Querido Papai Noel…

E na noite de Natal…

Papai Noel (P.N.): “E então, Rogério, foste bonzinho durante o ano?”

Eu: “Não creio em dualismos de que todo mundo seja bom ou mau em essência, mas, creio que oscilei mais dentro do correto do que o que eu acho que foi errado… embora, meus erros tenham me ensinado algo para que tente não cometê-los de novo… então, acho que sim…”

P.N.: “Er… deixa ver… isso não está bem estipulado aqui… pera… média harmônica… não, tem viés… ponderada… ah, sim sim, acho que vamos calcular a moda pelo número de ocorrências positivas ou negativas, ponderar o desvio padrão e assim, estatisticamente ver como tu procedeu…”

Eu: “Estatisticamente, se eu comer 10 pães e o senhor nenhum, pela média, comemos 5 cada, enquanto eu engordei e o senhor morreu de fome… se bem que com essa barriga…”

P.N.: “Olhalá! Vê o que vai falar… mas, então, como vamos ponderar se foste bom ou não?”

Eu: “Bem, eu não fiz nada que pudesse prejudicar alguém diretamente… caso tenha feito, foi indiretamente e não intencionalmente… no máximo, minhas escolhas erradas trouxeram mais dissabores a mim mesmo, mesmo quando refletiram nos outros, justamente porque não sinto prazer algum em ver alguém se ferrando. Muito menos quando é por minha causa…”

P.N.: “Isso é interessante, mas, ainda assim, não sei bem o que dizer…”

Eu: “Olha, quer saber? Eu fui chato pra caramba… eu enchi a paciência do pessoal ao longo do ano, com as minhas irritações e inquietações mentais… compartilhei com todos o que se passava pela minha mente e fiz questão de deixar claro que o meu caminho é só meu, e, que quem quisesse poderia me acompanhar, do contrário, que não atrapalhasse pelo menos…”

P.N.: “Mas isso, assim dito, parece que foi honesto da tua parte…”

Eu: “Honestidade, hoje em dia, tem seu preço. Perde-se de um lado e os ganhos, quase imperceptíveis a olho nú…”

P.N.: “Como assim?”

Eu: “As medidas de “sucesso” se dão pelo que se conquista. Pelo que se atinge. E, para mentes limitadas notarem isso, é basicamente necessário que isso seja demonstrado… visualmente, de preferência, pois presumir e perceber coisas é dom que nem todos têm…”

P.N.: “Isso já parece rancoroso da tua parte…”

Eu: “Pode ser que sim… acho que é mesmo… porém, o rancor é um aviso do sistema interno, corpo e mente, de que você tem que trabalhar na coisa… e, assim, aquilo vai te demandar tempo para que aprenda a lidar e a tirar o ensinamento certo…”

P.N.: “Mas, então, como poderíamos concluir como foi teu ano?”

Eu: “Talvez se pararmos de pensar em “saldos finais” e tecer uma visão mais analítica da coisa… ponto a ponto…”

P.N.: “Ok. Diga lá então…”

Eu: “Em situações em que eu poderia ter tentado obter vantagens por caminhos que minha consciência não concordava, eu preferi não ir adiante. Se fui perguntado sobre algo, respondi com o meu coração e não da forma “politicamente correta”. Se fiz algo para a caridade, fiz porque eu tinha vontade e não para que me achassem um cara bacana. Se perdoei, o fiz porque a raiva estava me fazendo mal, e não porque um dogma me dizia que era o correto. Se magoei alguém, sofri porque a visão de alguém sofrendo, ainda mais por minha causa, me faz mal. E não porque estava escrito em algum lugar que eu deveria pedir perdão. Se alguém me ajudou da forma que foi, mesmo que o resultado final não tenha sido o esperado, agradeci. Não porque o resultado foi bom ou não, mas, porque a disposição de alguém para me ajudar é o que conta. Se agi corretamente, e, ainda assim o resultado foi uma bosta, creio que, apesar da brabeza, eu faria tudo igual novamente…”

P.N.: “E isso te torna um cara bom?”

