Racismo x Raciocinismo

Bem, o termo raciocinismo provavelmente não existe (não quis procurar), mas, o utilizei neste caso para fomentar uma discussão sobre um caso ocorrido comigo durante um comentário que fiz em um blog de notícias e que gerou em mim, um sentimento do quanto falta raciocínio mesmo em causas nobres…

Ok, vamos lá:

Acho que todos já viram essa matéria espalhada pela net:

 

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Me causou indignação, como acredito que na enorme maioria de pessoas que tenham lido isso, e, ao final da leitura, resolvi postar um comentário… o link onde eu estava era este (para caso alguém quiser ver diretamente o rosário de comentários que vieram a partir do meu)

http://www.geledes.org.br/casal-posta-foto-em-rede-social-e-se-tona-vitima-de-racismo/#comment-1562447426

Eu, em minha linha de pensar, creio que o racismo trate-se de algum tipo de patologia cerebral, que talvez um dia a psicologia descubra, que leva uma pessoa a crer que é superior à outra por motivos de biotipo ou fenótipo… então, em função disso, postei minha opinião… mas, a resposta de um… cidadão, digamos assim, me espantou…

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Ok, já me chamaram de tudo nessa vida e não me incomodou… tampouco o xingamento do queridão aí… mas, resolvi pensar no contexto todo… o portal fala da luta contra o preconceito… e, certamente o cidadão ao me dizer isso, não deve ter usado a lógica… imaginei tratar-se de uma piada, inicialmente e sequer iria responder… mas, teve outras opiniões no meio:

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É claro que pensamentos (ou a ausência de em proselitistas) como o do cara, despertam sempre meu lado sarcástico-irônico, que é um forma civilizada (eu acho) de mandar um cidadão longe, ao invés de usar palavras de baixo calão… só que, a anta tinha contra-argumentos “embasados”… afinal, já me proclamou, além de nazista, a gerador de vítimas… provavelmente baseados no sobrenome alemão e na cara que eu tenho… mas a coisa não parou aí…

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Notem que o proselitista tem seus “argumentos” e teses… usa inclusive um neologismo para dizer exatamente a mesma merda que ele pretende combater… nem com outras pessoas tentando chamar a pessoa à razão funcionou… aí, ele resolveu mostrar a sua face, a HIPOCRISIA, afinal, se proclamou apenas contra um tipo de racismo. Os demais, por ele, tudo bem…

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Era para supostamente ter encerrado por aí, comigo destilando meu sarcasmo e o cidadão destilando o ódio que, primeiramente ele se diz vítima… mas…

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Eu realmente deveria ter notado que era hora de parar, pois, o cara já se mostrou e, sobretudo representa um total contra-senso à qualquer luta que brada por igualdade… mas, eu estava irritado demais com a burrice do mesmo para saber a hora de parar…

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Nessa hora, erradamente, tentei mostrar que a “lógica” do cidadão não batia com o seu discurso, e, já que estávamos em um momento de vergonha alheia, achei que seria interessante mostrar a ele que seria mais útil se começasse a pensar antes de falar… aliás, na irritação que eu estava, também comecei a parar de pensar, pois deveria ter encerrado antes o diálogo…

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O cidadão seguiu com a linha de “raciocínio” de que eu não me encaixava no perfil do site, por ser branco e nazista, mesmo já tendo visto que eu não era racista… mas, realmente estava difícil para ele entender o tamanho da hipocrisia… realmente eu deveria ter parado…

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Bem, se revelando um talibã da bandeira anti-racista-negra (pois os demais racismos, por ele, tudo bem), a criatura transpareceu que gosta de falar asneiras para desopilar… mas, como “a bola ficou picando”…

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Ok, destilei sarcasmo em excesso, mas, estava enebriado por ele a essa altura do campeonato… é claro, houve mais alguns insultos depois disso, que não valem a pena postar, mas, toda essa chatice mostrada até aqui foi para embasar o meu pensamento do quanto temos que rever conceitos na vida. E, sobretudo, o quanto devemos atentar para a quantidade de idiotas infiltrados em causas nobres, boas e certamente dignas de seguirem adiante…

Costumo dizer que sistemas filosóficos são compostos de pensamentos… pensamentos vêm de pessoas. E, se o pensamento é bom ou ruim, depende da análise feita. Em um momento, ou sozinha, ela até pode fazer sentido, mas, em um contexto, ela pode ser uma estupidez gigante.

