Óbvio ululante

Alguns termos que a gente ouve a vida toda, e, fatalmente, acabamos repetindo, nem sempre são tão claros em seu uso…

Eu sempre achei, que algo óbvio, por si só, era algo que qualquer ser com mais de 2 neurônios, conseguiria constatar… mas, quando alguém acrescentava o “ululante” ao final, eu só pensava: “meu Deus, eu devo ser uma anta das mais abestalhadas do mundo, por não conseguir ver tal coisa”…

Hoje em dia, vejo as tais “obviedades” como uma artimanha de manipulação mental… o que, é claro, a medida que me aprofundo em pesquisa, parece ululante… (ok, não me aguentei).

Ou tenha uma ótima dialética...

Ou tenha uma ótima dialética…

Como sempre, vamos ao nosso amigão, o amansa-burro…

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ób.vi:o

Adjetivo.

Que salta à vista; manifesto, claro.

§ ob.vi:e.da.de sf.

O que salta à vista… ok. Ou seja, depende da “visão” da pessoa, correto?

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u.lu.lan.te

Adjetivo de dois gêneros.

Clamoroso (2).

Não ajudou muito… vamos de novo…

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cla.mo.ro.so (ô)

Adjetivo.

1.
Em que há, ou que se faz ou manifesta com clamor.
2.
Muito evidente. [Sin. ger.: gritante. Pl.: –rosos (ó).]

Muito evidente… ok. Segue…

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e.vi.den.te

Adjetivo de dois gêneros.

Que se compreende prontamente, dispensando demonstração; que não oferece dúvida; claro, manifesto, patente.

Dispensa demonstração… não oferece dúvida…

É… é exatamente aí que entra o meu problema com a coisa… o que é evidente para alguns, para outros, nem tanto… até porque, depende justamente do grau de visão de cada um… ou seja, a capacidade de enxergar as coisas…

Complicado, não?

Sim… bastante…

A obviedade, ao MEU ver, é um apanhado de conhecimentos, experiências e entendimentos que fazem com que a pessoa, ao identificar algo, aí sim, lhe pareça evidente…

Não ajudei muito, não é?!

Bem, vamos tentar ir adiante.

Em uma discussão de bar qualquer, quando amigos já com o grau etílico elevado, resolvem discutir o porquê aquela moça não lhe dá mais bola, dá muitas desculpas para não estar com ele e, ultimamente tem evitado a intimidade…

Para o amigo que ouve isso, pode parecer evidente que o outro está sendo contemplado com a famigerada “cornice”, ou, no bom português, está tomando bola nas costas da moça…

… mas, pode ser que não seja nada disso… pode ser que ela apenas está em uma fase difícil da vida e que, por algum motivo qualquer, está repensando sua relação com o cara em questão…

óbvio para uns, nem tanto para os outros...

óbvio para uns, nem tanto para os outros…

o que é o mais evidente?

Talvez nunca saibamos, pois apenas a moça sabe a resposta… e, se ela vai dá-la de forma clara, ou se afastará com uma desculpa qualquer (talvez a clássica: “o problema não é você, sou eu…), depende apenas da decisão dela…

Da mesma forma, podemos pensar que as “nossas obviedades” possam ser bem diferentes das obviedades alheias… o que quer dizer que, cada um, com seu conhecimento adquirido (ou não), tem suas percepções e visões diferentemente de outros.

E é aí que o tal “óbvio ululante” nunca me caiu bem… aliás, descobri que ele, na verdade, me incomoda bastante…

Percebi que em um debate, por exemplo, evocar o “óbvio ululante”, nada mais é do que dar o mesmo golpe do famoso conto da “Roupa Nova do Imperador”… no conto, os alfaiates convenceram o rei de que o tecido era apenas invisível aos tolos… que os inteligentes certamente veriam a beleza de tal maravilha… e, é mais ou menos por aí que eu encaixo o tal termo… NA MINHA VISÃO (entenderam?!).

