Fé, fanatismo e submissão…

Os tempos atuais requerem, de fato, muita reflexão para que se aprenda a diferenciar as nuances de cada coisa. Fator fundamental, ao meu ver, para conseguir sair de uma enrascada ou atolar-se nela até o pescoço.

Vejamos. É notório que a fé e o fanatismo são separados por uma linha muito tênue… e, já dizia um ex-professor de filosofia meu (que graças a Deus não era exclusivo da esquerda): “é o que diferencia os que oram e acreditam, dos que amarram-se a cintos-bomba e explodem-se…”.

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Mas, eu diria que há um outro elemento que une uma coisa e outra. A submissão. A voluntária ou a involuntária. Podemos ser submissos, por exemplo, apenas sendo omissos (rimando e tudo).

Ok. Já sabemos que vem enrosco aí… e, portanto, vamos, como de praxe, ao amansa-burro primeiramente:


s. f. 1. Crença, crédito; convicção da existência de algum fato ou de veracidade de alguma asserção. 2. Crença nas doutrinas da religião cristã. 4. A primeira das três virtudes teologais. 5. Fidelidade a compromissos e promessas; confiança. 6. Confirmação, prova.

fa.na.tis.mo
s. m. 1. Excessivo zelo religioso. 2. Dedicação excessiva; paixão. 3. Adesão cega a uma doutrina ou sistema.

fa.ná.ti.co
adj. e s. m. 1. Que, ou o que se julga inspirado por Deus. 2. Que, ou o que se apaixona demasiadamente por uma causa ou pessoa.

sub.mis.são
s. f. 1. Ato ou efeito de submeter(-se); obediência, sujeição. 2. Disposição para aceitar um estado de dependência. 3. Estado de rebaixamento servil; subserviência.

sub.mis.so
adj. 1. Que denota submissão. 2. Que está em posição inferior. 3. Humilde, suplicante. 4. Dócil, respeitoso.

sub.ser.vi.en.te
adj. m. e f. 1. Que serve às ordens de outrem servilmente. 2. Muito condescendente.

ser.vil
adj. m. e f. 1. Relativo a servo. 2. Baixo, ignóbil, torpe, vil. 3. Subserviente, bajulador, sabujo. 4. Que segue rigorosamente um modelo ou original.

o.mis.so
adj. 1. Em que há falta ou esquecimento. 2. Descuidado, negligente.

Ok! Acho que já chega… o nosso querido amansa nos brinda com alguns links que podemos fazer, para entender o contexto de onde eu quero chegar.

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Pois, creio eu, que há oceanos de diferença entre uma coisa e outra. A fé, em si mesma, é algo bom, pois nutre a esperança de que algo melhor, ao menos, nos aguarda. Ela permite mudança. A fé no sentido de crer em algo bom e melhor. Não necessariamente o do sistema teológico em si. Mas, ainda assim, há os que dentro desse mesmo sistema, possam variar entre a fé e o fanatismo. Não só o sistema teológico. O sistema político, o sistema financeiro, ideológico, filosófico, administrativo, etc… afinal, a teoria dos sistemas nos diz que podemos analisar tudo de forma interdisciplinar…

 

A ‘teoria de sistemas estuda, de modo interdisciplinar, a organização abstrata de fenômenos, independente de sua formação e configuração presente. Investiga todos os princípios comuns a todas as entidades complexas, e modelos que podem ser utilizados para a sua descrição.

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Portanto, invoco a teoria dos sistemas (A la Yu-Gi-Oh) para que façamos as devidas correlações entre os diversos sistemas que nos rodeiam e o que cada um deles interfere em nosso dia-a-dia.

Vejamos que o fanatismo e a submissão são relacionados diretamente com o tratado social. Enquanto alguns “especialistas” de causas, ou fanáticos, no bom português, alardeiam as regras e não admitem que pessoas tentem sair delas, há os que, igualmente, submetem-se a tais regras de forma servil. De forma omissa.

Dependendo do que chamamos de "bem" e "mal"...

Dependendo do que chamamos de “bem” e “mal”…

Para os que creem nos sistemas religiosos, podemos, inclusive, dizer que omissões são pecados, ou faltas que cometemos. Lembro ainda, entre um cochilo e outro nas missas em que frequentei, do ato de contrição, onde todos repetíamos:

Confesso a Deus Todo-Poderoso
e a vós, irmãos(a)
que pequei muitas vezes
por pensamentos, palavras,
atos e omissões,
por minha culpa,
minha tão grande culpa.
E peço à Virgem Maria,
aos anjos e santos
e a vós, irmãos,
que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.

E que seu coração seja o meu caminho por toda a minha vida

Amem.

Inclusive grandes cagadas...

Inclusive grandes cagadas…

Tá bem, todos fazemos merda coisas que nos arrependemos na vida, mas, ao meu ver, erros constroem acertos futuros. Não no caso da omissão.  Ela não nos ensina nada. Ela apenas posterga alguma coisa. Embora, também, sob outro prisma, possamos pensar que omitir-se é um ato em si. É uma escolha de não fazer. Portanto, é nossa responsabilidade igualmente. O que, não considero culpa. Considero consequência.

Seguindo: a omissão e a submissão, por outro lado, têm seus pontos de convergência à medida em que delegamos a outros nossas escolhas. Sendo-lhes obedientes, ou, abstendo-nos de nossas vontades em pró de outras. Assim, seja lá por qual motivo seja, sendo obediente e servil à fanáticos, estamos automaticamente reforçando seus sistemas e suas retroalimentações.

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O momento atual, ao meu ver, é todo explicado sobre essa ótica de fé x fanatismo x submissão/omissão. E, com os devidos links, notamos que muitas pessoas de fé, acabam-se vendo enredados em contextos complexos e rígidos, para que, dentro de suas ideias de fé e crença, tenham que obedecer a sistemas fechados, que as restringem de expandir suas mentes para o aprimoramento de tais sistemas. Afinal, na mente dos fanáticos, qualquer mudança ao sistema é heresia, e, portanto, digna de punição. E por aí, muito do atraso do mundo se explica também (tudo, obviamente, na minha ótica e análise).

