Meu Marx favorito

Por um tempo, fui colunista do site 1NewsBrasil. Escrevi algumas colunas, sempre com cotações altas – finalizei com média 9,7 de avaliação – até que derrubassem o site e minhas colunas sumissem com ele. Felizmente, guardei backup no meu computador e, nesta semana, fui agraciado por um leitor que havia compartilhado e, reaparecendo em seus históricos, não conseguiu reler a matéria. Assim, vou repostar algumas das minhas colunas por aqui. Segue a primeira:

Meu Marx favorito: quando finalmente me tornei um marxista convicto

Sim, após muito tempo vagando entre ideologias, vendo prós e contras de uma ou outra, analisando minuciosamente o que me empurravam de forma velada ou clara, acabei me rendendo ao marxismo. Poderia até dizer que me tornei entusiasta do marxismo cultural, aliás.

Citei outro dia, em um artigo, uma frase do meu Marx favorito – que não é malvado -; onde ele dizia: “Você prefere acreditar em mim ou nos seu próprios olhos?”, o que me trouxe vários retornos de aprofundamento nas ideias de tal gênio. Pois, indo atrás do assunto, me deparei com algumas frases e as exponho aqui para que entendam o porquê virei um entusiasta da causa marxista. Falo dele, o único Marx que deu certo na vida: Groucho; ou, Julius Henry Marx.

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Ao contrário do outro parente mais aclamado por (pseudo) intelectuais, o Groucho realmente falava com a retidão de quem compreendia a natureza humana e, excelentemente, para o meu gosto, de forma sarcástica a expressava para que, com risos, o pessoal entendesse o quão ridícula a situação pode ser. Creio que me espelho nesse tipo de expressão pública, ao perceber que só nos resta a ironia e o sarcasmo para expressar o tamanho da enrascada em que nos metemos ao deixar o surreal tomar as rédeas da sociedade.

Pois bem, além da primeira frase citada, que é clara em ironizar a narrativa, onde as pessoas tentam subverter o óbvio, mesmo que lhes salte aos olhos, tenho outra preferida, que cai muito bem para os dias de hoje: “Estes são meus princípios. Se você não gosta deles, tenho outros”. GÊNIO!!! A frase é extremamente adequada para o darwinismo moral que vivemos; onde tudo é questão de se adaptar, inclusive, os princípios. Podem servir um hora, enquanto passam a ser impensáveis no instante seguinte. Lembra o duplipensar que falava George Orwell no clássico ‘1984’. Mais ou menos como aquele pessoal que jura de pés juntos que é amante da democracia e combate ditaduras, mas, ao mesmo tempo, expressa total apoio ao venezuelano Maduro.

Nunca esqueço um rosto, mas, no seu caso, vou abrir uma exceção”, também ele disse certa vez. E eu diria que alguns rostos, inclusive, têm o dever de cair no ostracismo da história, mesmo que, em contrapartida, nunca devam ser esquecidos, para que não voltemos a errar em acreditar em ‘salvadores da pátria’.

Outras frases que eu adoro:

“Para mim, a televisão é muito instrutiva. Quando alguém a liga, corro à estante e pego um bom livro.”

“Há tantas coisas na vida mais importantes que o dinheiro. Mas, custam tanto.”

“Foi um juiz que me casou. Eu deveria ter pedido um júri.”

“O segredo do sucesso é a honestidade. Se você conseguir evitá-la está feito!”

“Ele pode parecer um idiota e até agir como um idiota, mas não se deixe enganar: é mesmo um idiota!”

“As noivas modernas preferem conservar os buquês e jogar seus maridos fora.”

“O matrimônio é a principal causa do divórcio.”

“Eu não posso dizer que não discordo com você.”

“Eu pretendo viver para sempre, ou morrer tentando.”

“Inclua-me fora disso.”

“Por que eu deveria me importar com a posteridade? Ela nunca fez nada por mim.”

“Eu quero ser cremado. Um décimo das minhas cinzas devem ser dadas ao meu agente, assim como está escrito em nosso contrato.”

“A filosofia é a ciência que nos ensina a ser infelizes da maneira mais inteligente.”

“Antes que eu discurse, tenho algo importante para dizer.”

“A política é a arte de procurar problemas, encontrá-los em todos os lados, diagnosticá-los incorretamente e aplicar as piores soluções.”

E, uma frase que eu creio que ele possa, porventura, ter dito ao outro Marx mais renomado:

“Do momento em que peguei seu livro até o que larguei, eu não consegui parar de rir. Um dia, eu pretendo lê-lo”.

E aí está, amigos, meu testemunho do dia em que virei um marxista cultural convicto. Contra a vertente do pensar e a essência do autor, não tenho como me debater. Este é, disparado, ‘The Ultimate Marx’. O resto é comediante.

