Profissão: vítima da sociedade

Estou aqui recuperando um post antigo, do tempo em que escrevia o blog do Ferris (http://qcferris.wordpress.com), lá de 2010, mas que, ainda mantêm-se atualizado hoje em dia…

Profissão: Vítima da sociedade

20/05/2010 por qcferris

…e num futuro nem tão distante…

– Que bom que o senhor aceitou dar essa entrevista para a nossa revista, senhor…

– O prazer é todo meu…

– Quer dizer então que o senhor enriqueceu apenas se beneficiando da burrice alheia?

– Eu não diria só da burrice… eu diria que foi à base da intolerância, preconceito, segregação e todos os atos falhos que a sociedade insiste em manter ao longo dos anos…

– Entendo… e como essa trajetória se iniciou?

– Foi logo na entrada da escola… como sou filho adotado de pais gays, sofri Bullying preconceituoso dos meus coleguinhas e, como um dos meus pais era ativista do movimento gay, me ensinou como corrigir adequadamente essas arestas sociais das crianças ditas normais…

– Sim… mas o senhor sendo menor de idade, suponho que deva ter tido um tutor nisso tudo…

– No início sim… mas, ao longo dos anos, fomos adquirindo parceiros na nossa causa… hoje já contamos com 38 advogados especializados… temos também a nossa loja de venda de acessórios de apoio à decisão nos processos… contamos com um varejo de câmeras escondidas, microfones de longo alcance… temos também um portfólio de testemunhas onde pode-se contratar várias delas sem custo algum, apenas dispondo de 10% dos ganhos nas causas…

– Isso é praticamente uma empresa então?

– Nem pensar… somos uma ONG com fins não lucrativos que visa doutrinar a sociedade a ser mais aberta e mais respeitosa com todos nós…

– Todos nós? E qual grupo seria esse ‘nós’?

– Todos os oprimidos… aqueles que são marginalizados por aqueles que detém o poder de fato e que não abrem mão de conceitos ultrapassados…

– E essas pessoas seriam quem?

– Aqueles que não atingiram o ponto de educação necessário para conviver com as adversidades…

– Entendo… o conceito adversidade é vasto, não é? Fiquei sabendo que o senhor, sozinho, já ganhou alguns milhões em causas próprias…

– Sim… como disse, fui adotado por um casal homossexual, sem-terras, perseguidos políticos, e, sendo eu negro, sem curso superior, casado com uma cadeirante, tenho 1 filho emo e gordo e uma filha estudante na  UNIBAN, o senhor já imagina o quanto conseguimos recuperar do nosso orgulho próprio sobre as humilhações diárias que passamos…

– Imagino… mas se a sua ONG é sem fins lucrativos, como ela se mantém?

– Recebemos doações das empresas de advogados que nos apoiam…

– E isso não seria um conflito de interesses?

– Se imaginarmos que o interesse em comum, nesse caso, é o de estabelecer os reparos pelos danos causados pela sociedade, não…

– Percebo… e o senhor tem planos para o futuro?

– Claro… estamos expandindo na área penitencial… abrimos um braço na sociedade para exigir danos causados pelo sistema penitenciário para alguns detentos… também iremos investir na área de pensões… por exemplo, com esses processos que eu, altruisticamente lancei, fiquei incapacitado de conseguir emprego para me manter… sendo assim, vou exigir que o governo me pague pensão vitalícia para que eu siga lutando pelo direito de todos os excluídos…

– Isso seria viável, já tivemos políticos que fizeram isso… o senhor tem idéia de se lançar em candidatura?

– Nem pensar… como eu disse, estou nisso sem fins lucrativos…

– E o senhor não teme represálias futuras daqueles que perderam causas para o senhor?

– Eu bem que gostaria… com agressão eu teria um acréscimo no faturamento de mais de 50%…

– Mas o senhor não tem medo de morrer?

– Claro que sim… mas como tenho seguro de vida em todas as seguradoras, recebi segurança 24h por cortesia da seguradora…

– Sim… parece realmente um bom negócio…

– Não é um negócio… é a sublimação de uma ideologia! É a realização do sonho de uma sociedade justa, honesta e que presa pelo bem estar e a igualitariedade de todos!!!