Eu: “Aí é que está… não importa… não importa o rótulo que irão me dar. Importa é o fato de eu estar tranquilo na minha consciência, mesmo que a sensação de “vitória” ou de “sucesso” não esteja me acompanhando no momento… acho que tenho muita coisa ainda para fazer e para melhorar…  mas quer saber? Não é em um ano que se resolve uma vida… é na soma dos anos…”

P.N.: “Acho que sim… mas, para o presente de Natal…”

Eu: “Desculpa interromper, mas, sendo bem direto e honesto, se eu tiver que me sujeitar à regras de comportamento, só para ganhar um presente ao final do ano, ou melhor, uma vez por ano, creio que não seja lá o meu conceito de evolução… isso parece mais um adestramento canino…”

P.N.: “Aí tu já estás me ofendendo… a intenção é que as pessoas sejam boas ao longo do ano e, assim, sejam recompensadas ao final…”

Eu: “Adestramento, no bom português… Enfim, acho que o senhor não precisa me dar nada, sinceramente. Afinal, não se trata de alguém me recompensar ou me dar algo por eu ter correspondido às suas expectativas. Trata-se de eu mesmo fazê-lo, pois fui bom para mim, o que, de acordo com a minha forma de ver o mundo, se trata de estender aos que me cercam, o que eu quero para mim…”

P.N.: “Mas o presente…”

Eu: “Dê para alguém que realmente precisa de um mimo para entender que tudo o que passou, valeu a pena. Para mim, basta a consciência tranquila… Forte abraço, meu bom velhinho…”

P.N.: “FELIZ NATAL…”

Eu: “Sim… e Ho-Ho-Ho pro senhor também…”

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A loucura nossa de cada dia…

Já disseram que, de médico e louco, todo mundo tem um pouco…

Bem, para mim, a premissa é verdadeira, pois, embora seja administrador, sou metido a dar prognósticos de doenças… pelo menos, as que eu já tive e lembro dos sintomas e tratamentos… é claro que, com a ajuda do São Google, padroeiro dos autodidatas (ou auto-idiotas), geralmente costuma funcionar para casos simples.

Mas, a parte do louco… bem, essa eu me identifico bastante…

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Ainda ontem estive em um jantar com amigos de infância… amigos há mais de 30 anos, que, hoje, considero uma família. Pois bem, durante a conversa, ficou a minha verve em externar todas as sandices que me ocorrem, evidente a todos. Principalmente aos que são meus amigos no Facebook (e que não deixaram de seguir minhas postagens). Respondi um “ame-o ou deixe-o”, para resumir a minha fase com ausência de meios termos, coisa que anda também, bem evidente.

Rimos dos causos antigos e velhas histórias que ao longo dos 30 anos repetem-se em reencontros. Nessa irmandade criada, temos um publicitário brilhante, um competente funcionário público, um engenheiro de sucesso, um médico genial… e eu. Também percebi que todos têm suas vertentes “insanas”. As declaradas, as não declaradas e as reprimidas.

Sim, eu imagino (na minha insanidade assumida) que estejamos divididos entre esses três tipos.

Temos os que declararam isso, como eu, os que não declararam, pois ainda sequer se deram conta de que são ou estão insanos, e, para finalizar, os que já se deram conta, mas, tentam aparentar a vivência dentro da “normalidade”.

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Bem, e daí? – devem estar perguntando-se…

Pois bem, explico:

Acredito que a -dita- insanidade ou loucura, ou qualquer outro nome que queiram dar, trata-se de uma dissonância nossa em relação a algo… ou a alguém…

Complicou, né?

Bem, sigo tentando explicar…

Eu imagino que alguns tipos de “problemas mentais” (para achar um termo genérico para a tal insanidade) são sintomas. E não causas em si. Já escrevi sobre isso, certa vez… não lembro o texto e nem a data.

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E, tal qual a tosse é um sintoma de uma doença que possa variar entre uma simples gripe, alergia, refluxo… até tuberculose ou coisas mais graves… e é aí que eu quero chegar.

Essa tosse é o convite à investigação, para que, durante a pesquisa, acabemos reavaliando processos, modo de vida, reeducações alimentares ou de atividades… enfim, é durante o check up que acabamos tendo uma visão do todo e, nele, acabamos tomando medidas de melhoria.

