Profissão: professor x educador

Todos sabem o quanto eu gosto de fazer jogos de palavras parecidas. Gosto de me aprofundar em suas raízes e pensar a respeito de seus significados, sentidos e, principalmente, entender a aplicação delas no mundo em que vivemos…

É claro, geralmente minhas inspirações vêm de algo decorrente do dia a dia, ou de meus próprios pensamentos, que ultimamente fervilham acerca do grau cultural-educacional que nos cerca no país.

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Debate-se muito sobre a falta de educação que vemos por aí. O que produz gente ignorante, sem visão e com muitíssimas limitações de pensamento. Em função disso tudo, fala-se da importância profissional dos professores… e esse “professor profissional” é que me tocou um sino na mente, até porque, me tornei um professor recentemente. Ou seria educador? Bem, se eu recebo salário por isso, então sou professor profissional? Enfim… veremos…

Em um momento de epifania, me vi cruzando os significados de professor com o sentido de professar, para tentar entender a tal profissão…

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Não, eu não bebo… e tampouco utilizo qualquer outra substância entorpecente que não seja, ultimamente, ver jogos do meu Internacional…

Bem, como de costume, vamos ao amansa (e, como fiz na última vez, sublinharei o que quero ressaltar):

pro.fis.são
Substantivo feminino.
1.
Ato ou efeito de professar (5).
2.
Atividade ou ocupação especializada, da qual se podem tirar os meios de subsistência; ofício, mister. [Pl.: –sões.]

Profissão liberal.
Profissão de nível superior que habilita o exercício dela por conta própria de quem a tem. Ex.: advocacia, engenharia.

Ok, profissão é o ato de professar… maravilha…

pro.fes.sar
Verbo transitivo direto.
1.
Reconhecer publicamente.
2.
Abraçar (cargo ou profissão).
3.
Adotar, abraçar (doutrina).

Verbo transitivo direto e indireto.

4.
Prometer, jurar.

Verbo intransitivo.

5.
Fazer votos, entrando para uma ordem religiosa.

Interessante… abraçar uma doutrina… entrar em uma ordem… beleza…

pro.fes.sor(ô)
Substantivo masculino.
Aquele que ensina uma ciência, arte, técnica; mestre.

§ pro.fes.so.ral adj2g.

O que ensina… enfim… acho que deu…

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Com isso, podemos ver que um profissional é uma pessoa que abraça/exerce uma doutrina… ou seja, ele é alguém que baseia-se em suas atividades de acordo com SUAS CRENÇAS. Ou, pelo menos assim deveria… dessa forma, podemos concluir que, no caso de um professor, que é alguém que ensina, ou, um educador, como costumam chamar, sendo ele profissional (ou não), é alguém que professa suas crenças dentro do magistério… opa, complicou mais… voltemos ao amansa…

e.du.ca.ção
Substantivo feminino.
1.
Ato ou efeito de educar(-se).
2.
Processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano.
3.
Civilidade, polidez. [Pl.: –ções.]

§ e.du.ca.ci:o.nal adj2g.

Bom, com esse adendo, podemos dizer que um profissional professor é alguém que participa do processo de desenvolvimento intelectual e moral (para se restringir às salas de aula) do ser humano… sendo assim, ele tem participação direta no processo cognitivo de seus alunos. Já falei de cognições em um post sobre a manipulação de mentes anteriormente. E, nesse post, referia-me sobre o processo de conhecer e como ele pode ser manipulado de acordo com os interesses de quem os professa.

Dessa forma, também falava sobre a idoneidade moral de quem ensina como diferencial para o processo cognitivo nos levar à libertação do conhecimento, ou então à escravidão dogmática manipulada.

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Onde eu quero chegar?

Ok, vamos lá:

Quero chegar ao ponto onde discute-se muito ultimamente sobre a “democratização da educação”, onde argumenta-se sobre as escolhas do que devem ensinar ou não nas escolas.

