Aceitação ou entendimento?

Hoje, durante uma conversa em um post de um grande amigo de longa data, me deparei, primeiramente, em me entender como um chato que se intromete no post alheio dando ares de pseudo-intelectual. Já, por outro lado, pensei que minha fase atual está me levando a reflexões profundas mesmo em meio a frases de “horóscopo de jornal”…

Bem, meu amigo postou a seguinte frase: “Aceitação é o primeiro passo para a transformação!”

Astrólogos copiões que sequer citam a fonte completa...

Astrólogos copiões que sequer citam a fonte completa…

Respondi que, se levarmos em conta o conceito de transvaloração de Nietzsche, poderíamos interpretar isso como uma certa forma de manipulação disfarçada…

Ele não compreendeu meu ponto de vista e eu citei um antigo texto onde falo de Dissonância Cognitiva aqui mesmo no blog…

Bem, me senti um baita chato, pois, talvez o ponto de vista  que ele tenha tido com a frase – que ele me confessou ter recebido em um site de horóscopo do Facebook – tenha o levado a pensar em coisas como resignação e coisas do tipo…

Enfim, chatices e neuroses minhas à parte, vejamos o que a tal aceitação tem a nos dizer…

Aceitação = Aceitar… então:

 

a.cei.tar
Verbo transitivo direto.
1.
Consentir em receber (coisa oferecida ou dada).
2.
Concordar com.
3.
Conformar-se com (fato, circunstância, etc.).
4.
Chamar a si; atribuir-se.
5.
Ter como bom ou certo.
6.
Admitir, tolerar.

Verbo transobjetivo.

7.
Admitir, reconhecer: Aceito por verdadeira a doutrina.

Verbo intransitivo.

8.
Assentir em algo.
9.
Consentir em receber coisa oferecida ou dada. [C.: 1. Part.: aceitado, aceito e (lus.) aceite.]

§ a.cei.ta.ção sf.; a.cei.ta.dor (ô) adj. sm.; a.cei.tá.vel adj2g.

E a transformação?Pois bem, notemos aqui que podemos interpretar a aceitação como reconhecer a verdade alheia e conformar-se com ela… não é?!

 

trans.for.mar
Verbo transitivo direto.
Verbo transobjetivo.

1.
Dar nova forma, feição ou caráter a; mudar, modificar, transfigurar.
2.
Converter.

Verbo pronominal.

3.
Mudar de estado, posição, condição, forma, etc. [C.: 1 (ó)]

§ trans.for.ma.ção sf.; trans.for.má.vel adj2g.

Ok.

Será que, de certa forma, com os conceitos acima, poderíamos dizer que a frase inicial pode nos remeter à mudarmos nossa feição e caráter de acordo com uma verdade alheia, conformando-nos com ela?

Aceitação dogmática ou entendimento empírico???

Aceitação dogmática ou entendimento empírico???

Ao meu ver, foi isso que primeiramente me veio à mente ao ler a frase… e, talvez tenha pecado em tentar falar rebuscado e citando fontes ao invés de falar assim… embora, eu só tenha conseguido concluir isso de forma embasada agora, as 21h, em casa e com a mente descansada…

Agora, aplicando isso tudo à situação atual – e talvez por isso tenha me tornado tão chato ultimamente -, onde vemos desmandos, crimes, barbaridades e agressões físicas, mentais e, sobretudo, morais, para após algum tempo de sentimentos conflitantes, acabemos nos acostumando à tal situação, e, em suas repetições, deixemos de nos espantar, de nos indignar, para, ao final, acabarmos achando que é “normal”, “sinal dos tempos” ou “como o mundo se transformou”…

Traduzindo: se você não é inteligente o bastante para argumentar comigo, aceite passivamente o que eu disse...

Traduzindo: se você não é inteligente o bastante para argumentar comigo, aceite passivamente o que eu disse…

Estes conceitos de “aceitação”, para mim, são extremamente perigosos para os tempos atuais. Vemos escondidas diariamente, manipulações e induções para que passemos a pensar de forma condicionada. Então, quando escuto o termo “aceitar”, certamente me vem antes à mente a necessidade de entendimento da situação, para só após, sob minha concordância, ter a aceitação.

