atual, que tenha foco na realidade atual, com o povo e a mentalidade atual, por exemplo.

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Claro que para entender alguns padrões, tem-se que recorrer ao passado. Às origens das coisas e como elas se desenvolveram até o momento atual. E era isso. De resto, teremos que identificar que há a enorme necessidade de se criar algo novo. De modificarmos o marasmo atual e a pouca diversidade de ideias que nos encaixota o pensamento.

Temos as falácias de autoridade, por exemplo, praticadas quando citamos pessoas de grande apelo, para embasarmos nossas próprias ideias. Como se tivéssemos que nos validar não por nós mesmos, mas, apenas quando equiparamos nosso pensar a algum baluarte de alguma coisa. E, PARA MIM, tá aí o erro básico.

Não estou eu aqui dizendo, de forma alguma, que devamos deixar de lado esses pensadores. Apenas acho que eles fazem parte do arcabouço de conhecimento de cada um. Ou seja, eles nos municiam de itens de pensamento. Eles nos instigam a pensar. A nos modificarmos nas formas estanques em que nossas mentes se encontram. E, a cada ideia nova, passamos a ser novas pessoas, com novas perspectivas e com novos desafios a percorrer. É disso que eu acho que se trata a coisa. E não que devamos nos validar por eles. Citá-los para exemplificar algo, sim. Chancelar nossas ideias por outras, mesmo que seja por senso comum, não.

Não é porque um autor, dez, cem ou milhares, concordam acerca de um assunto que este passa a ser imutável, insofismável ou mesmo que, mais adiante, com novos elementos, técnicas, tecnologias, et cetera, não possam ser refutados por termos mais bases de ponderação.

A verdade absoluta de hoje pode ser derrubada amanhã. Basta que paremos de encará-las como absolutas. Não por relativismo moral, ou, no intento de derrubar uma tese simplesmente por derrubá-la, ou validar nossa ideia sobre a simples desconstrução de outra. Mas sim, pela necessidade de criar algo novo e melhor. E isso é ESSENCIAL!!! A criação de algo melhor para substituir o anterior… se não for, pelo menos um pouco melhor, deixa como está. Afinal, tem aquele outro sábio que dizia:

nada é tão ruim que não possa piorar

Quem me lê, tanto por aqui, quanto pelo que falo no Facebook, sabe da minha ranzinzice com o momento atual. Noto a pobreza intelectual do país, baseada muito mais na incapacidade de contestação dos tais baluartes do que propriamente por suas capacidades, vejo ideologias cerceando pensamentos, vejo o politicamente correto encaixotando opiniões… enfim… mas, chega de só criticar… tá na hora de fazer alguma coisa. De propor algo novo. De tentar sair desse mato sem coelho (ou cachorro, sei lá). Para tanto, será preciso que comecemos a construir um pensamento novo. Adequado às realidades de cada um. Sintético ou analítico, por vezes, mas, ainda assim, essencial para que algo novo, ao menos, seja plantado. Uma semente a ser geminada, que seja.

Me vi num ponto onde noto coisas boas e ruins por onde transito, aprendo, observo. E, como tudo na vida, devemos ponderar. Por isso, por vezes concluo que todos estão certos, à medida que todos estão errados…. e aí é preocupante. Quando ideias baseiam-se em apenas apontar os erros alheios, sem proposição alguma depois, tornam-se inócuas. Sem serventia alguma. Por isso, durante alguns encontros com amigos, e, sobretudo com um específico, onde um cara que admiro bastante me levou a criar uma ruptura na minha linha de pensamento, cuja qual acabei notando que se encaixava no perfil anterior, o de criticar apenas, sem propor soluções. Me vi despido naquele momento… e, sem trocadilhos maldosos, ali despido, puder ver que não bastava eu me cobrir com qualquer colcha de retalhos de pensamentos alheios. Era necessário que eu buscasse o meu próprio. E, tal qual eu sempre utilizo aqui citações de pessoas durante meus textos, numa tentativa de validação do que eu digo, notei que eu mesmo posso, através do meu desenvolvimento, embasar minhas próprias teses. Buscar minhas próprias alternativas e, quem sabe, encontrar as respostas que sigo buscando.

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Aguardemos as cenas dos próximos capítulos…

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O profeta, as ostras e as pérolas

Certa feita, um homem desesperado caminhava sem rumo pela orla marítima em um mundo muito distante. Pensava em seus problemas e como resolvê-los. Os tempos eram difíceis e sua vida se atrapalhava em virtude de dinheiro.

Assim, enquanto lamentava, cabisbaixo, perto de algumas pedras, encontrou uma comunidade de ostras que viviam pacificamente.

Observou por instantes e viu que, apesar de primitivas, vivam suas vidas de forma relativamente tranquila. Naquele ambiente rochoso, com a água do mar a todo instante batendo, podiam extrair tudo o que necessitavam.

Notou também, uma certa comoção em torno de uma ostra, que convalescia.

Imaginando do que se tratava, o homem aproximou-se e apresentou-se como um profeta. Contou às ostras que aquela que convalescia havia sido agraciada com uma dádiva divina. A de produzir tesouros internos.

Sendo assim, o homem diz que o sacrifício da ostra não seria em vão e que ela seria recebida com todas as glórias em um lugar maravilhoso onde todas as ostras viveriam felizes para todo o sempre.

Apesar da tristeza com que as demais ostras receberam a notícia, foram novamente reconfortadas pelo homem que seguia afirmando que aquele sofrimento todo era uma dádiva e que ele, como intermediador divino, iria por fim a todo o sofrimento dela, garantindo sua passagem ao outro mundo. O mundo de sonhos e de realizações.