Eu sou do tipo de cara que acha que todo o sistema que é composto por pessoas e suas formas de pensar, tendem, se não forem ajustados, a ruir em nome das pessoas de má índole, ou simplesmente burras, que adentram tais sistemas. Não que elas não devam estar ali, mas, creio que elas devam, pelo menos, ter o pré-requisito do bom senso, da inteligência e, sobretudo, da boa intenção… acho que estamos em um ponto na sociedade onde temos idiotas demais com microfones nas mãos, enquanto os que possuem um pouco mais de contribuição a dar, não tenham estômago para entrar na dança… causas nobres sempre possuem suas bestas e isso pode afastar dessas causas pessoas bem intencionadas, mas, com pouca fé na humanidade, pois sabem que um idiota só deixará de sê-lo se assim o quiser… mas são poucos os que sequer se dão conta do quanto o são…

Pensemos nisso, amigos… ou, simplesmente, pensemos…

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Ladrões, assaltantes e burros… Caso real

Dos tantos “causos” que conto na vida, dentre meus 39 anos de existência, talvez os que se referem ao meu infortúnio com a violência urbana de Porto Alegre, sejam aqueles que mais causam risos, a despeito do que exigia a situação. De tantas vezes, mudei meu status de “azarado” para “sortudo”, afinal, somando-se tudo, foram 10 revólveres apontados para mim, sem levar nenhum tiro, então, acho que dá para considerar sorte… Ao todo, já tive 5 vezes o carro roubado, sendo que 2 vezes fui levado junto… e em uma delas (a segunda), quando conto, sempre ouço que isso deveria ter virado um curta-metragem no cinema… quem sabe um dia?

Era uma noite fria do ano de 1996. Eu tinha saído em uma sexta à noite, para um barzinho ou coisa mais curta, porque tinha que trabalhar no sábado pela manhã (coisa que mais odiava fazer na vida. Não o trabalhar, mas o acordar sábado de manhã). Confesso que não queria sair, mas, o pedido de uma amiga que tinha acabado de terminar um namoro com um grande amigo meu e que precisava “chorar as pitangas” para alguém (coisa que sempre fui bom: ouvinte), além de cheirar a cilada, poderia não ser apenas maldade da minha cabeça e fosse apenas um pedido de ajuda de alguém em angústia… bem, me enganei e, realmente, era uma cilada. A moça ficou carinhosa demais comigo e, coisa que eu não admito dentro dos meus padrões morais é ficar com ex-namorada (e muito menos namorada) de amigos. Sugeri que a hora era avançada e resolvi largar a moça em casa sem mais escalas. Não era ainda tarde da noite, então, resolvi ir diretamente para casa e dormir mais tempo para a jornada do dia seguinte. As ruas vazias sugeriam que eu poderia avançar semáforos fechados sem problemas com a lei (ainda não existiam os “pardais” e “caetanos” para nos multar), até que, perto de casa, em uma faixa de pedestre em uma sinaleira de corredor de ônibus, resolvo reduzir e parar o carro para que dois “cidadãos” atravessassem a rua… e aí foi o meu erro.

Ah, pois então...

Ah, pois então…

Os dois cidadãos que fingiam atravessar a rua, vieram diretamente para a janela, enquanto eu ainda ponderava sobre ter feito certo ou não em levar a moça em casa, se contaria o ocorrido ao amigo ou não… e o susto de ver aquele revólver apontado me fez quase soltar a bexiga. Sorte que eu não tinha bebido.

Minha mãe sempre diz que devemos andar na noite com os vidros fechados. Como se fossem à prova de bala ou coisa parecida, mas, ainda assim, o meu Uno Mille 94, pelado, não tinha travas elétricas e, portanto a porta do carona já estava aberta pela descida da moça e o meu esquecimento em fechar o pino, ainda por estar com a cabeça longe dali para lembar de pinos…

O cara abriu minha porta, me colocou para o banco de trás, mesmo com o pedido para que me liberasse, e, com o comparsa no banco do carona, me levaram para “passear” arrancando à toda velocidade.

Automaticamente me pediram todos os pertences, embora a carteira já estivesse sobre o painel do carro. Com ele se foi um casaco que o meu pai adorava e eu resolvi “afanar” para usar na noite, enquanto o “colega” do motorista, ao vasculhar minha carteira, notou apenas 2 folhas no talão de cheque, além de alguns trocados na carteira. Algo equivalente a menos de 10 reais, hoje em dia. E aí foi que começaram as pérolas.

Se ainda fosse uma assaltante dessas...

