Fé, fanatismo e submissão…

Os tempos atuais requerem, de fato, muita reflexão para que se aprenda a diferenciar as nuances de cada coisa. Fator fundamental, ao meu ver, para conseguir sair de uma enrascada ou atolar-se nela até o pescoço.

Vejamos. É notório que a fé e o fanatismo são separados por uma linha muito tênue… e, já dizia um ex-professor de filosofia meu (que graças a Deus não era exclusivo da esquerda): “é o que diferencia os que oram e acreditam, dos que amarram-se a cintos-bomba e explodem-se…”.

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Mas, eu diria que há um outro elemento que une uma coisa e outra. A submissão. A voluntária ou a involuntária. Podemos ser submissos, por exemplo, apenas sendo omissos (rimando e tudo).

Ok. Já sabemos que vem enrosco aí… e, portanto, vamos, como de praxe, ao amansa-burro primeiramente:


s. f. 1. Crença, crédito; convicção da existência de algum fato ou de veracidade de alguma asserção. 2. Crença nas doutrinas da religião cristã. 4. A primeira das três virtudes teologais. 5. Fidelidade a compromissos e promessas; confiança. 6. Confirmação, prova.

fa.na.tis.mo
s. m. 1. Excessivo zelo religioso. 2. Dedicação excessiva; paixão. 3. Adesão cega a uma doutrina ou sistema.

fa.ná.ti.co
adj. e s. m. 1. Que, ou o que se julga inspirado por Deus. 2. Que, ou o que se apaixona demasiadamente por uma causa ou pessoa.

sub.mis.são
s. f. 1. Ato ou efeito de submeter(-se); obediência, sujeição. 2. Disposição para aceitar um estado de dependência. 3. Estado de rebaixamento servil; subserviência.

sub.mis.so
adj. 1. Que denota submissão. 2. Que está em posição inferior. 3. Humilde, suplicante. 4. Dócil, respeitoso.

sub.ser.vi.en.te
adj. m. e f. 1. Que serve às ordens de outrem servilmente. 2. Muito condescendente.

ser.vil
adj. m. e f. 1. Relativo a servo. 2. Baixo, ignóbil, torpe, vil. 3. Subserviente, bajulador, sabujo. 4. Que segue rigorosamente um modelo ou original.

o.mis.so
adj. 1. Em que há falta ou esquecimento. 2. Descuidado, negligente.

Ok! Acho que já chega… o nosso querido amansa nos brinda com alguns links que podemos fazer, para entender o contexto de onde eu quero chegar.

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Pois, creio eu, que há oceanos de diferença entre uma coisa e outra. A fé, em si mesma, é algo bom, pois nutre a esperança de que algo melhor, ao menos, nos aguarda. Ela permite mudança. A fé no sentido de crer em algo bom e melhor. Não necessariamente o do sistema teológico em si. Mas, ainda assim, há os que dentro desse mesmo sistema, possam variar entre a fé e o fanatismo. Não só o sistema teológico. O sistema político, o sistema financeiro, ideológico, filosófico, administrativo, etc… afinal, a teoria dos sistemas nos diz que podemos analisar tudo de forma interdisciplinar…

 

A ‘teoria de sistemas estuda, de modo interdisciplinar, a organização abstrata de fenômenos, independente de sua formação e configuração presente. Investiga todos os princípios comuns a todas as entidades complexas, e modelos que podem ser utilizados para a sua descrição.

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Portanto, invoco a teoria dos sistemas (A la Yu-Gi-Oh) para que façamos as devidas correlações entre os diversos sistemas que nos rodeiam e o que cada um deles interfere em nosso dia-a-dia.

Vejamos que o fanatismo e a submissão são relacionados diretamente com o tratado social. Enquanto alguns “especialistas” de causas, ou fanáticos, no bom português, alardeiam as regras e não admitem que pessoas tentem sair delas, há os que, igualmente, submetem-se a tais regras de forma servil. De forma omissa.

Dependendo do que chamamos de "bem" e "mal"...

