Fé, fanatismo e submissão…

Os tempos atuais requerem, de fato, muita reflexão para que se aprenda a diferenciar as nuances de cada coisa. Fator fundamental, ao meu ver, para conseguir sair de uma enrascada ou atolar-se nela até o pescoço.

Vejamos. É notório que a fé e o fanatismo são separados por uma linha muito tênue… e, já dizia um ex-professor de filosofia meu (que graças a Deus não era exclusivo da esquerda): “é o que diferencia os que oram e acreditam, dos que amarram-se a cintos-bomba e explodem-se…”.

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Mas, eu diria que há um outro elemento que une uma coisa e outra. A submissão. A voluntária ou a involuntária. Podemos ser submissos, por exemplo, apenas sendo omissos (rimando e tudo).

Ok. Já sabemos que vem enrosco aí… e, portanto, vamos, como de praxe, ao amansa-burro primeiramente:


s. f. 1. Crença, crédito; convicção da existência de algum fato ou de veracidade de alguma asserção. 2. Crença nas doutrinas da religião cristã. 4. A primeira das três virtudes teologais. 5. Fidelidade a compromissos e promessas; confiança. 6. Confirmação, prova.

fa.na.tis.mo
s. m. 1. Excessivo zelo religioso. 2. Dedicação excessiva; paixão. 3. Adesão cega a uma doutrina ou sistema.

fa.ná.ti.co
adj. e s. m. 1. Que, ou o que se julga inspirado por Deus. 2. Que, ou o que se apaixona demasiadamente por uma causa ou pessoa.

sub.mis.são
s. f. 1. Ato ou efeito de submeter(-se); obediência, sujeição. 2. Disposição para aceitar um estado de dependência. 3. Estado de rebaixamento servil; subserviência.

sub.mis.so
adj. 1. Que denota submissão. 2. Que está em posição inferior. 3. Humilde, suplicante. 4. Dócil, respeitoso.

sub.ser.vi.en.te
adj. m. e f. 1. Que serve às ordens de outrem servilmente. 2. Muito condescendente.

ser.vil
adj. m. e f. 1. Relativo a servo. 2. Baixo, ignóbil, torpe, vil. 3. Subserviente, bajulador, sabujo. 4. Que segue rigorosamente um modelo ou original.

o.mis.so
adj. 1. Em que há falta ou esquecimento. 2. Descuidado, negligente.

Ok! Acho que já chega… o nosso querido amansa nos brinda com alguns links que podemos fazer, para entender o contexto de onde eu quero chegar.

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Pois, creio eu, que há oceanos de diferença entre uma coisa e outra. A fé, em si mesma, é algo bom, pois nutre a esperança de que algo melhor, ao menos, nos aguarda. Ela permite mudança. A fé no sentido de crer em algo bom e melhor. Não necessariamente o do sistema teológico em si. Mas, ainda assim, há os que dentro desse mesmo sistema, possam variar entre a fé e o fanatismo. Não só o sistema teológico. O sistema político, o sistema financeiro, ideológico, filosófico, administrativo, etc… afinal, a teoria dos sistemas nos diz que podemos analisar tudo de forma interdisciplinar…

 

A ‘teoria de sistemas estuda, de modo interdisciplinar, a organização abstrata de fenômenos, independente de sua formação e configuração presente. Investiga todos os princípios comuns a todas as entidades complexas, e modelos que podem ser utilizados para a sua descrição.

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Portanto, invoco a teoria dos sistemas (A la Yu-Gi-Oh) para que façamos as devidas correlações entre os diversos sistemas que nos rodeiam e o que cada um deles interfere em nosso dia-a-dia.

Vejamos que o fanatismo e a submissão são relacionados diretamente com o tratado social. Enquanto alguns “especialistas” de causas, ou fanáticos, no bom português, alardeiam as regras e não admitem que pessoas tentem sair delas, há os que, igualmente, submetem-se a tais regras de forma servil. De forma omissa.

Dependendo do que chamamos de "bem" e "mal"...

Dependendo do que chamamos de “bem” e “mal”…

Para os que creem nos sistemas religiosos, podemos, inclusive, dizer que omissões são pecados, ou faltas que cometemos. Lembro ainda, entre um cochilo e outro nas missas em que frequentei, do ato de contrição, onde todos repetíamos:

Confesso a Deus Todo-Poderoso
e a vós, irmãos(a)
que pequei muitas vezes
por pensamentos, palavras,
atos e omissões,
por minha culpa,
minha tão grande culpa.
E peço à Virgem Maria,
aos anjos e santos
e a vós, irmãos,
que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.