 

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O devido valor das coisas

Bom, passou-se um tempo, evoluí em alguns quesitos, pondero ainda sobre outros e, ao final deste período, agora com formação em PNL e coach (apenas para auxílio, sem profissionalização na coisa), posso dizer que tenho novos filtros para algumas coisas que, antes via de um jeito e, hoje, tenho mais ângulos para analisar.

Primeiramente, agradecendo ao Leo Berlese, do Conexão Alpha, que me propiciou, carinhosamente, que eu atingisse esse ponto e, de uma forma ou de outra, por gratidão, pretendo auxiliar quem eu puder, com a mesma dedicação em que ele se propôs a me ajudar.

Aprendi, entre muito pensamento e auto-conhecimento, que somos a soma de nossas ações e das emoções que guardamos dessas ações. Ou, resumindo, o valor que damos às coisas. A partir disso, procedemos em um encadeamento de ações e reações, guiados por aquilo que mais presamos, no sentido pró-ativo-positivista, versus o receio ou o repúdio daquilo que mais desprezamos, de forma reativa ou pró-ativo-negativista.

Assim, entendo, hoje em dia – até o momento, ao menos – de que muitos de nossos medos advém desses conflitos internos. Creio que ninguém nasce com medo ou algum tipo de fobia. Acredito, tal qual John Locke e sua ideia da ‘tábula rasa’, que o homem nasce uma folha em branco e suas vivências vão ditando os rumos seguintes.

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Esse pensamento, depois de uma conversa com um colega de trabalho, falando sobre medo de locais fechados, me veio quando redargui, contando um medo de voar de avião, que nunca tive quando mais novo, mas passei a ter depois que me tornei pai.

Íamos ao casamento da minha irmã, no Uruguay e pegamos um voo de Porto Alegre, um dia antes. Já havia voado antes, sempre tranquilo e dormindo no voo, até com turbulências, inclusive fazendo piadinhas sobre o avião explodir no ar, para desespero da minha mãe. Mas, um dia antes daquele voo, comecei a suar frio e a ter dores de barriga. Nervosismo óbvio somatizado. No dia do voo, minutos antes do embarque, corri para o banheiro, no próprio aeroporto, para piada geral.

Já sentado no banco da aeronave, conversando com a minha atual ex-mulher, esposa na época, confessei que aquele nervosismo vinha do fato da minha filha estar na aeronave também. A história correu o resto da família, sempre com piadas, dizendo que eu estaria colocando a culpa na criança pelo meu medo de voar.

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À época não tinha os argumentos de hoje e, tampouco, a visão mais ampla, com mais subsídios de pensamento, para concluir o que aqui faço preâmbulo. A verdade é que, se analisarmos meu perfil, antes de ser pai, é fato de que eu era considerado um ‘porra-louca’, que veio ao mundo à passeio, como disseram muitos do que conviveram comigo durante essa fase, sendo eu um quase sem-noção do perigo, frente à quantidade de merda doideiras que já pratiquei.

Inclusive, dificilmente lembro de algo durante o sono. Raramente tenho memória de algum sonho e não costumo ter pesadelos. Pois, dias depois do nascimento da minha filha, lá em 2004, época onde ainda tinha cabelo, tive um pesadelo onde o bebê, engatinhava (coisa impossível para um recém nascido), subindo uma parede em direção à janela (sim, tipo homem-aranha) e eu, sem ação, não conseguia me mover para evitar sua queda da janela. Tempos depois, um outro sonho doido de um apocalipse zumbi, em um parque de diversões, onde eu tinha que enfrentar zumbis, na porrada, com ela em meus braços, enquanto deixava o resto do pessoal para trás, numa clara visão subconsciente de quais eram minhas prioridades naquele momento.

Portanto, ficou evidente para mim que eu passei a ter medo, talvez o meu maior medo de todos até hoje, de que algo de ruim aconteça com minha filha. E isso povoa toda a matéria da fábrica de pesadelos, quando a mente humana entra em estado de sintonia negativa.

Aquele voo para Montevideo foi assustador para mim, porque simplesmente se algo acontecesse com aquele avião, meu bem mais precioso estaria em risco e não haveria nada que eu pudesse fazer. E isso, senhoras e senhores, é a expressão maior de medo que meu sistema nervoso poderia compreender. Somatizei bonito.

Hoje, compreendo que, dando o devido valor às coisas, nos debatemos entre o positivismo, de crer que tudo dará certo e que temos um futuro brilhante pela frente; e o medo de que algo ruim pode acontecer. Aprendi, de um mestre da tanatologia, durante a especialização em psicologia forense, que a dor da perda de um filho é a maior dor que um ser humano pode ter. E é uma dor que não cessa. Nunca! Olhando em perspectiva, passando por essa aula, compreendo melhor ainda o porquê virei praticamente um cagão no que diz respeito à minha filha. Prefiro infinitamente me engalfinhar a socos com gente armada, ou enfrentar uma guerra que seja, ou sei lá qual outra máxima da pieguice para expressar o amor paterno, do que cogitar qualquer coisa de mal acontecendo a ela.

