Sorria, você está sendo condicionado…

Em uma das tantas trocas de conhecimento que faço via Facebook, recebi a dica de um grande amigo e parente, meu tio Betão – que é faca na bota, mas com um cérebro afiadíssimo – uma sugestão de leitura sobre o “Condicionamento Pavloviano”. O nome não me agradou de início, mas, vindo dele, vi o vídeo sugerido. Como careceu de complementos, fui às minhas pesquisas, como de costume. Afinal, ficar apenas com uma fonte é um erro bem comum que costumamos cometer, mas que não cometo mais.

Li outras fontes, das quais recomendo estas:

http://mundodeoz.wordpress.com/2009/12/27/pavlov/ (link que explica a experiência de Pavlov);

Se você fizer o seu "dever" sem contestar, ganha um petisco extra ao final...

Se você fizer o seu “dever” sem contestar, ganha um petisco extra ao final…

http://psicopsi.com/pt/condicionamento-operante-e-cognitivas-estimulos-internos/ (onde podemos entender um pouco da aplicação).

Malditos capitalistas que querem que eu puxe a alavanca sem ganhar nada!

Malditos capitalistas que querem que eu puxe a alavanca sem ganhar nada!

Bem, com essas duas leituras, pude ficar com a dúvida acerca do condicionamento interferir na cognição humana…

Ok, termos complicados. Então, como de praxe, vamos ao amansa (negritarei e sublinharei o que quiser ressaltar nos conceitos):

con.di.ci:o.na.men.to
Substantivo masculino.
1.Ato ou efeito de condicionar (1 e 2).
2.Capacidade ou aptidão que se adquire por treino ou adaptação.
3.Comportamento que se adquire por hábito.

con.di.ci:o.nar
Verbo transitivo direto.
1.Pôr ou impor condições a.
2.Determinar o comportamento, por costume ou treinamento.
Verbo transitivo direto e indireto.
3.Estabelecer como condição.
Verbo pronominal.
4.Habituar-se a condições ou circunstâncias novas. [C.: 1]
§ con.di.cio.na.do adj. 

con.di.ci:o.na.do
Adjetivo.
1.Dependente de condição (4).
2.Que tem condicionamento.

Alôôôô?! Alguém em casa????

Alôôôô?! Alguém em casa????

Ok, acho que consegui ressaltar no que consiste o condicionamento… agora, vamos à cognição.

cog.ni.ção
Substantivo feminino.
1.Ato de conhecer.
2.P. ext. Conhecimento, percepção.

cog.ni.ti.vo
Adjetivo.
Relativo ao conhecimento.

Beleza… então, conseguimos aí, compreender que existem ferramentas de condicionamento, ou, indução -diria eu- na construção da cognição (conhecimento) do indivíduo.

Adendo:

in.du.ção
Substantivo feminino.
1.Ato ou efeito de induzir.
2.Fís. Produção de certos estados elétricos ou magnéticos de um corpo, por efeito da presença, na vizinhança deste, de corpo(s) magnético(s) ou com carga elétrica, ou por variação de um campo elétrico.
3.Lóg. Operação de estabelecer uma proposição geral com base no conhecimento de dados singulares. [Pl.: –ções.]

Basicamente, trata-se de incluir reforços ou estímulos para que a criatura “aprenda” a agir da forma programada… para resumir a coisa toda (é claro, não fiquem com o meu resumo, vão atrás dos seus próprios. Aqui, proponho a minha visão sempre. Fiquem a vontade para argumentar as suas). Praticamente -ou no caso de Pavlov, literalmente- um adestramento canino.

Peraí, eles me julgam inteligente porque eu obedeço e me julgam burro porque eu desobedeço?!?!?! Confere, produção?!

Peraí, eles me julgam inteligente porque eu obedeço e me julgam burro porque eu desobedeço?!?!?! Confere, produção?!

Vejam que a construção do “conhecimento” pode estar baseada em estímulos ou reprimendas, que, por sua vez, estão embasadas no que o “educador” pretende imprimir na pessoa.

A partir daí, podemos desmembrar essa cadeia de “conhecimento”, onde, podemos partir do princípio que o próprio conhecimento dos educadores também pode ter sido condicionado.

Ou "Penso o que pensam, logo, não penso..."

Ou “Penso o que pensam, logo, não penso…”

-Ok – dirão – e qual é o problema nisso? Todos tem que aprender baseado em algo de alguém. Esse é o princípio do conhecer. Ou seja, somar conhecimentos e tirar suas próprias conclusões.

Bem, aí entra aquele velho elemento, já conhecido (conhecido = conhecimento = condicionado), que é a IDONEIDADE MORAL do educador…

Desde que seja a SUA moral... não a dos outros...

Desde que seja a SUA moral… não a dos outros…

Sim, aí está a diferença entre bons ou maus resultados no conhecer.

BONS OU MAUS RESULTADOS NO CONHECER???

