Negando a negação, não se troca a programação…

Apesar do título complicado, já adianto que há lógica no que escrevi acima…

Sim, lógica… literalmente…

Trata-se de lógica de programação mesmo… a que aprendi nos tempos que fiz faculdade de Sistemas de Informação e Informática, apesar de ter acabado me formando em administração mesmo…

Nas aulas de algoritmos, aprendi que podemos “negar” uma variável, um recurso de programação que facilitaria a vida em algumas situações. Dessa forma, o operador NOT (simbolizado por “¬”) inverteria o valor atribuído àquela variável… tornando então um “X” em NOT X, ou ¬X (Também conhecido como “X Negado”).

Enrolado, não?!

Certamente. Talvez daí também tenha notado a minha pouca capacidade no ramo e tenha começado a ver a administração como saída melhor para o meu futuro (pelo menos era o que parecia na época).

Já ensinando que quem é rico não precisa de talento desde cedo...

Já ensinando que quem é rico não precisa de talento, desde cedo…

Pois então, foi com esse pensamento de “negação” de variáveis que comecei a formatar na mente este post. E, é claro, apenas o formatei na mente, pois costumo escrever aqui direto e sem edições (apenas para corrigir eventuais erros de português que eu identifique).

Então, voltando ao assunto, comecei a imaginar tudo o que negamos durante nosso dia a dia, tanto como escape, como forma de apenas “trocar o valor de uma variável”…

Ok, segue enrolado… mas, iniciemos os trabalhos com o de sempre. O amansa:

ne.ga.ção
Substantivo feminino.
1.Ato de negar; negativa.
2.Falta de aptidão ou vocação.
3.Recusa de alguma coisa; negativa.
4.O oposto de algo. [Pl.: –ções.]

Negativa… falta de aptidão ou vocação… sim sim, tem a ver com o que eu queria dizer… guardem aí…

ne.gar
Verbo transitivo direto.
1.Dizer que não é verdadeiro (uma coisa).
2.Afirmar que não.
3.Não admitir a existência de.
4.Não reconhecer como verdadeiro.
5.Não conceder; recusar.
Verbo transitivo direto e indireto.
6.Negar (1, 2 e 5).
7.Contestar.
Verbo pronominal.
8.Recusar-se. [C.: 1C (é)]

Ok, ser contrário a algo… embora, não reconhecer como verdadeiro, pode ser apenas um indício da sua falta de entendimento da situação, e não que ela é falsa de fato…

Bem, acho que deu para dar uma base… mas, o ponto onde eu pretendo abordar é justamente na “contrariedade” dessas negações… ou, no caso da “inversão de variáveis”, focar na vetorialidade da situação…

AFFFF, estou enrolando cada vez mais… vou tentar simplificar…

Peraí que vou ver se encontro o sentido disso tudo aqui no buraco...

Peraí que vou ver se encontro o sentido disso tudo aqui no buraco…

Já dizia Hermes Trismegistus em suas leis herméticas, que quente e frio podem ser polaridades de uma mesma coisa -a temperatura- e não necessariamente entes contrários entre si… há quem ache que o quente é o inverso do frio, enquanto ele dizia que tratavam-se da mesma coisa, só em extremos opostos.

Seguia ele dizendo que, polarizando-os, poderíamos chegar a um denominador comum, onde o “morno” seria bom para todos… e ainda assim seguir o quente e o frio existindo…

Por favor, querido Hermes, dê uma aula sobre regular quente e frio à São Pedro e diga para ele olhar mais para Porto Alegre...

Por favor, querido Hermes, dê uma aula sobre regular quente e frio à São Pedro e diga para ele olhar mais para Porto Alegre…

E o que isso tem a ver com o assunto?!

Bem, é justamente aí que eu estou abordando as causas da negação…

Farei um exercício de raciocínio livre de conclusões prontas, ou, de conceitos ou pré-conceitos. Tentarei pensar nas causas e menos nos efeitos…

Temos uma variável X qualquer… e, durante nossa “programação”, percebemos que há a necessidade de alterar essa variável… alguns, simplesmente atribuem-lhe novo valor, enquanto outros, desgostam-se a ponto de querer inverter essa variável…

Vamos ao exercício:

Eu sou um cara que passou anos da vida preocupado com a visão dos outros a meu respeito. Dessa forma, por muitas vezes deixei de fazer o que eu quis, para seguir alguma recomendação de alguém, por pura e simples necessidade de aprovação daquela pessoa…

Dessa forma, digamos, minha variável X tinha sido atribuída com o valor “Bunda-Mole” em meu algoritmo interno…

Sai pra lá, meu!

Sai pra lá, meu!

O que fiz eu, ao perceber que esta variável me retornava um valor totalmente desagradável como este?

Quis inverter radicalmente e imediatamente este resultado… tentando colocar um garrafal “NOT BUNDA-MOLE” na minha programação…

I'm not a dog no

Só que essa inversão de “bunda-mole”, me trouxe egoísmo em contrapartida… talvez porque na minha mente, o contrário de bunda-mole, seria fazer o que eu queria, da forma que eu queria e quando eu querida… e, dessa forma, moldei-me como um egoísta…

Não é propaganda da Nextel e este NÃO é o meu mundo...