Nessas horas, o arquétipo do herói tenta assumir o controle, embora, conscientemente, eu saiba que o melhor que eu posso fazer é estar por perto, dar carinho, atenção e ensinamentos para que ela seja auto-suficiente na vida. De preferência, sem nenhum arranhão no caminho. Coisa que eu também sei que não é possível, afinal, as dores fazem parte do aprendizado.

Já cantava Jason Mraz, na inigualável “93 million miles“, na parte onde – traduzindo livremente – ele diz:

“Ó, meu pai irrefutável
Ele me disse, filho, às vezes, pode parecer escuro
Mas a ausência da luz é uma parte necessária
Apenas saiba, que você nunca está sozinho
Você sempre pode voltar para casa!

E foi assim, meus amigos, que, ao descobrir o que eu tenho de mais precioso na vida, descobri meu maior medo. Cabe a mim, enfrentá-lo diariamente com coragem e sabedoria.

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Até a próxima!

P.S.: Ao procurar ilustrações na internet para este post, descubro que há uma coluna digital do Marcos Piangers, intitulada “O valor das coisas” – provavelmente não por coincidência – que também fala de relação de pais e filhos, só que no caso dele, fala da relação entre presentes versus estar presente, no meu caso, é o valor que dou à minha filha. Realmente, quem entende o significado de valor das coisas, sabe a importância da relação com filhos.

O imprestável

  • “Bah, mas tu é um imprestável!”. E assim finalizou-se um diálogo que chegou aos meus ouvidos, por aí, dia desses.

E, para variar, me despertou algumas conexões em que eu revi, rapidamente, nuances de vida, com as quais notei que estavam vinculadas a episódios não muito agradáveis da minha vida. Obviamente, por se tratar de um xingamento, não poderia esperar outro resultado, embora, ao frigir dos ovos, creio eu que o entendimento final tenha servido para elucidar outras nuances minhas que estavam lá, guardada em alguma gaveta do meu cérebro.

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Pois bem, fazendo o exercício de empatia, me colocando na posição da pessoa (que poderia ser eu) que ouviu tal coisa, ou qualquer outro que tenha ouvido isso, direta ou indiretamente, poderia me desacoplar da cena, deixando a “câmera mental” fluir, interagindo com a coisa toda, como se fosse eu o arquiteto de tudo, iniciaria assim:

Tentaria entender, primeiramente o intento do ‘xingador’, com o mapa mental do ‘xingado’, casando o contexto todo. Assim, com todos os elementos a serem levados em conta, conseguiria entender o recado dado de um lado e como ele foi entendido do outro lado.

Pois bem, hipoteticamente falando, digamos que um cidadão peça para você fazer algo para ele. Você se dispõe a fazer, mas, de alguma maneira, a coisa não é executada como a mente do ‘pedinte’ imaginava. Ele fica irritado, pede que você faça no tempo dele, do jeito dele, dentre outros quesitos que ele julgue ser importante. Aí, você contra-argumenta que fará do seu jeito, a seu tempo e como achar melhor ou mais fácil, uma vez que é você quem está executando a coisa e, já que nada melhor foi sugerido, no seu entender, você segue com sua maneira.

Assim, o primeiro participante da situação, irritado, solta a frase de que você é um imprestável. Primeiro erro, afinal, ele até tem o direito de criticar sua ação, ou a forma de realizar o pedido, mas, preferiu atacar sua identidade. Erro grave.

Provavelmente o cidadão que ouve tal coisa, entende que aquilo não é uma crítica, afinal, não envolvia a ação; tratava-se, então, de um insulto, uma vez que ataca quem ela é e não o que ela fez.

E aí a merda desanda, geralmente.

Mas, como ando numa outra fase da vida, consigo entender essas nuances, atualmente.

Assim, compreendo que o que a outra pessoa entende por ‘imprestável’, não é o mesmo que eu entendo. Ora vejamos:

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Bem, certamente a pessoa que ouve tal coisa, não é de todo um inútil. Certamente ela é boa em algo. Provavelmente, até melhor que quem profere tal coisa em quase tudo. Mas, naquele quesito, um cidadão acha que o outro não está lhe servindo. Ok, o cidadão tem o direito de achar isso. Porém, o erro principal consiste em dizer que a pessoa é imprestável, enquanto a ação é que supostamente é.

A grande verdade é que não o que a pessoa julga ser útil a ela, é um quesito que é baseado única e exclusivamente no que ela entende da vida e da situação específica. Incluindo aí, todas suas limitações. Por exemplo, ela pode ouvir uma solução a um problema muito melhor do que o que ela imagina, mas, ela é burra demais para entender isso. Assim, prefere do jeito dela, simplesmente porque ela é preguiçosa demais para se esforçar e buscar novas formas de entendimento de algo.