Dependendo do que chamamos de “bem” e “mal”…

Para os que creem nos sistemas religiosos, podemos, inclusive, dizer que omissões são pecados, ou faltas que cometemos. Lembro ainda, entre um cochilo e outro nas missas em que frequentei, do ato de contrição, onde todos repetíamos:

Confesso a Deus Todo-Poderoso
e a vós, irmãos(a)
que pequei muitas vezes
por pensamentos, palavras,
atos e omissões,
por minha culpa,
minha tão grande culpa.
E peço à Virgem Maria,
aos anjos e santos
e a vós, irmãos,
que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.

E que seu coração seja o meu caminho por toda a minha vida

Amem.

Inclusive grandes cagadas...

Inclusive grandes cagadas…

Tá bem, todos fazemos merda coisas que nos arrependemos na vida, mas, ao meu ver, erros constroem acertos futuros. Não no caso da omissão.  Ela não nos ensina nada. Ela apenas posterga alguma coisa. Embora, também, sob outro prisma, possamos pensar que omitir-se é um ato em si. É uma escolha de não fazer. Portanto, é nossa responsabilidade igualmente. O que, não considero culpa. Considero consequência.

Seguindo: a omissão e a submissão, por outro lado, têm seus pontos de convergência à medida em que delegamos a outros nossas escolhas. Sendo-lhes obedientes, ou, abstendo-nos de nossas vontades em pró de outras. Assim, seja lá por qual motivo seja, sendo obediente e servil à fanáticos, estamos automaticamente reforçando seus sistemas e suas retroalimentações.

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O momento atual, ao meu ver, é todo explicado sobre essa ótica de fé x fanatismo x submissão/omissão. E, com os devidos links, notamos que muitas pessoas de fé, acabam-se vendo enredados em contextos complexos e rígidos, para que, dentro de suas ideias de fé e crença, tenham que obedecer a sistemas fechados, que as restringem de expandir suas mentes para o aprimoramento de tais sistemas. Afinal, na mente dos fanáticos, qualquer mudança ao sistema é heresia, e, portanto, digna de punição. E por aí, muito do atraso do mundo se explica também (tudo, obviamente, na minha ótica e análise).

Vejamos em um cenário mundial. Notemos que forças binárias e antagônicas digladiam-se eternamente, fazendo com que necessariamente escolha-se um time ou outro, sendo que uma escolha, automaticamente, exclui a outra. E, sob a ótica de cada sistema, os prós e contras para quem não os seguem à risca os preceitos, são aterradores.

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Notemos as nuances de cada sistema. O que nos oferece de bom. O que nos ameaça como punição por descumprimento de regras e normas. O que nos engessa o pensar. E, sobretudo, pensemos, como a sociedade só evoluiu quando algum engraçadinho ousou não obedecê-los. É claro, que nem sempre com ganhos reais. Afinal, como já disse inúmeras vezes, as nuances são embaçadas e difíceis de enxergar a olho nu.

O que fazer então?

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Eu, como de costume, não dou receitas prontas. Pois não acredito mais em saídas mágicas. Acredito em construção de resultados. E, sendo assim, poderia dizer que apenas conhecendo cada nuance é que poderemos identificá-las. E, após a identificação, poder entender o que nos é proposto. Qual nosso ganho… e, sobretudo, a qual custo…

Escrevo esse pensamento à medida que vejo muita gente boa, bem intencionada, sendo engolida por esses sistemas que vendem benesses, que se autoproclamam bons e fundam assim “clubes” de gente do bem. Quando, na verdade, são vertentes de um plano dual e maniqueísta, onde o “bem” e o “mal”, obedecem a um mesmo senhor. Apenas, o “mal” exercendo um papel tão assustador, que faz com que todos aceitem o “bem”, independente do quão esse “bem” não seja lá essas coisas… mesmo que ele seja cheio de regras cerceantes, de ações ignóbeis e de obediência servil. De submissão.

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Certamente há quem goste de submissão. Que sinta, inclusive, prazer com ela… mas, aí entraremos na seara sexual-sadomasoquista, e, apesar de eu ter lá meus fetiches, não é lá bem a minha praia…

Ok... não é lá de todo ruim...

Ok… não é lá de todo ruim…

Reação ou ação repetida?

Tenho obviamente acompanhado todas as discussões dualistas que estamos tendo no país e no mundo. A retomada da guerra fria, comunistas x capitalistas (como se fossem realmente antagônicos entre si, ou polaridades opostas. Não são.), coxinhas x mortadelas, tucanos x petralhas, etc, etc, etc… e, dentre elas, me deparei inúmeras vezes com o “xingamento” “reaça”.