E qual é o problema disso? – perguntarão…

Depende da idoneidade moral de quem projeta isso – eu responderei…

E, tratando-se de Brasil, nada do que acontece ultimamente é confiável. Nada. Sendo assim, para não induzi-los em suas conclusões, deixarei, me despedindo, alguns vídeos que julgo ser de EXTREMA IMPORTÂNCIA que sejam assistidos…

Um deles é de um padre filósofo, que explica como pode-se “emburrecer” alunos de acordo com filosofias específicas…

Um ex-agente da KGB que fala sobre as estratégias dos tempos da guerra fria (será?) de como subverter conceitos…

E mais sobre o ex-agente da KGB, onde ele diz que “iludir era o meu trabalho”.

E, por último, um vídeo sobre física quântica que diz que “apenas seres conscientes podem ser observadores (criadores)”

Peço a todos… ou melhor, imploro a todos, pela primeira vez neste blog, que compartilhem esses vídeos (ou o post todo se preferirem) para que este tipo de informação seja levada adiante. E que as pessoas comecem a se perguntar e, sobretudo a questionar o que recebem como “ensino” e como “educação”.

Abraço a todos!

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Músicas de (r)Evolução…

Uma das minhas músicas preferidas, é também uma letra que sempre me leva a (re)pensar o mundo…

Ela fala de pessoas que tentam acordar os que dormem… iluminar os caminhos de quem não vê um palmo à frente… enfim… ouçam e curtam a letra comigo…

Tradução:

A Balada de Peter Pumpkinhead

(Vamos começar)
Peter Pumpkinhead veio para a cidade

Espalhando sabedoria e dinheiro ao redor

Alimentou os famintos e os abrigou os pobres

Mostrou ao Vaticano para que serve o ouro
(Refrão) Mas ele fez muitos inimigos

Das pessoas que iriam manter-nos em nossos joelhos

Hurra para Peter Pumpkin

Quem rezará por Peter Pumpkinhead
Peter Pumpkinhead superou todos eles

Esvaziou igrejas e shoppings

Quando ele falou que ia balançar as estruturas

Peter Pumpkinhead disse a verdade
(Refrão)
Peter Pumpkinhead envergonhou

Governos que caluniaram seu nome

Conspirações e escândalos sexuais falharam

definitivamente

Peter apenas disse, “Qualquer tipo de amor está certo”
(Refrão)
Peter Pumpkinhead era muito bom

O pregaram a um pedaço de madeira

Ele morreu sorrindo ao vivo na TV

Pendurado lá ele se parecia muito com você, e

terrívelmente, muito comigo!
Mas ele fez muitos inimigos

Das pessoas que iriam manter-nos em nossos joelhos

Hurra para Peter Pumpkin

Quem rezará por Peter Pumpkinhead

Hurra para Peter Pumpkin

(Viva!)

Quem rezará por Peter Pumpkinhead

Hooray para Pe-ter Pump-kin-head

Oh meu, oh meu, isso não te faz querer chorar, oh!

Link: http://www.vagalume.com.br/xtc/the-ballad-of-peter-pumpkinhead-traducao.html#ixzz2wYXa5fwH

Não vou comentar a letra… deixarei para curtirem… e me despeço deixando outro clip da música, em outra versão da banda “Crash Test Dummies”, onde mostra mais graficamente o ponto-chave…

Sorria, você está sendo condicionado…

Em uma das tantas trocas de conhecimento que faço via Facebook, recebi a dica de um grande amigo e parente, meu tio Betão – que é faca na bota, mas com um cérebro afiadíssimo – uma sugestão de leitura sobre o “Condicionamento Pavloviano”. O nome não me agradou de início, mas, vindo dele, vi o vídeo sugerido. Como careceu de complementos, fui às minhas pesquisas, como de costume. Afinal, ficar apenas com uma fonte é um erro bem comum que costumamos cometer, mas que não cometo mais.