Temos, aí, por exemplo, a situação onde um imbecil acha que um cidadão com o QI muito superior ao dele, é um imprestável, pois ele não foi capaz de conseguir realizar uma tarefa da forma débil que lhe foi pedida.

Exemplificando, um físico nuclear pode ser considerado por um mestre de obras (com todo o respeito às profissões do exemplo aqui) um imprestável, porque não conseguiu erguer uma parede com a destreza de um peão de obras novato.

Pois bem, esse raciocínio hipotético todo, no final das contas, me serviu para entender a situação onde pode haver muita gente se sentindo mal, ou se achando menor do que realmente é, talvez, porque absorveu um insulto de alguém. E esse alguém, talvez, sendo um completo idiota. É fato de que cada um tenta fazer o melhor que pode, tendo em vista tudo aquilo que viveu até o momento. Assim, talvez existam vários cidadãos por aí, que podem começar a entender a enorme diferença entre críticas à ação de alguém e o insulto à identidade desse alguém. E, se a pessoa entende essa diferença, mas segue utilizando expediente, talvez seja ele o problema, não você.

Exclua-se aí todo o quesito zoeira, xingamentos de internet com a polarização política, sobretudo, a eterna guerra direita x esquerda, onde cada um considera a outra parte, imprestável para sua visão de mundo. Pois, aí, inclusive, fazendo um mea culpa, compreendo que as ações destes é que são imprestáveis ao que eu entendo por algo útil, logo, a lógica serve a mim, inclusive, quando destilo meu sarcasmo pelas redes sociais.

E, para finalizar, tem também aquela célebre frase, que não sei o autor, que diz que ‘antes de tratar sua depressão, verifique se você não está apenas cercado de imbecis te puxando pra baixo’ – ou algo parecido com isso – que li por aí.

Ah, não… achei, é esta:

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Ok. A situação foi comigo… mas, deixa pra lá, afinal, ela mais me ajudou do que atrapalhou, no frigir dos ovos.

A sua cultura, no dos outros, é refresco

Tenho observado debates acerca da importância da cultura para todos. Concordo. Também concordo que há, ainda, dificuldade em, sequer, definir o que, de fato, é ou não cultura. Vide, por exemplo, a arte – uma das tantas formas de cultura – e a definição, na própria arte, do que é cultura e o movimento contra-cultura, que, nasceu justamente da necessidade de se criticar a arte e sua cultura focada no belo.

Não sabiam? Sim, inclusive, recomendo fortemente um documentário da BBC, do Roger Scruton, que fala da importância do belo, mostrando, durante o documentário, como nasceram e no que se baseavam essa contra-cultura. Aqui está:

Meu preferido ainda é o ‘An oak tree’, onde o cidadão coloca um copo d’água, em uma prateleira de vidro e o rebatiza como um ‘Carvalho’ (Oak Tree). Ele dá explicações sobre o ‘processo’ em uma entrevista, anexa à obra, o que deixa o leitor curioso acerca de qual instituição psiquiátrica internar, ou se o cara é só um gaiato mesmo. Eis…

Enfim, prosseguimos com o pensamento acerca do que, de fato é cultura, uma vez que ela pode ser algo tão… digamos… metafísico, relativo, interpessoal ou seja lá qual o termo que você escolha para tentar ilustrar aquilo que sequer consegue descrever. Pois bem, vamos ao amansa-burro, o nosso querido dicionário:

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Aqui, podemos notar que a cultura está vinculada ao cultivo de algo. Assim, um cultivo de bactérias, por exemplo, também pode ser chamado de cultura, igualmente.

Mas, ok, tentemos interpretar a coisa e dizer que o cultivo de algo adequado à condição de sobrevivência, pode ser chamado de cultura. Assim, temos como tentar traçar um paralelo sobre se o que temos hoje em dia é, de fato cultura?

E, melhor, perguntemo-nos se, isso é, de fato (sim, estou insistindo no ‘de fato’ para ser enfático – com redundância e tudo), algo essencial à sobrevivência humana.

Outro detalhe, observando um outro evento ‘cultural’ acontecendo aqui na minha cidade, Porto Alegre, em uma matéria no tele-jornal local, também me vi percebendo que os participantes de tal movimento, eram todos polarizados à uma única ideologia política. Coincidência? Então, como definir uma cultura, de forma geral, se ela segue sendo instrumentalizada por A ou B para suas próprias causas? Tal qual Michael Craig utilizou sua “An Oak Tree” para sua crítica específica ao modelo de arte que cultua o belo e as formas, podemos notar que o que se chama “movimentos culturais”, na verdade, utilizam ferramentas de expressão artística, vendendo sua própria ideologia.

