Heréticos, hereges e simpatizantes…

Como já comentei em uma sessão do blog, meu nome KETZER, traduzido do alemão, significa HEREGE. E, bem, posso dizer que, de certa forma, me orgulho deste sobrenome, ou linhagem, se preferir.

Descobri por acaso, procurando árvores genealógicas no Google, e, em uma primeira pesquisa, deparei-me com um monte de imagens satânicas, da inquisição e de gente ardendo em fogueiras… além de descobrir que existe uma banda de Heavy Metal com este nome também… daí para frente, foi rápido ligar os pontos.

Churrasquinho com os parentes... ou melhor, DOS parentes...

Churrasquinho com os parentes… ou melhor, DOS parentes…

Contando a descoberta na família, não notei o mesmo entusiasmo… e, talvez aí já tenha começado a perceber o que significa ser um herege socialmente… aquele ar de “não conta isso pra ninguém…” e coisas do tipo…

Só que, algumas coisas na vida se encaixam perfeitamente… nem que seja tempos depois… comecei a perceber que havia alguma ligação meio doida espiritual, esotérica ou sei lá qual outra maneira de chamar isso, com o sobrenome… mas, como de costume, vamos primeiramente ao nosso amigo amansa para que possamos equalizar o que quero dizer:

he.re.ge
Adjetivo de dois gêneros.
Substantivo de dois gêneros.

Que ou quem professa heresia (1).

he.re.si.a
Substantivo feminino.
1.
Doutrina contrária ao que foi definido pela Igreja em matéria de fé.
2.
Fig. Contrassenso; absurdo.

Voilà! CONTRASSENSO!

Sim, é o contrassenso que me identifica com o sobrenome… afinal, nunca fui afeito à rituais satânicos ou afins… no máximo gosto do som dos Rolling Stones, “Simpathy for the Devil”.

Sim sim, sou eu... muito prazer pessoal!

Sim sim, sou eu… muito prazer pessoal!

Pois bem, e o que seria o tal contrassenso?

con.tras.sen.so
Substantivo masculino.
Dito ou ato contrário ao bom senso.  

sen.so
Substantivo masculino.
1.
Faculdade de apreciar, de julgar, de sentir; sentido.
2.
V. juízo (3).

ju.í.zo
Substantivo masculino.
1.
Ato de julgar.
2.
Conceito, opinião.
3.
Modo equilibrado de pensar e agir; tino, ponderação, senso, bom senso, siso.
4.
Foro ou tribunal onde se processam e julgam os pleitos.
5.
Pop. Mente, pensamento.


Juízo Final.
Rel. Segundo a doutrina cristã, aquele pelo qual, no fim do mundo, Deus há de julgar os vivos e os mortos, separando os bons e os maus.

Pois bem, acho que encontrei todos os elementos que gostaria para seguir com o texto…

Desde que me conheço por gente, tenho quase que a necessidade de testar conceitos… perguntar o porquê das coisas e, é claro, testar se essas coisas fazem sentido ou não PARA MIM, ao final.

Acho que esta maquininha ia ajudar bastante na época da inquisição...

Acho que esta maquininha ia ajudar bastante na época da inquisição…

Como podem notar, muitos dos meus textos, inclusive, tendem a contestar mais do que a esclarecer… e foi assim desde cedo.

Não por acaso também, me vi várias vezes ouvindo “porque sim e ponto”, ou então “sempre foi assim”. E, confesso, estas frases me irritam até hoje.

É claro, essa vontade de entender e combater conceitos teve o lado bom, que foi o de eu ter lido, pesquisado e estudado bastante -por conta própria, tendo em vista que sempre odiei estudar quando estava no colégio- nos assuntos que me despertaram interesse. Descobri, inclusive, que a curiosidade de saber, misturado com a arrogância de não confiar na opinião alheia “pré pronta”, eram mais benéficas do que maléficas, embora, me trouxessem bastante situações conflitantes. Afinal, eu começava a responder e a argumentar, após um tempo, todas as respostas insatisfatórias ou os conselhos enraizados em conceitos esdrúxulos. E isso, amigos, por muitos é considerado arrogância.