Vejamos em um cenário mundial. Notemos que forças binárias e antagônicas digladiam-se eternamente, fazendo com que necessariamente escolha-se um time ou outro, sendo que uma escolha, automaticamente, exclui a outra. E, sob a ótica de cada sistema, os prós e contras para quem não os seguem à risca os preceitos, são aterradores.

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Notemos as nuances de cada sistema. O que nos oferece de bom. O que nos ameaça como punição por descumprimento de regras e normas. O que nos engessa o pensar. E, sobretudo, pensemos, como a sociedade só evoluiu quando algum engraçadinho ousou não obedecê-los. É claro, que nem sempre com ganhos reais. Afinal, como já disse inúmeras vezes, as nuances são embaçadas e difíceis de enxergar a olho nu.

O que fazer então?

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Eu, como de costume, não dou receitas prontas. Pois não acredito mais em saídas mágicas. Acredito em construção de resultados. E, sendo assim, poderia dizer que apenas conhecendo cada nuance é que poderemos identificá-las. E, após a identificação, poder entender o que nos é proposto. Qual nosso ganho… e, sobretudo, a qual custo…

Escrevo esse pensamento à medida que vejo muita gente boa, bem intencionada, sendo engolida por esses sistemas que vendem benesses, que se autoproclamam bons e fundam assim “clubes” de gente do bem. Quando, na verdade, são vertentes de um plano dual e maniqueísta, onde o “bem” e o “mal”, obedecem a um mesmo senhor. Apenas, o “mal” exercendo um papel tão assustador, que faz com que todos aceitem o “bem”, independente do quão esse “bem” não seja lá essas coisas… mesmo que ele seja cheio de regras cerceantes, de ações ignóbeis e de obediência servil. De submissão.

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Certamente há quem goste de submissão. Que sinta, inclusive, prazer com ela… mas, aí entraremos na seara sexual-sadomasoquista, e, apesar de eu ter lá meus fetiches, não é lá bem a minha praia…

Ok... não é lá de todo ruim...

Ok… não é lá de todo ruim…

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O profeta, as ostras e as pérolas

Certa feita, um homem desesperado caminhava sem rumo pela orla marítima em um mundo muito distante. Pensava em seus problemas e como resolvê-los. Os tempos eram difíceis e sua vida se atrapalhava em virtude de dinheiro.

Assim, enquanto lamentava, cabisbaixo, perto de algumas pedras, encontrou uma comunidade de ostras que viviam pacificamente.

Observou por instantes e viu que, apesar de primitivas, vivam suas vidas de forma relativamente tranquila. Naquele ambiente rochoso, com a água do mar a todo instante batendo, podiam extrair tudo o que necessitavam.

Notou também, uma certa comoção em torno de uma ostra, que convalescia.

Imaginando do que se tratava, o homem aproximou-se e apresentou-se como um profeta. Contou às ostras que aquela que convalescia havia sido agraciada com uma dádiva divina. A de produzir tesouros internos.

Sendo assim, o homem diz que o sacrifício da ostra não seria em vão e que ela seria recebida com todas as glórias em um lugar maravilhoso onde todas as ostras viveriam felizes para todo o sempre.

Apesar da tristeza com que as demais ostras receberam a notícia, foram novamente reconfortadas pelo homem que seguia afirmando que aquele sofrimento todo era uma dádiva e que ele, como intermediador divino, iria por fim a todo o sofrimento dela, garantindo sua passagem ao outro mundo. O mundo de sonhos e de realizações.

Após instantes, as outras ostras, já conformadas, aceitaram o destino daquela. E a própria já se sentia reconfortada por ter seu sofrimento terminado e as promessas de bem-aventurança futura.

Assim, o homem abre a ostra e mostra a todos o maravilhoso tesouro que o sofrimento dela havia produzido. Com discursos inflamados sobre a beleza, a perfeição, o brilho e a bênção que era ter a honra de produzir a pérola, faz com que as demais passassem, inclusive, a invejar o destino daquela que havia partido.

Dias se passam, e o homem retorna para o local, sempre procurando pelos outros “escolhidos”. Aqueles que haviam sido agraciados com a escolha divina. Encontrava, eventualmente, uma ou outra ostra nessa situação, sempre repetindo o ritual de exaltação do maravilhoso destino dessas ostras.

As que não conseguiam a “graça”, sempre indagavam o homem para que lhes ensinasse o caminho mais rápido para atingir suas metas.

O homem conta uma história sobre o toque divino, que perfuraria suas conchas e atingiria seus interiores, forçando assim, com que elas imediatamente iniciassem o processo de produção do tesouro através de seus sofrimentos. Contou-lhes que o sofrimento engrandeceria a tarefa, pois as mais belas pérolas viriam dos maiores sofrimentos. E, que cada uma, igualmente, estaria mais evoluída que as outras à medida que produzissem mais de uma pérola ou, de tamanhos maiores.

As ostras entravam em estados frenéticos de êxtase, buscando a todo instante o tal fator externo que lhes proporcionaria o tão sonhado destino final. E, assim, buscavam refazer os passos das demais ostras que ascenderam em seus sofrimentos. Peregrinar por locais por onde passaram, copiar hábitos…

O homem, com o passar dos tempos, notou que muitas delas conseguiram produzir as esperadas pérolas. Mas, com isso, a população começou a diminuir. Assim, contou-lhes o quão importante seria que multiplicassem-se entre si antes de atingir o estado de graça. Que, seus caminhos deveriam seguir uma cartilha, que visava torna-las mais dignas da graça maior.

Assim, as ostras reproduziam-se até certa idade, o máximo possível, até que pudessem buscar de forma natural, a produção das pérolas.

Nem todas produziam pérolas perfeitas, sendo assim, o homem dizia a elas que suas entregas à causa não haviam sido suficientes. Também, demonstrando às demais que o tesouro poderia não ser tão valioso assim, se cada uma delas não se esforçasse para seguir as regras que ele havia passado.

Exaltando as melhores produtoras e corrigindo as que não conseguiam o padrão maior de qualidade, o homem manteve as atenções das ostras totalmente sob controle. Com vários cerimoniais e discursos inflamados sobre a conduta de cada uma delas.