“Ah, mas o que não se vende ideologia embutida, hoje em dia, não é mesmo?!” – vocês podem estar pensando. E eu direi: pois é, sendo assim, por que, então, tanta histeria quando alguém tenta aplicar outra ideologia, através do modelo cultural, quando ela é diferente da sua? Ou a cultura deve ser tratada de forma livre, acessível à todos, ou, então, ela deve ser controlada e censurada. A diferença é que alguns são hipócritas demais para dizer isso em voz alta. Então, variam entre defensores da liberdade em um dia, mas se veem pedindo exclusão de peças ou material que os ‘ofenda’.

“Aaaaain, mas o que é ofensivo não é arte” – poderão insistir comigo. E eu direi: então decidam-se, afinal, ver pessoas urinando, defecando, realizando performances esfincterianas e demais escatologias, tal qual crianças apalpando um adulto nu, podem ser consideradas arte ou cultura, como, então, dizer o que é ou não ofensivo em uma piada ou em ridicularizar um modelo de argumento insano, como chamar um copo d’água numa prateleira, de uma árvore de carvalho?

Assim, como em vários ambientes, pau que dá em Chico, também dá em Francisco e, ao tentarem definir o que é ou não cultura, tal qual Scruton em seu documentário tentava nos municiar de bases para definir o que é ou não é arte, nos vemos em uma cilada moral. Liberem-se as ideias de todos, ou cercearemos todas? Liberar um pedaço e liberar outro, aí complica.

Temos aí também o caso do CONAR, que jura que está lá para ‘ensinar’ publicitários a separar o que é informação de mercado, do que é material ofensivo. E aí, também entra a ideologia. Ofensivo baseado em quê? Em qual modelo cultural? Se marmanjos explorando seus tobas, como na performance ‘artístista’ chamada “Macaquinhos” (pesquisem no Google, me recuso a colocar imagens), pode ser considerada arte, então como dizer que um fulano ou fulana, usando cabelo ou roupa assim, ou assado, pode ser considerado ou não ofensivo? Notem que, se usarmos comparativos extremos, a coisa fica mais ridícula ainda.

Portanto, queridos que persistiram até este parágrafo, notem que há sim a necessidade urgente de se debater a cultura e, sobretudo, o que faz dela fundamental à sobrevivência. O que eu, particularmente, tenho percebido, é que o cenário atual não nos beneficiou muito com essa tal cultura militante que até hoje está vendendo gato, disfarçado de lebre.

Meu conceito de arte? Bem, é tudo o que me eleva o espírito. Já, cultura, é o conjunto de coisas que me impactam e me dão subsídios a pensar e rever as coisas diariamente. Assim, é importante visualizar o ridículo, às vezes, para realmente dar o devido valor ao belo. No meu caso, é claro. Tal qual, vejo que é mais essencial do que nunca, que as pessoas saibam diferenciar o ridículo do belo. O que é feito como crítica ou simplesmente para escrachar algo, do que é, de fato, algo propositivo. Eu, por exemplo, uso a escrita sarcástica para ridicularizar as patetices da vida, que, na minha concepção, estão nos banhando diariamente. Assim, é o meu meio de apontar, tal qual o guri do conto da “Roupa Nova do Rei” gritava, durante o desfile do soberano, que “O REI ESTÁ NU!!!”.

Cultura é a soma de fatores que nos fazem compreender as coisas e nos dão subsídios de pensamentos, alinhamentos e, sobretudo, filtros de enxergar coisas. Assim, fazer da cultura uma forma de narrativa única, não só é errado, como algo totalmente criminoso. Seja para o lado que for. Atualmente temos uma cultura única no país, com tendência de mudança. Quero crer que tal mudança seja inclusiva, mas, é certo que a inversão imediata de conceitos, dará impacto direto nos que estão acostumados à narrativa única e já caíram no conto do discurso único e ‘humanista’. Contrapontos, amigos, eles são essenciais para o avanço do pensamento. Do contrário, é lavagem cerebral, pura e simples.

Todos têm direito de expressão, seja ela patética, ridícula ou, simplesmente, retardada no âmbito de avanço cultural. O que não podemos, é tentar fazer desses retardados, o parâmetro a ser seguido. Temos é que instigar o cidadão a identificar e a separar o que é útil do que é simplesmente um exemplo a não ser seguido. Como, por exemplo, alguns poderão achar que é o caso deste artigo. E estarão em seus direitos.

Metáforas, alegorias and Bullshits

Tenho adentrado em estudos acerca do comportamento humano, há tempos, desde que me apaixonei pela psicologia, fazendo vínculos em meus estudos com a filosofia, buscando (ainda sem grande sucesso) compreender a alma humana, sua vontade e o que os move. Dentre tantos cantos percorridos, encontrei de tudo, desde insights profundos em músicas, desenhos animados, games, livros e, até mesmo, gurus especialistas; e, como tudo na vida, vi o lado bom e o lado ruim disso; afinal, há de se ter parcimônia para tudo nessa vida.

