A instrumentalização da bondade

Noto que muita gente boa, por vezes, acaba refém de algo, alguém ou alguma causa, justamente por ser boa…

Enrolada a formulação, né? Claro… é complicado para mim, sequer, formular a linha de raciocínio para tentar explicar…

Vamos tentar…

Pessoas notadamente boas, com boas intenções, essências boas, veem-se presas em causas, filosofias ou ideologias…

Tentando exemplificar: pessoas tendem a aceitar um estereótipo de uma figura “boa”, ou “elevada espiritualmente”, ou, seja lá qual for a ideia que ela quer passar de si, aos outros…

Putz, segue enrolado…

Ok, vamos tentar por partes…

Para iniciar, o bom e velho amansa-burro:

Estereótipo:

Estereótipo são generalizações que as pessoas fazem sobre comportamentos ou características de outros. Estereótipo significa impressão sólida, e pode ser sobre a aparência, roupas, comportamento, cultura etc.

Então, por exemplo, quem aqui não viu aquela pessoa que quer passar a imagem de “elevada espiritual”, com roupas hippies, falando manso e arrastado, como se estivesse chapado (ou de fato estando), falando das fraternidades brancas, amarelas, verdes com petit-pois rosa…

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Pois é… da mesma forma, aquela pessoa que hoje quer salvar o mundo, vê-se sendo obrigada a andar de bicicleta, ser vegetariana, socialista, feminista e uma série de outros ‘istas’…

Sim, muitos de nós já devem ter visto…

Mas, cá entre nós, não precisa de nada disso para ser uma pessoa boa. Essa composição de estereótipos pode ser desde uma jogada de marketing pessoal, como também apenas uma bobagem tentativa de expressar de forma externa, seu interior…

Vá lá… seja qual o motivo for, a verdade é que não precisa nada disso para ser bom… para fazer o bem…

Você não precisa estar vinculado a uma religião, a um partido, a um coletivo, a um grupo social ou seja lá o que for… você apenas precisa SER BOM. Ponto. Agir de forma boa diariamente.

Assim, indo mais além, essa estereotipagem, pode ser apenas mais um blefe do que realmente ser algo produtivo, ou mesmo, que faça alguma diferença.

Certamente aos incautos, que deixam-se levar por aparências, ou delegam o pensar, como costumo dizer, o impacto é fundamental para induzir a pessoa a achar o que o outro quiser…

Claro que, se a premissa de que uma pessoa vestindo roupas extremamente sexys, não necessariamente é uma profissional do sexo, da mesma forma dá pra concluir que algum cabeludo em vestes desleixadas, com pentagramas tatuados e símbolos esotéricos em pendentes e acessórios, necessariamente, é um ser “elevado”…

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– E o que nós temos a ver com isso? – certamente vocês devem estar perguntando-se…

Bem, na verdade eu me importo com isso porque ver pessoas caindo em engodos me incomoda muito. Ainda mais as de boa-fé…

Vejo gente boa abraçando causas estapafúrdias apenas para justificar suas bondades. Acabam sendo instrumentalizadas por essas causas, que as tolhem, as “corrigem” e as enquadram em seus sistemas para que essas possam pertencem ao clubinho…

DANEM-SE OS CLUBINHOS!!! – eu digo.

Não, eu sou declaradamente um POLITICAMENTECORRETOFÓBICO!!!

Não, eu sou declaradamente um POLITICAMENTECORRETOFÓBICO!!!

Para mim, se você é uma boa pessoa, não me interessa se você é ateu, católico, umbandista, branco, negro, cafuzo ou mameluco, hétero, gay ou se curte orgias com coalas em plena selva australiana… tampouco se pertence à direita, esquerda ou fique em cima ou embaixo do muro… estou cagando pouco me importando se você vê gnomos, alienígenas ou elefantes cor-de-rosa quando toma chá alucinógenos ou mesmo fuma erva-mate em cuia de chimarrão…

O que eu realmente me importo é que pessoas sejam livres para escolherem seus caminhos. Em seus próprios termos. Com suas próprias características… que cada um vista-se como quiser, leia o que quiser, reze para quem quiser, ou para ninguém, que se alimente do que bem entender e, sobretudo, que mantenha a SUA PRÓPRIA LINHA DE PENSAMENTO. APENAS A SUA!

Como já disse inúmeras vezes, se é que eu tenho alguma missão com esse blog e o que eu falo e encho o saco aconselho os outros com que falo, é a de gerar livres-pensadores. E não mais os propagandistas ou fiéis de causas prontas.