Após instantes, as outras ostras, já conformadas, aceitaram o destino daquela. E a própria já se sentia reconfortada por ter seu sofrimento terminado e as promessas de bem-aventurança futura.

Assim, o homem abre a ostra e mostra a todos o maravilhoso tesouro que o sofrimento dela havia produzido. Com discursos inflamados sobre a beleza, a perfeição, o brilho e a bênção que era ter a honra de produzir a pérola, faz com que as demais passassem, inclusive, a invejar o destino daquela que havia partido.

Dias se passam, e o homem retorna para o local, sempre procurando pelos outros “escolhidos”. Aqueles que haviam sido agraciados com a escolha divina. Encontrava, eventualmente, uma ou outra ostra nessa situação, sempre repetindo o ritual de exaltação do maravilhoso destino dessas ostras.

As que não conseguiam a “graça”, sempre indagavam o homem para que lhes ensinasse o caminho mais rápido para atingir suas metas.

O homem conta uma história sobre o toque divino, que perfuraria suas conchas e atingiria seus interiores, forçando assim, com que elas imediatamente iniciassem o processo de produção do tesouro através de seus sofrimentos. Contou-lhes que o sofrimento engrandeceria a tarefa, pois as mais belas pérolas viriam dos maiores sofrimentos. E, que cada uma, igualmente, estaria mais evoluída que as outras à medida que produzissem mais de uma pérola ou, de tamanhos maiores.

As ostras entravam em estados frenéticos de êxtase, buscando a todo instante o tal fator externo que lhes proporcionaria o tão sonhado destino final. E, assim, buscavam refazer os passos das demais ostras que ascenderam em seus sofrimentos. Peregrinar por locais por onde passaram, copiar hábitos…

O homem, com o passar dos tempos, notou que muitas delas conseguiram produzir as esperadas pérolas. Mas, com isso, a população começou a diminuir. Assim, contou-lhes o quão importante seria que multiplicassem-se entre si antes de atingir o estado de graça. Que, seus caminhos deveriam seguir uma cartilha, que visava torna-las mais dignas da graça maior.

Assim, as ostras reproduziam-se até certa idade, o máximo possível, até que pudessem buscar de forma natural, a produção das pérolas.

Nem todas produziam pérolas perfeitas, sendo assim, o homem dizia a elas que suas entregas à causa não haviam sido suficientes. Também, demonstrando às demais que o tesouro poderia não ser tão valioso assim, se cada uma delas não se esforçasse para seguir as regras que ele havia passado.

Exaltando as melhores produtoras e corrigindo as que não conseguiam o padrão maior de qualidade, o homem manteve as atenções das ostras totalmente sob controle. Com vários cerimoniais e discursos inflamados sobre a conduta de cada uma delas.

As ostras que eram levadas, nunca mais eram vistas pelas que ficavam, dando embasamento à teoria de que haviam transcendido o local e o ambiente em que viviam.

Certo dia, uma das ostras, indignada com o sistema que vivia a comunidade, resolve investigar melhor o homem e seus ditos e histórias.

Pensa que o sofrimento poderia gerar tesouros, mas, ainda assim, era um processo que não gerava bem estar algum às ostras e seus modos de vida. E, principalmente, pensou sobre o tal tesouro. A quem ele era realmente um tesouro? Não a elas, que, apenas queriam verem-se livres de tal sofrimento o quanto antes.

Fez de tudo para que não tivesse como gerar uma pérola. Fugiu de todas as regras e indicações do homem e de suas próprias irmãs, que entusiasmadas com a causa, faziam de tudo para que o ciclo da “virtude” se mantivesse.

Pregavam a ela que eram úteis em seus sofrimentos para uma causa maior. Uma causa além de seus entendimentos e compreensões. Que, apenas a fé de saber que alguém se beneficiaria disso, além da promessa futura, eram motivos de orgulho suficientes para seguirem.

A ostra inconformada, tenta dissuadir as outras, dizendo-lhes que o modo de vida anterior era calmo e tranquilo. E, que elas eram felizes sem a necessidade de nada daquilo.

As outras acusam-na de ser agitadora e de heresia, fazendo com que se isolasse da comunidade.

E, durante o tempo em que se manteve afastada, a ostra dissidente começa a sentir os efeitos de uma pérola.

Ela revolta-se contra tudo aquilo, que, mesmo fazendo parte de suas naturezas, não era nada agradável. E tampouco útil a ela mesmo, que não via sentido algum naquilo tudo.

Ela resiste à dor e mantém-se no exílio. E, mesmo com as visitas do homem, ela nega-se a dizer que está sofrendo e que tem uma pérola em si.

O tempo se passa e ela percebe que novas inserções do agente externo estão se formando nela. E, mesmo com seu interior lutando contra aquilo tudo, com todas as forças que tinha, nega-se a deixar transparecer nada daquilo.

O homem, um dia, vê que a ostra havia se alterado e que marcas em sua concha eram visíveis, caracterizando assim, a produção de pérolas.

Ele resolve levá-la à cerimônia com as demais, exaltando seu exílio como sendo uma purificação extrema e que ela havia, através daquela situação extrema, tornado-se a maior de todas as ostras que já haviam habitado aquela comunidade.

