A auto-prisão…

Qual é o nosso limite de interação?

Até onde nossa participação social pode influenciar na nossa forma de agir ou retroagir… ou mesmo de retroceder… pois é isso que se passa na minha cabeça no momento. À medida que as mídias sociais avançam, a troca de pensamentos (sim, sou um otimista) entre pessoas torna-se um fator de interferência do proceder, para os que costumam analisar e tentar entender essas interações.

O avançar do conhecimento, a metodologia de busca de evolução de cada um determina também como essas relações acontecem. Cada método favorece um tipo de pessoa. E, um método dificilmente serve a todos…

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Indo para a figura de linguagem para explicar a minha linha de pensamento: se você está evoluindo, o caminho que você está percorrendo para tal, não me interessa… interessa apenas se você está evoluindo ou não. Atingir o objetivo pelo caminho mais longo ou mais curto, mais fácil ou mais difícil, mais espinhoso ou mais plano… enfim… tanto faz.

Só que, atualmente, vivemos sob a égide de um “novo politicamente correto”. E, esta nova política, cerceia e tenta aparelhar a forma de pensar de cada um. Há quem diga que isso é “educação social”, mas, por outro lado, há quem pense que isso é lavagem cerebral em massa. Não que eu concorde que as iniquidades que acontecem diariamente devam seguir. Ou seja, eu concordo que a sociedade está doente. Concordo com o diagnóstico. O que eu não concordo é com o método de tratamento. O tal “remédio” que estão administrando, ao meu ver, está mais para eutanásia do que para processo de cura…

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Estão matando o pensar. Estão matando a “praxis” educativa de cada um… a construção da correção de erros é trocada pela coerção da livre tentativa… ou seja, estão fabricando pessoas com a mente moldada para essas novas regras do politicamente correto. Reativos.

E retirar a pro atividade do pensar é, de certa forma, impor uma prisão mental… a pessoa de bem, que acredita que as tais regras do politicamente correto são incontestáveis, imutáveis, em suas boas vontades, acabam por se auto-aprisionarem no pensamento.

Vivemos tempos de formação de milícias, todas com as regras embaixo do braço, prontas a denunciar os heréticos (ketzers) do pensar para os santos inquisitores que os atirarão às fogueiras santas e purificadoras… onde é que já vimos isso antes?! Pois é… lá na idade média… e há quem realmente acredite que estamos avançando como sociedade…

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  • “Ah” – dirão – “mas na idade média haviam barbáries que necessitavam de medidas extremas como essas…”. Bem, eu diria que os tempos atuais também têm absurdos iguaizinhos aos da idade média…

Não entrarei nos méritos de cada barbaridade… se é do tipo físico, como os praticados por militantes do Estado Islâmico, ou, se mental, pelos militantes do politicamente correto atual, que escondem-se atrás de uma “causa maior” para agir de tal forma… os inquisitores agiam em nome da ordem e do bem maior religioso… enquanto, os da nova sociedade, agem em nome do “bem maior”… do ponto onde erradiquem-se os “doentes” do pensar… enfim… ambos consistem em extirpar os entes “doentes” da sociedade proposta…

Pois, por outro lado, há quem tente ver isso de um outro prisma… eu, por exemplo, tento me colocar em um outro patamar… onde eu possa olhar para a situação como um todo, já que se analisarmos pontualmente, poderemos ter conclusões míopes ou deturpadas. Gosto de um frase, que eu não sei de quem é, ou se mesmo brotou em minha mente durante algum devaneio de pensamento (busquei no São Google e não achei nenhuma parecida) e que diz que “uma mentira, se desmembrada, pode virar uma série de mini-verdades”… pois é assim que vejo a coisa atual…

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Com um monte de mini-verdades, pode-se conduzir pessoas de bem à uma grande cagada cilada. Fascinados por inserções corretas e com discursos belos, são levados a agir de forma manipulada e moldada de acordo com um plano-mestre… e, onde é que já vimos isso antes? Ah sim, na Alemanha de Hitler…

Estou sendo exagerado? Bem, olhem estes discursos aqui então:

Só lutamos por aquilo que amamos, só amamos aquilo que respeitamos e só respeitamos aquilo que conhecemos.
Não se pode viver verdadeiramente e desistir do que dá significado e propósito a uma vida inteira.
Quanto mais você aspirar, mais vai crescer
O Socialismo é a ciência de se lidar com o bem-estar geral

Legais, não? São frases motivacionais, incontestáveis, e, de certa forma, politicamente corretas… concordamos com isso?

