Sobre meninos e lobos…

Não pessoal, não falarei sobre o filme. O título me veio ao pensar sobre outro tipo de coisa. Primeiramente, a relação dos contos infantis entre crianças e seus algozes, os lobos…

Vemos a figura do lobo como vilão bem comum nesses contos. E, em todos eles, temos ali figuras, além de malvadas -vide o lobo mau, que aparece em dois contos famosos- são bastante ardilosas. Lembro do lobo da Chapeuzinho Vermelho, que, além de “passar o cachorro” na menina, ainda por cima, é mestre dos disfarces (e provavelmente porque ela sofria alguma síndrome parecida com os personagens das fábulas do Superman, onde não conseguem notar a diferença do cara com ou sem óculos). Outra figura ardilosa representada por um bicho sacana, é a serpente bíblica…

E vamos logo que a Dilma tá vindo inaugurar como obra do PAC...

E vamos logo que a Dilma tá vindo inaugurar como obra do PAC…

Temos a fábula do Pedro e o Lobo -que conheci desde pequeno com os livros da coleção da Disney que minha mãe colecionou para mim- que era um pouco diferente do conto mais famoso, onde o pastorzinho alardeava de brincadeira a chegada de um lobo, mas, no dia em que não era brincadeira, não foi ajudado por ter abusado da paciência alheia antes…

Enfim, esta figura está bem arraigada no subconsciente coletivo (afinal, ouvimos estes contos desde pequenos) como um aviso para alguma coisa. Ou seja: o da Chapeuzinho Vermelho, para aprendermos que não dá para “pegar atalhos na vida”, ou, que não devemos desobedecer (mesmo que tenhamos uma mãe sem noção que deixe uma criança ir sozinha através de uma floresta com lobos visitar a vovó), ou, no caso dos 3 Porquinhos, para nos lembrar de que se formos relapsos, ou, se preferirem, desapegados com o material a ponto de construir casas módicas, mesmo com um ambiente hostil, sempre terá alguém para derrubá-la… ou seja, nos lembra que nunca devemos confiar no que “há lá fora”…

O bom cabrito não berra, pessoal... psiu, agora quietinhos que eu vou me banquetear...

O bom cabrito não berra, pessoal… psiu, agora quietinhos que eu vou me banquetear…

Sendo assim, nossa cognição é montada com comandos escondidos em diversão infantil, e que, muitas vezes pode passar batido por pais que estão mais preocupados em distrair seus filhos do que ponderar sobre o que estão programando em suas mentes…

Eu mesmo fiz isso com a minha filha, sem perceber, embora ela ainda seja pequena demais para notarmos o que isso impactará futuramente… bem, até aqui está tudo bem, obrigado.

Mas, igualmente não se trata de histórias infantis a essência deste texto. Trata-se de falar sobre as figuras representadas, quem são os meninos e quem são os lobos do cenário atual…

Bem, ao meu ver, os meninos são os incautos, crédulos e os “bem intencionados”, que, em suas inocências, são ludibriados por lobos que têm, em suas metas principais, motivos para se valer destas inocências à seu favor… como nos ilustra o conto do “Lobo e os 7 cabritinhos“, de onde vêm a expressão “lobo em pele de cordeiro”…

Onde quero chegar com isso?! Simples. Quero que todos pensemos e analisemos nossas vidas sobre este prisma: quem são os lobos e os meninos no nosso ambiente? Seremos nós lobos? Seremos nós meninos? Ou, talvez, poderíamos ser uma figura “a la caçador”, que identificando os papéis, presta-se a fazer alguma coisa para que os lobos se fodam tenham o que mereçam…

- E pra quê essa moto, seu lobo?! - É pra te comeeeeer!!!

– E pra quê essa moto, seu lobo?!
– É pra te comeeeeer!!!

Ainda não entenderam? Bem, então, poderia dizer que, temos no cenário atual, uma horda de lobos em pele de cordeiro. E, uma infinidade de meninos que, inadvertidamente, são vítimas destas figuras. Desta forma, como em qualquer processo mental, após identificarmos nossa relação com este cenário, consigamos reverter dificuldades, deixar de cometer injustiças, ou, simplesmente, que façamos algo para ajudar aos incautos a saírem de seus quadros de vítima destes lobos…

Está na hora de mudarmos os cenários. Ou, reaproveitando a metáfora, de nos livrarmos dos lobos. Não necessariamente precisamos ser vítimas para acordarmos para a realidade. Eu diria que vemos isso o tempo todo ao nosso redor. E, nossa atitude em relação a isso é que faz a diferença…

Eu, particularmente, cansei de observar e não fazer nada. Enchi o saco de lamentar passivamente iniquidades diárias… então, à medida do possível, tento fazer alguma diferença no dia a dia, nem que seja representando um papel nesta peça nem tão infantil…

Mas, creio eu que, se eu me remetesse à alguma fábula infantil, eu seria o menino do conto “A roupa nova do Imperador”, que grita: “O IMPERADOR ESTÁ NÚ”, enquanto todos os demais admiravam a roupa nova, feita de um tecido onde só os inteligentes poderiam ver, mesmo que ninguém estivesse vendo…

É Cocô de Channel...

É Cocô de Channel…

Enfim, ao invés de nos perguntarmos “quem tem medo do lobo mau?!”, também poderíamos perguntar se alguns lobos não são apenas criações com intuito de assustar e criar medo, para que, amedrontados, sejamos apenas meninos/porquinhos/cordeirinhos indefesos?! Bem, também podemos ser caçadores, não se esqueçam disso…

Tá, este aí não dá pra ser... só nascendo de novo...

Tá, este aí não dá pra ser… só nascendo de novo…

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