Nesse momento, a ostra toma a palavra para si e diz que o exílio, de fato, havia lhe ensinado muito. Havia, sobretudo lhe ensinado que era possível viver com o sofrimento. Aprendeu que era possível seguir a vida, mesmo com as agruras do processo, e que, mais à frente, cessavam as dores. Também disse ter aprendido que muitas outras pérolas poderiam ser produzidas sem a necessidade que nenhuma delas fosse levada à lugar algum. E, sobretudo, diz ter aprendido que as pérolas são realmente tesouros. Mas, por mais que pudessem ser tesouros por suas belezas e formatos, para ela, o valor havia se tornado inestimável. Ela havia aprendido que todas as pérolas se formavam não para exaltar seus sofrimentos, mas sim, para protegê-las de um parasita que as atacava. E, cada pérola que agora continha nela, era a lembrança de uma vitória sobre os agressores. Uma lembrança de sua resistência, de sua bravura e sua inconformidade em desistir.

Olhou para o homem e agradeceu por tudo, mas, que naquele momento, não precisaria de homenagem alguma. E, sequer queria ser conduzida ao paraíso. Pediu que como prêmio, pudesse viver sua vida até os últimos dias, e, ao final, quando a hora derradeira chegasse, suas pérolas fossem lembretes às demais, de que é possível triunfar sobre qualquer sofrimento. E que a recompensa era a sapiência que cada pérola lhe proporcionou. Seu verdadeiro valor estava, paradoxalmente, não na quantidade de pérolas geradas, que ela sabia serem dezenas, e nem na beleza estética de cada uma delas, mas sim, na forma com que cada uma delas foi gerada.

Assim, o homem viu seu discurso perdendo força, até que, dando-se conta de que ali não mais teria influência, foi em busca de uma nova comunidade para “orientar”…

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Post Scriptum: Arrisquei-me nessa tentativa de conto para pensar junto à vocês, a qual sistema nosso sofrimento interessa? Em qual contexto? A quem ele é belo? Ele existe por existir ou há motivos para tal?

Não que precisemos nos exilar para aprender o real motivo pelo qual essas coisas acontecem, mas, certamente é primordial refletir a respeito. Se ele é algo que, de fato, nos eleva em um contexto maior de evolução, ou, se simplesmente ele é produto de uma causa que quer produzir ostras em hospedeiros dispostos à morrer pela causa?

Para as que aprenderam algo com o processo, o parasita pode ser considerado realmente um “toque divino”. Já, para as que simplesmente se atiraram no processo, crendo que sofrer é bom, terão seus anseios atingidos. Sofrerão e serão úteis a uma causa que sequer compreendem direito.

Pensemos nisso… ou, simplesmente, pensemos…

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Imagina, querido John…

 

Querido John, sou seu fã e creio que sua obra-prima, a “Imagine” seja um símbolo mundial da busca pela paz e igualdade. Também acredito que tu não sejas apenas um sonhador, pois qualquer ser humano que tenha um pouco de bondade em si, certamente não compactua com o monte de iniquidades que assolam o planeta, mais do que nunca, após a tua partida.

Mas olha só, querido, creio que o pessoal tenha pegado tuas palavras e as colocado em um contexto que não sei bem se era o que tu imaginavas.

Eu também tenho... ser normal no mundo de hoje é atestado de insanidade...

Eu também tenho… ser normal no mundo de hoje é atestado de insanidade…

Sim, ao dizeres que um mundo sem “paraíso” ou “sem religião”, creio que falavas algo sobre os conceitos religiosos e suas distorções, onde o pessoal age como cães adestrados em busca de suas recompensas… mas, hoje prega-se o ateísmo em função disso.

Ok, iremos discutir por horas e mais horas sobre o conceito de Deus… aquele que existe e é a soma de tudo, contra aquele criado e inventado, para que seja o produto final de um projeto.

Ah, ok... pensamos parecido...

Ah, ok… pensamos parecido…

Pois bem, John, imagina então, como seria um mundo onde mais do que não haver religiões… imagine um mundo onde pessoas espiritualizassem-se da forma que mais lhes fosse apraz. Que cada um tivesse seu conceito próprio de divindade, de paraíso, de objetivos e recompensas. Os seus… e não os que estão por aí, dispostos como opções pouco apetitosas para o “consumidor”?

Acima de nós, apenas o céu… mas, te pergunto: qual céu? Aquele imenso, que estende-se ao infinito, num imenso vazio de bolas de fogo flutuando num vácuo, com outras de outros materiais as orbitando, ou um céu onde possam haver outras culturas, outras mentes maiores ou mesmo até, civilizações que tenham pisado por aqui em algum tempo, como algumas culturas antigas sugerem?

Imagine, querido, que tivéssemos, além de um céu acima de nós, uma consciência maior. Uma que nos permitisse imaginar que somos parte de tudo. Que tanto subindo aos céus, quanto internalizando em nossas frequências atômicas, alcançássemos o mesmo todo?

Aê, garoto... é disso que eu falava...

Aê, garoto… é disso que eu falava…

Ao falar em um mundo sem países, creio que quiseste dizer um lugar onde pessoas pudessem fazer parte de uma comunidade humana. Independente de sua origem. Que todos tivessem um convívio pacífico. E, aí, é claro, voltamos ao conceito de “não religião” proposto. Afinal, meu velho, deves estar acompanhando daí de algum lugar, que provavelmente não é o paraíso, pois não o querias, mas, ainda assim, tua consciência deve seguir existindo em algum lugar… e, daí, deves estar vendo que mesmo quebrando-se barreiras e fronteiras, algumas pessoas simplesmente não têm ainda condições de conviver com outras. E não só por questões limítrofes de países ou religiões. Trata-se de algo maior. De algo que reside em cada uma dessas pessoas. De serem simplesmente pacíficas por si só. Por exemplo: eu acredito que para uma pessoa saber que estuprar uma mulher e agredi-la é um ato torpe, covarde e mais um monte de outros xingamentos que aqui me ocorrem, ela não precisa estar convertida a alguma religião. Ou, mesmo, como tu propuseste, despida de todas elas. Afinal, bem ou mal é coisa que não necessariamente se aprende, mas, se vivencia.