Melhor ser louco sozinho do que seguir a loucura alheia... sinto-me mais confortável com a minha própria insanidade...

Melhor ser louco sozinho do que seguir a loucura alheia… sinto-me mais confortável com a minha própria insanidade…

Notemos que o aceitar também é diferente do tolerar ou do adaptar-se… sim, não temos a obrigação e tampouco a necessidade de aceitar tudo. Mas, as regras de convivência nos dizem que, devemos aprender, em nome das boas relações, nos adaptemos ou que aprendamos a tolerar situações que nos fogem à aceitação.

Aquilo que te desagrada não necessita da tua aceitação, mas, certamente exige teu respeito… sendo assim, sigo dizendo que nossas escolhas podem nos levar à inúmeras situações de conflitos de entendimento. E, agora citando o MEU CASO, posso dizer que durante minhas jornadas de tentativa de entendimento, noto que dificilmente aceito algo inteiramente. Digamos que minha mente insira uma etiqueta indicando o status atual daquilo até que eu tenha mais elementos de ponderação… o que podem me fazer mudar de opinião a respeito, e, sendo assim, mudar a etiqueta…

A ditadura do politicamente correto que mira em uma aceitação não sua em relação a algo ou alguém, mas, dos outros em relação a nós mesmos...

A ditadura do politicamente correto que mira em uma aceitação não sua em relação a algo ou alguém, mas, dos outros em relação a nós mesmos…

Digamos que eu tenha etiquetado algo como “aceitável”… convivo com tal situação ou conceito como tal até que, um belo dia, durante as andanças, me depare com novos dados sobre, e, após novas ponderações com essas novas hipóteses, eu conclua que estava errado sobre aquilo até então… e, sendo assim, mudo a etiqueta para “não aceitável”…

Não vejo problemas em mudar de opinião a respeito de algo. Acho, inclusive, salutar. E, se um dia me indagarem o porquê eu era defensor de uma coisa, para, tempos depois, passar a ser um combatente, posso tranquilamente responder: “eu me tornei um pouco menos burro de lá para cá…”.

Schopenhauer, um dos filósofos mais unha encravada rançosos da história, se irritava com a capacidade humana em admirar a enrolação alheia. Sim, temos a tendência de achar que os outros são mais inteligentes pois falam mais rebuscado ou de forma mais pomposa, enquanto, a essência pode ser vazia… no bom português: a arte de falar bonito, sem dizer porra nenhuma…

Não, a aceitação, neste caso, é a entrega da vontade própria a alguém...

Não, a aceitação, neste caso, é a entrega da vontade própria a alguém…

E em tempos de guerras psicológicas, onde muda-se constantemente o “politicamente correto”, ouso a aconselhar a todos os amigos e corajosos leitores do blog, que não confiem inteiramente na mente alheia… muito menos a aceitar seus conceitos simplesmente. Ouso mais ainda: tentem conhecer a idoneidade moral da fonte. Tentem entender o porquê tal conceito está sendo apresentado e com qual interesse revestido. Só aí, caso queiram, ponderem sua aceitação. Para mim, aceitação é uma variável. Não um fim em si mesmo.

Se a aceitação é o início da transformação, como nos diz a frase inspiradora do post, atentemos se a tal transformação irá nos colocar em um patamar melhor. Se ela nos fará melhorar enquanto seres humanos. Se nos inspirará avanços, etc… ou, pelo contrário, apenas nos remete à um lugar-comum da mediocridade, para nos transformar em conformistas que não conseguem mais enxergar possibilidades…

Ponderemos… sempre!

O passado é prólogo... então, de certa forma, eu diria que antes de aceitar o que fizemos, seja primordial entender o porquê fizemos...

O passado é prólogo… então, de certa forma, eu diria que antes de aceitar o que fizemos, seja primordial entender o porquê fizemos…

Talvez porque, nesse dia, o entendimento maior tenha sido conseguido...

Talvez porque, nesse dia, o entendimento maior tenha sido conseguido…

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