Se ainda fosse uma assaltante dessas…

  • MAS TU É UM CHINELÃO, GURI… SAIR COM ESSA MERRECA NA NOITE? NÃO VAI PEGAR NINGUÉM COM ISSO, CHINELO! – gritou o do banco do carona, que parecia menos nervoso do que o motorista que ainda em velocidade alta, fazia aquele motorzinho 1.0 gritar alto. Pensei com meus botões que ser chamado de chinelão por bandidos é o cúmulo da ironia, mas, preferi seguir quieto. Ao que o motorista resolve também se pronunciar.
  • TU É MUITO BURRO, SEU PUTO! ONDE É QUE JÁ SE VIU PARAR EM SINALEIRA NA MADRUGA? NÃO SABE QUE TÁ CHEIO DE BANDIDO NA RUA?! – Disse também gritando. Nessa hora eu já começava a olhar para os lados para ver se era algum tipo de “pegadinha” de algum programa que iria testar minha paciência em engolir sapos na noite sem surtar. E o cara seguiu.

  • MAS PODE FICAR TRANQUILO. SÓ QUEREMOS O CARRO PARA FUGIR… DEPOIS TU ACHA O CARRO… VAMOS DEVOLVER ONDE TE PEGAMOS… EU SOU LADRÃO MAS SOU HONESTO…

Bem, nessa hora meu estômago deu reviravoltas, meus olhos lacrimejaram e a vontade de pedir que a criatura desse logo um tiro na minha cara para eu não ter que ouvir isso quase foram mais fortes do que a razão… quase… me permiti a dizer apenas um: – TUDO BEM, FICA TRANQUILO… e o motorista seguiu o discurso:

  • NÃO É TODO BANDIDO QUE É SAFADO, EU SOU HONESTO… SE EU DIGO QUE VOU DEVOLVER, É PORQUE VOU DEVOLVER… PODE CONFIAR…

Já quase sem ar pelo meu estômago querer colocar tudo para fora em forma de risadas, gritos e uma série de palavrões, ainda tentando manter a sanidade ali, solto apenas um: – BELEZA, EU CONFIO EM TI… e o engraçadinho seguiu me interrompendo com:

  • NÃO TEM QUE CONFIAR EM MIM QUE EU SOU LADRÃO… MAS, SE EU DISSE, TÁ DITO!

Ao finalizar a frase, já em um local que se dirigia para Viamão, em uma estrada alternativa onde só havia mato, asfalto e a lua, pois sequer postes haviam ali, o motorista quase se perde em uma curva e derrapa o carro. Eu, que já preferia morrer ao ouvir tantas maravilhas, resolvi falar:

  • Posso dizer uma coisa? – Perguntei. Fui interrompido pelo motorista filósofo com um – CALA BOCA, GURI! PORRA!

O cara do banco do motorista, diz que eu poderia falar. O que deu a entender que era o “cérebro”, enquanto o motorista era o “Pinky”.

- E o que vamos fazer hoje, Cérebro? ; - O que fazemos todas as noites, roubar toca-fitas com auto-reverse...

– E o que vamos fazer hoje, Cérebro? ; – O que fazemos todas as noites, roubar toca-fitas com auto-reverse…

Com a maior falta de noção, mas, com coragem, resolvo dizer: – Olha só, não tem ninguém nos perseguindo, não tão nos procurando e eu sequer tenho um telefone à quilômetros perto daqui para ligar… então, quem sabe tu diminui a velocidade, porque nós já quase capotamos o carro e dirige normalmente? Inclusive desse jeito tu vai acabar chamando a atenção…

  • TU TÁ ME CHAMANDO DE BARBEIRO, GURI DE MERDA?! – me interrompeu o motorista dando socos para trás sem tirar os olhos da direção e acertando minha perna… – VOU TE MATAR! – seguiu dizendo…
  • O GURI TÁ CERTO, BAIXA A BOLA AÍ… – disse o do carona, deixando claro quem era o chefe…

  • Assim, vocês me deixam aqui, eu vou voltar a pé e, até chegar em casa vocês já chegaram onde queriam, provavelmente…

  • PARA O CARRO… VAMOS DEIXAR O GURI AQUI… – mandou o chefe…

  • O carro parou no meio da estrada que sequer tinha acostamento, a luminosidade era apenas a da lua… e enquanto o chefe mandava eu esvaziar tudo que eu tivesse nos bolsos, eu ficava na dúvida se tirava o meu G-SHOCK que estava escondido sob a manga do blusão… mas, quando ele diz que me revistaria na saída e me mataria se tivesse mais algo comigo, resolvi tirar e deixar no chão do carro, dando um chute para debaixo do banco, para, caso eles realmente devolvessem o carro, eu poderia recupera-lo depois…

    • DESCE BEM DEVAGAR E NÃO OLHA PARA TRÁS…

    Desci e caminhando lentamente, sinto que algo apontava para mim… dei aquela olhada de canto, e vejo a arma apontada e, naquela hora noto que se pegasse o tiro em algum lugar complicado de me locomover, só me achariam no meio daquele mato quando os urubus apontassem… mas, o cara guardou a arma, entrou no carro e arrancaram… dessa vez, em velocidade normal.