As ostras que eram levadas, nunca mais eram vistas pelas que ficavam, dando embasamento à teoria de que haviam transcendido o local e o ambiente em que viviam.

Certo dia, uma das ostras, indignada com o sistema que vivia a comunidade, resolve investigar melhor o homem e seus ditos e histórias.

Pensa que o sofrimento poderia gerar tesouros, mas, ainda assim, era um processo que não gerava bem estar algum às ostras e seus modos de vida. E, principalmente, pensou sobre o tal tesouro. A quem ele era realmente um tesouro? Não a elas, que, apenas queriam verem-se livres de tal sofrimento o quanto antes.

Fez de tudo para que não tivesse como gerar uma pérola. Fugiu de todas as regras e indicações do homem e de suas próprias irmãs, que entusiasmadas com a causa, faziam de tudo para que o ciclo da “virtude” se mantivesse.

Pregavam a ela que eram úteis em seus sofrimentos para uma causa maior. Uma causa além de seus entendimentos e compreensões. Que, apenas a fé de saber que alguém se beneficiaria disso, além da promessa futura, eram motivos de orgulho suficientes para seguirem.

A ostra inconformada, tenta dissuadir as outras, dizendo-lhes que o modo de vida anterior era calmo e tranquilo. E, que elas eram felizes sem a necessidade de nada daquilo.

As outras acusam-na de ser agitadora e de heresia, fazendo com que se isolasse da comunidade.

E, durante o tempo em que se manteve afastada, a ostra dissidente começa a sentir os efeitos de uma pérola.

Ela revolta-se contra tudo aquilo, que, mesmo fazendo parte de suas naturezas, não era nada agradável. E tampouco útil a ela mesmo, que não via sentido algum naquilo tudo.

Ela resiste à dor e mantém-se no exílio. E, mesmo com as visitas do homem, ela nega-se a dizer que está sofrendo e que tem uma pérola em si.

O tempo se passa e ela percebe que novas inserções do agente externo estão se formando nela. E, mesmo com seu interior lutando contra aquilo tudo, com todas as forças que tinha, nega-se a deixar transparecer nada daquilo.

O homem, um dia, vê que a ostra havia se alterado e que marcas em sua concha eram visíveis, caracterizando assim, a produção de pérolas.

Ele resolve levá-la à cerimônia com as demais, exaltando seu exílio como sendo uma purificação extrema e que ela havia, através daquela situação extrema, tornado-se a maior de todas as ostras que já haviam habitado aquela comunidade.

Nesse momento, a ostra toma a palavra para si e diz que o exílio, de fato, havia lhe ensinado muito. Havia, sobretudo lhe ensinado que era possível viver com o sofrimento. Aprendeu que era possível seguir a vida, mesmo com as agruras do processo, e que, mais à frente, cessavam as dores. Também disse ter aprendido que muitas outras pérolas poderiam ser produzidas sem a necessidade que nenhuma delas fosse levada à lugar algum. E, sobretudo, diz ter aprendido que as pérolas são realmente tesouros. Mas, por mais que pudessem ser tesouros por suas belezas e formatos, para ela, o valor havia se tornado inestimável. Ela havia aprendido que todas as pérolas se formavam não para exaltar seus sofrimentos, mas sim, para protegê-las de um parasita que as atacava. E, cada pérola que agora continha nela, era a lembrança de uma vitória sobre os agressores. Uma lembrança de sua resistência, de sua bravura e sua inconformidade em desistir.

Olhou para o homem e agradeceu por tudo, mas, que naquele momento, não precisaria de homenagem alguma. E, sequer queria ser conduzida ao paraíso. Pediu que como prêmio, pudesse viver sua vida até os últimos dias, e, ao final, quando a hora derradeira chegasse, suas pérolas fossem lembretes às demais, de que é possível triunfar sobre qualquer sofrimento. E que a recompensa era a sapiência que cada pérola lhe proporcionou. Seu verdadeiro valor estava, paradoxalmente, não na quantidade de pérolas geradas, que ela sabia serem dezenas, e nem na beleza estética de cada uma delas, mas sim, na forma com que cada uma delas foi gerada.

Assim, o homem viu seu discurso perdendo força, até que, dando-se conta de que ali não mais teria influência, foi em busca de uma nova comunidade para “orientar”…

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Post Scriptum: Arrisquei-me nessa tentativa de conto para pensar junto à vocês, a qual sistema nosso sofrimento interessa? Em qual contexto? A quem ele é belo? Ele existe por existir ou há motivos para tal?

Não que precisemos nos exilar para aprender o real motivo pelo qual essas coisas acontecem, mas, certamente é primordial refletir a respeito. Se ele é algo que, de fato, nos eleva em um contexto maior de evolução, ou, se simplesmente ele é produto de uma causa que quer produzir ostras em hospedeiros dispostos à morrer pela causa?

Para as que aprenderam algo com o processo, o parasita pode ser considerado realmente um “toque divino”. Já, para as que simplesmente se atiraram no processo, crendo que sofrer é bom, terão seus anseios atingidos. Sofrerão e serão úteis a uma causa que sequer compreendem direito.

Pensemos nisso… ou, simplesmente, pensemos…

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Querido Papai Noel…

E na noite de Natal…

Papai Noel (P.N.): “E então, Rogério, foste bonzinho durante o ano?”

Eu: “Não creio em dualismos de que todo mundo seja bom ou mau em essência, mas, creio que oscilei mais dentro do correto do que o que eu acho que foi errado… embora, meus erros tenham me ensinado algo para que tente não cometê-los de novo… então, acho que sim…”

P.N.: “Er… deixa ver… isso não está bem estipulado aqui… pera… média harmônica… não, tem viés… ponderada… ah, sim sim, acho que vamos calcular a moda pelo número de ocorrências positivas ou negativas, ponderar o desvio padrão e assim, estatisticamente ver como tu procedeu…”

Eu: “Estatisticamente, se eu comer 10 pães e o senhor nenhum, pela média, comemos 5 cada, enquanto eu engordei e o senhor morreu de fome… se bem que com essa barriga…”

P.N.: “Olhalá! Vê o que vai falar… mas, então, como vamos ponderar se foste bom ou não?”