– Confesso que estou emocionado com a sua auto-doação social…

– Eu faço isso pelo meu povo!

– Bem… obrigado pelas respostas… vou levar a gravação para a edição e devemos estar publicando isso amanhã… o senhor não se incomoda de eu ter gravado isso, certo?

– Claro que não… também estou levando a minha gravação ao nosso setor jurídico, e, tendo a sua revista, historicamente, classificada como mídia golpista por alguns governos, estaremos atentos à repercussão do publicado… mas, já lhe adianto que dependendo do que o senhor escrever, a sua comissão ficará em torno de 30% dos lucros…

Antes de entrar para a ONG eles eram conhecidos como "Necessitado & José Classe Média"... mas graças ao preconceitos com os cantores sertanejos...

Antes de entrar para a ONG eles eram conhecidos como “Necessitado & José Classe Média”… mas graças ao preconceitos com os cantores sertanejos…

Relativismo moral…

Einstein já nos brindava, em toda sua genialidade, com a teoria da relatividade… mas, a relatividade e o relativismo poderiam ser bem utilizados como ferramenta de pensamento, instigando debates onde teses e antíteses se enfrentariam até que se extraísse uma síntese, que poderíamos usar como base para o conhecimento… Será? frase-voce-entende-a-relatividade-quando-ve-que-1-hora-com-a-sua-namorada-parece-1-minuto-e-1-minuto-albert-einstein-91198

Vejamos… e, como sempre, iniciemos pelo nosso velho amigo, o amansa-burro:

re.la.ti.vi.da.de Substantivo feminino. 1.Qualidade ou estado de relativo. 2.Fís. Teoria física na qual o espaço e o tempo são grandezas relacionadas, não podendo, pois, ser consideradas independentemente uma da outra.

Grandezas que não podem ser consideradas uma sem a outra… adoro esse conceito… mas, ainda não é por aí…

re.la.ti.vis.mo Substantivo masculino. Doutrina ou tendência segundo a qual o significado ou valor de algo varia conforme à situação ou às relações com outros elementos e valores. § re.la.ti.vis.ta adj2g.

Interessante… começa com DOUTRINA…. e, nos diz claramente que o significado ou valor de algo, varia conforme a situação ou as relações com os elementos e valores… resumindo: DEPENDE… coelho pato wittgenstein

Bem, para irmos à raiz das terminologias, fechamos com:

re.la.ti.vo Adjetivo. 1.Que indica relação; referente. 2.Gram. Diz-se do pronome que se refere a uma palavra ou sentido anterior. 3.Que varia ou pode variar conforme relação com outros elementos.

Indica relação… ou seja, que está relacionado, ou, que está ligado…

re.la.ção Substantivo feminino. 1.Ato de relatar; relato. 2.V. lista (1). 3.Vinculação, ligação. 4.Comparação entre duas quantidades mensuráveis. 5.Ligação, contato; comunicação ou interação entre pessoas, grupos ou países. 6.Relacionamento (3). 7.Mat. Correspondência entre elementos de dois conjuntos. [Pl.: –ções.]

Pois bem, com isso, podemos já ter uma ideia de que as coisas se correspondem e, dentro de suas valências, podemos tecer conceitos sobre a relação entre esses elementos…

OBJECTIVIDADE E SUBJETIVIDADE

Legal, não?! Pois, para mim, tem limite… como tudo na vida. O relativismo seria uma ferramenta para se atingir o “estado da arte” nas discussões, ou, suas mais profundas nuances, o que, certamente, exige um baita conhecimento de quem as utiliza. O relativismo, quando é usado contra pessoas ignorantes, torna-se até uma covardia, uma vez que, desmembrando as relações, pode-se sempre encontrar lá no fundo, um elemento que poderemos deturpar e, provavelmente, inserir num “padrão de lógica” para convencer o oponente do debate em questão de que ele está errado/é burro/fumou algo estranho/deu com a cabeça na parede…