Calma, meu velho... não é pra tanto... sem sonhos, não se projetam realidades...

Calma, meu velho… não é pra tanto… sem sonhos, não se projetam realidades…

Veja, querido, que o teu canto comoveu bilhões de pessoas, eu creio, mas, poucos se valem dele para realmente agir de forma melhor. E, assim também é com as religiões. Algumas pregam o bem, mas, seus seguidores não deixam de ser abestalhados só porque se especializaram em um livro específico. Eles precisam aprender a agir por conta própria, de forma correta, independente da “recompensa” que lhes for oferecida.

Sim... Sim!!! Por isso que cuidar de si antes de tentar cuidar dos outros é primordial...

Sim… Sim!!! Por isso que cuidar de si antes de tentar cuidar dos outros é primordial…

Tal qual devolver uma carteira recheada de dinheiro na rua. Deve-se devolver simplesmente porque é o certo a se fazer. Não para ficar com os louros da fama em uma matéria exaltando o óbvio, e, tampouco para ser recompensando com algum presente por isso.

Sabia que tu me entenderia...

Sabia que tu me entenderia…

Bem, agora vem a parte mais complicada… imagine um mundo sem posses… e, na mesma estrofe, propor um mundo sem ganância e sem fome…

Olha só, meu querido, já tentamos isso… lá na idade das pedras. E não funcionou… ninguém tinha nada… todo dia, saía-se para caçar, pelo menos até que aprendemos a plantar. E, daí, estabeleceu-se o escambo, a necessidade de estoque e etc… ainda mais que as pessoas viam que não duravam para sempre. Viam que ficavam velhos e lentos para a caça. E que seus filhos e dependentes ainda assim, deviam comer… pois daí a necessidade de evoluir, meu velho. Não se trata de ganância ser previdente e imaginar que poderíamos ser feridos durante uma caçada e que, talvez, tivéssemos que focar em algum estoque para tal.

Pois é... por isso é que temos que começar a ser previdentes e parar de querer depender dos outros...

Pois é… por isso é que temos que começar a ser previdentes e parar de querer depender dos outros…

Mas, concordo na parte da irmandade humana… acho que aí seria uma ótima solução. O pessoal vivendo em comunidades, com ajuda mútua, com cada um fazendo o melhor de si, tanto para si quanto para os que o cercam. Nisso sim tu acertastes em cheio!

E eu, em minha arrogância de tentar retocar uma obra-prima, te proporia um mundo sem política e sem ideologias de manada. Sim, pode parecer controverso, à medida que eu creio na vida em comunidade. Mas, veja bem, querido, o princípio de comunidade no qual eu acredito é baseado, estruturalmente no poder do indivíduo. No bem estar de cada um, primeiramente, que se expande e alcança a todos. Creio em um conceito onde a pessoa seja tão feliz a ponto de querer compartilhá-la com o mundo todo. E não naquele conceito onde deva-se abrir mão de si mesmo em função do outro. Esse pseudo-altruísmo é o que tem ferrado com tudo. Ele multiplica pessoas infelizes, sacrificando suas próprias felicidades em nome de outros. E, pode aqui até parecer que eu estou sendo chato demais, mas, acaba justamente entrando naquele conceito religioso de sofrimento x recompensa futura e não sabida em algum “paraíso”, dos quais pediste para imaginarmos o mundo livre…

Bingo! Poder para o povo significa poder para cada um de nós... o povo não é uma entidade em si, mas sim a soma de pessoas...

Bingo! Poder para o povo significa poder para cada um de nós… o povo não é uma entidade em si, mas sim a soma de pessoas…

Que tal então, fecharmos um acordo agora em uma estrofe do tipo:

“Imagine o mundo sem salvadores;

sim, é preciso ter coragem para tal;

cada um cuidando de si mesmo com garra;

e não mais ser vítima de coisa alguma;”

Ou, se preferir:

“Imagine todas as pessoas, 

vivendo em harmonia consigo mesmas;

saindo de seus casulos de escolhas marcadas;

e rumando ao que nasceram para fazer;”

Bem, tu podes dizer que eu estou sonhando… mas eu acho que eu não estou só… eu espero que um dia, todos unam-se em suas próprias causas de felicidade. E, então, o mundo viverá como um só…

Imagine só, querido John…

#SemMaisMeritíssimo

#SemMaisMeritíssimo

A auto-prisão…

Qual é o nosso limite de interação?

Até onde nossa participação social pode influenciar na nossa forma de agir ou retroagir… ou mesmo de retroceder… pois é isso que se passa na minha cabeça no momento. À medida que as mídias sociais avançam, a troca de pensamentos (sim, sou um otimista) entre pessoas torna-se um fator de interferência do proceder, para os que costumam analisar e tentar entender essas interações.

O avançar do conhecimento, a metodologia de busca de evolução de cada um determina também como essas relações acontecem. Cada método favorece um tipo de pessoa. E, um método dificilmente serve a todos…

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Indo para a figura de linguagem para explicar a minha linha de pensamento: se você está evoluindo, o caminho que você está percorrendo para tal, não me interessa… interessa apenas se você está evoluindo ou não. Atingir o objetivo pelo caminho mais longo ou mais curto, mais fácil ou mais difícil, mais espinhoso ou mais plano… enfim… tanto faz.