Eu: “Bem, eu não fiz nada que pudesse prejudicar alguém diretamente… caso tenha feito, foi indiretamente e não intencionalmente… no máximo, minhas escolhas erradas trouxeram mais dissabores a mim mesmo, mesmo quando refletiram nos outros, justamente porque não sinto prazer algum em ver alguém se ferrando. Muito menos quando é por minha causa…”

P.N.: “Isso é interessante, mas, ainda assim, não sei bem o que dizer…”

Eu: “Olha, quer saber? Eu fui chato pra caramba… eu enchi a paciência do pessoal ao longo do ano, com as minhas irritações e inquietações mentais… compartilhei com todos o que se passava pela minha mente e fiz questão de deixar claro que o meu caminho é só meu, e, que quem quisesse poderia me acompanhar, do contrário, que não atrapalhasse pelo menos…”

P.N.: “Mas isso, assim dito, parece que foi honesto da tua parte…”

Eu: “Honestidade, hoje em dia, tem seu preço. Perde-se de um lado e os ganhos, quase imperceptíveis a olho nú…”

P.N.: “Como assim?”

Eu: “As medidas de “sucesso” se dão pelo que se conquista. Pelo que se atinge. E, para mentes limitadas notarem isso, é basicamente necessário que isso seja demonstrado… visualmente, de preferência, pois presumir e perceber coisas é dom que nem todos têm…”

P.N.: “Isso já parece rancoroso da tua parte…”

Eu: “Pode ser que sim… acho que é mesmo… porém, o rancor é um aviso do sistema interno, corpo e mente, de que você tem que trabalhar na coisa… e, assim, aquilo vai te demandar tempo para que aprenda a lidar e a tirar o ensinamento certo…”

P.N.: “Mas, então, como poderíamos concluir como foi teu ano?”

Eu: “Talvez se pararmos de pensar em “saldos finais” e tecer uma visão mais analítica da coisa… ponto a ponto…”

P.N.: “Ok. Diga lá então…”

Eu: “Em situações em que eu poderia ter tentado obter vantagens por caminhos que minha consciência não concordava, eu preferi não ir adiante. Se fui perguntado sobre algo, respondi com o meu coração e não da forma “politicamente correta”. Se fiz algo para a caridade, fiz porque eu tinha vontade e não para que me achassem um cara bacana. Se perdoei, o fiz porque a raiva estava me fazendo mal, e não porque um dogma me dizia que era o correto. Se magoei alguém, sofri porque a visão de alguém sofrendo, ainda mais por minha causa, me faz mal. E não porque estava escrito em algum lugar que eu deveria pedir perdão. Se alguém me ajudou da forma que foi, mesmo que o resultado final não tenha sido o esperado, agradeci. Não porque o resultado foi bom ou não, mas, porque a disposição de alguém para me ajudar é o que conta. Se agi corretamente, e, ainda assim o resultado foi uma bosta, creio que, apesar da brabeza, eu faria tudo igual novamente…”

P.N.: “E isso te torna um cara bom?”

Eu: “Aí é que está… não importa… não importa o rótulo que irão me dar. Importa é o fato de eu estar tranquilo na minha consciência, mesmo que a sensação de “vitória” ou de “sucesso” não esteja me acompanhando no momento… acho que tenho muita coisa ainda para fazer e para melhorar…  mas quer saber? Não é em um ano que se resolve uma vida… é na soma dos anos…”

P.N.: “Acho que sim… mas, para o presente de Natal…”

Eu: “Desculpa interromper, mas, sendo bem direto e honesto, se eu tiver que me sujeitar à regras de comportamento, só para ganhar um presente ao final do ano, ou melhor, uma vez por ano, creio que não seja lá o meu conceito de evolução… isso parece mais um adestramento canino…”

P.N.: “Aí tu já estás me ofendendo… a intenção é que as pessoas sejam boas ao longo do ano e, assim, sejam recompensadas ao final…”

Eu: “Adestramento, no bom português… Enfim, acho que o senhor não precisa me dar nada, sinceramente. Afinal, não se trata de alguém me recompensar ou me dar algo por eu ter correspondido às suas expectativas. Trata-se de eu mesmo fazê-lo, pois fui bom para mim, o que, de acordo com a minha forma de ver o mundo, se trata de estender aos que me cercam, o que eu quero para mim…”

P.N.: “Mas o presente…”

Eu: “Dê para alguém que realmente precisa de um mimo para entender que tudo o que passou, valeu a pena. Para mim, basta a consciência tranquila… Forte abraço, meu bom velhinho…”

P.N.: “FELIZ NATAL…”

Eu: “Sim… e Ho-Ho-Ho pro senhor também…”

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A loucura nossa de cada dia…

Já disseram que, de médico e louco, todo mundo tem um pouco…

Bem, para mim, a premissa é verdadeira, pois, embora seja administrador, sou metido a dar prognósticos de doenças… pelo menos, as que eu já tive e lembro dos sintomas e tratamentos… é claro que, com a ajuda do São Google, padroeiro dos autodidatas (ou auto-idiotas), geralmente costuma funcionar para casos simples.

Mas, a parte do louco… bem, essa eu me identifico bastante…

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Ainda ontem estive em um jantar com amigos de infância… amigos há mais de 30 anos, que, hoje, considero uma família. Pois bem, durante a conversa, ficou a minha verve em externar todas as sandices que me ocorrem, evidente a todos. Principalmente aos que são meus amigos no Facebook (e que não deixaram de seguir minhas postagens). Respondi um “ame-o ou deixe-o”, para resumir a minha fase com ausência de meios termos, coisa que anda também, bem evidente.

Rimos dos causos antigos e velhas histórias que ao longo dos 30 anos repetem-se em reencontros. Nessa irmandade criada, temos um publicitário brilhante, um competente funcionário público, um engenheiro de sucesso, um médico genial… e eu. Também percebi que todos têm suas vertentes “insanas”. As declaradas, as não declaradas e as reprimidas.