Certamente tudo isso é para quem se dispor a investigar, e, sobretudo, a se adaptar para propiciar tal melhoria…

Posso usar outro exemplo, onde uma pessoa que identificou como causa da tal tosse, um péssimo hábito, como fumar, por exemplo, e, com o início do tratamento, tem em seu mais primordial pré-requisito, o parar de fumar. Bem, aí amigos, o exemplo figurativo vai além…

Durante o processo, a pessoa terá desde a mudança de humor, até crises de abstinência do antigo hábito… que, enquanto a química corporal e cerebral se adapta à nova realidade, o indivíduo (que é a soma das químicas, físicas e outras ciências), padece e sofre…

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…sofre desde conflitos internos, ou, consigo mesmo, até dramas maiores em suas relações mais próximas. Familiares, colegas de trabalho e tals…

Também é interessante dizer que, este subprocesso também serve para determinar quem realmente se importa com o cidadão e quer seu bem, de quem é apenas reativo ao momento que ele vive… resumindo: amizades vêm e irão de acordo com o avançar do processo…

Outras, permanecem… como no meu caso, por décadas, ou, quase a minha vida toda de convívio social, como meus amigos-irmãos do jantar de ontem. Mas, isso foi pura sorte minha, que, ao longo do período, conseguiram suportar minhas insanidades… tal qual suportei as deles…

O momento atual, me diz que, nesse instante, minha insanidade me aponta a necessidade de revisitar processos da minha vida… escolhas feitas… um balanço do que fiz até então… e isso não é a solução em si de nada, mas, simplesmente, o início de um diagnóstico… o tratamento é outra coisa.

Pois eu diria que o diagnóstico para possíveis causas dessa insanidade é vasto… o mundo em que eu vivo, a sociedade, o cenário político, o plano astral, o universo, enfim… em qualquer abordagem que eu venha a fazer, encontrarei dissonâncias minhas em relação a tais fatores…

Mas, e daí?

O que eu devo concluir com isso?

Sinceramente, não sei… só sei que o processo segue e está a todo vapor… talvez demorando mais do que eu previa, ou, pelo simples fato de eu ainda não ter entendido que ele irá durar o tempo em que eu viver… afinal, a melhoria deve ser constante…

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Também acho que, como tenho pensado muito ultimamente, ele é algo que, por mais que eu viva socialmente, diz respeito unica e exclusivamente a mim. Afinal, não se trata de que eu mude (ou deixe de ser “louco”) para não desagradar aos outros… mas sim, de que eu apenas atinja a razão para que isso tudo faça sentido A MIM. É a mim que eu devo satisfações. Sou eu quem me cobra a todo instante, o porquê disso tudo… o que eu tenho ganho com isso? Se o feito até então valeu a pena… e, sobretudo, para que eu tenho procedido? Para qual rumo eu estou indo? Terá algum nexo nisso tudo?

Será que o nexo disso tem algo a ver com o Nexus, a explosão de uma suposta Supernova do centro da galáxia e que nos irradia com raios gama, desde 2008, segundo vertentes esotéricas ou pseudo-científicas que corroboram com todas as teorias da mudança global, nova era, 2012, apocalipses e fins de mundo que, a todo instante nos assaltam a mente?

Sabe-se lá…

Também as vertentes religiosas nos falam de mudanças em planos espirituais, de reformas de moralidade necessárias para “passar de fase” (sim, parece um RPG astral onde temos que realizar quests para ganhar pontos, evoluir o personagem e avançar de fase).

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Completei 40 este ano… espero que tenha uma coisa ou outra ainda reservada…

Experienciei muita coisa de 2010 para cá, embora, tenha tido prévias do porvir bem antes disso… e, durante os vários discursos ouvidos, tanto de espíritos, de mentores, de médicos, familiares, amigos e uma gama de gente que tentava me ajudar a voltar à “normalidade”, notei algumas ligações e “coincidências” que me apontavam que haveria uma necessidade de mudança… ouvi desde que “…tempos difíceis se avizinham”, até que “…tempos novos e alegres estão surgindo”…

E, nessa diferença gritante de “dicas”, que mais parecem fornecidas por institutos de pesquisa brasileiros e suas margens de erro ridículas (como a que transforma 1 milhão de pessoas em 20 ou 30 mil, para, em outras situações, transforme meia dúzia de gatos pingados em “milhares de pessoas”), percebi que também são causas de insanidade… afinal, como tentar pensar racionalmente com tantos dados difusos?