    As lições da noite seguiram… aprendi que não se pede carona a quem passar por ali. Pois os caras vão achar que tu está tentando assalta-los também, ao invés de pedir ajuda… outra lição: situações adversas despertam o MacGyver que existe na gente…

    É nóis!

    É nóis!

    O meu carro estava “caolho”, o farol da esquerda estava em luz baixa apenas, enquanto o da direita, por um encostão em um carro, certa feita, estava apontado para cima, dando impressão de estar em luz alta. Isso complicava a direção a noite, pois sempre levava luz alta de volta… mas, minha surpresa, após caminhar por um bom tempo naquela estrada no caminho de volta, percebo que o meu carro voltava também (pelo “olhar” dos faróis)… me atirei no mato e ali me escondi… não duvidava mais da capacidade da noite poder piorar, então, preferi seguir por conta própria… deixei o carro passar para sair dali e voltar à estrada.

    Caminho mais uns minutos, ou horas, sei lá, pois sem relógio, me baseava pela lua, que estava atrás de mim no início da caminhada e já estava sobre mim àquela altura.

    Passo pela entrada de um sítio, com muros altos de tijolos, cobertos com um tipo de cerca viva e um portão de grades altas, que não havia percebido na ida pela escuridão… uns 200 metros adiante, vi um carro atravessado na estrada. No instinto MacGyver, já beirando ao Chuck Norris, resolvo adentrar o mato para me aproximar dele de forma que não me vissem, caso houvesse alguém por ali. Não cheguei a me aproximar muito para ouvir o início de um tiroteio. Não sei quantos tiros foram dados, pois voltei correndo, no instinto, em direção à entrada do sítio, escuro, que aparentava não ter ninguém ali. Pulei a grade com um impulso, dando inveja à cadetes do exército em exercícios de treinamento, embora, a aterrizagem tenha sido com as costas, numa clara ideia de que a inveja dos cadetes duraria pouco…

    Esses aí certamente me invejam...

    Esses aí certamente me invejam…

    A volta do muro do sítio era arredondada, tendo no portão uma entrada recuada em relação aos muros. Fiz a volta e fiquei encostado na “barriga” da volta do muro, pois não me veriam caso tentassem expiar pelo portão (no caso de ser comigo o negócio do tiroteio, coisa que eu não sabia). Dou uma suspirada de alívio, já sem ouvir tiros… mas o alívio durou pouco. Latidos altos de cães ficavam mais altos. A casa era afastada da entrada, sob um aclive de grama (não dá para chamar de colina), e, de lá, vinha dois Rothweillers em minha direção correndo.

    Eu ainda sentado, imaginando naquele momento se preferia morrer com tiros ou com mordidas, resolvo levantar, catar um galho grosso perto de mim. E, imóvel tentava calcular se eu dava uma paulada em um e um chute no outro ou se seria inútil…

    Os cães se aproximaram até uma distância de uns 10 metros de mim, ainda latindo, mas, sem avançar, latiram por mais uns instantes até que, pararam. Depois de alguns segundos ou minutos de encaradas mútuas, os dois retornaram de onde vieram. Nessa hora, talvez, meu anjo da guarda tenha ganho menção honrosa e direito à férias remuneradas…

    Sentei novamente e esperei um tempo até que, porventura os protagonistas do tiroteio tivessem se afastado (ou se matado), para então, pular o muro de volta para a estrada. O carro não estava mais lá. Segui andando. Passo a entrada de uma vila, com uma estrada de chão batido… e, já em estado de neurose, me abaixava junto ao asfalto para ver se havia luminosidade de carros se aproximando novamente, pois eu ouvia vozes. Naquela encruzilhada, não havia tanto mato para eu me esconder, então, deitado rente ao chão, por achar que era mais difícil de me ver, resolvo escalar um outdoor por trás, daqueles feitos com troncos de madeira. Fiquei pendurado atrás do outdoor, ouvindo dois caras falando sobre ter “conseguido” apenas 3 rádios toca-fitas, mas com auto-reverse, alguns relógios e pouca grana. Durante os minutos ali pendurado e esperando as vozes se distanciarem, percebi que eu iria conseguir me safar do que viesse dali para frente, numa clara sensação de capacidade para me virar por conta. Daí outra lição: a dor ensina a gemer… ou seja, quando aperta o calo, a gente consegue dar um jeito, por mais doido que possa parecer.

    Desci do outdoor, enquanto as vozes adentraram a tal vila e cessaram, seguindo a rota para casa. Começo a ver luzes de postes, casas, uma loja de gás… e, metros mais para frente, uma delegacia de polícia… “ESTOU SALVO!”, pensei. Com a sensação de que mesmo havia me salvado, já no delírio da epopeia toda.