Sim, eu imagino (na minha insanidade assumida) que estejamos divididos entre esses três tipos.

Temos os que declararam isso, como eu, os que não declararam, pois ainda sequer se deram conta de que são ou estão insanos, e, para finalizar, os que já se deram conta, mas, tentam aparentar a vivência dentro da “normalidade”.

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Bem, e daí? – devem estar perguntando-se…

Pois bem, explico:

Acredito que a -dita- insanidade ou loucura, ou qualquer outro nome que queiram dar, trata-se de uma dissonância nossa em relação a algo… ou a alguém…

Complicou, né?

Bem, sigo tentando explicar…

Eu imagino que alguns tipos de “problemas mentais” (para achar um termo genérico para a tal insanidade) são sintomas. E não causas em si. Já escrevi sobre isso, certa vez… não lembro o texto e nem a data.

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E, tal qual a tosse é um sintoma de uma doença que possa variar entre uma simples gripe, alergia, refluxo… até tuberculose ou coisas mais graves… e é aí que eu quero chegar.

Essa tosse é o convite à investigação, para que, durante a pesquisa, acabemos reavaliando processos, modo de vida, reeducações alimentares ou de atividades… enfim, é durante o check up que acabamos tendo uma visão do todo e, nele, acabamos tomando medidas de melhoria.

Certamente tudo isso é para quem se dispor a investigar, e, sobretudo, a se adaptar para propiciar tal melhoria…

Posso usar outro exemplo, onde uma pessoa que identificou como causa da tal tosse, um péssimo hábito, como fumar, por exemplo, e, com o início do tratamento, tem em seu mais primordial pré-requisito, o parar de fumar. Bem, aí amigos, o exemplo figurativo vai além…

Durante o processo, a pessoa terá desde a mudança de humor, até crises de abstinência do antigo hábito… que, enquanto a química corporal e cerebral se adapta à nova realidade, o indivíduo (que é a soma das químicas, físicas e outras ciências), padece e sofre…

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…sofre desde conflitos internos, ou, consigo mesmo, até dramas maiores em suas relações mais próximas. Familiares, colegas de trabalho e tals…

Também é interessante dizer que, este subprocesso também serve para determinar quem realmente se importa com o cidadão e quer seu bem, de quem é apenas reativo ao momento que ele vive… resumindo: amizades vêm e irão de acordo com o avançar do processo…

Outras, permanecem… como no meu caso, por décadas, ou, quase a minha vida toda de convívio social, como meus amigos-irmãos do jantar de ontem. Mas, isso foi pura sorte minha, que, ao longo do período, conseguiram suportar minhas insanidades… tal qual suportei as deles…

O momento atual, me diz que, nesse instante, minha insanidade me aponta a necessidade de revisitar processos da minha vida… escolhas feitas… um balanço do que fiz até então… e isso não é a solução em si de nada, mas, simplesmente, o início de um diagnóstico… o tratamento é outra coisa.

Pois eu diria que o diagnóstico para possíveis causas dessa insanidade é vasto… o mundo em que eu vivo, a sociedade, o cenário político, o plano astral, o universo, enfim… em qualquer abordagem que eu venha a fazer, encontrarei dissonâncias minhas em relação a tais fatores…

Mas, e daí?

O que eu devo concluir com isso?

Sinceramente, não sei… só sei que o processo segue e está a todo vapor… talvez demorando mais do que eu previa, ou, pelo simples fato de eu ainda não ter entendido que ele irá durar o tempo em que eu viver… afinal, a melhoria deve ser constante…

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Também acho que, como tenho pensado muito ultimamente, ele é algo que, por mais que eu viva socialmente, diz respeito unica e exclusivamente a mim. Afinal, não se trata de que eu mude (ou deixe de ser “louco”) para não desagradar aos outros… mas sim, de que eu apenas atinja a razão para que isso tudo faça sentido A MIM. É a mim que eu devo satisfações. Sou eu quem me cobra a todo instante, o porquê disso tudo… o que eu tenho ganho com isso? Se o feito até então valeu a pena… e, sobretudo, para que eu tenho procedido? Para qual rumo eu estou indo? Terá algum nexo nisso tudo?

Será que o nexo disso tem algo a ver com o Nexus, a explosão de uma suposta Supernova do centro da galáxia e que nos irradia com raios gama, desde 2008, segundo vertentes esotéricas ou pseudo-científicas que corroboram com todas as teorias da mudança global, nova era, 2012, apocalipses e fins de mundo que, a todo instante nos assaltam a mente?

Sabe-se lá…

Também as vertentes religiosas nos falam de mudanças em planos espirituais, de reformas de moralidade necessárias para “passar de fase” (sim, parece um RPG astral onde temos que realizar quests para ganhar pontos, evoluir o personagem e avançar de fase).

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Completei 40 este ano… espero que tenha uma coisa ou outra ainda reservada…

Experienciei muita coisa de 2010 para cá, embora, tenha tido prévias do porvir bem antes disso… e, durante os vários discursos ouvidos, tanto de espíritos, de mentores, de médicos, familiares, amigos e uma gama de gente que tentava me ajudar a voltar à “normalidade”, notei algumas ligações e “coincidências” que me apontavam que haveria uma necessidade de mudança… ouvi desde que “…tempos difíceis se avizinham”, até que “…tempos novos e alegres estão surgindo”…

E, nessa diferença gritante de “dicas”, que mais parecem fornecidas por institutos de pesquisa brasileiros e suas margens de erro ridículas (como a que transforma 1 milhão de pessoas em 20 ou 30 mil, para, em outras situações, transforme meia dúzia de gatos pingados em “milhares de pessoas”), percebi que também são causas de insanidade… afinal, como tentar pensar racionalmente com tantos dados difusos?

