Mente vazia, oficina do…?

Quem aqui já não ouviu que a mente vazia é a oficina do diabo?

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…e livrai-nos do “mala men”… 

Essa pérola, que me assombrou desde pequeno, sempre me remetia a crer que ficar ocioso era um convite ao diabo para que me orientasse para o mau caminho e, assim, me transformar em um “perdido na vida”.

Essa necessidade de que sempre nos ocupássemos com algo, mesmo em períodos que o pensamento não estaria propício à tomadas de decisão, hoje, analisando a coisa melhor, pode ter me levado por caminhos que poderiam ter sido melhor pensados.

Exemplificando: eu, aos 16 anos, concluí o segundo grau, com as calças na mão, sem sequer saber se eu passaria na recuperação de matemática ou não. Ao final, quando passei (valeu pela força, professor Laudeli!), resolvi fazer um vestibular sem cursinho mesmo, para ver como era. Meu tio e amigo, Betão, insistiu e eu fiz. Passei uma semana na casa dele, com aulas particulares da minha queridíssima tia Sandra, para reforçar a matemática, e, assim, passei em 8º lugar em Informática na ULBRA aqui em Canoas, RS.

Angústia por ter que resolver a sua própria vida, ao invés de fugir ocupando-se do que é dos outros...

Angústia por ter que resolver a sua própria vida, ao invés de fugir ocupando-se do que é dos outros…

O detalhe: eu escolhi informática porque, à época, eu gostava de computadores. Que eram novidade no mercado, lá em 1991, com os MSX, da Gradiente, e suas CPU’s com cartuchos e que operavam em linguagem BASIC. Aquilo me fascinava, mas, eu sequer tinha noção de como o troço funcionava. Fiz, passei e… bem…

Para um guri de 16 anos, tímido, com o cabelo cumprido, que era a moda da época, descobrir em uma faculdade o que era festa e mulherada… digamos apenas que eu não fui lá um bom aluno à época. Aulas pela manhã, e muito sono sobre a pasta ou mesmo dentro do carro no estacionamento…

Porque fazer merda é parte do processo de aprendizagem...

Porque fazer merda é parte do processo de aprendizagem…

Conto a história toda outra hora com calma… mas, 18 anos depois, me formei em administração com louvores e notas altas. Por quê? Ora, porque foi escolha minha, bem pensada e com a necessidade bem identificada e entendida por mim.

Tal qual o gosto pela leitura. Odiava aulas de literatura e aquele monte de autores “obrigatórios”. Mas, quando pude escolher meus próprios livros e interesses, passei a ser ávido leitor. Até descobrir que a busca incessante por conhecimento era o meu hobby.

E essas lembranças, boas ou ruins, nos obrigam a pensar...

E essas lembranças, boas ou ruins, nos obrigam a pensar… Portanto, ocupar-se apenas, pode ser apenas fuga disso…

Onde quero chegar com isso e o que tem a ver com o título e a frase?

Bem, nessa semana vi “coincidentemente” posts em redes sociais que modificavam essa frase para outros lados.

De um lado, lembravam a antiga frase, com variações do “diabo” para “Marx” ou para “Maomé”, e, de outro, posts que lembravam que a mente vazia era essencial para encontrar a paz na meditação…

E aí, qual estaria correta?

Uma, outra ou nenhuma?

Ambas, eu diria…

Vou tentar explicar meu ponto de vista…

Durante as discussões sobre o poder do DMT, a tal “partícula espírito”, componente de alucinógenos como o LSD e o famoso “Santo Daime”, bebida que conecta ao mundo espiritual, percebi que variações de pessoas que ascendem e descendem durante o uso, estariam ligadas não ao produto em si, mas, a seus estados mentais durante o consumo.

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Sim, é complicado… vamos adiante…

Digamos, em uma figura de linguagem, que essa alteração mental, “abre uma porta” para o mundo espiritual. Pois bem, a porta é aberta com a substância, com a meditação, com música, com leituras, ou, ligando ao texto de hoje, com o vazio mental…

… agora, o que iremos encontrar do outro lado da porta, ou o que entrará por ela, são outros 500…

Nossa conexão e atração de energias está ligado ao nosso estado vibracional. E, portanto, somos nós quem “convidamos” o que entrará pela porta que abrirmos.

O pastor tem lá sua utilidade para quem, tal qual ovelha, precisa de quem as cuide e as defenda do lobo... já, para quem aprendeu a se virar por conta, perde a utilidade...

O pastor tem lá sua utilidade para quem, tal qual ovelha, precisa de quem as cuide e as defenda do lobo… já, para quem aprendeu a se virar por conta, perde a utilidade…

Se estivermos, por exemplo, em paz e harmonia, certamente o passeio será interessante e edificante. Já, se estivermos em momento conturbado e com pensamentos pesados, pode ser que o melhor é não abrir tal porta.

Esvaziar a mente ou se conectar a outro estado vibracional é um exercício para poucos. Afinal, requer coragem de entender que é algo que nos leva ao entendimento profundo. Nos leva a conhecer nossos lados luminosos, assim como os mais escuros. Pode mostrar monstros debaixo da cama ou esqueletos no armário, tal qual, também a luminosa conexão com o que temos de melhor.

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Afinal, posso dizer que a tal mente vazia, pode ser sim oficina do diabo, como também pode ser essencial para conexão com uma mente superior… e que isso varia de cada um. Pois esse vazio retira as ideias pré-concebidas, as influências, as manipulações mentais e nos deixa apenas com o que carregamos internamente. Aí é que entenderemos se está na hora de renovar o estoque ou se temos de fato um arcabouço positivo.

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Em outro momento, como o meu atual, pude entender que o arcabouço completo, com o que há de ruim e o que há de bom, é que me trouxe ao momento atual. Foi vivenciando e aprendendo com todas as cagadas que fiz, que pude entender o quanto é essencial me conectar com o meu melhor lado. Pois é nele que produzo o que mais serve à minha vida… PELO MEU ENTENDIMENTO. Não por influências, não por conselhos e nem por “ah, vamos ver no que dá…”. Simplesmente porque entendi, durante todo esse período, com todos os erros e acertos, que foram, afinal, MINHAS ESCOLHAS.

O ócio mental é bom se é criativo… já, se ele simplesmente é para se abster de pensar… aí é ruim…

O que, dependendo do que classificam hoje em dia como cultura (explorar tobas, por exemplo), tá ótimo...

O que, dependendo do que classificam hoje em dia como cultura (explorar tobas, por exemplo), tá ótimo…

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