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O livre pensar, de cada um, obviamente é um sistema que constrói-se diariamente, e, é claro, pode se utilizar de filosofias e pensamentos de outros. Mas, sem que fique-se preso a tais filosofias. Que tenhamos a vontade de avançar e a transcender esses pensamentos. Incluindo nossos próprios. Agregando coisas. Valendo-se deles para que multipliquemos ideias, ideais…

Portanto, gostaria de pedir a todos que pensam parecido, que deixem de ser apenas expectadores e que juntem-se ao levante de pessoas que simplesmente cansaram de observar os demais se debater…

Não, eram pessoas que começavam a despertar para uma coisa. Sem ainda terem a visão do todo. Escravidão era válida pela lei, mas, a bondade já era latente...

Não, eram pessoas que começavam a despertar para uma coisa. Sem ainda terem a visão do todo. Escravidão era válida pela lei, mas, a bondade já era latente…

 

E, para tal, você não precisa ser nenhum ‘mestre ascenso’, ‘coaching’, ‘líder-religioso’ ou qualquer outro ‘título’ que possa ser um ‘carteiraço’ nas fuças dos incrédulos… você precisa apenas ter a boa vontade em compartilhar com os outros. Compartilhar pensamentos, ideias, maneiras de fazer as coisas, contar suas histórias e como você atravessou períodos difíceis… para inspirar ou mesmo consolar quem passa por períodos semelhantes. Nunca, ao MEU VER, de forma proselitista, pregadora… como se você estivesse num púlpito em nível mais elevado, falando para baixo, aos que lá estão. Faça isso olho no olho, afinal, somos todos iguais. Mesmo que estejamos em estágios de experiências diferentes. E, mesmo aquela pessoa que você jura de pés juntos que você está ajudando, pareça não ter nada a lhe oferecer de volta, simplesmente continue. Pois o ganho disso não se dá na troca direta, mas sim, na reação em cadeia. Ou, quanto mais pessoas com a mente livre, felizes e com energias em frequências altas tivermos ao nosso redor, melhor nos sentiremos. E isso não é dogma de nada… é simplesmente física. Sim, física cartesiana… aumente a frequência boa e a frequência ruim não será capaz de te bagunçar a sintonia… matemática pura…

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Assim, físicos-ateus ou missionários-religiosos encontram um ponto de consonância, à media que não servirão mais a ‘senhores’ ou ao ‘grande vácuo de matéria-escura’… apenas servirão a si mesmos, implantando um ambiente de alta vibração em torno de si… uma troca quase alquímica, para que através dos fatores externos, seu interior vire ouro… essa é a pedra filosofal, no meu entender… mental e energética…

Ah, e os alquimistas não precisam mais usar hobbies com capuzes…

Pô, essa capa é mó style, merrmão...

Pô, essa capa é mó style, merrmão…

Mais heróis e menos mártires…

O martírio é o estágio supremo de um ser em matéria de sofrimento, embora um mártir é uma pessoa altruísta a ponto de passar por esse sofrimento supremo em nome de alguma causa ou de alguém.

Para não perder o costume:

Uma pessoa que se sacrifica por uma crença, por uma fé, ou por outra pessoa.
Do Lat. martyriu < Gr. martýrion, testemunho

s. m., sofrimento ou suplício de mártir;
grande sofrimento;
aflição;
Bot., planta passiflórea, flor-da-paixão.

Em se tratando de mártires, imediatamente lembramos da figura de Cristo, que, em nome da fé, passou pela crueldade humana até o fim trágico. Não entrarei no mérito da parte de “salvar-nos do pecado”, pois acredito que cada um deve arcar com seus próprios atos, mesmo tendo um exemplo supremo como o do mártir da cristandade.

A intenção neste texto é de atentar para o fato de que todos admiramos mártires, pois são pessoas elevadas ao ponto de morrerem por uma causa ou por alguém.

No dia de ontem, do trágico incêndio em Santa Maria, que comoveu o mundo todo, tivemos alguns exemplos de heróis e de mártires.

Heróis que auxiliaram pessoas na tentativa de salvar ou atenuar seus sofrimentos, mesmo em detrimento de seu bem estar…

he.rói
Substantivo masculino.
1.Homem extraordinário pelos feitos guerreiros, valor ou magnanimidade.
2.Protagonista de obra literária.

Não, caro Aurélio, os heróis de ontem não protagonizaram uma obra literária, embora merecessem fazer parte de uma.

E, além destes heróis, magnânimos, tivemos mártires, que, com a mesma atitude heróica, sucumbiram frente à situação. Ouvia hoje de um rapaz que tirou umas 14 pessoas antes de não voltar mais. Um herói martirizado.

Além de prestar aqui todo o meu respeito à essas pessoas, tento, dentro do possível, analisar a situação toda em um nível mais macro.