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O tal “reaça”, obviamente, vem de “reacionário”, ou seja… bem, não vou sair lascando… vamos, primeiramente, ao amansa-burro, como de costume:

re.a.ci.o.ná.rio
adj. Relativo ao partido da reação, acep. 7. 2. Contrário à liberdade individual e coletiva. S. m. Indivíduo reacionário.

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Notemos que é relativo (e não relativismo) ao partido da reação. Mas, o nosso Michaelis inseriu o conceito de contrário à liberdade… será mesmo? Vamos lá…

re.a.ção
s. f. 1. Ato ou efeito de reagir. 2. Ação que resiste ou se opõe a outra; resistência. 3. Fís. Ação reflexa ou resistência que um corpo opõe pela sua inércia a outro que sobre ele atua, ou a uma forma que o solicita. 4. Fisiol. Ação orgânica resultante do emprego de um estimulante. 5. Psicol. Resposta a um estímulo qualquer. 6. Quím. Processo pelo qual, da ação recíproca entre duas ou mais substâncias, se forma outra ou outras, de características diferentes. 7. Polít. Sistema político contrário à liberdade; absolutismo.

Ação… resiste… inércia… resposta… Ok…

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Acho que dá para iniciar um esboço a partir daí… reagir a uma coisa, ao meu ver, é a base do pensamento. Ação x Reação… 3ª lei de Newton… ou, se preferirem, Lei da “Causa e Efeito”…

Ressalto um trecho extraído do link do site “infoescola.com”:

Em casos de troca de forças é indiferente saber qual corpo realizou a ação e qual realizou a reação, pois as forças sempre estarão aos pares, quando existe uma ação sendo realizado sempre haverá uma reação. Que é o equivalente a dizer que não existe uma ação sem reação.

Pois bem, tanto no sentido físico, quanto no esotérico/espiritualista, podemos dizer que ações e reações são parte de sistemas maiores. Desde a criação de matéria, até mesmo ao de evolução do pensar.

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Pois é aí que eu quero me adentrar mais um pouco.

Notemos que o jogo todo se desenha sobre uma discussão sobre quem é que fez a ação e quem é que reagiu a ela… como crianças pequenas que, ao serem repreendidas, soltam o clássico “FOI ELE QUEM COMEÇOU!”.

Pois, a lei de Newton, com a citação acima, nos dão a resposta que é indiferente. Uma é ligada a outra e ambas são sinérgicas em um processo maior. Chame-o do que quiser, sobre a ótica que quiser, mas, essa lei, ao meu ver, é uma das poucas que encontra eco no universo todo. Ação e reação. Causa e efeito. Escolhas e consequências.

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Enfim, notemos que o agir ou reagir, está inserido em um contexto… e, então, resta fazer a pergunta a todos nós: QUAL CONTEXTO?

Pois é nesse contexto que poderemos basear a trajetória e tentar prever o resultado. Se ele será benéfico ou será um desastre completo. Não acham que faz diferença? Para mim, faz toda… explico:

Quando uma empresa está operando em sua produção, de forma deficitária, a primeira medida do controller é suspender a produção. Afinal, quanto mais se produzir de forma deficitária, maior será o rombo.

Ou seja, agir é uma coisa, mas, identificar o tipo de ação é primordial. Afinal, para uma ação ruim, a reação será ruim… tal qual para uma ação boa, a reação será igualmente boa…

Sorria e sorrirão de volta… xingue e será xingado… ofereça rosas e veja a reação… dê um safanão em alguém e espere a reação…

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Assim, posso dizer também que nossas ações ditam as reações. É claro, baseado em conceitos éticos sociais considerados normais… afinal, há quem achará que oferecer flores à uma dama possa ser assédio e tals… coisas dos tempos merda modernos em que vivemos…

Para tal, eu diria que a reação, pode, obviamente, se opor a outra… e é essa terminologia que vou adotar… pois que citei acima, nos exemplos de flores e xingamentos, eu consideraria como consequências de atos…

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Uma boa ação, terá uma boa consequência, refazendo o pensamento. Tal qual, uma má ação, exigirá uma reação de oposição.