Mais adiante, me dei conta de que nem sempre pensar racionalmente é solução para tudo… sentir era tão essencial quanto pensar…

Mas, sensações e sentimentos, variam muito de momento para momento… o que “racionalmente” podem ser encaradas como problemas de ordem mental e que carecem de medicamento…

Eu diria que não… que essas mudanças são tão frequentes quanto novos paradigmas se apresentam aos que estão abertos a vê-los…

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Mentes fechadas em suas “certezas” dificilmente percebem coisas que fujam de suas cognições… já, aos loucos que percebem tudo de forma diferente…

Raul Seixas, o nosso maluco beleza, nos brindou com inúmeros pensamentos que, hoje, notadamente estavam à frente de seu tempo… o que, me parece mais que a sua insanidade residia muito na incapacidade dos “sãos” em perceber sua genialidade, do que, necessariamente, na “maluquez” dele… ilustrada, magistralmente, ao meu ver com a frase “…quem não tem visão, bate a cara contra o muro…”.

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Pois bem, queridos, se temos ao nosso redor pessoas caçando borboletas, OVNI’s nos céus ou a iluminação interior, se encharcando de Santo Daime, eu diria que são sinais de que algo grita dentro de cada um… são sintomas de que o “real” não basta, sintomas de que suas realidades são insuficientes para justificar o porquê disso tudo… e, por mais que ainda não tenhamos a menor ideia de qual seja essa solução, abrir cada vez mais os olhos, seja fundamental para que, caso nos cruze a frente, consigamos enxergar tal solução… ou, atingir meios de criá-la nós mesmos… sem ficar refém de nenhum baluarte ou arauto da “normalidade”… e, Deus nos livre, dos ditadores do novo “politicamente correto”…

Pensemos nisso… ou, simplesmente, pensemos…

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**Peço licença poética para as trossentas reticências usadas, pois elas justamente representam a não finitude do pensamento em cada frase em que as empreguei… (inclusive aqui)

Valorizar ou valorar

Já escrevi algumas vezes sobre a diferença entre juízos em geral. O de valor é um dos que, fatalmente, acabo recorrendo mais, pois, ao meu ver, cada um tem o seu valor e, baseado nele, faz suas escolhas.

Bem, mas o que isso tem a ver com o proposto no título?

Tem a ver que o “valorizar”, no entendimento de alguns, confunde-se com o “valorar”… vejamos, como sempre, no amansa para clarear as coisas (o de hoje é o Mini Aurélio Digital):

//

va.lo.ri.zar
Verbo transitivo direto.
1.
Dar valor a, ou aumentar o valor de.
2.
Reconhecer as qualidades, os méritos de (pessoa, ação, coisa, etc.).

Verbo pronominal.

3.
Aumentar de valor.
4.
Dar valor a si mesmo. [C.: 1]

§ va.lo.ri.za.do adj.; va.lo.ri.za.dor (ô) adj. sm.
  • “Dar valor a, ou aumentar o valor de…” – isso, para mim, são duas coisas diametralmente diferentes… “reconhecer… méritos”… ok…

//

va.lor (ô)
Substantivo masculino.
1.
V. valentia (1).
2.
Qualidade que faz estimável alguém ou algo; valia.
3.
Importância de determinada coisa; preço, valia.
4.
Legitimidade, validade.
5.
Significado rigoroso de um termo.

*QUALIDADE que faz estimável alguém ou algo”… “importância de determinada coisa; PREÇO, valia”. Ok. Era aí que eu queria chegar… a diferença que reside entre a qualidade que faz algo ou alguém ser estimado, e, o preço… e, daí, eu sempre digo que, enquanto alguns têm preço, outros têm valores…

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E, estimar algo, ou valorizar, é uma coisa que fazemos baseados em nossos valores (morais), comparando-os com nossas projeções ou juízos… então, o que é valorizado para mim, pode não ser para você… seu time ser melhor que o meu, pode lhe parecer algo importante, enquanto, para outros, isso é o menor dos problemas…

Também há os que formam seus “valores” baseados em coisas bem subjetivas… ou, em opiniões alheias… muitos, inclusive, gostam de citar fontes, teses, autores e (o novo rico da terminologia) intelectuais para embasar seus gostos…

Pois nem tudo é relativo nessa vida… há coisas que, simplesmente podemos nos basear sem precisar de ajuda… quem aqui imagina algo do tipo:

– O senhor gostou desse sorvete, senhor?

– Não, achei meio sem gosto… até aguado, eu diria… o sabor do morango é pouco percebido e, além disso, achei sem consistência…

– E o que o senhor diria se soubesse que esse sorvete foi feito pelo Claude Troisgros (ou outro da moda, pois conheço poucos cozinheiros famosos), usando morangos orgânicos de estufas da escandinávia, colhidos por virgens albinas da etiópia, fugitivas de perseguição religiosa, cultivados sem agrotóxicos e adubado com fezes de panda chinês, com leite de cabra manca que seria sacrificada, mas foi salva pelo Greenpeace em uma operação quase militar na Bóznia?

– Bem… veja bem, eu achei o gosto, na verdade, diferente… dá para notar o sofrimento da pobre cabra, e, por isso o azedume inicial… como é perene o sofrimento da cabra e da mãe Terra no sabor, não é mesmo?

Ok. Este é mais um diálogo idiota metido a engraçadinho, mas, que exprime um pouco do momento atual… as pessoas não baseiam-se mais em coisas simples. Aliás, quanto mais rebuscada for a coisa, melhor… não me espantaria uma resposta final, no diálogo acima (imaginando um Maitre e um cliente de restaurante), ser um “foda-se, tá uma merda mesmo assim…”. E, acho que, embora não fosse a mais “politicamente correta” (outro termo que me causa urticária), seria, provavelmente a mais honesta… se baseada no gosto e na impressão inicial do cliente.

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Também temos os casos de frases e citações… onde ouve-se uma frase e, muito além de pensar nela, encontrar o sentido e, independentemente de concordar, discordar ou perceber que foi perda de tempo ter ouvido tamanha bobagem, as pessoas, imediatamente buscam saber quem é o autor, o porquê disse isso e, sua intenção ao tê-lo dito…

Eu mesmo tenho essa inclinação, pois acredito que há interesses revestidos em frases belas, além de que meias verdades podem ser mentiras completas. Desconstruir conceitos e notar que, frases pontuais podem ser encaixadas em contextos, embora, as intenções iniciais não sejam tão nobres quanto as interpretações posteriores…

Bonito, não?!