A pessoa que atira as obviedades nas fuças do oponente (no debate, por exemplo), está subliminarmente tentando enfiar goela abaixo do outro o seu conceito, apelando para o orgulho ou a vaidade alheia (que não vai querer pagar de burro), sem a necessidade de embasar o seu “óbvio” com algo mais, digamos, técnico…

A obviedade, por fim, me parece a permissão tácita para blefar… ou, mais uma das tantas armas da dialética… e, fatalmente usada como base para se chegar a um nível acima…

Citar o óbvio embasa a "credibilidade"...

Citar o óbvio embasa a “credibilidade”…

Supomos que em uma discussão, eu usasse uma artimanha do tipo:

[a obviedade apelando para a vaidade]: Tu, que é uma pessoa inteligente, notadamente, há de convir comigo de que 1+1 = 2, certo?!

  • óbvio, responderiam… (provavelmente com uma cara de “nossa, que difícil”)

[a armação]: Pois então… concordamos que 1+1 = 2 (trocar isso por qualquer outro lugar-comum), e, dessa forma, tu também há de convir comigo que…. (e aqui insira o que bem entender para trazer a empáfia alheia para o seu lado)

Assim, amigos, uma armadilha óbvia, pode te remeter a uma conclusão que, por muitas vezes, pode não ser a sua… mas, que de certa forma, é muito mais tranquila aceitar, uma vez que ela veio repleta de “floreios” e elogios à sua inteligência…

Tenho ouvido falar de palestras que citam o óbvio de uma forma que ninguém havia percebido antes… e, que a dificuldade do ser humano é perceber tais obviedades…

O Nelson Rodrigues, em seu livro “O óbvio ululante”, cita em uma crônica uma “conversa” com um amigo “erudito”:

Nelson começa falando sobre um amigo erudito: “E eu fico a resmungar, na irritação da minha impotência: ‘Como sabe, como lê, como cita!'” Em seguida, faz uma crítica a essa obsessão do amigo pelo conhecimento ou pela quantidade de saberes: “Por tudo que sei da vida, dos homens, deve-se ler pouco e reler muito. A arte da leitura é a releitura.” Depois, faz piada: “Certa vez, um erudito resolveu fazer ironia comigo: perguntou-me: ‘O que é que você leu?’ Respondi: ‘Dostoievski.’ Ele queria me atirar na cara os seus quarenta mil volumes. Insistiu: ‘Que mais?’ E eu: ‘Dostoievski.’ Teimou: ‘Só?’ Repeti: ‘Dostoievski.’ O sujeito, aturdido pelos seus quarenta mil volumes, não entendeu nada.” E ensina: “Mas eis o que eu queria dizer: pode-se viver para um único livro de Dostoievski”.

Porque o conhecimento não reside nas respostas, mas sim, nas perguntas...

Porque o conhecimento não reside nas respostas, mas sim, nas perguntas…

Eu diria que não é bem assim, pois a capacidade de “visão” – aquela que não é apenas um dos 5 sentidos, ou o ato de ver -, é construída por muitos e muitos arcabouços de pensamentos, pesquisas, teses e antíteses… enfim… depende do esforço mental de cada um, pra ser bem sincero.

Na administração, dizemos que a visão é a meta de uma empresa… e, que o sucesso ou não dessa empresa depende justamente da capacidade de “ver” de seu líder…

Sendo assim, acho que podemos concluir por aqui dizendo que o óbvio não é algo que não necessita de comprovação… ele é algo que nasce através de inúmeras comprovações e vivências, o que, através da lembrança ou da nossa capacidade de enquadrar um conhecimento adquirido para identificar uma situação que se apresenta, nos salta à mente… e, é claro, nada disso é ululante…

ou seja, tem que ter a humildade de querer aprender...

ou seja, tem que ter a humildade de querer aprender…

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O estresse nosso de cada dia…

Ah, o estresse (ou stress)… ele é o vilão da atualidade… muitas doenças são provenientes dele e, dizem, que é a porta de entrada de quase tudo de ruim que nos acontece…

Será?