Sim, ter conhecimento não é necessariamente chancela para você se tornar uma boa pessoa. Vide aí grandes gênios do mal que a história nos brinda aos borbotões… pessoas de inteligência inquestionável e grande conhecimento, mas que, os usaram para gerar maus resultados para o mundo.

A IMPORTÂNCIA DE NÓS!!!! Não a dos outros acima da nossa...

A IMPORTÂNCIA DE NÓS!!!! Não a dos outros acima da nossa…

– E eles também não podem ter sido maus por terem sido condicionados a tal? – me perguntem.

– Certamente – eu responderia.

Só que, para tal, ou, o antídoto para isso, seria o auto-conhecimento. Ou, o educar a si mesmo.

Como funciona?

Nada fácil, eu diria… nadinha…

Consiste em “apenas” você se desconstruir totalmente do seu conhecimento até então… tudo aquilo que pode ter sido sugerido, condicionado ou induzido da mente alheia, para passar pelo SEU filtro, deixar seu cérebro/alma/energia responder se isso é algo bom ou não para você e, então, reter ou deletar tal conhecimento.

Ah sim! Vou pesquisar, estudar, pensar e... ZzZzZzZ

Ah sim! Vou pesquisar, estudar, pensar e… ZzZzZzZ

Não achou tão ruim? Que bom! Mas, aviso que os efeitos colaterais envolvem raiva, indignação, revolta, depressão, tristeza e mais alguns… e também aviso que se entupir de remédios para regular a química mental não farão diferença alguma nessa hora… muito menos se chapar com outras coisas também…

Por outro lado, se você confia integralmente na idoneidade moral de seus educadores, beleza! Até porque é mais fácil para todo mundo essa condição e seguir o barco… só que, PARA MIM, mesmo eu amando meus pais, meus professores (na grande maioria) e outros tantos parceiros de vida que me “educam” diariamente, ainda assim, prefiro confrontar tudo que vem deles com o meu próprio filtro. E, adivinhem? Eles também não são perfeitos… assim como eu também não…

Aprecie sem moderação...

Aprecie sem moderação…

Se acreditarmos que o conhecimento é a troca de informações entre pessoas com o intuito de ajudá-las a evoluir (e não a condicioná-las a pensar da forma que queremos), então, acho que filtrar aquilo que recebermos de outros, agregar nossas próprias informações e devolver ao mundo algo melhorado, é o conceito ideal para mim.

-MOMENTO AMANSA²:

co.nhe.ci.men.to
Substantivo masculino.
1.Ato ou efeito de conhecer.
2.Informação ou noção adquiridas pelo estudo ou pela experiência.
3.Consciência de si mesmo.
4.Com. Nota de despacho de mercadorias entregues para transporte.

Poderíamos aí, também, incluir um segundo debate acerca do novo “politicamente correto”. Do que nos entopem diariamente em todos os veículos, tentando nos condicionar a acreditar que uma determinada situação é certa ou errada na CONCEPÇÃO DELES. Todos os dias, nos deparamos com matérias ou colunas de jornais ressaltando obviedades (para eles), e, sobretudo, enfatizando a “burrice” de quem não compartilha de suas visões…

Tecla SAP: é muito mais fácil achar quem obedeça do que achar quem tenha capacidade de orientar...

Tecla SAP: é muito mais fácil achar quem obedeça do que achar quem tenha capacidade de orientar…

Dessa forma, tanto no ambiente escolar, familiar e de convívio social em geral, pessoas recebem “recompensas” quando concordam com as visões dos outros, ou as devidas “correções”, no caso de desacordo com o “educador”. A pergunta é: você está preparado para, ao não concordar com os outros, virar um “antissocial”? Se você respondeu que SIM, cuidado! Haverá um monte de gente pronta para te “demonstrar” que o que você quer não é nada frente aos anseios dos demais… que o “certo” é abrir mão do seu para que os outros se beneficiem e blablablá Whiskas Sachê… se você concordar com eles, beleza! Abra mão e fique com a visão alheia… mas, tenha certeza de que isso é REALMENTE UMA ESCOLHA SUA!

Então, meus amigos, eu poderia concluir aqui dizendo que, a informação, ou, a “educação” que alguns tentam nos dar, tal qual tantas outras coisas na vida, são passíveis de dizermos: NÃO, OBRIGADO. Não por inflexibilidade, mas sim, após filtrarmos e entendermos que aquilo não é bom para nós. Só que, daí, para atingirmos esse patamar, precisamos ser CONHECEDORES DE NÓS MESMOS.

Neste caso, a humildade provém da conscientização de que temos mais a aprender do que a ensinar, embora, devamos contestar o aprendizado...

Neste caso, a humildade provém da conscientização de que temos mais a aprender do que a ensinar, embora, devamos SEMPRE contestar o aprendizado…

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Um pensamento sobre “Sorria, você está sendo condicionado…

  1. Pingback: Profissão: professor x educador | Segura o Rojão

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