Eu venho notado em meus pensamentos a necessidade de expor a diferença entre reagir e estancar uma má ação.

Tenho falado muito ultimamente nisso… não basta apenas agredir de volta o agressor. Tem-se que aprender o porquê essa pessoa quer lhe agredir. Se existe algum padrão nisso. E, se puder, acabar com qualquer tentativa de agressão futura, ao invés apenas de estar preparado para surrar de volta o agressor.

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Ok. Não é um bom exemplo ainda… mas, a ideia central é nos levar a pensar nos cenários que se montam para que percamos mais tempo reagindo (ou nos opondo a) do que nos perguntando o porquê essas ações ruins seguem acontecendo. É nisso que eu os convido a pensar.

Seja na nova guerra fria, seja no cenário político brasileiro, seja no que for. Nos perguntemos se seguir agindo, sem pensar nas causas disso e nos porquês, não seguiremos sempre dentro do mesmo circuito de consequências/reações/efeitos?

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Reagir é diferente de re-agir… ou, agir novamente… ou, simplesmente, seguir agindo… para a ação, sempre foi e sempre será, primeiramente, o planejamento. E é aí que diferenciamos bons projetos de simples tentativas aleatórias…

Pensemos nisso… ou, simplesmente, pensemos…

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E no escritório…

E no escritório da empresa, o diretor chama o gerente…

  • Senhor Dilmar, o senhor pode me explicar o porquê da queda de todos os nossos números no balanço, se a nossa empresa está tendo faturamento record nos últimos anos?
  • Doutor Erlei, primeiramente eu gostaria de saudar o capim… os quatro ventos da mãe Terra, mãe nossa que, muito mais do que ser mãe, é também, no que se refere à nós, uma mãe, um pai e também uma avó, porque a avó é aquela figura que tem sempre um bolo de fubá atrás…
  • Do que o senhor está falando? Poderia ir direto ao assunto destes números?
  • Eu diria que há uma falta de humor dos nossos contabilistas, que, certamente estão sendo impactados pelos números da mídia e…
  • PERALÁ! Somos nós que mandamos os números do balanço… nós os divulgamos…
  • Sim, mas esses investidores que não confiam em números oficiais e arrumam outras fontes de pesquisa são todos neuróticos, disseminam o medo para que nosso valor diminua e…
  • Ok, ok, já entendi… mas, então, por que é que o pessoal do contas a pagar está emitindo relatórios de que não estamos pagando as contas em dia por falta de verba?
  • Esse pessoal não paga porque não quer… nossos números podem não estar lá essas maravilhas, mas, a concorrência está pior…
  • Não, não está… estão todos, apesar das dificuldades, apresentando perspectivas positivas e números maiores que os nossos…
  • Estão maquiando os números… prática velha e conhecida dos capitalistas malvados que só visam o lucro…
  • Nós também visamos lucro… todos visam… a diferença é que temos a meta de repassar esses lucros em benefício social…
  • Sim, tínhamos a meta… mas, eu abri mão da meta… aí, caso atinjamos a meta, dobraremos a meta…
  • O senhor anda bebendo? Está realmente raciocinando para falar isso?
  • O senhor está sendo preconceituoso comigo só porque eu sou mulher…
  • Não, o senhor é homem…
  • Não, sou uma mulher lésbica aprisionada num corpo masculino pequeno-burguês que age assim por causa da sociedade preconceituosa…
  • Mas o senhor tem 3 filhos… e dá em cima da secretária do marketing, que eu sei…
  • O senhor me acusa de assédio à uma colega?! O senhor é um conservador retrógrado que não tem o direito de me humilhar dessa maneira!!!
  • Não, apenas estou constatando os fatos… que o senhor vem aqui tentar deturpar…
  • Pois veja que nós, mulheres transexuais lésbicas, temos todo o direito de ter nosso lugar ao sol…
  • Sim… caso o senhor fosse uma… mas, igualmente, não tira o fato de o senhor estar falando absurdos que me fazem duvidar da sua sanidade mental… e isso, eu chamo de coerência para com meus funcionários…
  • Pois esse materialismo histórico arraigado no senhor é deplorável… só porque é o dono do meio de produção, acha-se acima do bem e do mal… o que apenas mostra o lado malvado da burguesia…
  • Burguesia? Eu sou o responsável pela arrecadação record da empresa… e, ainda quero saber cadê o dinheiro para pagar as contas… estamos com funcionários sendo algemados por suspeitas de desvio de dinheiro…
  • Eu não sabia de nada…
  • Mas são do seu setor…
  • Também não sei de nada…
  • Mas eles foram contratados pelo senhor e os documentos têm a sua assinatura…
  • Se eu assinei alguma coisa, não li… me traíram!!!
  • Como alguém que assina algo sem ler pode dizer que é traído, pode me explicar?
  • Eu confio muito no pessoal… eles me pediram para assinar…
  • Ah sim… então, vou pedir-lhe que assine aqui para mim também…
  • O que é isso?
  • Sua carta de demissão…
  • O senhor está querendo aplicar um golpe nessa empresa com isso! Eu sou o único responsável pela apuração das falcatruas que aqui ocorrem e que não eram apuradas antes… no mínimo é o senhor que deve estar por detrás de todos esses desvios…
  • Eu? E como eu estaria por detrás disso se a polícia não está aqui me algemando… e sim os seus funcionários?
  • Porque o senhor comprou a mídia, a polícia, provavelmente está também comprando os investidores que negativam o meu trabalho e, sobretudo, o senhor é um conspiracionista…
  • Ah sim… então a culpa é toda minha… tudo bem… mas, ainda assim, o senhor está demitido… ou por falcatrua, ou por incompetência… escolha o que quiser… assine aqui, ao lado da minha assinatura… sim… ao lado do nome Erlei Tohr…