    Bato à porta, com as luzes apagadas até que uma se acende e um plantonista vem esfregando os olhos…

    Entrei, sentei, registrei a ocorrência e pedi que ligassem para meus pais para que me ajudassem. O policial disse que ligaria, mesmo eu pedindo para falar ao telefone, visto que, ouvindo minha voz, não se assustariam com o relato após saber que eu estava bem.

    Mas, o profissional ligou e, com voz de radialista, iniciou:

    • Aqui é da 12ª DP de Viamão… inspetor “Fulano” (não lembro mesmo o nome)… o senhor é familiar de Rogério Ketzer?…
    Deixa pra mim, que eu sou canhoto...

    Deixa pra mim, que eu sou canhoto…

    Pelo “senhor”, concluí ser meu pai ao telefone, mas, imaginei que ia dar um susto no velho falando daquele jeito… “DIZ LOGO QUE EU TÔ BEM!”, falei alto. Mas recebi uma palma da mão com um olhar de “eu sei o que estou fazendo”… e então seguiu…

    • Pois então, o seu filho foi vítima de um sequestro… mas está tudo bem…

    Imaginei que a primeira frase poderia ter infartado o velho, mas, pelo menos durou pouco… e, após algumas explicações, com minha insistência para que eu falasse ao fone, consegui ser atendido.

    • Pai, tem como vir me buscar? Não sei nem onde é que eu tô… – disse… mas, como a noite era de ironias, ouvi de volta um:
  • Não tem como pedir uma passagem aí pro cara? Aí tu pega um ônibus…

  • troll dad5301

    Certamente o meu pai não conseguiu terminar a frase, pois minha mãe deu alguma ordem que já estariam vindo… aí passei o telefone de volta para o policial que me olhava com cara de incrédulo… não sei se porque não teria passagem para me emprestar ou pela “espontaneidade” do meu pai…

    Chegaram lá tempos depois, voltei para casa, e, na segunda-feira tive a notícia de que o carro havia sido achado…

    E não é que os ladrões eram de palavra?!

    Fui com a cópia da chave reserva com a minha mãe, mas, fui informado da tal “perícia” da polícia… pedi para ver o carro, mas, me informaram que não poderia até o final do “trabalho”… enquanto a minha mãe me pergunta o porquê eu iria querer ver o carro sem esperar mais alguns minutos… contei a ela o episódio do G-SHOCK embaixo do banco, e, queria ver se estaria lá… e aí a última lição do episódio:

    um escrivão que estava no atendimento que nos orientava para o procedimento, ergue as sobrancelhas , me olha de canto de olho, levanta e vai diretamente para o local da perícia… minha mãe me olha com uma cara de “LÁ SE FOI TEU RELÓGIO, GÊNIO!”, e, ali eu aprendi que assaltantes e ladrões são coisas diferentes…

    Afff, vai ser burro assim lá em Brasília!

    Afff, vai ser burro assim lá em Brasília!

    Exclusivo, diferenciado e outros isolamentos

    Hoje, vindo de um compromisso de trabalho, durante a corriqueira tranqueira no trânsito porto-alegrense, noto um cartaz de um empreendimento imobiliário dizendo coisa do tipo: “more no lugar mais exclusivo de (nome da cidade)…”.

    Bem, este termo “exclusivo” é muito bem vindo no ponto de vista do marketing, da moda e de outros tantos lugares que tem como o “status” sua base de venda. Resumindo, um produto “exclusivo”, na visão (ou na falta) de alguns, isso remete a algo que você possui, enquanto outros tantos não.

    Ah, você diz isso pra todos... garanto!

    Ah, você diz isso pra todos… garanto!

    Certamente as mulheres irão lembrar daquele vestido único, com a assinatura do costureiro tal, e que, certamente, você não terá o risco de ir em uma festa e deparar-se com outra pessoa usando a mesma roupa… embora, o conceito “exclusivo” esteja diametralmente no lado oposto de “moda”… bem, explico adiante… comecemos, como de costume, com o nosso amigo “amansa”:

    ex.clu.si.vo
    adj. 1. Que exclui; que tem força ou direito para excluir. 2. Incompatível com outra coisa. 3. Especial, privativo, restrito. S. m. Direito de não ter concorrentes numa indústria ou numa empresa.

    Podemos notar que o termo exclusivo nos remete a pensar que estar excluído, ser incompatível ou, se preferirem, no lado contrário de inclusivo, como algo “especial” e “privativo”.

    Venha, Tesouro, não se misture com essa gentalha!!!

    Venha, Tesouro, não se misture com essa gentalha!!!