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O relativismo, há quem diga, é a antítese do absolutismo… que, segundo os defensores do primeiro, é a inflexibilidade de pensamento… Ok, nem tão ao céu e nem tanto ao inferno… fiquemos com o bom e velho meio termo… O mundo dualista e maniqueísta é chato para caramba, afinal, ele não permite consensos. É sempre o “contra mim é meu inimigo x a meu favor é meu amigo”. Também nos permite que pessoas defendam absurdos, tipo, o vídeo viral (que provou-se ser parte do filme “Na montanha dos canibais”) onde índios enterravam crianças vivas, mas, que contava com pessoas dizendo ser “parte de sua cultura”, e, sendo assim, deveríamos engolir este sapo, já que vemos coisa pior na cidade…

ética relativa

Não venho aqui defender uma ou outra linha de pensamento. E, se o fizesse, estaria indo contra o que tento aqui dizer desde o início, que é o “pensem por si mesmos e não comprem opiniões prontas”. Mas, com a onda de debates acerca dos acontecimentos políticos e sociais do momento, tenho que sair do muro e dizer que, há muita gente mal intencionada usando discursos “em pele de cordeiro”. Nesse discurso relativista, pode-se justificar a corrupção de um partido, acusando o partido concorrente da mesma coisa. Pode-se dizer que fazer piadas com um nicho de pessoas é normal, e, com outro, é preconceito e crime… dá para se dizer que uma religião é intolerante em nome da paz e do amor, enquanto outros, em nome da inclusão social, segreguem cada vez mais…

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Confuso, não?! Certamente… Não vou me aprofundar nos casos que citei acima, apenas, os aponto para dizer em qual ponto os debates podem chegar, dependendo da forma como os conduzimos… Já mostrei em outro texto que podemos usar a lógica de forma absurda, e, ainda outro dia, brindei o pessoal do facebook com uma outra piada acerca: “Todo generalismo é burro”. Isto é um generalismo, portanto, é burro. Sendo assim, não pode ser usado como argumento. Então, nem todo generalismo é burro… Pois, da mesma forma, utilizando outras ferramentas, podemos deturpar assuntos, e floodar (neologismo para “entupir”) a mente do pessoal com tanta babaquice travestida de pensamento elevado, que os pobres ignorantes, subentendem que o verborrágico que os interpela, provavelmente sabe mais do assunto do que ele, e, portanto, é melhor ficar com o que ele diz… Não é bem por aí… embora, o nosso poder de questionamento sempre depende do nosso conhecimento acumulado e que nos permite cruzar informações recebidas com as nossas próprias, as que estão enraizadas como crenças, as que aprendemos durante a vida (algumas sem questionar), e, os valores morais que adquirimos durante a vida… 6_jpg

Pois são estes conjuntos de valores que, independentemente do que ouçamos, pode fazer a diferença na hora de ouvir aquele monte de blablabá intelectualizado onde o principal motivo é te fazer comprar as bullshits que tentam te vender como salvação. Notem, amigos, que eu estou focando tudo o que digo no ponto: ouçam argumentem, interpretem, pesquisem, mas nunca, eu disse NUNCA comprem a opinião alheia sem passar pelo seu crivo antes… O que eu acho? Simples: eu acho que uma porcaria não justifica outra. Um corrupto de direita não anula um corrupto de esquerda. Beneficiar uma etnia historicamente prejudicada, prejudicando a etnia opressora, não resolve os problemas passados (sem que monte-se uma estrutura após para que não mais dependam da interferência dos outros), que dizer que é crime maltratar pessoas do “tipo” X, Y ou Z, ao invés de dizer que maltratar QUALQUER PESSOA é crime, e coisas do tipo, são uma estupidez sem tamanho… mas, há quem ache que é o caminho… O caminho, para mim, é um pouco mais absolutista… é baseado em bem e mal. Se o produto final é bom, então, tá valendo… se gera coisas ruins, não me serve. E não me venham com “os fins justificam os meios”, pois esse é o melhor exemplo relativista que nos diz que, toda a cagada que fazem no caminho, é visando um bem maior…

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Entendeu? Nem eu… mas, suponho que ele queira dizer que os fins NÃO justificam os meios…

Despeço-me dizendo que, enquanto nos subdividirmos, dificilmente realizaremos ações que de fato beneficiem todos… e, viveremos eternamente prejudicando uns em favor de outros… afinal, somos “Grandezas que não podem ser consideradas uma sem a outra…”

TIRA ESSE DEDO DAÍ, POU!!!!

TIRA ESSE DEDO DAÍ, POU!!!!