Vimos exemplos no dia de ontem. Exemplos como há muito não víamos. Gente solidária, altruísta, heróica, desprendida de preconceitos ou quaisquer outros itens limitadores para, “simplesmente”, servirem aos que necessitavam.

Sim, a catástrofe, infelizmente, tem o poder de unir. E é aí o ponto central de tudo.

Por que necessitamos de catástrofes para agirmos de forma exemplar?

Podemos agir de forma heróica todos os dias. E sem necessidade de ser em situações tão arriscadas e catastróficas como a de Santa Maria. Aliás, podemos agir de forma heróica para, justamente evitar que existam catástrofes dessa magnitude novamente.

Como?

Nos importando com nossos semelhantes SEMPRE, como fizemos ontem.

Que tenhamos consciência de que todos os dias podemos salvar alguém, em vários níveis, e sem necessidade de chocarmo-nos com cenas dantescas como as apresentadas.

Sim, eu chorei vendo televisão ontem e ainda hoje. Com tantas matérias que ressaltam o sofrimento de quem foi e o pesadelo dos que ficaram e perderam seus entes queridos.

Colocar-se na pele do outro. Tentar imaginar o que se passa com ele, tentar mensurar seu sofrimento e, quem sabe, tentar algo que amenize. Atos heróicos, pouco valorizados no mundo atual.

Dizem que o melhor estrategista não é aquele que vence a guerra, mas, o que evita que ela se inicie. Frase simbólica para mim, afinal, pretendo um dia, viver em um mundo que não mais precise chocar as pessoas para atentá-las ao fato de que devemos nos importar com nossos semelhantes, independente de quem sejam.

Morte de jovens dói sim. Morte de crianças, de adultos, de idosos, animais… A morte de forma estúpida e abreviada nos inconforma e nos deixa um sentimento de como breve pode ser nossa passagem por aqui. Não sabemos como e até quando viveremos, mas, podemos sim sermos pessoas que agem como agiram todos em Santa Maria ontem.

Não creio que existam mortes “lindas”, como tentam glamourizar, mas, se eu morresse como o rapaz de ontem, salvando 14 pessoas, tal qual um outro garoto numa tragédia com um ônibus escolar nesse nosso mesmo RS, morreu afogado depois de salvar outros 10 colegas, e, tantos outros que não recordo, poderia dizer que morreria com a sensação de dever cumprido.

Não é como morrer, mas sim pelo que morrer. Não em guerras estúpidas por disputas de territórios ou por fins comerciais, como vemos hoje em dia. Essa, para mim, é a lição deixada por Jesus (embora eu não pretenda que este post tenha cunho dogmático, apenas atentando para o exemplo): a de fazer o que é certo, mesmo que isso nos custe a vida. É claro, poucos tem a capacidade de chegar a esse ponto de elevação, mas, ainda assim temos vários exemplos de como pessoas fizeram isso de fato.

Ainda penso no dia em que exaltaremos heróis que não precisaram morrer para levar suas causas adiante. Heróis que não precisaram do martírio para poder chocar o resto do mundo à ponto de fazê-los repensar suas atitudes. Que um dia, nosso nível de ignorância se extinga e apenas deixemos nossos heróis cumprirem suas missões em paz.

Não preciso elencar muitos destes mártires aqui para saber que nossa humanidade matou a maioria dos que tentaram levar nossos níveis de consciência além. E, em suas mortes estúpidas, geraram revoltas, questionamentos e uma mudança em cada um que sentiu a dor da perda. Dizem que nesse ato supremo é que se consolidam as mudanças sutis de consciência.

Mas por que temos que sofrer para mudar? Por que temos que presenciar estas mortes para nos darmos conta da necessidade de mudança para que deixem de ocorrer?

Quem sabe não passamos a nos questionar frequentemente este tipo de coisa?

Se você necessita realmente de uma imagem tocante para tal, vá em frente, o mundo está cheio delas. Mas, eu, me fazendo esse mesmo questionamento, prefiro ver sorrisos de pessoas que não mais passam por situações horríveis para me inspirar.

Não creio que imediatamente se dará essa mudança, mas, simplesmente, um pouco melhor de cada vez, pode-se ir longe. Inspiremo-nos nos heróis e mártires de ontem, rezando e AGINDO para que não necessitemos deles para despertar tudo o que há de bom em nós. Apenas nossa vontade para tal.

Esse comercial da Coca-Cola, independente de tentar vender um produto, vende uma ideia que é justamente a mesma que tento difundir aqui…

Uma homenagem a todos os heróis da vida real, mesmo que sejam os de ações simples.