    Bem, estar excluído certamente pode ser considerado privativo, afinal, você não precisa conviver com quem não quer. E, possuir algo único, que poucas pessoas têm, pode passar a ideia de que você é alguém “diferenciado” (outro termo em voga para dar status).

    di.fe.ren.ci.a.do
    adj. Que é diferente do convencional: Tratamento diferenciado.

    Diferente do convencional… hmmm, interessante…

    con.ven.ci.o.nal
    adj. m. e f. 1. Relativo a convenção. 2. Admitido geralmente. S. m. e f. Membro de uma convenção.

    con.ven.ção
    s. f. 1. Acordo, ajuste, combinação, convênio. 2. Pacto entre partidos políticos beligerantes. 3. O que está geralmente admitido e praticado, ou tacitamente convencionado nas relações sociais.

    Está bem… acho que deu para captar a mensagem…

    O que estamos recebendo como “mensagem” nesses anúncios é algo que diz subliminarmente que você será mais feliz se fugir das convenções sociais ou então, se excluindo de contextos e conceitos.

    É, mas a "inclusão" comunista sempre é no dos outros...

    É, mas a “inclusão” comunista sempre é no dos outros…

    Como falei antes, inclusive (=inclusivo, que é o oposto de exclusivo), a pessoa que busca a exclusividade como conceito de moda, está paradoxalmente agindo. Afinal, o termo “moda” na estatística, nos remete a algo que acontece com frequência…

    Em estatística descritiva, a moda é o valor que detém o maior número de observações, ou seja, o valor ou valores mais frequentes, ou ainda “o valor que ocorre com maior freqüência num conjunto de dados, isto é, o valor mais comum

    Agora que aprendemos que estar na moda é estar de acordo com um padrão que ocorre várias vezes, podemos notar que não dá para ser exclusivo e, tampouco, ser diferenciado…

    Seguindo adiante, podemos também ponderar que essa necessidade de sermos diferentes, de quebrarmos as convenções e, simplesmente largarmos de mão os conceitos sociais, AO MEU VER, indicam que muitos de nós, internamente, estamos cansados de tais convenções. Ao mesmo tempo que queremos ser “exclusivos” e “diferenciados”, também temos problemas com quem atinge tal status. Temos diversos casos de pessoas que não digerem bem o sucesso alheio ou, baseando-se por outros, frustra-se em suas próprias tentativas.

    A Fernandinho Beira-Mar o que é de Fernandinho Beira-Mar...

    À Fernandinho Beira-Mar o que é de Fernandinho Beira-Mar…

    Se analisarmos mais a fundo o conceito de exclusividade e de diferenciação, podemos ver que poderia ser, simplesmente, alguém diferente e fora de um contexto. Ou melhor, alguém dentro de um contexto PRÓPRIO. Este contexto, para ser diferente, não pode ser igual a nenhum existente, suponhamos, e, sendo assim, este alguém teria sérios problemas em “se inserir na sociedade e em suas regras e convenções”. Ou, como costumam dizer, não seria NORMAL. Também seria um “desvio do padrão”.

    Sem mais, meritíssimo...

    Sem mais, meritíssimo…

    Notemos agora, que, não por acaso, que “desvio padrão” está inserido num contexto estatístico de “normalidade”. Enfim…

    Sendo assim, podemos então notar que a vontade do pessoal em ser diferente, nada mais é do que fugir do “convencional”. Agora, fica a pergunta: quem é que nos obriga a ser “convencional”?

    As leis, dirão. Não, elas nos enquadram para o “desvio”, ou seja, tentam prever regras para que não “desviemos” da normalidade, mas, ainda assim, não nos impedem de agir de forma diferente (ou diferenciada).

    Para os que já sabem que somos todos únicos, não estou dizendo nada de novo. Alguns têm a consciência de que nascemos “fora do padrão” e que vamos “aprendendo” ao longo da vida como sermos “aceitos” pela sociedade e suas convenções. Bem, tais convenções, da mesma forma, variam de povo para povo, filosofia para filosofia, e, sobretudo, de credo para credo (credo em cruz!).

    Pois para alguns, diferenciar-se dos outros não significa, necessariamente, evoluir a si mesmo...

    Pois para alguns, diferenciar-se dos outros não significa, necessariamente, evoluir a si mesmo…

    Enquanto no Brasil é normal andar de fio dental em uma praia, em outro local, as mulheres devem andar de burka. E, da mesma forma, enquanto por aqui, se alguém se passar com a euforia pela bunda alheia, tem a lei para enquadrar o abusado, enquanto em outro lugar, a mulher que descobrir o rosto, é punida severamente… e em qual dos lugares podemos dizer que é normal isso?

    Há quem diga que não é normal andar de bunda (semi) de fora em outro lugar que não seja a praia, enquanto, há quem ache que uma mulher ter prazer em uma relação sexual é motivo para que lhe mutilem os genitais…

    Normal? Diferente? Cultural?