Bem, o primeiro estresse que tenho memória, é de 1980, quando com 6 anos de idade, iniciei meu primeiro dia de aula no Colégio São João, aqui em Porto Alegre. Iniciava o “pré”, aquela série antes da 1ª série, onde começava-se a ser alfabetizado… pois bem, ao deparar-me com aquele colégio enorme, cheio de crianças que nunca tinha visto na vida, com corredores que não conhecia, e, ao final, uma sala de aula com mesas e cadeiras, cada um com a sua, gelei… tudo muito assustador… pelo menos para mim… eu não tinha com quem falar, pois não conhecia ninguém, não sabia sequer o que estava fazendo ali, e, a professora abre um caderno e começa a falar vários nomes…. e, as crianças respondiam: PRESENTE!

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Aimeldelsdocel…

Bateu o desespero porque eu sequer tinha trazido presente algum, e, não tinha a menor ideia de quem era o aniversário… e, como TODAS as crianças diziam PRESENTE, eu subentendia que eu seria a única criança da sala que passaria a vergonha de não ter presente…

Bato a cabeça na mesa, quase chorando e digo em voz semi-alta: COMO É QUE EU IA ADIVINHAR QUE TINHA QUE TRAZER PRESENTE NO PRIMEIRO DIA DE AULA????

Aí uma mão toca meu ombro e diz: “não, seu burro… não era pra trazer presente… é só dizer presente e pronto”…

Como eu não tinha ideia do que era ordem alfabética, e, meu nome, começando com “R”, era um dos últimos, aumentava o estresse a cada um que dizia o tal presente… mas, quando chegou a minha vez, falei a palavra-mágica, assim, meio baixo, para tenta passar desapercebido, mas, a professora me dá aquela olhada nos olhos e pergunta: Rogério é tu?

  • Sim – respondi com aquela cara de “fui pego, ela sabe que eu não trouxe presente…”. Mas, ela seguiu chamando mais dois ou três nomes depois do meu e começou a tal aula…

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Não lembro do resto da aula, mas, o tal estresse ficou gravado na memória… não sei se na dos demais colegas, pois, acreditem, desses tantos desconhecidos do primeiro dia de aula, tenho até hoje, como melhores amigos e, porque não dizer, irmãos, que me aturam…

Sim, hoje em dia sei que o estresse, nesse dia, foi causado por fatores como desconhecimento e presunção de coisas sem ter a menor ideia de como funcionavam…

Mas, será que mudaram as coisas tanto assim de lá para cá?

Como sempre, começamos pelo amigo amansa-burro:

es.tres.se
s. m. Med. Conjunto de reações do organismo a agressões de ordem física, psíquica, infecciosa, e outras, capazes de perturbar-lhe a homeostase; stress.

Pois bem, podemos dizer que o estresse é uma reação do nosso corpo a algo… ou seja, um fator externo… algo que não é nosso… mais ou menos como ser infectado por um vírus ou bactéria…

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Pois, reavaliando minha vida no momento, juntamente com minha situação de saúde, posso concluir que estou sob a influência de tal estresse… e o meu corpo, certamente, apresenta os reflexos disso. Pelo menos é o que dizem os médicos.

Mas como assim, se eu vim ao mundo à passeio?! – como cansei de ouvir, por não ter amor pelas coisas que as pessoas “responsáveis” fazem todo santo dia.

Posso imaginar que, talvez o estresse venha justamente por ter sido infectado pela virose social que tenta incutir padrões de conduta, forçando a pessoa a ser ou a agir de formas que não lhes são naturais…

A natureza de cada um é diferente do conceito de natureza “humana”… nossas classificações como indivíduos pertencentes ao reino animal, são diferentes das idiossincrasias de cada um…

O que quer dizer essa enrolação toda? Simples, que eu não acredito em cultura de massas… ou, se preferir, que, mesmo que façamos parte de um bando, não somos reflexo dele… e, tampouco precisamos viver sob sua influência ou regras.