E que seu coração seja o meu caminho por toda a minha vida

Amem.

Inclusive grandes cagadas...

Inclusive grandes cagadas…

Tá bem, todos fazemos merda coisas que nos arrependemos na vida, mas, ao meu ver, erros constroem acertos futuros. Não no caso da omissão.  Ela não nos ensina nada. Ela apenas posterga alguma coisa. Embora, também, sob outro prisma, possamos pensar que omitir-se é um ato em si. É uma escolha de não fazer. Portanto, é nossa responsabilidade igualmente. O que, não considero culpa. Considero consequência.

Seguindo: a omissão e a submissão, por outro lado, têm seus pontos de convergência à medida em que delegamos a outros nossas escolhas. Sendo-lhes obedientes, ou, abstendo-nos de nossas vontades em pró de outras. Assim, seja lá por qual motivo seja, sendo obediente e servil à fanáticos, estamos automaticamente reforçando seus sistemas e suas retroalimentações.

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O momento atual, ao meu ver, é todo explicado sobre essa ótica de fé x fanatismo x submissão/omissão. E, com os devidos links, notamos que muitas pessoas de fé, acabam-se vendo enredados em contextos complexos e rígidos, para que, dentro de suas ideias de fé e crença, tenham que obedecer a sistemas fechados, que as restringem de expandir suas mentes para o aprimoramento de tais sistemas. Afinal, na mente dos fanáticos, qualquer mudança ao sistema é heresia, e, portanto, digna de punição. E por aí, muito do atraso do mundo se explica também (tudo, obviamente, na minha ótica e análise).

Vejamos em um cenário mundial. Notemos que forças binárias e antagônicas digladiam-se eternamente, fazendo com que necessariamente escolha-se um time ou outro, sendo que uma escolha, automaticamente, exclui a outra. E, sob a ótica de cada sistema, os prós e contras para quem não os seguem à risca os preceitos, são aterradores.

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Notemos as nuances de cada sistema. O que nos oferece de bom. O que nos ameaça como punição por descumprimento de regras e normas. O que nos engessa o pensar. E, sobretudo, pensemos, como a sociedade só evoluiu quando algum engraçadinho ousou não obedecê-los. É claro, que nem sempre com ganhos reais. Afinal, como já disse inúmeras vezes, as nuances são embaçadas e difíceis de enxergar a olho nu.

O que fazer então?

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Eu, como de costume, não dou receitas prontas. Pois não acredito mais em saídas mágicas. Acredito em construção de resultados. E, sendo assim, poderia dizer que apenas conhecendo cada nuance é que poderemos identificá-las. E, após a identificação, poder entender o que nos é proposto. Qual nosso ganho… e, sobretudo, a qual custo…

Escrevo esse pensamento à medida que vejo muita gente boa, bem intencionada, sendo engolida por esses sistemas que vendem benesses, que se autoproclamam bons e fundam assim “clubes” de gente do bem. Quando, na verdade, são vertentes de um plano dual e maniqueísta, onde o “bem” e o “mal”, obedecem a um mesmo senhor. Apenas, o “mal” exercendo um papel tão assustador, que faz com que todos aceitem o “bem”, independente do quão esse “bem” não seja lá essas coisas… mesmo que ele seja cheio de regras cerceantes, de ações ignóbeis e de obediência servil. De submissão.

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Certamente há quem goste de submissão. Que sinta, inclusive, prazer com ela… mas, aí entraremos na seara sexual-sadomasoquista, e, apesar de eu ter lá meus fetiches, não é lá bem a minha praia…

Ok... não é lá de todo ruim...

Ok… não é lá de todo ruim…

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Esperança cansa…

O ditado popular diz que “quem espera sempre alcança”… mas, já vi por aí que o pessoal alterou para “quem espera sempre cansa”…

Creio eu que a espera por algo melhor, ou, a esperança, é o que nos traz as boas energias de que algo bom virá e blablablablablablabla… será mesmo?

Vamos aos trabalhos… e, é claro, começando pelo nosso amigo, o amansa-burro:

es.pe.ran.ça
s. f. 1. Ato de esperar. 2. Expectativa na aquisição de um bem que se deseja. 3. A segunda das três virtudes teologais. 4. Entom. Inseto tetigonióide, de cor verde.

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Ok, ato de esperar…

es.pe.ra
s. f. 1. Ato de esperar. 2. Esperança. 3. Demora, dilatação. 4. Adiamento. 5. Lugar onde se espera alguém ou a caça. 6. Cilada, emboscada. 7. Espigão ou pequena peça para limitar ou impedir o movimento de outra. 8. Peça da bainha de faca ou de facão, destinada a firmá-la sob o cinto.