Por exemplo, o uso de metáfora e alegorias. Sempre tem alguém contando uma historinha bonitinha para exemplificar uma situação de vida, onde, embutido, está o ensinamento. Algumas são realmente interessantes, pois, como toda a historinha, a gente ouve, compreende o que precisa e segue firme. Isso, obviamente, para os normais; já, para os chatos de plantão, como eu, sempre haverá de ter mais de uma interpretação para a coisa. Talvez porque eu, revisitando a fase dos porquês, ainda esteja querendo entender os contextos do que atiram por aí em broadcast.

Sempre gostei de histórias e o que podem nos ensinar. Até arrisquei uma parábola por aqui, outro dia, com a das ostras; sou fã da “Roupa nova do rei” e me identifico muito com o guri que grita que o rei está nu (Spoiler Alert! Ops, tarde demais), enquanto os demais fingiam ser inteligentes, admirando o tecido invisível. Mas, como tudo são filtros nessa vida, hoje noto que poderia vir um outro sabichão dizendo que na verdade, tal tecido existia e apenas alguns ‘escolhidos’ poderiam, de fato, vê-lo. E, assim, o menino, representante do atraso e da intolerância, grita dentre a turba, que estaria o rei despido, fomentando a ignorância dos que não conseguiam ver, frente à visão avançada dos iluminados… e, ainda poderia ilustrar com uma frase célebre de algum filósofo importante, fazendo o devido link.

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Pois, depois que iniciaram as recontagens de histórias no mundo cinematográfico, com o Drácula tendo uma origem diferente, ou a Malévola sendo vítima dum macho opressor, dando início a um período de dissonância cognitiva, até a redenção ao final (outro spoiler: foda-se!), é normal que a onda do ‘tudo tem dois lados e as visões podem ser deturpadas), há de se ponderar a utilização dessas figuras de linguagem.

Bom, para começar, definamos a diferença entre metáfora e alegoria, de acordo com o tio Google:

A principal distinção feita entre alegoria e metáfora se refere à frequência e extensão do uso da linguagem simbólica. A metáfora é usada mais pontualmente, se referindo a termos isolados. A alegoria ocorre na totalidade do texto, sendo formada por diversas metáforas interligadas entre si.

Pois, nessas figuras, temos muita coisa por aí… desde animais de poder, até contos diversos, onde a técnica do storytelling, cuja qual fiz um curso na Iversity, potencializa os ensinamentos, envolvendo o conteúdo em algo lúdico ou impactante de outra forma.

Mas, como sou eu esse xarope de sempre, me vi, para variar, ponderando o outro lado da coisa. Até por estar convivendo com essa geração que problematiza tudo, desde comercial de margarina, até se algum famoso se apropriou de algo ao fazer um penteado diferente. Assim, ao me deparar com uma metáfora de que deveríamos, tal qual os pássaros, alçar voos maiores e coisas do tipo – com variações para águias que arrancam o bico ou as penas -, percebi que dá para arrumar maneira de esculhambar a coisa, usando essa mesma técnica de perturbação.

Pássaros cagam na cabeça dos outros, um engraçadinho dirá. Sim, também podemos dizer que pardais comem bosta, urubus alimentam-se de carniça e por aí vai. Assim, quando adentrarmos a seara da ilustração figurativa, devemos tabular bem a coisa de forma a não dar muita margem a alguns bestas subversivos, colocarem tudo a perder.

Assim, que fique claro que uma ilustração é apenas isso: um exemplo. Algo a se compreender, de forma mais simples. Grandes mestres o fazem em amplo espectro, como Tolkien, por exemplo, contou a segunda guerra mundial, na obra-prima, “O Senhor dos Anéis”, ou mesmo C.S. Lewis falou de religião nas “Crônicas de Nárnia”.

Também há de se ponderar que toda história (ou estória) tem um conteúdo embutido e uma ideia central. Antigamente se dizia que “…a moral da história…”, de forma definida, apontava o ensinamento em si. Ao menos antes dos relativistas morais darem jeito de desconstruir as coisas. Há, inclusive, um cidadão que resolveu recontar “O Senhor dos Anéis”, sob a visão dos vilões. Obviamente, mesmo eu não tendo lido, imagino que há muita semelhança com alguns padrões atuais de pós-verdade que encontramos inseridos nas narrativas midiáticas.

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Os conceitos de heróis e vilões, baseados em arquétipos pré-definidos por cultura vigente, podem variar de acordo com o viés de quem conta tal história. Ora vejamos: haverá muita diferença entre os heróis de um acontecimento histórico, de acordo com qual lado você está da história. O certo é que o cerne da história contada, diz qual é a ‘moral’ por detrás da coisa. E, assim, saberemos qual a ideia ali contida e qual a intenção da mesma.