Só que, atualmente, vivemos sob a égide de um “novo politicamente correto”. E, esta nova política, cerceia e tenta aparelhar a forma de pensar de cada um. Há quem diga que isso é “educação social”, mas, por outro lado, há quem pense que isso é lavagem cerebral em massa. Não que eu concorde que as iniquidades que acontecem diariamente devam seguir. Ou seja, eu concordo que a sociedade está doente. Concordo com o diagnóstico. O que eu não concordo é com o método de tratamento. O tal “remédio” que estão administrando, ao meu ver, está mais para eutanásia do que para processo de cura…

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Estão matando o pensar. Estão matando a “praxis” educativa de cada um… a construção da correção de erros é trocada pela coerção da livre tentativa… ou seja, estão fabricando pessoas com a mente moldada para essas novas regras do politicamente correto. Reativos.

E retirar a pro atividade do pensar é, de certa forma, impor uma prisão mental… a pessoa de bem, que acredita que as tais regras do politicamente correto são incontestáveis, imutáveis, em suas boas vontades, acabam por se auto-aprisionarem no pensamento.

Vivemos tempos de formação de milícias, todas com as regras embaixo do braço, prontas a denunciar os heréticos (ketzers) do pensar para os santos inquisitores que os atirarão às fogueiras santas e purificadoras… onde é que já vimos isso antes?! Pois é… lá na idade média… e há quem realmente acredite que estamos avançando como sociedade…

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  • “Ah” – dirão – “mas na idade média haviam barbáries que necessitavam de medidas extremas como essas…”. Bem, eu diria que os tempos atuais também têm absurdos iguaizinhos aos da idade média…

Não entrarei nos méritos de cada barbaridade… se é do tipo físico, como os praticados por militantes do Estado Islâmico, ou, se mental, pelos militantes do politicamente correto atual, que escondem-se atrás de uma “causa maior” para agir de tal forma… os inquisitores agiam em nome da ordem e do bem maior religioso… enquanto, os da nova sociedade, agem em nome do “bem maior”… do ponto onde erradiquem-se os “doentes” do pensar… enfim… ambos consistem em extirpar os entes “doentes” da sociedade proposta…

Pois, por outro lado, há quem tente ver isso de um outro prisma… eu, por exemplo, tento me colocar em um outro patamar… onde eu possa olhar para a situação como um todo, já que se analisarmos pontualmente, poderemos ter conclusões míopes ou deturpadas. Gosto de um frase, que eu não sei de quem é, ou se mesmo brotou em minha mente durante algum devaneio de pensamento (busquei no São Google e não achei nenhuma parecida) e que diz que “uma mentira, se desmembrada, pode virar uma série de mini-verdades”… pois é assim que vejo a coisa atual…

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Com um monte de mini-verdades, pode-se conduzir pessoas de bem à uma grande cagada cilada. Fascinados por inserções corretas e com discursos belos, são levados a agir de forma manipulada e moldada de acordo com um plano-mestre… e, onde é que já vimos isso antes? Ah sim, na Alemanha de Hitler…

Estou sendo exagerado? Bem, olhem estes discursos aqui então:

Só lutamos por aquilo que amamos, só amamos aquilo que respeitamos e só respeitamos aquilo que conhecemos.
Não se pode viver verdadeiramente e desistir do que dá significado e propósito a uma vida inteira.
Quanto mais você aspirar, mais vai crescer
O Socialismo é a ciência de se lidar com o bem-estar geral

Legais, não? São frases motivacionais, incontestáveis, e, de certa forma, politicamente corretas… concordamos com isso?

Pois bem, e se eu dissesse que essas frases são de Adolf Hitler? Pois são…

Ok, sacudam as cabeças e sigamos com o pensamento…

Em nome do bem, do bom, pode-se levar um monte de gente a cometer desatinos… através da formatação das mentes, Hitler levou uma porrada de gente a pensar que o mal do mundo eram os Judeus… e, hoje em dia há quem adapte essa linha de formatar mentes a outros tipos de pessoas… enfim, instigam a luta de classes justamente para angariar pessoas do “bem”, para a luta contra o “mal”… só resta a cada um saber o que de fato é bem ou mal, do que apenas aparenta ser bom ou mau…

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Desempoderar o pensamento é uma forma de enfraquecer pessoas ao ponto em que acreditem que a opinião dos outros é superior às delas… é uma forma de “educação”… imaginem um aluno que levasse um xingamento do professor a toda vez que tentasse formatar um pensamento, seja ele certo ou errado… provavelmente desistiria de tentar formar os seus próprios e ficaria apenas com o que é dito pelo professor… sem contestar… talvez, a um ponto tal onde não contestaria sequer se ele dissesse que 2+2 fossem 5…

Pois é disso que se trata a minha reflexão aqui… a construção social baseada em aprendizado com seus próprios erros… Eu aprendi duras lições da vida com os meus próprios… aprendi a não ser racista, por exemplo, no dia em que ao comentar uma daquelas “piadas”, pude olhar nos olhos de uma colega negra… e, naquele instante, sentir tanta vergonha de mim mesmo, que nunca mais tive coragem de repetir uma outra coisa parecida… e, a ponto de ter desconforto a cada vez que escuto de outros… pois me volta toda aquela cena à mente e a vergonha me toma como se voltasse a acontecer naquele momento… e, acho que bem ou mal, eu evoluí com aquela cagada monstruosa…

“não sei, as coisas sempre foram assim por aqui…”

Esse experimento do vídeo acima, ilustra o porquê a ação sem o entendimento aprofundado, leva à uma situação onde pessoas agem sem sequer saber o porquê o fazem… e é isso que eu tento ressaltar aqui…