Estou pregando aqui que sejamos antissociais? Nananinanina… estou apenas dizendo que somos únicos e, dessa forma, devemos agir de acordo com o que nos é plausível e agradável. Sim, claro, temos aquelas regrinhas básicas do tipo “não faça aos outros o que não gostaria que fizessem contigo” ou “a minha liberdade termina onde começa a do outro”, embora, nessa segunda, eu retoque dizendo que o conceito de liberdade alheia pode não bater com o meu…

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E o que isso tudo tem a ver com o estresse? Bem, eu diria que toda essa influência externa, nos sendo estranha, nos causando incertezas, medos e descargas e mais descargas de energias, são nocivas ao corpo… acredito sim, que a tal “pangastrite” que eu arrumei para mim mesmo, vem de conflitos internos, de desgostos sociais, de intolerância com o cenário do país, do mundo, da fábrica de debiloides que tornou-se a “cultura” atual… enfim…

Agora, após dias e dias assim, comecei a lembrar daquele Rogério de 6 anos, em seu primeiro dia de aula…

Ele anda de volta… as mudanças na minha vida nos últimos dois ou três anos, refletem exatamente a realidade lá dos anos 80… recomecei várias coisas na vida… e, tal qual àquele dia, me vejo apreensivo, com medo e até mesmo sem saber o que está acontecendo ou, como deveria proceder…

E daí?

Bem, e daí que, daquele garoto, nasceu este aqui… ou, melhor ainda, ele seguiu aqui dentro esse tempo todo… e, na depuração dos últimos anos, descascando arestas e tentando achar o cerne do “novo Rogério”, vi que ele estava ali, escondido, com a cabeça baixa, desesperado por não ter presente…

Ledo engano, novamente… pois, tal qual alguma colega que não  lembro quem, me bateu ao ombro pra dizer que “bastava dizer presente”, hoje sou em quem bate no ombro do guri e diz: SIM, TEMOS PRESENTE… e o presente é o agora… tal qual o passado é a lembrança do momento presente que já foi e, o futuro será o momento presente que ainda não chegou…

E, hoje, posso novamente me apresentar para o porvir, dizendo… PRESENTE!

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Intelectual e Intellect to all…

Volta e meia me deparo com o termo “intelectual” ou “intelectuais” para embasar alguma coisa… a primeira sensação geralmente é a mesma do que dizia a minha saudosa vozinha que sempre vinha com um “eu vi os médicos dizerem” (com seu sotaque italiano de Bento Gonçalves), ou seja, era uma verdade incontestável…

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Eu diria que a empatia vale mais ainda do que a reciprocidade…

Pois, no cenário atual, venho me perguntando se os endossos dos intelectuais disponíveis no mundo, realmente são algo a se considerar, a ponderar ou, como faz a maioria, acatar simplesmente…

Enfim… comecemos pelo de sempre… o nosso amigo amansa-burro (para quem não é intelectual de nascença, como no meu caso):

in.te.lec.tu.al
adj. m. e f. Pertencente ou relativo à inteligência. S. m. e f. 1. Pessoa estudiosa. 2. Pessoa culta.

in.te.lec.to
s. m. 1. Entendimento, inteligência; intelectualidade. 2. Faculdade de compreender. 3. Conjunto das faculdades intelectuais.

Inteligente… estudioso… culto… (eu costumo dizer que eu sou culto… culto e glosso :P)

cul.to
adj. 1. Que se cultivou. 2. Que tem cultura; instruído. S. m. 1. Forma pela qual se presta homenagem à divindade; liturgia. 2. Cerimônia de culto (protestante). 3. Veneração.