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Caça-Voto

Hoje vou falar menos, quase nada… vou deixar que cada um tire suas próprias conclusões…

A minha opinião, vai ficar lá embaixo, ao final do post…

Sobre urnas eletrônicas, assunto que sempre me fez indagar o seguinte: porque raios, caça-niqueis, que usam a mesma tecnologia são proibidos, e as urnas eletrônicas são consideradas “100% íntegras e seguras”?

Bem, deixo aí com a palavra, alguns entendidos do assunto:

Não comentarei nada a respeito… deixo que cada um dos que estiverem lendo, se façam as perguntas necessárias, e, talvez se perguntem também o porque que alguns países de 1º mundo não adotem tal prática também…

E, abaixo, expresso um post que larguei diretamente no meu Facebook…

urna caça níquel

Apesar de eu deixar acima uma pista do que eu penso a respeito, peço a vocês que estão lendo uma coisa: não acreditem em mim… desconfiem do que estou deixando no ar… e, POR FAVOR, investiguem por si mesmos… façam suas pesquisas, comentem, troquem ideias, enfim, PENSEM a respeito!

Preço e valor

Todo homem tem seu preço…

Em determinado momento da vida, acho que quase todo mundo já ouviu esta máxima…

Gosto da frase “completada” pelo Nietzsche, que diz: 

nietzsche

E, talvez a partir desta frase do filósofo ranzinza, iniciemos o post de hoje…

Será que tudo nesta vida tem seu preço?

Iniciemos pelo amansa velho de guerra para começar a formar o conceito:

pre.ço(ê)
Substantivo masculino. 
1.Quantidade de dinheiro necessária para comprar mercadoria ou serviço; expressão monetária do valor.
2.Relação de troca de um bem por outro.
A preço de banana. 
Bras. Muito barato.
A qualquer preço.
Sem poupar esforço, mesmo com grande perda ou sacrifício; a todo custo.

Acho que na primeira frase da explicação já podemos encontrar o cerne da questão a qual eu me refiro… quantidade de dinheiro necessária para comprar MERCADORIA ou serviço… a parte que se refere à expressão monetária do valor, também é controversa, afinal, valor é um conceito variável e que pode ter um significado diferente para cada pessoa… vejamos aí:

va.lor (ô) 

Substantivo masculino. 
1.V. valentia (1).
2.Qualidade que faz estimável alguém ou algo; valia.
3.Importância de determinada coisa; preço, valia.
4.Legitimidade, validade.
5.Significado rigoroso de um termo

Vejamos aqui que, analisando os conceitos, nos deparamos com o fato de que preço se atribui à mercadorias ou, à prestação de serviços… que, pela explicação da administração, atribui ao serviço, a equivalência à um objeto de troca… ou, mercadoria… afinal, serviços estão aí no mercado e pessoas remuneram-se com isso… até aí, nada de mais…