‘Ah, mas histórias são apenas histórias’, dirão. E eu discordarei radicalmente. Mesmo um conto infantil tem algo embutido. Vide a Chapeuzinho Vermelho que, desde sempre, toca o terror para lembrar que pode dar muita merda quando a criança não obedece os pais.

Também, para tal, cito todo o nosso conceito cultural do momento. Desde obras de arte, exposições, programas de auditório, jornais – impressos, de rádio ou televisão -, peças teatrais, cinema, séries, novelas e uma infinidade de itens, que, contemplam toda uma ideia inserida. Ideia essa que compõe um inconsciente coletivo. E, não por acaso, essa narrativa é insistente, contínua e incessante. Ela se baseia no conceito de transvaloração, do Nietzsche, que diz:

Por outro lado, Nietzsche fala em transvaloração, entendendo por isso o processo pelo qual a dissonância cognitiva passa para a história. Em outras palavras, o modo pelo qual os valores vão mudando ao longo do tempo. Nos primeiros choques, a consciência rejeita as contradições de seus “princípios” assentados em convicções. Depois, começa a envergonhar-se de suas evidências, e por fim a admitir o que antes seria impossível. O processo de mudança é por isso lento e de alta ansiedade.

Um outro exemplo, é o conto da “Raposa e as uvas”, que tem por moral da história, dizer que sempre tendemos a menosprezar aquilo que não conseguimos ter.

Eu, insistentemente tenho falado sobre o assunto, das narrativas diárias e o que elas embutem em nosso inconsciente, de forma meticulosa, tentando formatar as ideias e nossas conexões futuras.

Para tal, a máxima do nosso folclórico ET Bilú, é ainda primordial: “…buuuuusquem o conhecimeeeeeentoooo”.

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Amar os outros como a si mesmo… what?!

E eis a máxima maior (com o perdão da redundância) de toda a cultura judaico-cristã. Jesus deixou-nos essa… digamos… sugestão, para que pudéssemos ser um pouco menos… digamos… tudo aquilo que Ele não queria que fôssemos. Eu suponho, é claro.

Com isso, também creio eu, que Ele estaria falando algo do tipo “amor incondicional”, ou algum outro tipo de amor que apenas um iluminado, como o autor da frase, poderia ter o alcance de sugerir, como está escrito, segundo o amigo Google, em Mateus 22:39, como referência à Levítico 19:18 (mais uma vez, obrigado, Google).

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Pois, o papo de hoje não é religioso e, tampouco, contrário a qualquer dogma. Na verdade, ele é uma tentativa de utilizar a lógica para tentar entender a coisa. Alguns acham tal frase muito simples; outros, como eu, espumam ao tentar alcançar a essência da frase, que pode parecer muito mais complicada do que inicialmente é. Ao menos a mim, um complicador nato das coisas.

Ora vejamos: “amar os outros como a ti mesmo”, pode ser desmembrada em uma série de perguntas que, provavelmente, deixarão o cidadão no vácuo por um bom tempo. Ao menos, em tempos de reflexão profunda, como a fase atual, algumas máximas soam de forma diferente do que em outras vezes. Como dizia o Heráclito, que citei no post anterior…

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Pois bem, voltei a ouvir a máxima cristã e eis que ela me soou diferente desta vez. Soou menos dogmática e mais psicológica. Então, em primeira sugestão de desmembramento, começamos perguntando: o que você entende por amor?

Seria aquele amor entre namorados em início de namoro? Ou aquele amor que faz com que o namoro prossiga mesmo com tantas adversidades? Aquele amor de pais e filhos, quando a criança, tão esperada (em alguns casos, claro) é munida de todos os mimos? Ou aquele amor que faz com que se ature um filho problemático? Seria o amor utilitarista, que é aquela troca de produtos e serviços, ou o amor que não exige nada em troca? O amor da essência da pessoa ou o amor pela projeção que se faz dela? Aquele amor idealizado em sua mente como o que você espera, ou o amor que apenas se sente ao passar dos dias?

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Enfim, vocês entenderam o meu ponto…

Compreender o amor, por si só, já é difícil o bastante. Suas nuances, seu alcance, se é por algum tempo, se ele varia de acordo com as circunstâncias e por aí vai.

Agora, o outro ponto a desmembrar, talvez seja o mais complicado ainda. A parte do “… como a ti mesmo…”; sim, a pergunta é relevante e é bem complicada: você se ama?

Não precisa me dar a resposta. Guarda ela para aquele momento em que você estiver apenas com seus pensamentos. Ou, talvez seja mais complicado ainda, porque você tem evitado essa pergunta, por anos, como eu.

Não se enganem, não estou eu aqui dizendo que estou em depressão ou coisa do tipo. Apenas, me pego, às vezes, pensando no assunto. Sobretudo quando escuto algum terapeuta holístico, seja em algum vídeo de meditação no Youtube, ou mesmo quando alguém me sugere algum exercício qualquer de desprogramação de pensamentos negativos ou coisas do tipo, onde, geralmente o mote principal é o “ame-se, perdoe-se e aceite-se”.