Também penso que, à medida que alguns fogem dos grupos de equiparação mental, acabam isolados… vejamos o meu caso: cada vez mais fico à margem das linhas do pensamento atual, onde antagonismos refletem um dualismo que não combina com a minha forma de pensar… e, quando não se faz parte de nenhum dos grupos propostos, o autoflagelo acaba vindo mesmo que fora às nossas vontades… ou apanha-se dos dois grupos, ou, fatalmente, anularemos completamente nossas vontades e ficaremos em um silêncio sepulcral para não mais sermos agredidos (com os macacos)…

Alcançar um patamar de pensamento que não combina com o vigente pode ser libertador por um lado, mas, extremamente isolante por outro… acaba-se só em muitos casos…

É claro que me aproximo de algumas linhas de pensamento… mas, não sou adepto de nenhuma delas… pois as vejo como bibliotecas de consulta, que me municiam com elementos para que eu desenvolva o meu próprio raciocínio e forma de pensar, e não como algo incontestável e que eu deva seguir cegamente por julgar ser algo muito além da minha arrogante tentativa de compreender… enfim, cada um com suas visões da coisa…

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Apenas noto que no afã de acabar com o errado, erra-se mais ainda… e, certamente eu estou me distanciando cada vez mais dessas vertentes… o que, em nome da boa convivência, ou da preservação de amizades, acaba-se abrindo mão daquilo que é meu de fato, para apenas delegar a razão a outro, não por concordância, mas sim por não estar mais com saco de prosseguir com aquilo… já dizia o sábio que, contra cachorro doido, não se há argumentos… apenas resta subir na árvore e esperá-lo parar de latir…

Mas, acho que tá na hora de parar de delegar… a inteligência ou a iluminação do pensamento não é democrática… ela deve existir, mesmo que seja solitária… uma multidão de gente errada não transforma o errado em certo… o máximo que irão conseguir é silenciar a oposição às suas ideias… e, daí o método será baseado em enquadrar o infeliz em alguma categoria de dissidência social, para, juntamente com a punição prevista, arrancá-lo do convívio dos certos…

Resistamos!

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Alquimia energética…

Algo interessante ocorre durante esse período de realinhamento do pensar que eu passo. É uma fase onde novos pensamentos invadem a mente e confrontam os antigos. Velhas “certezas” são confrontadas a todo instante, e, com isso, todo o meu redor, entra no movimento. Hermes Trimegisto explicava em sua teoria hermética, que as polaridades alternam-se e, assim, regula-se a “temperatura” para uma ideal. Aqui está uma síntese:

Lei da Polaridade

“Tudo é duplo, tudo tem dois pólos, tudo tem o seu oposto. O igual e o desigual são a mesma coisa. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliados ”

A polaridade revela a dualidade, os opostos representando a chave de poder no sistema hermético. Mais do que isso, os opostos são apenas extremos da mesma coisa. Tudo se torna idêntico em natureza. O pólo positivo + e o negativo da corrente elétrica são uma mera convenção.

O claro e o escuro também são manifestações da luz. A escala musical do som, o duro versus o flexível, o doce versus o salgado. Amor e o ódio são simplesmente manifestações de uma mesma coisa, diferentes graus de um sentimento.

Adoro essa parte onde ele diz que os opostos são extremos de uma mesma coisa… onde o quente e o frio não são paradoxos ou antíteses, mas sim, polaridades extremas de uma mesma coisa… a temperatura… e, regulando-se essas polaridades, podemos chegar a uma “temperatura agradável”, como fazemos ao regular um chuveiro durante o banho. As temperaturas corporais variam, e, o que é quente para um, é morno para outro, enquanto é fervendo para um outro…

"O que está em cima é como o que está embaixo. E o que está embaixo é como o que está em cima"

“O que está em cima é como o que está embaixo. E o que está embaixo é como o que está em cima”

Assim, nesse confronto do mundo dualista que a minha mente tem feito ultimamente, acabamos regulando nosso pensar. E, como qualquer processo de regulação, extrai-se coisas, agregando outras. Nikola Tesla também dizia que vivemos em um mundo eletromagnético vibracional, onde tanto o eletromagnetismo quanto as vibrações são moduladas. Enfim, tudo é energia. Eu acredito nisso. Sem dogmas. Apenas o espiritualismo explicado de forma cartesiana.

Assim, muitos aqui devem ter notado que durante alguma mudança ou outra, amigos afastam-se, à medida que novos surgem. Pois bem, esse é o exemplo dos resultados práticos da regulagem da polaridade energética. Sim, muito além da polaridade mental, temos a polaridade física (sim, o papo é complicado). E, para complicar mais ainda, eu poderia também dizer que uma está interligada à outra. O pensamento é o que regula o físico, pois, é a energia que une e molda a matéria. E, se essa frequência muda, muda-se também o material.

Ok. Está ficando enrolado. Mas, vamos lá… todos sabemos que podemos dizer coisas que não estamos sentido de fato. Ou, expressar alegria, enquanto estamos, na verdade, tristes, por exemplo. Pois, é disso que eu me refiro. Podemos aparentar ser algo, mas, sermos outra coisa por dentro. E, daí é que eu faço o link entre o que estamos “pensando” com o que estamos “sentindo”. Sentir e pensar, igualmente, não são coisas diferentes… são polaridades de uma mesma coisa. Enquanto teimamos em confrontar a razão com a emoção, eu digo que ambas fazem parte de quem somos. E, uma está diretamente ligada à outra. Pessoas que dizem ser “só coração”, são tão míopes quanto as que dizem apenas “usar o cérebro”… pois tanto um quanto o outro são essenciais para o funcionamento do corpo. Um não sobrevivem sem o outro (ok, algum engraçadinho pode aí incluir a piadinha do fiofó, que, se trancar a passagem da coisa, adoece o corpo todo, igualmente).

amor e ódio extremos de uma mesma coisa: o sentimento...

amor e ódio extremos de uma mesma coisa: o sentimento… embora, eu não recomende o método proposto

Minha ideia é falar sobre alinharmos nosso pensamento com nosso sentimento. Aparentarmos aquilo que temos internamente. Ou, simplesmente, emanar aquilo que realmente somos. Sim, emanar. Todo mundo aqui já sentiu uma coisa ruim vinda de alguém com um discurso bonitinho e bem alinhado, certo? Pois bem, é a captação vibracional daquela pessoa que nos faz antagonizar com ela, a despeito do que ela diz, que, pontualmente é bom.