Li outras fontes, das quais recomendo estas:

http://mundodeoz.wordpress.com/2009/12/27/pavlov/ (link que explica a experiência de Pavlov);

Se você fizer o seu "dever" sem contestar, ganha um petisco extra ao final...

Se você fizer o seu “dever” sem contestar, ganha um petisco extra ao final…

http://psicopsi.com/pt/condicionamento-operante-e-cognitivas-estimulos-internos/ (onde podemos entender um pouco da aplicação).

Malditos capitalistas que querem que eu puxe a alavanca sem ganhar nada!

Malditos capitalistas que querem que eu puxe a alavanca sem ganhar nada!

Bem, com essas duas leituras, pude ficar com a dúvida acerca do condicionamento interferir na cognição humana…

Ok, termos complicados. Então, como de praxe, vamos ao amansa (negritarei e sublinharei o que quiser ressaltar nos conceitos):

con.di.ci:o.na.men.to
Substantivo masculino.
1.Ato ou efeito de condicionar (1 e 2).
2.Capacidade ou aptidão que se adquire por treino ou adaptação.
3.Comportamento que se adquire por hábito.

con.di.ci:o.nar
Verbo transitivo direto.
1.Pôr ou impor condições a.
2.Determinar o comportamento, por costume ou treinamento.
Verbo transitivo direto e indireto.
3.Estabelecer como condição.
Verbo pronominal.
4.Habituar-se a condições ou circunstâncias novas. [C.: 1]
§ con.di.cio.na.do adj. 

con.di.ci:o.na.do
Adjetivo.
1.Dependente de condição (4).
2.Que tem condicionamento.

Alôôôô?! Alguém em casa????

Alôôôô?! Alguém em casa????

Ok, acho que consegui ressaltar no que consiste o condicionamento… agora, vamos à cognição.

cog.ni.ção
Substantivo feminino.
1.Ato de conhecer.
2.P. ext. Conhecimento, percepção.

cog.ni.ti.vo
Adjetivo.
Relativo ao conhecimento.

Beleza… então, conseguimos aí, compreender que existem ferramentas de condicionamento, ou, indução -diria eu- na construção da cognição (conhecimento) do indivíduo.

Adendo:

in.du.ção
Substantivo feminino.
1.Ato ou efeito de induzir.
2.Fís. Produção de certos estados elétricos ou magnéticos de um corpo, por efeito da presença, na vizinhança deste, de corpo(s) magnético(s) ou com carga elétrica, ou por variação de um campo elétrico.
3.Lóg. Operação de estabelecer uma proposição geral com base no conhecimento de dados singulares. [Pl.: –ções.]

Basicamente, trata-se de incluir reforços ou estímulos para que a criatura “aprenda” a agir da forma programada… para resumir a coisa toda (é claro, não fiquem com o meu resumo, vão atrás dos seus próprios. Aqui, proponho a minha visão sempre. Fiquem a vontade para argumentar as suas). Praticamente -ou no caso de Pavlov, literalmente- um adestramento canino.

Peraí, eles me julgam inteligente porque eu obedeço e me julgam burro porque eu desobedeço?!?!?! Confere, produção?!

Peraí, eles me julgam inteligente porque eu obedeço e me julgam burro porque eu desobedeço?!?!?! Confere, produção?!

Vejam que a construção do “conhecimento” pode estar baseada em estímulos ou reprimendas, que, por sua vez, estão embasadas no que o “educador” pretende imprimir na pessoa.

A partir daí, podemos desmembrar essa cadeia de “conhecimento”, onde, podemos partir do princípio que o próprio conhecimento dos educadores também pode ter sido condicionado.

Ou "Penso o que pensam, logo, não penso..."

Ou “Penso o que pensam, logo, não penso…”

-Ok – dirão – e qual é o problema nisso? Todos tem que aprender baseado em algo de alguém. Esse é o princípio do conhecer. Ou seja, somar conhecimentos e tirar suas próprias conclusões.