Mais adiante, me dei conta de que nem sempre pensar racionalmente é solução para tudo… sentir era tão essencial quanto pensar…

Mas, sensações e sentimentos, variam muito de momento para momento… o que “racionalmente” podem ser encaradas como problemas de ordem mental e que carecem de medicamento…

Eu diria que não… que essas mudanças são tão frequentes quanto novos paradigmas se apresentam aos que estão abertos a vê-los…

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Mentes fechadas em suas “certezas” dificilmente percebem coisas que fujam de suas cognições… já, aos loucos que percebem tudo de forma diferente…

Raul Seixas, o nosso maluco beleza, nos brindou com inúmeros pensamentos que, hoje, notadamente estavam à frente de seu tempo… o que, me parece mais que a sua insanidade residia muito na incapacidade dos “sãos” em perceber sua genialidade, do que, necessariamente, na “maluquez” dele… ilustrada, magistralmente, ao meu ver com a frase “…quem não tem visão, bate a cara contra o muro…”.

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Pois bem, queridos, se temos ao nosso redor pessoas caçando borboletas, OVNI’s nos céus ou a iluminação interior, se encharcando de Santo Daime, eu diria que são sinais de que algo grita dentro de cada um… são sintomas de que o “real” não basta, sintomas de que suas realidades são insuficientes para justificar o porquê disso tudo… e, por mais que ainda não tenhamos a menor ideia de qual seja essa solução, abrir cada vez mais os olhos, seja fundamental para que, caso nos cruze a frente, consigamos enxergar tal solução… ou, atingir meios de criá-la nós mesmos… sem ficar refém de nenhum baluarte ou arauto da “normalidade”… e, Deus nos livre, dos ditadores do novo “politicamente correto”…

Pensemos nisso… ou, simplesmente, pensemos…

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**Peço licença poética para as trossentas reticências usadas, pois elas justamente representam a não finitude do pensamento em cada frase em que as empreguei… (inclusive aqui)

O maior vendedor do mundo…

Eu adoraria estar aqui falando do épico livro do Og Mandino, best seller do pensamento positivo e da auto-ajuda. Para quem não conhece, eu recomendo fortemente…

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O maior vendedor do mundo, infelizmente, nos tempos atuais, é o medo. Sim. É uma merda problema sério para mim, aceitar esse tipo de argumento, mas, o mundo de hoje me leva a concordar com essa afirmação. Creio que todos já a tenham ouvido uma vez na vida, pelo menos.

Pois a razão de pensarmos nisso é justamente o cenário atual. E, não apenas abordar o medo em si, mas, o porquê ele está aí disseminado por todos os lados. Suas entidades, seus representantes e quem, de fato, se beneficia dele. Sim, existem (e muito) pessoas que se beneficiam do medo.

Pois, vamos lá. Como costumeiramente, ao amansa-burro:

me.do
(ê), s. m. 1. Perturbação resultante da ideia de um perigo real ou aparente. 2. Apreensão. 3. Receio de ofender, de causar algum mal, de ser desagradável.

“Perturbação resultante da ideia de perigo…”. Entenderam? Pois bem, ele é uma projeção… ou, uma ideia que temos de que algo irá nos perturbar… e, o instinto de preservação humana, programado em nosso DNA, encarrega-se de fazer o resto…

Onde quero chegar com isso? Bem, talvez em atentar para o fato de que o medo seja mais algo que nós mesmos produzimos do que ser algo que nos inserem… (ou inserem no nosso… BadooomTSSS)

Se analisarmos bem, o medo realmente não existe. Ele é a ponderação de que algo poderá nos infringir, nos arrebatar, etc… poderá… futuro… ou seja, é algo que ainda não aconteceu, mas, que achamos que irá acontecer. E, sendo assim, passamos a viver com essa egrégora sobre nossas cabeças. De que algo ruim poderá (mas não necessariamente irá) nos acontecer.

Pois bem, agora nos perguntemos o porquê do medo estar tão disseminado atualmente?