Pois na dialética erística de Arthur Schoppenhauer, existe a “falácia de interesse revestido”, onde diz-se uma coisa, objetivando outra, que está oculta no discurso. Pois bem, temos vários exemplos por aí sobre isso.

...ou "contaminá-los" com a centelha da sanidade, tio Schopps..

…ou “contaminá-los” com a centelha da sanidade, tio Schopps…

Nisso tudo, outro dia, conversando com uma amiga de longa data, também percebi que temos muita gente com bons pensamentos desalinhados. E não há nada de errado com isso, afinal, desconstruir anos de pensamento, deixa tudo realmente fragmentado e confuso. Podendo demorar um pouco a encontrar o novo, oscilando entre uma polaridade e outra. Sim, bipolares não são necessariamente doentes, ao meu ver, eles podem apenas estar demorando muito para alcançarem seus equilíbrios. E, pode ser que o mundo atual não ajude, seu ambiente de trabalho, familiar, etc; não ajude… enfim…

Nesse mesmo papo, falávamos sobre sobre o quão complicado o mundo dualista está atualmente. E, também pensei que ele pode apenas estar passando pelo mesmo processo de polarização que muitos de nós estamos. Dizem que o planeta tem sua frequência, tal qual toda a matéria existente no universo também tem. E, por algum motivo, alterna-se. Se chamaremos isso de mente coletiva, se chamaremos o planeta de Gaia e o trataremos com uma entidade inteligente, fica a critério da crença de cada um. Eu me restrinjo ao cartesiano, que é o alinhamento frequencial.

Ressonância Schumann e as diferenças de frequências no planeta...

Ressonância Schumann e as diferenças de frequências no planeta…

Com tantas mudanças no mundo e nas pessoas, acho que é normal que tenhamos essa esculhambação em que vivemos atualmente. Acho que é parte de um processo maior. Mas, acho importante salientar que cada um de nós, individualmente, busque o próprio equilíbrio. Ele, certamente tem interferência na equalização global. Tal qual uma antena de transmissão, tudo o que emanamos energeticamente, soma-se ao ambiente… e, nesse ambiente, misturando-se as infinitas polaridades, temos o Zeitgeist, ou, o espírito do mundo (ou da época, se preferirem). Pois, esse tal espírito, é a soma de todas as polaridades individuais, que misturam-se, moldam-se e confrontam-se diariamente em nossos instantes. Para modificar a frequência do todo, deve-se modular uma a uma, individualmente, até que o “resíduo” dissidente, seja sobreposto inapelavelmente.

..."conjunto de conhecimento humano", enquanto eu diria que é a soma das energias irradiadas...

…”conjunto de conhecimento humano”, enquanto eu diria que é a soma das energias irradiadas…

E onde eu quero chegar com esse lero-lero doido varrido todo?

Simples. No ponto onde nem todo mundo que aparenta estar doido, necessariamente está. Nem todo irritado, é uma pessoa raivosa, nem todo banana é necessariamente um banana e por aí vai… as vezes, as pessoas só precisam de uma recarga. De uma energia nova para misturar-se às suas. E, deveríamos poder compartilhar as nossas com todos. Pois, à medida que podemos nos modular em algo mais “ameno”, da mesma forma, a outra pessoa também. Seria uma espécie de escambo energético, onde o impaciente recebe um pouco de calma, à medida que repassa um pouco de ação a alguém atolado no marasmo… e, nesse ínterim, a sensação de bem estar, ou de conforto físico, se espalharia ao ponto onde essa onda de insanidade desse uma boa diminuída, pelo menos…

Não! Nada disso! Eu vou ficar aqui me polarizando com uma toupeira enquanto isso...

Não! Nada disso! Eu vou ficar aqui me polarizando com uma toupeira enquanto isso…

Pois, polarizemo-nos! Misturemos nossas essências às dos outros. Tenhamos a simples troca acessível a todos! Ainda mais que ela é, analisando de outra forma, uma forma de “comércio”, onde todos lucram e ninguém dá o calote… e mesmo que a pessoa seja aquele tipo “vampiro astral”, que apenas suga a energia, chegará o dia em que ela estará tão “contaminada” da energia que ela consome, que, inapelavelmente ela seja tomada por essa energia. Basta que todos saibamos nos descontaminar daquilo que, porventura, tenha vindo “misturado” na troca e que não nos faz bem. Quase como em transfusões de sangue, só que, nesse caso, o filtro é o nosso pensar…

Fico por aqui, porque me deu uma canseira esse post… mas, nada que eu não recarregue ao ver um sorriso ou dois por aí… Abraços!

Bingo!

Bingo!

Valorizar ou valorar

Já escrevi algumas vezes sobre a diferença entre juízos em geral. O de valor é um dos que, fatalmente, acabo recorrendo mais, pois, ao meu ver, cada um tem o seu valor e, baseado nele, faz suas escolhas.

Bem, mas o que isso tem a ver com o proposto no título?