Bem, aí entra aquele velho elemento, já conhecido (conhecido = conhecimento = condicionado), que é a IDONEIDADE MORAL do educador…

Desde que seja a SUA moral... não a dos outros...

Desde que seja a SUA moral… não a dos outros…

Sim, aí está a diferença entre bons ou maus resultados no conhecer.

BONS OU MAUS RESULTADOS NO CONHECER???

Sim, ter conhecimento não é necessariamente chancela para você se tornar uma boa pessoa. Vide aí grandes gênios do mal que a história nos brinda aos borbotões… pessoas de inteligência inquestionável e grande conhecimento, mas que, os usaram para gerar maus resultados para o mundo.

A IMPORTÂNCIA DE NÓS!!!! Não a dos outros acima da nossa...

A IMPORTÂNCIA DE NÓS!!!! Não a dos outros acima da nossa…

– E eles também não podem ter sido maus por terem sido condicionados a tal? – me perguntem.

– Certamente – eu responderia.

Só que, para tal, ou, o antídoto para isso, seria o auto-conhecimento. Ou, o educar a si mesmo.

Como funciona?

Nada fácil, eu diria… nadinha…

Consiste em “apenas” você se desconstruir totalmente do seu conhecimento até então… tudo aquilo que pode ter sido sugerido, condicionado ou induzido da mente alheia, para passar pelo SEU filtro, deixar seu cérebro/alma/energia responder se isso é algo bom ou não para você e, então, reter ou deletar tal conhecimento.

Ah sim! Vou pesquisar, estudar, pensar e... ZzZzZzZ

Ah sim! Vou pesquisar, estudar, pensar e… ZzZzZzZ

Não achou tão ruim? Que bom! Mas, aviso que os efeitos colaterais envolvem raiva, indignação, revolta, depressão, tristeza e mais alguns… e também aviso que se entupir de remédios para regular a química mental não farão diferença alguma nessa hora… muito menos se chapar com outras coisas também…

Por outro lado, se você confia integralmente na idoneidade moral de seus educadores, beleza! Até porque é mais fácil para todo mundo essa condição e seguir o barco… só que, PARA MIM, mesmo eu amando meus pais, meus professores (na grande maioria) e outros tantos parceiros de vida que me “educam” diariamente, ainda assim, prefiro confrontar tudo que vem deles com o meu próprio filtro. E, adivinhem? Eles também não são perfeitos… assim como eu também não…

Aprecie sem moderação...

Aprecie sem moderação…

Se acreditarmos que o conhecimento é a troca de informações entre pessoas com o intuito de ajudá-las a evoluir (e não a condicioná-las a pensar da forma que queremos), então, acho que filtrar aquilo que recebermos de outros, agregar nossas próprias informações e devolver ao mundo algo melhorado, é o conceito ideal para mim.

-MOMENTO AMANSA²:

co.nhe.ci.men.to
Substantivo masculino.
1.Ato ou efeito de conhecer.
2.Informação ou noção adquiridas pelo estudo ou pela experiência.
3.Consciência de si mesmo.
4.Com. Nota de despacho de mercadorias entregues para transporte.

Poderíamos aí, também, incluir um segundo debate acerca do novo “politicamente correto”. Do que nos entopem diariamente em todos os veículos, tentando nos condicionar a acreditar que uma determinada situação é certa ou errada na CONCEPÇÃO DELES. Todos os dias, nos deparamos com matérias ou colunas de jornais ressaltando obviedades (para eles), e, sobretudo, enfatizando a “burrice” de quem não compartilha de suas visões…

Tecla SAP: é muito mais fácil achar quem obedeça do que achar quem tenha capacidade de orientar...