Bonito, não?!

Assim, podemos montar enormes mentiras, apenas falando verdades… ou, coisas bonitas… conclamando o que há de melhor em matéria de sentimento… e, inclusive, como na frase do “pensador” acima, o amor, respeito e tals…

Vejamos que não venho aqui pregar a desconfiança de tudo e de todos, mas, antes de qualquer outra coisa, eu tenho uma intenção clara: a de tentar fazer com que todos busquemos nossas próprias respostas… sem ficar com o que não entregam “pronto”. Tudo carece do nosso crivo… e eu disse TUDO mesmo!

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Concordar ou não, baseado naquilo que você conhece, que gosta ou mesmo no que você valoriza, pode se caracterizar em uma ilusão, muitas vezes, pois valorizamos coisas diferentes em diferentes estágios da vida…

Houve época em que eu valorizava mulheres bonitas… em outras, mulheres inteligentes… em outras, mulheres tranquilas… já, hoje em dia, valorizo as bem humoradas… e, isso, só para ficar no meu gosto pelo universo feminino…

Assim, o que você valoriza hoje, pode não ser o que valoriza amanhã… sendo assim, também é prudente rever tudo aquilo que você “julgou”, baseado em seus gostos da época… se eles não mudaram também…

É claro, sem se esquecer do que é mais importante para a composição desse julgamento… afinal, sorvete de morango é ruim ou não, independente de quem o tenha feito… assim como aquela mulher pode te parecer mais ou menos bonita de acordo com o seu estado etílico… (quem aqui, né amigo?!)

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Negando a negação, não se troca a programação…

Apesar do título complicado, já adianto que há lógica no que escrevi acima…

Sim, lógica… literalmente…

Trata-se de lógica de programação mesmo… a que aprendi nos tempos que fiz faculdade de Sistemas de Informação e Informática, apesar de ter acabado me formando em administração mesmo…

Nas aulas de algoritmos, aprendi que podemos “negar” uma variável, um recurso de programação que facilitaria a vida em algumas situações. Dessa forma, o operador NOT (simbolizado por “¬”) inverteria o valor atribuído àquela variável… tornando então um “X” em NOT X, ou ¬X (Também conhecido como “X Negado”).

Enrolado, não?!

Certamente. Talvez daí também tenha notado a minha pouca capacidade no ramo e tenha começado a ver a administração como saída melhor para o meu futuro (pelo menos era o que parecia na época).

Já ensinando que quem é rico não precisa de talento desde cedo...

Já ensinando que quem é rico não precisa de talento, desde cedo…

Pois então, foi com esse pensamento de “negação” de variáveis que comecei a formatar na mente este post. E, é claro, apenas o formatei na mente, pois costumo escrever aqui direto e sem edições (apenas para corrigir eventuais erros de português que eu identifique).

Então, voltando ao assunto, comecei a imaginar tudo o que negamos durante nosso dia a dia, tanto como escape, como forma de apenas “trocar o valor de uma variável”…

Ok, segue enrolado… mas, iniciemos os trabalhos com o de sempre. O amansa:

ne.ga.ção
Substantivo feminino.
1.Ato de negar; negativa.
2.Falta de aptidão ou vocação.
3.Recusa de alguma coisa; negativa.
4.O oposto de algo. [Pl.: –ções.]

Negativa… falta de aptidão ou vocação… sim sim, tem a ver com o que eu queria dizer… guardem aí…

ne.gar
Verbo transitivo direto.
1.Dizer que não é verdadeiro (uma coisa).
2.Afirmar que não.
3.Não admitir a existência de.
4.Não reconhecer como verdadeiro.
5.Não conceder; recusar.
Verbo transitivo direto e indireto.
6.Negar (1, 2 e 5).
7.Contestar.
Verbo pronominal.
8.Recusar-se. [C.: 1C (é)]

Ok, ser contrário a algo… embora, não reconhecer como verdadeiro, pode ser apenas um indício da sua falta de entendimento da situação, e não que ela é falsa de fato…

Bem, acho que deu para dar uma base… mas, o ponto onde eu pretendo abordar é justamente na “contrariedade” dessas negações… ou, no caso da “inversão de variáveis”, focar na vetorialidade da situação…

AFFFF, estou enrolando cada vez mais… vou tentar simplificar…

Peraí que vou ver se encontro o sentido disso tudo aqui no buraco...

Peraí que vou ver se encontro o sentido disso tudo aqui no buraco…

Já dizia Hermes Trismegistus em suas leis herméticas, que quente e frio podem ser polaridades de uma mesma coisa -a temperatura- e não necessariamente entes contrários entre si… há quem ache que o quente é o inverso do frio, enquanto ele dizia que tratavam-se da mesma coisa, só em extremos opostos.

Seguia ele dizendo que, polarizando-os, poderíamos chegar a um denominador comum, onde o “morno” seria bom para todos… e ainda assim seguir o quente e o frio existindo…

Por favor, querido Hermes, dê uma aula sobre regular quente e frio à São Pedro e diga para ele olhar mais para Porto Alegre...

Por favor, querido Hermes, dê uma aula sobre regular quente e frio à São Pedro e diga para ele olhar mais para Porto Alegre…

E o que isso tem a ver com o assunto?!

Bem, é justamente aí que eu estou abordando as causas da negação…

Farei um exercício de raciocínio livre de conclusões prontas, ou, de conceitos ou pré-conceitos. Tentarei pensar nas causas e menos nos efeitos…

Temos uma variável X qualquer… e, durante nossa “programação”, percebemos que há a necessidade de alterar essa variável… alguns, simplesmente atribuem-lhe novo valor, enquanto outros, desgostam-se a ponto de querer inverter essa variável…

Vamos ao exercício:

Eu sou um cara que passou anos da vida preocupado com a visão dos outros a meu respeito. Dessa forma, por muitas vezes deixei de fazer o que eu quis, para seguir alguma recomendação de alguém, por pura e simples necessidade de aprovação daquela pessoa…

Dessa forma, digamos, minha variável X tinha sido atribuída com o valor “Bunda-Mole” em meu algoritmo interno…

Sai pra lá, meu!