Pois é nessa hora que eu vejo que não estou bem em consonância com a coisa toda. Eu até vou com a minha cara, me acho um cara legal; conheço gente melhor e gente pior que eu, enfim. Agora, como classificar isso como amor? Eu me aceito? Sim. Eu me acho legal? Sim. Eu, basicamente não tenho vontade de trocar de corpo ou personalidade com outra pessoa? Não. Então, por que raios não dá pra chamar isso de amor? Simplesmente porque eu não entendo bem desse negócio de amor incondicional. O que seria isso?

O mais perto que eu cheguei disso é o amor que tenho pela minha filha. Foi ali que eu entendi que há enorme diferença no tal amor apaixonado, carnal e físico, com as devidas trocas de um relacionamento, para um amor que simplesmente existe, independente do que aconteça diariamente. Mas, ainda assim, não impede de eu me emputecer volta e meia com as cagadas de adolescente e as devidas chatices do período da vida que ela atravessa. Amenizo, por lembrar que eu também fui um adolescente mala, com variáveis de alternância entre fazer coisas legais e idiotices inomináveis por todos os períodos da minha vida.

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Sendo assim, o tal amor a mim mesmo, não é também um amor auto-condescendente. Lembro de inúmeras passagens da minha vida e, certamente, mentalmente me xingo. Que tipo de amor incondicional faria eu simplesmente negar o tanto de cagadas que já fiz? Também não sou nenhum criminoso e me orgulho em dizer que não possuo inimigos em meus 44 anos de vida. Só que, aprendi, a duras penas, a não repetir cagadas, praticando-as. Logo, já fui canalha, idiota, imbecil, inoportuno e uma série de outras coisas que me saltam à mente a toda vez que se fala em amar a mim mesmo.

Mas, como eu sei que o relacionamento comigo é para a vida toda, não tenho outra escolha senão trabalhar o relacionamento diariamente. Óbvio que este, como qualquer outro, não é lá um mar de rosas, com dias melhores, outros piores. A diferença é que não dá para dar um tempo ou fingir demência.

Bem, a essa altura do campeonato, acho que me fiz entender no questionamento central do post. Como é que eu vou amar alguém como a mim mesmo, se eu sequer entendo o sentido real de amor e muito menos eu me amo?

Creio que, porventura, essa seja a profundidade da proposição bíblica. E, também o porquê pouquíssimos têm essa aptidão. Provavelmente eu tenha que seguir me esforçando em ser um cara legal com os outros, para, quem sabe, eu seguir me achando um cara legal também. Afinal, compreender o tal amor é um troço pra lá de complicado.

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Há quem diga que amores vêm e vão, são aves de verão e se tens que me deixar, que seja então feeeeeliiiiiiz… mas como eu não aprendi dizer adeus, muito menos a mim mesmo, tampouco pretendo me deixar, pode ser que eu me ame platonicamente, sem nenhum interesse envolvido. Só que, por definição, ele é entre duas pessoas. E a pessoa que eu sou hoje, não ama a pessoa que eu já fui. Logo, tal amor não é bem correspondido. Talvez eu amasse alguém que eu idealizasse, lá na frente, realizando os sonhos que eu tenho. Talvez eu ame de forma não correspondida, talvez eu me traia e me revolte tantas vezes comigo, que esteja difícil a relação no momento. 

Talvez eu devesse ser aquele cara que as possibilidades me apresentam. Aquele que poderia ter feito tanta coisa e fosse bem sucedido em todas. Não aquele que tentou tanto, se frustrou pra caramba e segue, de teimoso, não desistindo de se reinventar, mesmo após um fracasso atrás do outro. Bem isso é uma característica de amor próprio, dirão; e eu concordaria, afinal, o amor não é um eterno tentar novamente? Seja em relacionamentos que mudam de pessoas, que mudam as pessoas, que têm que perdoar, que refazer, que construir, destruir e reconstruir?

Talvez eu queira para os outros (uma boa parcela das pessoas que conheço, ao menos) o que eu quero para mim. Que sejam felizes, que tenham uma vida boa, próspera e que façam o bem para si e para os outros. Logo, aos outros como a mim mesmo. E eis que dá para fechar o acordo aqui. Não sei se o Mestre está de acordo com esse pensamento, mas, certamente Ele entendendo muito melhor que eu do assunto, há de me perdoar, pois se a premissa for verdadeira, Ele me ama. Seja Ele a entidade descrita nas escrituras, ou qualquer outra em equivalência de magnitude, em qualquer outra filosofia ou dogma. Um ser supremo, há de entender essa tentativa de entendimento que compartilho aqui.

E assim a banda toca… em pleno carnaval de 2019… buscando entendimento.

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