Tecla SAP: é muito mais fácil achar quem obedeça do que achar quem tenha capacidade de orientar…

Dessa forma, tanto no ambiente escolar, familiar e de convívio social em geral, pessoas recebem “recompensas” quando concordam com as visões dos outros, ou as devidas “correções”, no caso de desacordo com o “educador”. A pergunta é: você está preparado para, ao não concordar com os outros, virar um “antissocial”? Se você respondeu que SIM, cuidado! Haverá um monte de gente pronta para te “demonstrar” que o que você quer não é nada frente aos anseios dos demais… que o “certo” é abrir mão do seu para que os outros se beneficiem e blablablá Whiskas Sachê… se você concordar com eles, beleza! Abra mão e fique com a visão alheia… mas, tenha certeza de que isso é REALMENTE UMA ESCOLHA SUA!

Então, meus amigos, eu poderia concluir aqui dizendo que, a informação, ou, a “educação” que alguns tentam nos dar, tal qual tantas outras coisas na vida, são passíveis de dizermos: NÃO, OBRIGADO. Não por inflexibilidade, mas sim, após filtrarmos e entendermos que aquilo não é bom para nós. Só que, daí, para atingirmos esse patamar, precisamos ser CONHECEDORES DE NÓS MESMOS.

Neste caso, a humildade provém da conscientização de que temos mais a aprender do que a ensinar, embora, devamos contestar o aprendizado...

Neste caso, a humildade provém da conscientização de que temos mais a aprender do que a ensinar, embora, devamos SEMPRE contestar o aprendizado…

Renegados e regenerados…

Outro dia, lendo um livro, me deparei com o termo “renegado”… me veio imediatamente à mente alguns filmes de faroeste, ou de pessoas que passaram a ser perseguidos em nome de alguma lei ou sistema… só que, a diferença básica é que o livro suscitava o termo como algo benéfico.

Bem, aí apertei a palavra na tela touchscreen do meu kobo (sim, eu fiquei chique) e o termo se referia a alguém que, basicamente, mudou de ideia…

Calma, rapá...

Calma, rapá…

Bem, vim para o computador, achando que o meu novo gadget pudesse estar desatualizado (já que comprei de segunda mão de um sobrinho) e, no Michaelis, o amansa instalado, me pareceu:

re.ne.ga.do
Adjetivo.
1.Que renegou [v. renegar (1)]; apóstata.
Substantivo masculino.
2.Indivíduo renegado.

Ok, vamos ao renegar…

re.ne.gar
Verbo transitivo direto.
1.V. abjurar (1).
2.Desmentir, negar.
3.Manifestar reprovação, horror, ódio, etc. em relação a.
4.Prescindir de; rejeitar.
Verbo transitivo indireto.
5.Não fazer caso; prescindir.

Beleza, quem nega, reprova, tem horror, odeia, rejeita e prescinde… mas fiquei na dúvida do que seria um apóstata…

a.pós.ta.ta
Substantivo de dois gêneros.
Quem apostatou.

Tá de sacanagem, né dicionário?!

a.pos.ta.tar
Verbo intransitivo.
Cometer apostasia.  

Peralá, aí já é pegadinha… por isso o pessoal odeia pesquisar…

a.pos.ta.si.a
Substantivo feminino.
Abandono de crença, partido ou opinião.

FINALMENTE!! Pois então, realmente tem tudo a ver com a coisa… abandonar a crença, partido ou opinião… acho que está bom para mim agora…

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Vejam que os renegados e apóstatas são pessoas que, basicamente, mudaram de opinião… então, me pergunto o porquê do termo sempre ter me parecido pesado e ruim?

Talvez seja pelo inconsciente coletivo que cria a imagem de alguém que renuncia sua crença ou que apenas resolve pensar diferente, como sendo alguém indigno…

Pois então, acho que, mais do que nunca me identifiquei com o termo… bem, talvez por razões extras que essencialmente me acompanham, como o sobrenome Ketzer, que, traduzido do alemão, significa “herege”, ou, nada mais do que um apóstata do senso atual de religiosidade. Ou, simplesmente, um contrassenso.