Que tem cultura… instruído… e, notem que o culto/cultura também podem te remeter à simples veneração cerimonial…

cul.tu.ra
s. f. 1. Ação, efeito, arte ou maneira de cultivar a terra ou certas plantas. 2. Terreno cultivado. 3. Biol. Propagação de microorganismos ou cultivação de tecido vivo em um meio nutritivo preparado. 4. Biol. Produto de tal cultivação. 5. Aplicação do espírito a uma coisa; estudo. 6. Adiantamento, civilização. 7. Apuro, esmero, elegância.

Bem, como sempre, após a análise dos termos e suas aplicações, posso concluir que uma pessoa estudiosa, que tem entendimento e o tal “conjunto de faculdades intelectuais”, tornando-se culto (que também é usado para homenagem à divindades), adquire status de “intelectual”, e, portanto, diferencia-se dos demais…

Ok.

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Intelectuais ególatras, ao meu ver, podem ser especialistas no que aprenderam, mas, deixam claro que falta muito ainda a aprender…

Agora, começam as perguntas…

Estudioso em quê? Em qual matéria? Qual a qualidade da matéria que tal intelectual se “especializou” e tornou-se entendedor e compreendedor?

Notem que a veneração cerimonial e culto à divindades está indiretamente interligada ao termo, embora, a forma como tais intelectuais aparecem, ou, como são mostrados por aí, pareça-se com tal…

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E o caráter é algo que até podemos aprender, mas, ainda precisará da boa intenção e boa índole…

O que também me remete ao velho Schopenhauer e sua dialética erística… onde basicamente aprende-se a desmerecer argumentações, ao invés de construir conhecimento conjunto…

mas, voltando ao assunto, podemos dizer que uma pessoa pode ser intelectual e entendida na “obra” Mein Kampf de Adolf Hitler… isso o tornaria um intelectual… mas, tal intelectual seria uma boa pessoa e suas ações seriam boas?

Depende, dirão…

depende se ele usaria tal conhecimento para evitar que grandes merdas desastres voltassem a acontecer à humanidade… mas, caso ele resolva, digamos “polir” a obra e tentar reaplica-la sob uma ótica menos aterrorizante…

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Sem caridade, não há justiça social, queridão…

Cito esse exemplo para tentar ilustrar que delegar a um “intelectual” a palavra final, por subentender que ele seja mais inteligente do que você, pode ser um ato de burrice em vários aspectos…

primeiro, por subentender que você é menos inteligente do que ele… enquanto pode ser apenas que você é preguiçoso(a) demais para tentar conhecer/ler/estudar/pesquisar para confrontar os argumentos do mesmo…

segundo, porque justamente existem falsos-intelectuais que valem-se de falácias acadêmicas para parecerem intelectuais e, sendo assim, manipula-los a delegarem o estandarte do conhecimento à aquele que fala mais enrolado, cita autores que você nunca ouviu falar ou, te manda estudar isso ou aquilo, mesmo que, possivelmente, nem ele tenha estudado ou lido aquela merda…

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Não se trata de fazer ou não… trata-se da qualidade e da moralidade do que é feito… as vezes é preferível não fazer nada do que fazer uma merda enorme…

As falácias estão aí… e, somos vítimas delas todos os dias… mas, a boa notícia é que dá para conhecê-las e deixar de ser refém da boçalidade alheia…

Por que tanta revolta no meu coração?

Bem, tenho ouvido muito, principalmente nessa época de eleições que passou (grazazadels), que “intelectuais” apoiam esse ou aquele, que dizem isso ou aquilo ou que recomendam aquilo ou aquilo outro…

A mídia publica matérias com títulos deste tipo, já para chancelar que o está ali dito, vem de uma base de pessoas inteligentes e bem entendidas em algum assunto, e, que você, ananá burro, se tiver a petulância de tentar argumentar ao contrário, será um arrogante que não sabe seu lugarzinho ínfimo no mundão velho sem porteiras…

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Se alguém age dessa forma para parecer uma “criatura superior”, pode até ser um intelectual, mas, certamente não é bom em essência…