Sai pra lá, meu!

O que fiz eu, ao perceber que esta variável me retornava um valor totalmente desagradável como este?

Quis inverter radicalmente e imediatamente este resultado… tentando colocar um garrafal “NOT BUNDA-MOLE” na minha programação…

I'm not a dog no

Só que essa inversão de “bunda-mole”, me trouxe egoísmo em contrapartida… talvez porque na minha mente, o contrário de bunda-mole, seria fazer o que eu queria, da forma que eu queria e quando eu querida… e, dessa forma, moldei-me como um egoísta…

Não é propaganda da Nextel e este NÃO é o meu mundo...

Não é propaganda da Nextel e este NÃO é o meu mundo…

Ainda não era o resultado que eu imaginava para o meu algoritmo…

Percebi naquele momento que eu estava em extremos… mesmo que, gramaticalmente, bunda-mole não seja o oposto de egoísta… mas, em minha insanidade, assim parecia…

A resposta estava em algum ponto entre estes dois extremos.. e não em algum deles…

Daí também observo a enorme tendência de pessoas “anti” alguma coisa crescendo diariamente… e este é o principal ponto da questão…

Pessoas tornam-se “anti” alguma coisa por algum motivo… e, ao meu ver, basicamente é porque querem “negar” aquilo que lhe desagrada.

Bem, daí temos uma tsunami de exemplos no mundo todo diariamente… gays x héteros; católicos x ateus; capitalistas x socialistas; etc ad eternum ad nauseam.

antisocial

Como trata-se de um mundo dualista e maniqueísta, os extremos são as únicas visões que ressaltam aos olhos. E, certamente, gera muitos antagonismos neste processo. E é aí que nascem os “anti” qualquer coisa…

Essas pessoas que negam alguma coisa, por muitas vezes, tornam-se EXATAMENTE AQUELA MESMA COISA, apenas com o operador da negação…

Podemos ver ateus tão inflexíveis quando católicos, o que, acaba por muitas vezes nos levando a atribuir na tal variável que “ateu = ¬católico” (ateu igual a NOT católico). Também podemos notar que ambos, sob uma outra ótica, são polaridades extremas de uma mesma coisa chamada CRENÇA. Os católicos estão em um extremo onde a crença é total, enquanto ateus surgem como a antítese, ou a negação da crença, na extremidade oposta.

3 caixas de Rivotril, 2 de Gardenal, 1 de Fluoxetina e dois martelinhos de cachaça resolvem seu problema...

3 caixas de Rivotril, 2 de Gardenal, 1 de Fluoxetina e dois martelinhos de cachaça resolvem seu problema…

Poderia, inclusive, dizer que o “anti” é a acusação mais recorrente que o lado oposto pode fazer a alguém vetorialmente contrário a sua linha de pensamento… por exemplo, nem todo mundo que acha que não precisa se votar uma lei anti-homofobia por entender que já existem leis contra agressão a TODOS os seres e basta que as cumpram, não são necessariamente homofóbicos, tanto quanto quem acha que não há necessidade de matar civis palestinos é necessariamente antissemita… mas, ainda assim, usa-se como forma de “calar a boca” alheia…

Entenderam onde eu queria chegar?!

Pois calma lá… ainda aproveito para ressaltar o que há de importante nesse operador matemático, o NOT (que, mais tarde ainda, aprendi também que existia um NOT Condicional, mas aí são outros 500).

Neste operador reside toda a capacidade de manipulação de mentes que existe. Ou seja, pode-se incluir quase que todos os pensamentos de todo mundo dentro de uma variável, para depois “invertê-la”…

Pode-se encaixar os pensamentos de uma pessoa em uma ideologia e, ainda assim, fazê-la agir em contrariedade da mesma…

Voltei a enrolar, não?!

Ah não, estou tendo um aneurisma...

Ah não, estou tendo um aneurisma…

Pois sim, e podemos aí explicar como muita gente, por exemplo, que tem em mente pregar o bem, a justiça, a moralidade, a paz, a camaradagem, agindo de forma vetorialmente contrária…

Exemplos?

Bem, podemos dizer que existam pessoas dispostas a lutar pela liberdade, pela revolução de um país e pela soberania dos direitos, mas, agindo com violência, desrespeitando o direito alheio e causando caos como barganha em suas causas… ou, dando nome aos bois, os tais Black Blocks… e há quem ache que estes agem de forma tão errada, que já se fala em White Blocks para combatê-los…

E que tal Grey Blocks, camaradas?!

E que tal Grey Blocks, camaradas?!

E daí?!

Bem, e daí que, mais uma vez, seremos manipulados com este “simples” operador negativo, onde extremos de uma mesma coisa desviarão o foco do que de fato deveria mostrar todos estes movimentos de indignação popular. A necessidade de mudança estrutural, de infra-estrutura, da moralidade das pessoas, da elevação dos padrões de pensamento e de ética em quem governa. Mas, ficará tudo mais uma vez reduzido à “luta de classes”, onde um “manifestante” quebra um símbolo burguês, gerando uma onda inversa de indignação de quem defenda a soberania de seus patrimônios, mesclando tudo e deixando a contenda toda entre burgueses x assalariados… extremos opostos (pela mesma lógica burra que usam) de uma mesma coisa chamada SER HUMANO.

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Também poderia dar mais exemplos, do tipo político, onde as pessoas votam no candidato que poderá fazer frente àquele candidato que ela mais odeia e não quer que vença a eleição de jeito nenhum, ou anula o voto por achar que nenhum candidato presta, ao invés de realmente estar agradado com algum deles… mas, acho que já entenderam o ponto, não é?!

Invertam à vontade seus operadores -eu diria- que pouco lhes adiantará… a resposta não está na negação, no “anti”, na refutação, no combate ao oposto, mas sim, reside a resposta em algum ponto entre estes extremos… naquele ponto onde o quente e o frio regulam-se a ponto de ter-se uma temperatura agradável…

#SemMaisMeritíssimo

#SemMaisMeritíssimo