Eu poderia sugerir vários fatores. A crescente criminalidade, terrorismo, fatores sobrenaturais, catástrofes iminentes, o velho do saco, monstros embaixo da cama, reeleição daquele senhor barbudo… enfim… tudo aquilo que nossa mente puder acatar como sendo uma ameaça.

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Todos concordaremos que o nosso grau de compreensão de mundo e a capacidade de usar a lógica e raciocínio, limitará um pouco esse medo. Talvez para separarmos o medo que se sente ao assistir “O ataque dos tomates assassinos” no cinema, do medo de se ter uma célula de recrutamento do Estado Islâmico do lado da sua casa…

Embora, há quem me dirá que no universo, nenhuma possibilidade deverá ser descartada, afinal, sabe-se lá se em algum planeta habite tomates malvados que podem invadir a terra um dia, ou, se serão transformados em monstros por um experimento mal sucedido da Monsanto com seus transgênicos… (ok, hoje eu estou engraçadinho)

Mas, voltando ao assunto, eu diria que o medo é a moeda de troca para que aceitemos “reduzir nossas pedidas” e fechar um acordo com a outra parte… já falei disso em outro texto antigo, que não me recordo agora: quem aqui não ouviu alguma tática de venda que se baseava em sua segurança, de seus filhos e uma argumentação sobre como seria ruim ter um grande problema “só” porque você resolveu poupar alguns tostões? Aquele vendedor que lhe empurrou a tomada mais cara da loja, porque essa aí não tinha risco de incêndio em sua casa… ou, coisas do tipo.

Pois é, essa mesma lógica é usada para que o medo esteja por aí disseminado…

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Suponhamos: por que alguém em sã consciência gostaria de ter um estado totalitário, regulador, que tolha liberdades e que mantenha seus cidadãos sob constante vigilância e, ao menor indício de algo errado, intervenha fortemente? Por que alguém estaria disposto a delatar vizinhos, parentes e até mesmo pais ou filhos às autoridades se não fosse por medo, ou pavor, de que algo de gravíssimo lhes aconteça?

Por que alguém aceitaria ter seus rendimentos saqueados, ou, aceitar viver sob condições piores do que de fato poderia, se não fosse para aceitar o argumento de que o estado precisa de seu sacrifício para que possa lhe salvaguardar? Lembro, nessa hora, da forma que as máfias agiam em bairros, cobrando taxas de segurança dos comerciantes e moradores, para que nada de ruim lhes acontecesse… com aquele argumento de “sabe como é, acidentes sempre acontecem, não é?!”. E, caso alguém tivesse a petulância de não pagar tal taxa, o tal acidente era prontamente providenciado. Pois parece o que o estado (mafioso) faz conosco atualmente. E não só aqui no Brasil, mas, no mundo todo.

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A maioria de nós paga aos flanelinhas, guardadores de carros e afins, não para que eles nos guardem de assaltos, mas sim para que eles não danifiquem nossos carros em caso de negativa… aprendi isso no dia em que perdi um espelho retrovisor do carro da minha mãe, lá nos idos dos anos 90… quando ela me emprestava o carro para sair com os amigos…

Agora, aumentemos o espectro do pensamento e pensemos: em que situações do nosso dia a dia, esse tipo de coisa se aplica?

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Precisamos do medo de bandidos para depender mais do estado. E, se o estado diz que não consegue garantir isso com eficiência por não dispor de recursos, obviamente o nosso medo fará com que aceitemos pagar mais impostos para que isso aconteça (mesmo que, ao final, nunca aconteça). Só para ficarmos em um exemplo de situação.

Por que os americanos aceitam, mesmo em épocas de crise, ter a maioria de seu orçamento gasto com segurança? Por medo, certamente… medo de terrorismo, de invasão alien, de queda de meteoros e assim por diante…

Há gaiatos que dirão que os dízimos só fluem como rios para os bolsos dos religiosos, por medo do “coisa ruim”… e, como bom herege que sou, não lhes tiro a razão…

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Ao final, acabaremos concordando que o medo é, de fato, o melhor e maior vendedor do mundo. Og Mandino me daria uma miijada orientação de que não devemos perder as esperanças e que o amor traz o melhor de cada um de nós para que a corrente do bem seja sempre maior do que qualquer medo. E, a antítese do medo, ao contrário do que diz o dicionário, não é a coragem, mas sim, a confiança. Ao meu ver, é claro. A confiança de que assim como podemos projetar o pior cenário possível para o futuro, também podemos projetar o melhor… e, como gosto sempre de direcionar em tudo o que escrevo, só depende de nós essa escolha. Nunca – eu disse NUNCA – dos outros.