Enfim, trata-se, novamente, de falácia…

A intelectualidade é um grau alcançado por alguém que se esforçou… ou, nem tanto… pode, como eu disse anteriormente, tratar-se de um pseudo-sábio, que leu alguns resumos e tem boa memória para traçar paralelos com nomes de autores e títulos com alguma situação… pode ser aquele jogo de cena onde, ao final, trata-se de um jogo de demonstrar que burros como nós não devem cometer o despautério de questionar quem entende do assunto… mesmo que isso nos agrida a essência…

Como a minha saudosa e querida vozinha – que irritava-se a cada vez que eu tentava dizer que médicos eram humanos, e, portanto, sujeitos à falhas ou ao avançar da ciência, e que num dia diziam que ovos matam pelo colesterol, mas, em outro, dizem que é fonte riquíssima de proteínas e que é fundamental para a musculatura -, também existem pessoas que sequer cogitam colocar à prova os conhecimentos de tais intelectuais… afinal, como aprendemos no ensino superior, toda tese passa por uma banca para ser sujeita à aprovação… do contrário, não terá peso de utilização mais tarde…

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E, neste caso, do que adianta a inteligência e a intelectualidade se ela te torna em um ser nocivo?

Vejamos também que o mundo atual se prevalece daqueles que humildemente acatam a “inteligência” alheia sem contestar… essas pessoas, geralmente assinam cheques-morais em branco para tais representantes muitas vezes eleitos não por competência própria, mas, por incapacidade do eleitor em compreender do que se trata a tal inteligência que o encanta…

Sigo exemplificando (ai como eu tô didático hoje):

quem aqui, amigo, nunca (momento goleiro Bruno) enrolou alguém com termos técnicos ou coisas do tipo para sair de uma enrascada ou de algum mala querendo explicações demais?

Eu mesmo, quando trabalhei como gerente de suporte em uma empresa de informática, tinha tendência de abreviar ligações telefônicas com coisa dessas… tipo uma vez:

– Os nomes do banco de dados aparecem com caracteres estranhos… – dizia o cliente;

– Roda o <nome do programa pra corrigir isso> e resolverá o problema… – respondi;

– Ok, mas por que isso acontece toda hora?

– Banco de dados indexados tendem a corromper dados à medida que faltas de luz fazem a agulha do HD ter oscilações e, consequentemente fazer com que áreas sejam mal gravadas no setor ou trilha do hard-disk, podendo, inclusive, causar overflow de memória se acabar entrando em loop alguma rotina… alguns debuggers poderiam resolver, embora, eu creia que trata-se mais da parte física do que lógica…

– Aaaaah, tá… obrigado…

Dessa forma, despachei com um discurso que em parte fazia sentido, mas, com um outro tanto enriquecido com termos técnico, em outra língua e, sobretudo, porque eu tinha certeza que o tal cliente não teria a menor ideia do que eu estaria falando, mas, subentenderia que eu, sendo o técnico ali, sabia mais do que ele…

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Intelectualidade para si é trancar tudo o que ela realmente vale, em um cofre…

Resumindo a encrenca, podemos sim contestar intelectualidades… aliás, devemos! Não há baluartes incontestes… pois, se realmente tratarem-se de intelectuais em essência, terão a noção de que são seres em evolução mental constante, e tal intelectualidade não é um grau atingido após um estágio, mas sim, um adjetivo adquirido, muito provavelmente, dado por aqueles que sabem menos…

Existem mentes brilhantes, é claro. Pessoas que chegaram ao ponto de merecer tal adjetivo. Mas, vamos combinar que banalizou-se demais o termo por aí… fora que, a idoneidade moral de tais intelectos pode, muitas vezes, estar escondida atrás de sorrisos, manipulações e outros tantos estratagemas que podemos ler e aprender por aí…

A intelectualidade é o que fazemos com o conhecimento… como aplicamos tal conhecimento. Como nossas ideias e pareceres irão impactar no meio em que vivemos… mas, daí a ser chancela de qualquer coisa, são outros 500…

Momento auto-marketing...

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