Não que eu tenha algo contra a religiosidade e, tampouco faça o gênero contrário. Ateísta ou satanista, ou seja lá qual for a bobagem que identifique-se como contrário.

Fica a dica...

Fica a dica…

Só que, a pergunta básica que sempre me acompanhou, desde pequeno, mesmo antes de eu conhecer a tradução do meu sobrenome, quando me identificava como um “questionador nato”, ou, aquele que sentia prazer em contestar as regras vigentes, era: “o que é que faz sentido ao final disso tudo que não faz sentido algum?”.

Complicado, não?! Pois é…

Eu contestava, contesto e contestarei enquanto não achar sentido nas coisas vigentes. Talvez para, além de irritar os demais, tentar entender o que os fazem ver sentido nisso tudo…

Só que, por mais que eu tenha me tornado um cara comunicativo, atento e sem preguiça de ler e pesquisar, ainda sigo com problemas de ver o sentido das coisas. E, pelo que tenho notado, muitos dos que me estão próximos (fisicamente ou por conversas online que seja) também não andam vendo sentido algum…

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O ponto é que eu cheguei em uma fase de desconstrução na vida. Estou demolindo o que não me interessa, o que me prejudica, o que me irrita… e, nessa fase, invariavelmente (para mim), reneguei conceitos, me afastei de antigas crenças e, principalmente, revi minha vida.

Tornei-me então um renegado de mim mesmo. Um apóstata das crenças que tive até então. Percebi que muito do que cresci ouvindo e julgando ser certo, real e coerente, não passava de um monte de bobagens. Notei que fórmulas prontas poderiam até servir para algumas pessoas, mas, não mais para mim. Eu não queria e não quero mais fórmulas prontas, quero apenas produzir as minhas.

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Isso para mim é evolução, mas há quem não pense assim…

Me afastei de conceitos pueris, passei a ponderar ainda mais os “conselhos”, “sugestões” e induções de pensamento que chegavam a mim e, fundamentalmente criei um “setor de qualidade” para fazer a triagem do que entrava em minha mente para reter na prateleira do que me serve, transferir para a pilha de merda entulho ou então, simplesmente descartar.

Também notei que o descarte do que não presta não é simples, pois deve-se guardar um registro lá em algum canto para saber quando essa mesma bosta porcaria vai tentar nova entrada com roupagem diferente…

Então, voltando à linha de renegados, apóstatas e hereges, posso dizer que nunca me senti melhor em assumir tal identidade. Me sinto mais leve em ter me desfeito de toneladas de lixo, e, agora refaço meus estoques com o que EU JULGO SER BOM PARA MIM.

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É claro que sempre haverá pessoas que julgam saber o que é melhor para os outros… só que, todas se baseiam em seus próprios conceitos e crenças para professá-las. Eu, primeiramente, antes de tentar professar o que quer que seja (até porque agora me inicio na carreira de professor), busco estabelecer meus próprios conceitos. Sempre mantendo, é claro, a orientação, ou a bússola do caminho que busco: o bem para mim e para os que me cercam. A partir daí, facilitam um monte a busca que se torna, a partir desse ponto, quase que binária. Ela consiste em meu setor de triagem perguntar: é bom pra mim? Não? Então TÁ FORA!

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Recomendo a todos que reneguem-se. Rejeitem-se em seus velhos conceitos. Destruam-se em suas velhas formas de ver o mundo. Descarreguem-se do fardo que lhe passaram a vida toda como se fosse uma “reserva técnica” de experiências de vida, mas que, na verdade, eram uma série de conceitos pré fabricados e que até podem ter servido à alguém em algum tempo, mas que agora é apenas um fardo a ser descartado.

Reneguem-se e regenerem-se!

Porque o negócio é "A Gregar"...

Porque o negócio é “A Gregar”…