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O melhor vendedor do mundo: O medo…

Pesquisas e mais pesquisas tentam entender o comportamento do consumidor, tentar entender suas necessidades e desejos, onde a pirâmide de Maslow é o benchmark mais usado até hoje.

Mas, como vivemos em uma sociedade que (por enquanto, espero) não diz abertamente o que pensa, vou tentar aqui expressar um itenzinho que ninguém leva em consideração, mas faz toda a diferença… O MEDO.

O medo vende… e vende muito! Aliás, se há um elemento que detona toda a concorrência, este item é o medo. Economistas não levam em conta, administradores não ousam tocar neste detalhe e nenhuma analista tenta incluí-lo como premissa. Mas eu vou (mesmo sendo administrador).

Fatores influenciam – e muito – em uma compra. Ok, ok, isso foi redundante. Vou exemplificar.

Quanto você pagaria agora por um copo d’água? Agorinha mesmo, aí, sentado na frente do seu micro, tendo uma geladeira ao lado? Nada? Nem eu… mas, e se você estivesse no deserto morrendo de sede? Tudo o que você tivesse posse seria inútil se fosse morrer de sede em seguida… ok. Mas, no primeiro caso, você em casa e com uma geladeira ou um filtro ligado à torneira, recebesse uma ligação de um vendedor de água… (não necessariamente uma ligação, imagine a situação que preferir) o cara viesse te oferecer água e, isentando detalhes de qualidade e pureza x água da torneira com a dúvida de purificação da sua companhia do governo, o cara, simplesmente, te dissesse que estamos em uma situação em que a água disponível seria envenenada, faltaria nas torneiras em breve e que, quem tivesse água estocada em casa sobreviveria ao caos que se tornariam as ruas? Você compraria?

Digamos que a lógica é extensiva a outras situações. Você aí que exige mais educação, mais postos de saúde, mais saneamento básico, comida, etc, etc, etc… e se o seu governo dissesse que estamos prestes a sermos invadidos por uma civilização alienígena e todos nossos recursos deveriam ser destinados para montar linhas de defesa? Você aceitaria abrir mão de suas necessidades básicas?

Ok, dramático demais… situações extremas em que talvez (ou não) nunca aconteçam. Voltemos ao cotidiano…

Sua tomada de casa está dando curto circuito e, de uma hora para outra, fritou o cabo do seu secador de cabelos preferido. Seu cabelo está uma cachopa de marimbondos e o desespero bate. Você chama um eletricistas às pressas e, o que aparentemente parecia ser uma troca de tomada, vira uma ameaça:

– Olha moça, essa fiação é fina demais. Qualquer coisa que for ligada aqui pode derreter os fios, e, com essa estrutura antiga do seu prédio, pode colocar fogo em todos os apartamentos…

– Mas como? Moro aqui há anos e nunca tive problema com fiação…

– Então a senhora deve agradecer a Deus por estar viva até hoje… tá vendo esse fio aqui? Pois então, a espessura AWG não é compatível com as normas do Inmetro, essa fábrica nem existe mais, fora que, está tudo ressecado. Deus me livre, mas a senhora nasceu de novo…

– Puxa, e eu achando que era curto na flecha do secador…

– Minha senhora, a vida é sua, se a senhora preferir eu troco só a tomada, mas, a senhora assina para mim um termo de isenção, para quando der o incêndio eu não ser responsabilizado de não ter alertado a senhora. A senhora tem crianças?

– Sim, 3 filhos…

– Bem, então eu como um bom cidadão, terei que registrar em cartório que a alertei sobre os perigos, fora que como cristão, não posso deixar colocar esses anjinhos em risco e dormir tranquilo, dona. Eu tenho consciência…

– Não sabia que a situação era tão perigosa, por favor, arrume isso o quanto antes! Quanto isso vai me custar?