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Demora, adiamento, cilada, emboscada…

Acho que me fiz entender, não?!

Renato Russo dizia que quem acredita sempre alcança… e é claro que o sol vai voltar amanhã. Acreditar e esperança não são a mesma coisa. Apesar de que, na parte teológica, tenham lá alguma conexão, mas, mais pela resignação, que embasa a tese da evolução pelo sofrimento:

re.sig.nar
v. 1. Tr. dir. Demitir-se voluntariamente de; renunciar a. 2. Tr. dir. Desistir de um benefício ou cargo em favor de outrem. 3. Pron. Ter resignação; conformar-se; estar animoso no sofrimento.

Conformar… esperar… esperança…

Já falei sobre isso em outro post, mas, vale voltar a pincelar sobre, pois trata-se de um termo que pode nos remeter à algo, mas que, na verdade, nos impele a praticar coisas diferentes.

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Ok, dirão que eu estou de implicância com terminologias. E estou mesmo, afinal vivemos em um mundo onde termos são censurados e usados para segregar (ainda mais) pessoas.

A esperança que pregam, da forma como vejo, é apenas o ato de esperar. Pintam-na como algo positivo, que traz boas emanações e, sobretudo, vincula-se à fé.

Sabemos também, que a fé é um dos modos em que se controlam atitudes…

Pois é, chegamos ao ponto central da questão: Esperança e fé…

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s. f. 1. Crença, crédito; convicção da existência de algum fato ou de veracidade de alguma asserção. 2. Crença nas doutrinas da religião cristã. 4. A primeira das três virtudes teologais. 5. Fidelidade a compromissos e promessas; confiança. 6. Confirmação, prova.

…fidelidade à compromissos e promessas… confiança.

Por um exercício de lógica linear, ou silogismo, podemos chegar ao ponto onde ter fé é ter a capacidade de esperar, mas, no próprio conceito de fé, pelo amansa, também podemos ver que nela reside uma CONFIRMAÇÃO, uma PROVA.

É óbvio que utilizo essas palavras-chave de cada termo para ver que são controversos em si mesmos, e, portanto, devemos ter cuidado com suas aplicações.

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Temos sistemas de crenças, e não necessariamente religiosas, que nos remetem à termos esperança, a termos fé, e, ainda assim, nos exigem que façamos por nós mesmos…

Como?

Por exemplo, temos um programa social, o Criança Esperança, que, por um lado nos diz para “fazermos nossa parte” em trazer esperança à uma criança, mas, desviam-nos o foco de que muitos já fazem, ALÉM da sua parte, a parte que caberia ao governo fazer.

E, mais controverso ainda, é saber que esse mesmo governo nos pede confiança e esperança num futuro melhor, enquanto nos levam à depositar nossos votos cegamente em urnas eletrônicas, sabidamente, fraudáveis.

...ter um amigooooo, na vida é tão bom teeeer amigooooos... a gente precisa de amigos do peito, amigos de féééé, amigos irmãos, iguais a eu e você, AAAAAAMIGOOOOOOOS...

…ter um amigooooo, na vida é tão bom teeeer amigooooos… a gente precisa de amigos do peito, amigos de féééé, amigos irmãos, iguais a eu e você, AAAAAAMIGOOOOOOOS…

A esperança, amigos, não é sinônimo – DE FORMA ALGUMA – de abestalhamento social. Em certos momentos não dá para ter esperança, ou seja, não dá para esperar. Não dá para confiar, e, muito menos ter fé em sistemas caducos e falidos.

Ah, mas a fé remove montanhas… não, ela não remove montanhas… a AÇÃO do tempo as remove… terremotos, erupções vulcânicas… retroescavadeiras, dinamites…

Vejam bem que não estou aqui pregando a descrença geral. E, muito menos que se deixe de lado o exercício de pensamento positivista. Eu apenas prego que deixemos de ser bobos-alegres quando o momento exige mais AÇÃO e menos ESPERA…

...vem vamos embora, que esperar não é saber...

…vem vamos embora, que esperar não é saber…

Quem acredita sempre alcança… quem desloca tem preferência… e quem não dá assistência, perde a concorrência…

Esperar, meus amigos, é nada mais, nada menos do que postergar simplesmente… a menos que você esteja utilizando este tempo para traçar estratégias de ação…

Esperança??? É claro, desde que você saiba bem pelo que quer esperar…

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