Tive lições de humildade em saber dosar a hora de sobrepor ideias e apresentar argumentos. Afinal, muitas pessoas não gostam nem um pouco de serem contraditas durante seus discursos… por mais idiotas que eles sejam…

Mas, com a idade veio junto a ideia de que este espírito questionador me manteve intelectualmente ativo ao longo dos anos. E, cresce em larga escala atualmente. Acabei me tornando professor, além de querer aprender ainda mais com trocas diárias de pensamento…

Poderia ter virado roqueiro também, mas cantar para mim, só mulher... (brincadeirinha amor)

Poderia ter virado roqueiro também, mas cantar para mim, só mulher… (brincadeirinha, amoreco)

O interessante é que, mesmo sendo responsável por transmitir conhecimento aos meus alunos, faço questão sempre de dizer a eles que não acreditem no que eu digo. Que busquem subsídios para que me contradigam. Para que debatamos sempre se o conceito estudado se aplica ao dia a dia ou se é apenas mais uma enfadonha matéria que barra seus caminhos até o diploma…

Resumindo: Quero multiplicar a heresia social. Quero multiplicar a capacidade de questionamento de cada um. Quero instigar a desconfiança em “receitas prontas”. Em “salvadores da pátria”.

Dentro do meu quadro herético, que contradiz o “bom senso”, faço questão de dizer que o -dito- bom senso atual, permite desigualdades no mundo todo. Que o juízo de cada um é construído por sua cognição. Daquilo que trazem do berço. Do convívio. Sendo assim, pode acontecer da pessoa estar inserida em um contexto de “bom senso”, onde ela é induzida a achar que o tal senso, mesmo subvertido, é o correto. É o bom.

Ketzer Wappen small (2)

Diz no brasão: “Buscamos uma vida de honra, livre de todo falso orgulho”. Acho que sintetiza bem como vejo as coisas…

Exemplificando: o bom-senso de hoje em dia nos diz sempre para não reagir a um assalto… e, mesmo assim, nos leva a agradecer que “apenas” fomos subtraídos de nossos bens e pertences. E, enquanto alguns estúpidos, ignorentes e imbecis pensadores atuais, nos dizem que somos roubados por ostentarmos pertences que compramos com nosso próprio trabalho, ainda há os que regozijam-se com a ausência de coisa pior. Ou, aquele seu parente que, após o assalto, te brinda com um “vão-se os anéis, mas ficam-se os dedos”…

Pois bem, este tipo de bom senso, ao longo dos anos, foi-se alterando para pior… e, se bobearmos, um dia ainda ouviremos coisas do tipo: “ah, levou só 4 tiros e ficou paraplégico durante o assalto, mas, podia ter sido pior…”.

Tirando o exagero imbecil acima, é claro, podemos notar que é o tipo de coisa que me irritei a vida toda ao ouvir. Tal qual me irrita ver pessoas sendo enganadas em suas boas-fés, me irrita ver aproveitadores, oportunistas e coisas do tipo, que aproveitam-se do bom-senso alheio para justamente prejudicar.

Então amigos, combater o bom senso atual, nada mais é para mim do que o não concordar com quadro do mundo atual. É não concordar com suas regras, suas ideias, suas maneiras de controle e, sobretudo, com sua forma de manipular e controlar os “subordinados” do sistema.

Se é que tenho uma pretensão na vida, eu poderia dizer que é a de querer “acordar” o maior número de pessoas possível para que possam questionar suas realidades, repensar suas vidas e, é claro, mudá-las para melhor.

Não quero promover a insubordinação, embora, creia eu que todos devam conhecer a quem se submetem. A quem obedecem. A quem respondem.

Fujamos todos de dogmas prontos. Literais. Busquem suas próprias soluções. Mesmo que, ao final, seja vinda da concordância com um dogma pronto. Mas, desde que isso tenha sido escolha sua. Somente sua. Do contrário, repense os motivos que o levaram à tal ponto. Reveja seu caminho. E, sobretudo, não tenha vergonha de alterar esse caminho.

Calmalá pessoal, vamos conversar... eu tava brincando... o mundo é um lugar bem lega!!!

Calmalá pessoal, vamos conversar… eu tava brincando… o mundo é um lugar bem legal!!!

Anúncios