Tem a ver que o “valorizar”, no entendimento de alguns, confunde-se com o “valorar”… vejamos, como sempre, no amansa para clarear as coisas (o de hoje é o Mini Aurélio Digital):

//

va.lo.ri.zar
Verbo transitivo direto.
1.
Dar valor a, ou aumentar o valor de.
2.
Reconhecer as qualidades, os méritos de (pessoa, ação, coisa, etc.).

Verbo pronominal.

3.
Aumentar de valor.
4.
Dar valor a si mesmo. [C.: 1]

§ va.lo.ri.za.do adj.; va.lo.ri.za.dor (ô) adj. sm.
  • “Dar valor a, ou aumentar o valor de…” – isso, para mim, são duas coisas diametralmente diferentes… “reconhecer… méritos”… ok…

//

va.lor (ô)
Substantivo masculino.
1.
V. valentia (1).
2.
Qualidade que faz estimável alguém ou algo; valia.
3.
Importância de determinada coisa; preço, valia.
4.
Legitimidade, validade.
5.
Significado rigoroso de um termo.

*QUALIDADE que faz estimável alguém ou algo”… “importância de determinada coisa; PREÇO, valia”. Ok. Era aí que eu queria chegar… a diferença que reside entre a qualidade que faz algo ou alguém ser estimado, e, o preço… e, daí, eu sempre digo que, enquanto alguns têm preço, outros têm valores…

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E, estimar algo, ou valorizar, é uma coisa que fazemos baseados em nossos valores (morais), comparando-os com nossas projeções ou juízos… então, o que é valorizado para mim, pode não ser para você… seu time ser melhor que o meu, pode lhe parecer algo importante, enquanto, para outros, isso é o menor dos problemas…

Também há os que formam seus “valores” baseados em coisas bem subjetivas… ou, em opiniões alheias… muitos, inclusive, gostam de citar fontes, teses, autores e (o novo rico da terminologia) intelectuais para embasar seus gostos…

Pois nem tudo é relativo nessa vida… há coisas que, simplesmente podemos nos basear sem precisar de ajuda… quem aqui imagina algo do tipo:

– O senhor gostou desse sorvete, senhor?

– Não, achei meio sem gosto… até aguado, eu diria… o sabor do morango é pouco percebido e, além disso, achei sem consistência…

– E o que o senhor diria se soubesse que esse sorvete foi feito pelo Claude Troisgros (ou outro da moda, pois conheço poucos cozinheiros famosos), usando morangos orgânicos de estufas da escandinávia, colhidos por virgens albinas da etiópia, fugitivas de perseguição religiosa, cultivados sem agrotóxicos e adubado com fezes de panda chinês, com leite de cabra manca que seria sacrificada, mas foi salva pelo Greenpeace em uma operação quase militar na Bóznia?

– Bem… veja bem, eu achei o gosto, na verdade, diferente… dá para notar o sofrimento da pobre cabra, e, por isso o azedume inicial… como é perene o sofrimento da cabra e da mãe Terra no sabor, não é mesmo?

Ok. Este é mais um diálogo idiota metido a engraçadinho, mas, que exprime um pouco do momento atual… as pessoas não baseiam-se mais em coisas simples. Aliás, quanto mais rebuscada for a coisa, melhor… não me espantaria uma resposta final, no diálogo acima (imaginando um Maitre e um cliente de restaurante), ser um “foda-se, tá uma merda mesmo assim…”. E, acho que, embora não fosse a mais “politicamente correta” (outro termo que me causa urticária), seria, provavelmente a mais honesta… se baseada no gosto e na impressão inicial do cliente.

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Também temos os casos de frases e citações… onde ouve-se uma frase e, muito além de pensar nela, encontrar o sentido e, independentemente de concordar, discordar ou perceber que foi perda de tempo ter ouvido tamanha bobagem, as pessoas, imediatamente buscam saber quem é o autor, o porquê disse isso e, sua intenção ao tê-lo dito…

Eu mesmo tenho essa inclinação, pois acredito que há interesses revestidos em frases belas, além de que meias verdades podem ser mentiras completas. Desconstruir conceitos e notar que, frases pontuais podem ser encaixadas em contextos, embora, as intenções iniciais não sejam tão nobres quanto as interpretações posteriores…

Bonito, não?!

Bonito, não?!

Assim, podemos montar enormes mentiras, apenas falando verdades… ou, coisas bonitas… conclamando o que há de melhor em matéria de sentimento… e, inclusive, como na frase do “pensador” acima, o amor, respeito e tals…

Vejamos que não venho aqui pregar a desconfiança de tudo e de todos, mas, antes de qualquer outra coisa, eu tenho uma intenção clara: a de tentar fazer com que todos busquemos nossas próprias respostas… sem ficar com o que não entregam “pronto”. Tudo carece do nosso crivo… e eu disse TUDO mesmo!

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Concordar ou não, baseado naquilo que você conhece, que gosta ou mesmo no que você valoriza, pode se caracterizar em uma ilusão, muitas vezes, pois valorizamos coisas diferentes em diferentes estágios da vida…

Houve época em que eu valorizava mulheres bonitas… em outras, mulheres inteligentes… em outras, mulheres tranquilas… já, hoje em dia, valorizo as bem humoradas… e, isso, só para ficar no meu gosto pelo universo feminino…

Assim, o que você valoriza hoje, pode não ser o que valoriza amanhã… sendo assim, também é prudente rever tudo aquilo que você “julgou”, baseado em seus gostos da época… se eles não mudaram também…

É claro, sem se esquecer do que é mais importante para a composição desse julgamento… afinal, sorvete de morango é ruim ou não, independente de quem o tenha feito… assim como aquela mulher pode te parecer mais ou menos bonita de acordo com o seu estado etílico… (quem aqui, né amigo?!)

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