Mas, dizer que o preço é a expressão monetária do valor, não me cai bem… afinal, o valor de alguém, como já escrevi em outro post: https://seguraorojao.wordpress.com/2013/03/01/o-devido-valor-de-cada-um/, é mais medido pelo que esta pessoa tem dentro de si, referindo-me à valores morais, do que pelo quanto ela realmente pode se “vender”…

Podemos notar também nos termos acima, que deixa-se em aberto as hipóteses de vincular valor e preço a algo ou ALGUÉM… e, mesmo que um dos significados remeta à valentia… ainda assim, pode-se encarar como um “serviço”… vemos aí que mercenários – alguns corajosos (e hollywoodianos) e outros nem tanto, que são remunerados por sua dita valentia…

Sendo assim, alguém que realiza um feito relevante, ao ser pago por ele, tem o seu valor diminuído?

Bem, está confuso… vou reformular…

Ao precificar o seu valor, a pessoa automaticamente perde o seu valor?

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Acho que ainda pode-se realizar boas ações, mesmo que remuneradas… afinal, trabalhadores todo santo dia dão o melhor de si, mesmo que remunerados, e, nem por isso perdem suas dignidades… me refiro aos honestos, é claro…

Vivemos em uma sociedade em que nem tudo se é valorizado… nossa cultura valoriza os campeões, os que se destacam apenas… e há quem ache que o vice-campeão é o primeiro perdedor de uma lista enorme em um campeonato…

Perder é do jogo… perder-se, aí sim, é algo bem mais complexo… e, acreditem, alguém pode perder-se mesmo sendo o campeão…

Abraço lá para o Edilson, o Zveiter, o Dualib e a nação Corinthiana de 2005...

Abraço lá para o Edilson, o Zveiter, o Dualib e a nação Corinthiana de 2005…

Enfim, sacanagens à parte, voltemos ao pensamento de que pode-se perder ganhando, ou ganhar perdendo…

Perder um dinheiro fácil pode fazer alguém ganhar? Pode… afinal, qual seria o preço a ser pago para se conseguir tal dinheiro?

Ah, pouca coisa… uma assinaturazinha aqui, uma vista grossa ali… um discursinho inflamado acolá… nada que já não tenhamos visto anteriormente, né?!

Pois é… e, é justamente nestes casos é que percebemos que algumas coisas têm preço, mas, não necessariamente valor…

Algumas pessoas sequer cogitariam tal dinheirinho fácil, se o custo para tal fosse a perda de seus valores… já, outros, sequer cogitariam deixar o cavalo passar encilhado, afinal, os governos anteriores fizeram/todo mundo faz/o mundo é dos espertos/(coloque aqui a desculpa que melhor lhe cair)…

"Juro dizer a verdade, nada mais que a verdade, com a ajuda do MEU DEUS!"

“Juro dizer a verdade, nada mais que a verdade, com a ajuda do MEU DEUS!”

A teoria administrativa trata do assunto dizendo: A soma dos esforços que despendemos para obter o que buscamos representam o preço que pagamos para obter o que queremos, enquanto a soma dos benefícios que recebemos ao obter o que buscamos representa o valor!

Ou, tentando colocar em uma equação: Valor = Percepção de Benefícios/(Preço + Expectativas)

E, é claro, neste caso, entra-se no mérito do benefício percebido… afinal, para ser considerado benefício, alguém tem que dar o devido VALOR à ele…

Quanto você pagaria por um copo de água estando à direita e o quanto pagaria estando à esquerda?

Quanto você pagaria por um copo de água estando à direita e o quanto pagaria estando à esquerda?

Da mesma forma, hoje em dia, consideramos um baita benefício na nossa comercialização de pessoas, que ela tenha honestidade… enquanto há pessoas (como eu) que acreditam que honestidade não é um benefício que alguém pode agregar ao seu serviço, mas sim NADA MAIS, NADA MENOS DO QUE A SUA OBRIGAÇÃO!

