Paradoxo Hitler…

Há anos, como de costume, viajando sobre bobagens em geral, costumava perguntar a alguns amigos que sempre foram favoráveis à mortes de grandes monstros da nossa humanidade, o seguinte: se tu pudesse voltar no tempo, à infância de Hitler, especificamente, tu terias coragem de matá-lo no berço, por exemplo?

Bom, história batida, voltar no tempo para matar ameaças em potencial… já deu até filme de sucesso a história, né Arnoldão?!

Venha comigo se quiser viver... não, pera...

Venha comigo se quiser viver… não, pera…

Pois achei quem tivesse tido esse mesmo tipo de ideia por aí… encontrei pela net um comercial que foi a fundo no assunto… vejam aí:

http://www.youtube.com/watch?v=L_gcxG-5Yhw (podem clicar no link, porque a incorporação do vídeo foi desautorizada).

Pois então, apesar do comercial ser desautorizado pela Mercedes, e, segundo diz a lenda, foi retirado às pressas e substituído, dá para notar que a ideia é resolver o problema quando a oportunidade surge, ou, como diz o comercial: “Detects dangers before they come up“, ou na tradução livre, “Detecta perigos antes deles aparecerem”.

Detalhe: A Mercedes-Benz fez questão de se distanciar imediatamente do filme. “Estamos convencidos de que é inapropriado usar a morte de uma pessoa, neste caso, de uma criança, num spot de publicidade, assim como usar conteúdos associados ao nacional-socialismo“, afirma Tobias Mueller, porta-voz da montadora. (Fonte do link: Terra)

Certamente, caro Mueller, matar crianças em comerciais não vende, não é mesmo?!

Esqueçamos seu valor mercadológico e o fato de ter se tornado um viral na internet. Esqueçamos que o carro é espetacular e, quisera eu, ter grana para ter um desses, também.

Foquemos no ponto onde alguém respondeu à minha indagação de anos, com um “Sim, eu mataria o Hitler criança se pudesse voltar no tempo”.

E, daí para frente, dá para expandir o assunto para horas e mais horas de argumentos e contra-argumentos. Após horas de falatório, provavelmente fecharia o acordo com um “dos males o menor”.

Me diriam que a morte de uma criança pouparia a morte de milhares de outras depois. Me diriam que uma única morte mudaria o rumo da humanidade. Me diriam que o mundo, provavelmente teria sido muito melhor se essa morte tivesse ocorrido.

Bem, essa ideia também é muito boa para filmes de física quântica, onde se altera a realidade futura cancelando um fato do passado. E, estarão certos, afinal, a teoria diz que, se isso ocorresse, em um universo paralelo do que vivemos hoje, sem o Hitler, a realidade seria outra.

É claro, poderia ser uma realidade melhor, ou, nem tanto. Poderia ter surgido um outro monstro na história e ter ocupado seu lugar… feito coisa pior, ou sei lá mais o que a mente poderia tentar projetar inutilmente por horas e mais horas.

Mas nada disso me interessa. O interessante para mim é pensar em matar uma criança. Independente de quem ela é ou viria a ser… (para se aprofundar mais na ideia, recomendo o filme “Looper”, com o Bruce Willis, link para ver online aqui: http://www.verfilmes.biz/looper-assassinos-do-futuro-dublado.html)

Pois bem, o tal “paradoxo Hitler” que sugeri no título desse post se baseia, justamente, em pensar se VOCÊ seria a pessoa em questão… o tal que executaria a criança. Geralmente saber da notícia é bem menos complicado do que praticar a ação, não é mesmo?

Ouvir no telejornal que um animal qualquer matou uma criança, ou violentou, – como aconteceu hoje aqui no Rio Grande do Sul, onde um sujeito agrediu e violentou uma criança de 7 anos para se vingar da tia que terminou o relacionamento com o mesmo – me gera o mesmo pensamento de “Pendurem esse cara pelas bolas e o fatiem bem lentamente…”. Mas, ao pensar se eu seria capaz de pendurar o cara e o fatiar, a resposta já é mais ponderada…

O mesmo tipo de pensamento é usado por alguns vegetarianos para dizer que se os matadouros tivessem paredes de vidro, alguns de nós seriam incapazes de comer carne. Bem, talvez nem todos… eu sou gaúcho e não dispenso um churrasco. Mas, é claro, não consigo me ver matando um boi para carneá-lo.

Sendo assim, o paradoxo consiste em dizer que, para nos livrarmos de um monstro, devemos nos tornar um…

Será?

Quem bullyniza o bullynizador, bom desbullynizador será?

Quem bullyniza o bullynizador, bom desbullynizador será?

Bem, as respostas irão variar, mas, PARA MIM, não consigo achar outra explicação para alguém capaz de matar uma criança.

Usem argumentos do tipo: ao não matá-lo, tu estaria matando indiretamente todos os outros que ele matou depois…

Para isso eu responderia: é por isso que ELE é considerado o monstro. Não eu.

Depois argumentarão: e se fosse a tua família vítima dele?

Daí eu responderia: e isso me daria o direito de fazer a família dele ser vítima?

O ponto central da questão é o velho “os fins justificam os meios?”. Para os que acham que sim, lamento informar, que isso a longo prazo, pode lhes transformar naquilo que querem combater. Para os que creem que não, eu diria que o fato de não termos respostas para tudo, não deixa de ser algo libertador.

E, para me despedir, deixo outro caso onde a volta para o passado poderia ter mudado a humanidade…

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4 pensamentos sobre “Paradoxo Hitler…

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