Não é propaganda da Nextel e este NÃO é o meu mundo…

Ainda não era o resultado que eu imaginava para o meu algoritmo…

Percebi naquele momento que eu estava em extremos… mesmo que, gramaticalmente, bunda-mole não seja o oposto de egoísta… mas, em minha insanidade, assim parecia…

A resposta estava em algum ponto entre estes dois extremos.. e não em algum deles…

Daí também observo a enorme tendência de pessoas “anti” alguma coisa crescendo diariamente… e este é o principal ponto da questão…

Pessoas tornam-se “anti” alguma coisa por algum motivo… e, ao meu ver, basicamente é porque querem “negar” aquilo que lhe desagrada.

Bem, daí temos uma tsunami de exemplos no mundo todo diariamente… gays x héteros; católicos x ateus; capitalistas x socialistas; etc ad eternum ad nauseam.

antisocial

Como trata-se de um mundo dualista e maniqueísta, os extremos são as únicas visões que ressaltam aos olhos. E, certamente, gera muitos antagonismos neste processo. E é aí que nascem os “anti” qualquer coisa…

Essas pessoas que negam alguma coisa, por muitas vezes, tornam-se EXATAMENTE AQUELA MESMA COISA, apenas com o operador da negação…

Podemos ver ateus tão inflexíveis quando católicos, o que, acaba por muitas vezes nos levando a atribuir na tal variável que “ateu = ¬católico” (ateu igual a NOT católico). Também podemos notar que ambos, sob uma outra ótica, são polaridades extremas de uma mesma coisa chamada CRENÇA. Os católicos estão em um extremo onde a crença é total, enquanto ateus surgem como a antítese, ou a negação da crença, na extremidade oposta.

3 caixas de Rivotril, 2 de Gardenal, 1 de Fluoxetina e dois martelinhos de cachaça resolvem seu problema...

3 caixas de Rivotril, 2 de Gardenal, 1 de Fluoxetina e dois martelinhos de cachaça resolvem seu problema…

Poderia, inclusive, dizer que o “anti” é a acusação mais recorrente que o lado oposto pode fazer a alguém vetorialmente contrário a sua linha de pensamento… por exemplo, nem todo mundo que acha que não precisa se votar uma lei anti-homofobia por entender que já existem leis contra agressão a TODOS os seres e basta que as cumpram, não são necessariamente homofóbicos, tanto quanto quem acha que não há necessidade de matar civis palestinos é necessariamente antissemita… mas, ainda assim, usa-se como forma de “calar a boca” alheia…

Entenderam onde eu queria chegar?!

Pois calma lá… ainda aproveito para ressaltar o que há de importante nesse operador matemático, o NOT (que, mais tarde ainda, aprendi também que existia um NOT Condicional, mas aí são outros 500).

Neste operador reside toda a capacidade de manipulação de mentes que existe. Ou seja, pode-se incluir quase que todos os pensamentos de todo mundo dentro de uma variável, para depois “invertê-la”…

Pode-se encaixar os pensamentos de uma pessoa em uma ideologia e, ainda assim, fazê-la agir em contrariedade da mesma…

Voltei a enrolar, não?!

Ah não, estou tendo um aneurisma...

Ah não, estou tendo um aneurisma…

Pois sim, e podemos aí explicar como muita gente, por exemplo, que tem em mente pregar o bem, a justiça, a moralidade, a paz, a camaradagem, agindo de forma vetorialmente contrária…

Exemplos?

Bem, podemos dizer que existam pessoas dispostas a lutar pela liberdade, pela revolução de um país e pela soberania dos direitos, mas, agindo com violência, desrespeitando o direito alheio e causando caos como barganha em suas causas… ou, dando nome aos bois, os tais Black Blocks… e há quem ache que estes agem de forma tão errada, que já se fala em White Blocks para combatê-los…

E que tal Grey Blocks, camaradas?!

E que tal Grey Blocks, camaradas?!

E daí?!

Bem, e daí que, mais uma vez, seremos manipulados com este “simples” operador negativo, onde extremos de uma mesma coisa desviarão o foco do que de fato deveria mostrar todos estes movimentos de indignação popular. A necessidade de mudança estrutural, de infra-estrutura, da moralidade das pessoas, da elevação dos padrões de pensamento e de ética em quem governa. Mas, ficará tudo mais uma vez reduzido à “luta de classes”, onde um “manifestante” quebra um símbolo burguês, gerando uma onda inversa de indignação de quem defenda a soberania de seus patrimônios, mesclando tudo e deixando a contenda toda entre burgueses x assalariados… extremos opostos (pela mesma lógica burra que usam) de uma mesma coisa chamada SER HUMANO.

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Também poderia dar mais exemplos, do tipo político, onde as pessoas votam no candidato que poderá fazer frente àquele candidato que ela mais odeia e não quer que vença a eleição de jeito nenhum, ou anula o voto por achar que nenhum candidato presta, ao invés de realmente estar agradado com algum deles… mas, acho que já entenderam o ponto, não é?!

Invertam à vontade seus operadores -eu diria- que pouco lhes adiantará… a resposta não está na negação, no “anti”, na refutação, no combate ao oposto, mas sim, reside a resposta em algum ponto entre estes extremos… naquele ponto onde o quente e o frio regulam-se a ponto de ter-se uma temperatura agradável…

#SemMaisMeritíssimo

#SemMaisMeritíssimo

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