    Não sei como classificar essas coisas, então, compartilho minhas indagações aqui. E, talvez, pondere ainda mais se pensar que uma mulher, por aqui, ande de bunda semi-de-fora em uma praia com o intuito de diferenciar-se das demais, ou, por justamente notar que as demais também assim agem e, portanto, não querendo diferenciarem-se delas? Ficaria aqui, minha dúvida sobre diferenciação…

    E eu vou ficar com certeza, maluco beleza...

    E eu vou ficar com certeza, maluco beleza…

    Já, no lugar onde as mulheres são castigadas, mutiladas, etc, etc, etc; pondero se o caso lá fosse que pudessem elas tornarem-se “exclusivas” do sistema… ou, pelo menos, poderem excluírem-se de tal…

    Exclusividade, meus amigos, é em certos casos, a necessidade de ausentar-se. De fugir, talvez… e, como sabem bem os psicólogos, a fuga é apenas uma demonstração de que não toleramos nossas realidades…

    Ponderemos…

    Hein?! Dá pra repetir?!

    Hein?! Dá pra repetir?!

    Aceitação ou entendimento?

    Hoje, durante uma conversa em um post de um grande amigo de longa data, me deparei, primeiramente, em me entender como um chato que se intromete no post alheio dando ares de pseudo-intelectual. Já, por outro lado, pensei que minha fase atual está me levando a reflexões profundas mesmo em meio a frases de “horóscopo de jornal”…

    Bem, meu amigo postou a seguinte frase: “Aceitação é o primeiro passo para a transformação!”

    Astrólogos copiões que sequer citam a fonte completa...

    Astrólogos copiões que sequer citam a fonte completa…

    Respondi que, se levarmos em conta o conceito de transvaloração de Nietzsche, poderíamos interpretar isso como uma certa forma de manipulação disfarçada…

    Ele não compreendeu meu ponto de vista e eu citei um antigo texto onde falo de Dissonância Cognitiva aqui mesmo no blog…

    Bem, me senti um baita chato, pois, talvez o ponto de vista  que ele tenha tido com a frase – que ele me confessou ter recebido em um site de horóscopo do Facebook – tenha o levado a pensar em coisas como resignação e coisas do tipo…

    Enfim, chatices e neuroses minhas à parte, vejamos o que a tal aceitação tem a nos dizer…

    Aceitação = Aceitar… então:

     

    a.cei.tar
    Verbo transitivo direto.
    1.
    Consentir em receber (coisa oferecida ou dada).
    2.
    Concordar com.
    3.
    Conformar-se com (fato, circunstância, etc.).
    4.
    Chamar a si; atribuir-se.
    5.
    Ter como bom ou certo.
    6.
    Admitir, tolerar.

    Verbo transobjetivo.

    7.
    Admitir, reconhecer: Aceito por verdadeira a doutrina.

    Verbo intransitivo.

    8.
    Assentir em algo.
    9.
    Consentir em receber coisa oferecida ou dada. [C.: 1. Part.: aceitado, aceito e (lus.) aceite.]

    § a.cei.ta.ção sf.; a.cei.ta.dor (ô) adj. sm.; a.cei.tá.vel adj2g.

    E a transformação?Pois bem, notemos aqui que podemos interpretar a aceitação como reconhecer a verdade alheia e conformar-se com ela… não é?!

     

    trans.for.mar
    Verbo transitivo direto.
    Verbo transobjetivo.

    1.
    Dar nova forma, feição ou caráter a; mudar, modificar, transfigurar.
    2.
    Converter.

    Verbo pronominal.

    3.
    Mudar de estado, posição, condição, forma, etc. [C.: 1 (ó)]

    § trans.for.ma.ção sf.; trans.for.má.vel adj2g.

    Ok.

    Será que, de certa forma, com os conceitos acima, poderíamos dizer que a frase inicial pode nos remeter à mudarmos nossa feição e caráter de acordo com uma verdade alheia, conformando-nos com ela?

    Aceitação dogmática ou entendimento empírico???

    Aceitação dogmática ou entendimento empírico???

    Ao meu ver, foi isso que primeiramente me veio à mente ao ler a frase… e, talvez tenha pecado em tentar falar rebuscado e citando fontes ao invés de falar assim… embora, eu só tenha conseguido concluir isso de forma embasada agora, as 21h, em casa e com a mente descansada…

    Agora, aplicando isso tudo à situação atual – e talvez por isso tenha me tornado tão chato ultimamente -, onde vemos desmandos, crimes, barbaridades e agressões físicas, mentais e, sobretudo, morais, para após algum tempo de sentimentos conflitantes, acabemos nos acostumando à tal situação, e, em suas repetições, deixemos de nos espantar, de nos indignar, para, ao final, acabarmos achando que é “normal”, “sinal dos tempos” ou “como o mundo se transformou”…

    Traduzindo: se você não é inteligente o bastante para argumentar comigo, aceite passivamente o que eu disse...