Eu diria que algumas pessoas têm sim o seu preço… algumas vendem a moral, outras o rim, ou o corpo (com ou sem beijo na boca)… vendem seus trabalhos… e, outros não se vendem de forma alguma… não deixam com que o dinheiro seja valorizado ao ponto de lhes dar motivo a fazerem o que não querem…

Assim é "miurreáu", meu camarada...

Assim é “miurreáu”, meu camarada…

Ok, benefício é de quem o percebe, né?! O que eu vou fazer?

Mas, ao final de tudo, eu diria que todos tem um preço… e é aquele algo que o motiva a aceitar as condições… ou, que o leva a agir…

E é aí que divide-se o joio do trigo…

Enquanto alguns agem por dinheiro, ou, simplesmente por benefício próprio, outros, agem pelo bem comum… que pode incluir o seu próprio benefício, que consiste em justamente ver o bem prevalecer… o correto, o justo, o digno…

E, sabemos muito bem, amigos, fazer o que é correto, nos dias de hoje, invariavelmente acaba cobrando um preço alto demais de quem age assim… mas, é justamente aí  que mede-se o valor de cada um…

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Igualdade e justiça não são a mesma coisa…

Venho há anos ranzinzando sobre alguns métodos que o politicamente correto impôs à nossa sociedade e que, ao invés de ajudar, atrapalha cada vez mais…

São tantas as burradas que não dá para enumerar todas em um post só e eu teria que escrever um livro… quem sabe um dia?

O motivo desse post é o bom e velho sistema de cotas. Lendo matéria no UOL, que diz que com metade da nota “normal”, um cotista tira vaga de outro… tá aqui a matéria:

Com metade da nota, cotista entra nos cursos mais concorridos da Uerj

Lendo a matéria, aliás, noto que além de cotas raciais, temos também os integrantes do ensino público que também têm o direito de tirar nota melhor… o que, para mim, é a chancela de que o governo sabe que seu ensino público é uma porcaria, mas, ao invés de qualificá-lo, prefere desqualificar a entrada de pessoas na faculdade pública…

“Bem, estão reparando erros históricos de Preconceito (ECAAAA), injustiças sociais e tantas outras maldades feitas pelos ricos cáucasos-descendentes”, dirão…

Já dizia Aristóteles, há uma porrada de anos atrás: “A pior forma de desigualdade é tentar fazer duas coisas diferentes iguais.” – Agora, apliquem isso ao sistema atual vigente…

Não é minha intenção aqui travar um embate entre classes, aliás, é justamente ao contrário… embora eu possa dizer que, nivelar por baixo é justamente desmerecer todos aqueles que conseguiram sem a ajuda desse sistema. Lembro aqui a história no novo herói nacional, o Ministro Joaquim Barbosa. Já dizia a música Hey Joe, nos lembrando que nem todos na favela são bandidos:

“Menos de 5% dos caras do local
São dedicados a alguma atividade marginal
E impressionam quando aparecem no jornal
Tapando a cara com trapos
Com uma uzi na mão
Parecendo árabes árabes árabes do caos.
Sinto muito cumpadi
Mas é burrice pensar
Que esses caras
é que são os donos da biografia
Já que a grande maioria
Daria um livro por dia
Sobre arte, honestidade e sacrifício
Sacrifício…
Arte, honestidade e sacrifício….”

Link: http://www.vagalume.com.br/o-rappa/hey-joe.html#ixzz2J0n7TnvI

Como alguém pode pregar igualdade e discriminar pessoas por raça e origem? Pergunto: se esse mesmo critério fosse usado para excluir e não para incluir, como seria a reação geral dos prejudicados?

E é aí que eu quero chegar. Um critério não pode ser simplesmente usado com sentido único. Ou é ou não é. Pode-se segregar pessoas ou não????

Se pode segregar, então, amigos, a banca paga e a banca recebe… infelizmente…

O que eu quero dizer com isso? Simples, é que isso pode piorar o que já é ruim…

Podemos, por exemplo, fora do mundo deturpado das mentes que bolam esse tipo de coisa, concluir que, pode-se levar benefício até certo ponto… depois, caindo no mundo da concorrência, como é que ficarão essas mesmas pessoas? Dependendo de cotas pelo resto da vida? Implantarão sistema de cotas para concursos públicos para garantir que essas pessoas consigam emprego depois? Orientarão professores a facilitar a vida de quem entrou na universidade por cotas?