Pois bem, e se eu dissesse que essas frases são de Adolf Hitler? Pois são…

Ok, sacudam as cabeças e sigamos com o pensamento…

Em nome do bem, do bom, pode-se levar um monte de gente a cometer desatinos… através da formatação das mentes, Hitler levou uma porrada de gente a pensar que o mal do mundo eram os Judeus… e, hoje em dia há quem adapte essa linha de formatar mentes a outros tipos de pessoas… enfim, instigam a luta de classes justamente para angariar pessoas do “bem”, para a luta contra o “mal”… só resta a cada um saber o que de fato é bem ou mal, do que apenas aparenta ser bom ou mau…

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Desempoderar o pensamento é uma forma de enfraquecer pessoas ao ponto em que acreditem que a opinião dos outros é superior às delas… é uma forma de “educação”… imaginem um aluno que levasse um xingamento do professor a toda vez que tentasse formatar um pensamento, seja ele certo ou errado… provavelmente desistiria de tentar formar os seus próprios e ficaria apenas com o que é dito pelo professor… sem contestar… talvez, a um ponto tal onde não contestaria sequer se ele dissesse que 2+2 fossem 5…

Pois é disso que se trata a minha reflexão aqui… a construção social baseada em aprendizado com seus próprios erros… Eu aprendi duras lições da vida com os meus próprios… aprendi a não ser racista, por exemplo, no dia em que ao comentar uma daquelas “piadas”, pude olhar nos olhos de uma colega negra… e, naquele instante, sentir tanta vergonha de mim mesmo, que nunca mais tive coragem de repetir uma outra coisa parecida… e, a ponto de ter desconforto a cada vez que escuto de outros… pois me volta toda aquela cena à mente e a vergonha me toma como se voltasse a acontecer naquele momento… e, acho que bem ou mal, eu evoluí com aquela cagada monstruosa…

“não sei, as coisas sempre foram assim por aqui…”

Esse experimento do vídeo acima, ilustra o porquê a ação sem o entendimento aprofundado, leva à uma situação onde pessoas agem sem sequer saber o porquê o fazem… e é isso que eu tento ressaltar aqui…

Também penso que, à medida que alguns fogem dos grupos de equiparação mental, acabam isolados… vejamos o meu caso: cada vez mais fico à margem das linhas do pensamento atual, onde antagonismos refletem um dualismo que não combina com a minha forma de pensar… e, quando não se faz parte de nenhum dos grupos propostos, o autoflagelo acaba vindo mesmo que fora às nossas vontades… ou apanha-se dos dois grupos, ou, fatalmente, anularemos completamente nossas vontades e ficaremos em um silêncio sepulcral para não mais sermos agredidos (com os macacos)…

Alcançar um patamar de pensamento que não combina com o vigente pode ser libertador por um lado, mas, extremamente isolante por outro… acaba-se só em muitos casos…

É claro que me aproximo de algumas linhas de pensamento… mas, não sou adepto de nenhuma delas… pois as vejo como bibliotecas de consulta, que me municiam com elementos para que eu desenvolva o meu próprio raciocínio e forma de pensar, e não como algo incontestável e que eu deva seguir cegamente por julgar ser algo muito além da minha arrogante tentativa de compreender… enfim, cada um com suas visões da coisa…

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Apenas noto que no afã de acabar com o errado, erra-se mais ainda… e, certamente eu estou me distanciando cada vez mais dessas vertentes… o que, em nome da boa convivência, ou da preservação de amizades, acaba-se abrindo mão daquilo que é meu de fato, para apenas delegar a razão a outro, não por concordância, mas sim por não estar mais com saco de prosseguir com aquilo… já dizia o sábio que, contra cachorro doido, não se há argumentos… apenas resta subir na árvore e esperá-lo parar de latir…

Mas, acho que tá na hora de parar de delegar… a inteligência ou a iluminação do pensamento não é democrática… ela deve existir, mesmo que seja solitária… uma multidão de gente errada não transforma o errado em certo… o máximo que irão conseguir é silenciar a oposição às suas ideias… e, daí o método será baseado em enquadrar o infeliz em alguma categoria de dissidência social, para, juntamente com a punição prevista, arrancá-lo do convívio dos certos…

Resistamos!

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