    Traduzindo: se você não é inteligente o bastante para argumentar comigo, aceite passivamente o que eu disse…

    Estes conceitos de “aceitação”, para mim, são extremamente perigosos para os tempos atuais. Vemos escondidas diariamente, manipulações e induções para que passemos a pensar de forma condicionada. Então, quando escuto o termo “aceitar”, certamente me vem antes à mente a necessidade de entendimento da situação, para só após, sob minha concordância, ter a aceitação.

    Melhor ser louco sozinho do que seguir a loucura alheia... sinto-me mais confortável com a minha própria insanidade...

    Melhor ser louco sozinho do que seguir a loucura alheia… sinto-me mais confortável com a minha própria insanidade…

    Notemos que o aceitar também é diferente do tolerar ou do adaptar-se… sim, não temos a obrigação e tampouco a necessidade de aceitar tudo. Mas, as regras de convivência nos dizem que, devemos aprender, em nome das boas relações, nos adaptemos ou que aprendamos a tolerar situações que nos fogem à aceitação.

    Aquilo que te desagrada não necessita da tua aceitação, mas, certamente exige teu respeito… sendo assim, sigo dizendo que nossas escolhas podem nos levar à inúmeras situações de conflitos de entendimento. E, agora citando o MEU CASO, posso dizer que durante minhas jornadas de tentativa de entendimento, noto que dificilmente aceito algo inteiramente. Digamos que minha mente insira uma etiqueta indicando o status atual daquilo até que eu tenha mais elementos de ponderação… o que podem me fazer mudar de opinião a respeito, e, sendo assim, mudar a etiqueta…

    A ditadura do politicamente correto que mira em uma aceitação não sua em relação a algo ou alguém, mas, dos outros em relação a nós mesmos...

    A ditadura do politicamente correto que mira em uma aceitação não sua em relação a algo ou alguém, mas, dos outros em relação a nós mesmos…

    Digamos que eu tenha etiquetado algo como “aceitável”… convivo com tal situação ou conceito como tal até que, um belo dia, durante as andanças, me depare com novos dados sobre, e, após novas ponderações com essas novas hipóteses, eu conclua que estava errado sobre aquilo até então… e, sendo assim, mudo a etiqueta para “não aceitável”…

    Não vejo problemas em mudar de opinião a respeito de algo. Acho, inclusive, salutar. E, se um dia me indagarem o porquê eu era defensor de uma coisa, para, tempos depois, passar a ser um combatente, posso tranquilamente responder: “eu me tornei um pouco menos burro de lá para cá…”.

    Schopenhauer, um dos filósofos mais unha encravada rançosos da história, se irritava com a capacidade humana em admirar a enrolação alheia. Sim, temos a tendência de achar que os outros são mais inteligentes pois falam mais rebuscado ou de forma mais pomposa, enquanto, a essência pode ser vazia… no bom português: a arte de falar bonito, sem dizer porra nenhuma…

    Não, a aceitação, neste caso, é a entrega da vontade própria a alguém...

    Não, a aceitação, neste caso, é a entrega da vontade própria a alguém…

    E em tempos de guerras psicológicas, onde muda-se constantemente o “politicamente correto”, ouso a aconselhar a todos os amigos e corajosos leitores do blog, que não confiem inteiramente na mente alheia… muito menos a aceitar seus conceitos simplesmente. Ouso mais ainda: tentem conhecer a idoneidade moral da fonte. Tentem entender o porquê tal conceito está sendo apresentado e com qual interesse revestido. Só aí, caso queiram, ponderem sua aceitação. Para mim, aceitação é uma variável. Não um fim em si mesmo.

    Se a aceitação é o início da transformação, como nos diz a frase inspiradora do post, atentemos se a tal transformação irá nos colocar em um patamar melhor. Se ela nos fará melhorar enquanto seres humanos. Se nos inspirará avanços, etc… ou, pelo contrário, apenas nos remete à um lugar-comum da mediocridade, para nos transformar em conformistas que não conseguem mais enxergar possibilidades…

    Ponderemos… sempre!

    O passado é prólogo... então, de certa forma, eu diria que antes de aceitar o que fizemos, seja primordial entender o porquê fizemos...

    O passado é prólogo… então, de certa forma, eu diria que antes de aceitar o que fizemos, seja primordial entender o porquê fizemos…

    Talvez porque, nesse dia, o entendimento maior tenha sido conseguido...

    Talvez porque, nesse dia, o entendimento maior tenha sido conseguido…