Teremos cabeçalhos de provas com “Nome”, “Curso”, “Disciplina”, “Categoria de Entrada na Universidade” para lembrar ao professor que se a questão da prova respondida for de um aluno cotista ele dá certo e para um aluno “normal” a questão está errada?

Relativizando poderemos continuar esse mar de asneiras acima ad eternum…

O cerne todo da questão restringe ao mercado… e é aí que está meu objetivo nesse post. Tive um professor na faculdade que não fazia chamada, dava a aula dele sem se preocupar com quem conversava ou não… dizia ele aos alunos mais próximos e que demonstravam interesse: “O mercado filtra…”.

Pois realmente o mercado filtra… e, no mercado, na iniciativa privada, quem faz as regras são os empresários e empreendedores. E, ao menos que formos viver o resto da vida com leis “reparatórias”, essas pessoas correm o risco de terem suas vagas perdidas em detrimento de quem não foi cotista…

POR QUÊêeÊêÊÊÊÊÊê??????????????????

Porque um empresário pode, em seu raciocínio (ou na ausência de), concluir que os não cotistas tiveram vida mais dura, e, dessa forma, são pessoas com mais preparação para o mercado, por exemplo…

Tal qual, hoje em dia, embora ninguém diga, alguns já preferem, em igualdade de condições técnicas, contratar um perfil masculino, ao invés de feminino, pois homens não engravidam e nem necessitam ficar até 6 meses em casa com um custo alto para as empresas…

Realidade é dura, não?

Também já tem gente que não contrata fumantes para não ter que aturar aquelas “descidas” em horário de trabalho para alimentar o vício. Sim, eu sei que já existe normas para esses casos, mas, o mais fácil ainda é não contratar fumantes do que ter mais uma coisa a controlar…

Enfim… cada pessoa tem o direito de ser como bem entende, fazer o que der na telha e chegar aos seus objetivos da forma que mais for possível. E, em contrapartida, os outros tem o mesmíssimo direito de analisar como você é, como se porta e como chegou até ali, para usar essas características em uma análise de você em relação ao seu concorrente.

E aí, meus amigos, o quesito é subjetivo e extremamente variável. Pois há todo o tipo de pessoa para uma mesma situação. Os que curtem dar força a alguém para simplesmente auxiliá-lo, e há os que aproveitarão para dar o troco de quando não passaram no vestibular para a matéria que queriam, pois as cotas diminuíram suas chances de entrada… sim, estupidez, eu sei… mas a estupidez é a coisa mais inclusiva que temos na sociedade… ela não discrimina raça, cor, credo ou preferência sexual… há estúpidos em TODAS as partes (inclusive entre os blogueiros)

O resultado final disso tudo é: continuarmos com nosso ensino público sucateado, e, além disso, termos o mercado rejeitando currículos de candidatos cotistas, ou, lá na frente, profissionais menos qualificados, gerando uma força de trabalho de péssima qualidade, com muita demanda de gente querendo trabalhar, mas, com poucos com capacidade para tal. Poderemos ver o que já vimos em outros países, com taxistas bacharéis em direito ou engenharia, e vendedores de loja formados em administração… com imigrantes de outros países menos “desenvolvidos” trabalhando em sub-empregos que os nossos bacharéis não mais terão interesse em trabalhar… Com a crise na Europa então, é capaz de revermos imigrantes italianos voltando às lavouras brasileiras… para ilustrar a ironia…

Ainda acho que a melhor maneira de se resolver isso é QUALIFICAR O ENSINO. Mas, como todos já sabemos e o Tio Maslow revira-se no túmulo até hoje, quanto mais gente preocupada em apenas sobreviver e garantir seu sustento, menos gente teremos preocupada com a moralidade das ações de quem nos governa. E assim a banda toca: regada à pão e circo, desde a Roma antiga…

...e se não tiver pão, que comam brioches...

…e se não tiver pão, que comam brioches…

Igualdade é uma coisa, justiça é outra beeeeeem diferente...

Igualdade é uma coisa, justiça é outra beeeeeem diferente…

Para uma seleção justa, todos terão o mesmo exame: Subam naquela árvore...

Para uma seleção justa, todos terão o mesmo exame: Por favor, subam naquela árvore…