– Nada, senhora… nada se comparado à sua vida e a da sua família…

Prontinho dona, agora sim a senhora pode dormir tranquila. Na garantia…

Cuma?

O que eu faço por aqui? Ainda não sei…

Bem, para começar, a vontade de desabafar sobre situações, casos, acontecimentos, ou, qualquer outra coisa que me der na veneta, foi o que me fez chegar até aqui.

Pois bem, sobre o que divagar?

Depende do dia, do que aconteceu durante o dia, do que eu vi, li, escutei, vivenciei, sonhei, pensei ou viajei na maionese.

Compromissos?

Só com o que eu julgo ser correto, com os meus princípios (ou a falta de) e com as contas que eu tenho que saldar no final do mês. É claro que, se eu me proponho a escrever textos acerca de coisas que me incomodam, supostamente, se eu não tentar ser um pouco melhor do que estes problemas ou, pelo menos aprender a não repetir maus exemplos, estaria eu aqui sendo um baita hipócrita e perderia automaticamente a razão de escrever um blog. Peço a todos que, quando acharem que eu peguei o bonde errado, estejam a vontade para me fazer acordar.

Aliás, acordar…

Acordar é uma necessidade. Necessidade??? Ou obrigação???

Para os que trabalham por exemplo, e respeitam horário, ela é uma obrigação. Não seria se você não estivesse nem aí para o seu trabalho, é claro, mas para os demais, é uma obrigação sim. Para os que pretendem sair do estado “sonolento”, ele é uma necessidade… entendeu? Nem eu… mas vamos lá…

O que é acordar?

Peço ajuda ao amansa-burro…

a.cor.dar
v. 1. Intr. Sair do sono; despertar. 2. Tr. dir. Tirar do sono; despertar. 3. Tr. dir. e tr. ind. Animar, avivar, excitar. 4. Tr. dir. e pron. Lembrar(-se), trazer à memória. 5. Tr. dir. e tr. ind. Ajustar, combinar, concertar. 6. Tr. dir. Afinar, pôr em harmonia ou consonância (instrumentos). 7. Tr. ind. Recobrar os sentidos, voltar a si. 8. Tr. dir. Acomodar, conciliar. 9. Pron. Harmonizar-se, reconciliar-se, pôr-se de acordo.

Bem, algumas palavras-chave podemos tirar daí:

  • ajustar;
  • harmonia ou consonância;
  • recobrar os sentidos;
  • voltar a si;
  • conciliar;
  • harmonizar

Mas, a principal delas, ainda é DESPERTAR, que, também segundo o amansa, é:

des.per.tar
v. 1. Tr. dir. Tirar do sono; acordar. 2. Tr. ind. e intr. Sair do sono; acordar. 3. Tr. dir. Animar, excitar. 4. Pron. Manifestar-se, surgir.

Manifestar-se, SURGIR…

Pois bem, acordar ou despertar, ao meu ver, é uma NECESSIDADE, afinal, retomar posse de si mesmo, sair do estado de torpor e assumir as rédeas da situação é um direito que todos devem ter.

Então amigos, recobrar a consciência, ou acessá-la lá naquele cantinho escondido, é algo que nem todos conseguem (ou querem).

A má notícia é que só há uma maneira de conseguirmos tal feito. Através do conhecimento. O conhecimento de si, dos outros, do ambiente, do planeta, do universo… e, para tal, serão necessários estágios diversos. Desde ouvir baboseiras e julgá-las uma verdade inconteste, até, um dia, com todo o arcabouço de conhecimento adquirido, ter a hombridade de olhar aquela “verdade inconteste” e, enfim, entender que não passava de baboseira.

Acredito que chegaremos no dia em que, enfim encontraremos verdades absolutas. Mas, só as reconheceremos se estivermos sintonizados a elas. Se ela fizer parte do nosso conhecimento. Se ela já tiver sido testada, contestada, depurada e finalmente absorvida. Vivenciada.

Todos vivemos em estágios diferentes de vida. Desta maneira, devemos entender que cruzaremos com aprendizes e mestres, mas, de forma alguma, devemos achar que algum aprendiz nos dê uma lição menor do que qualquer mestre, afinal, só é mestre quem se julga eternamente aprendiz.

Imagem“Agora mãe? Ah, só mais 5 minutos, pô!”