Escravidão sensorial…

A escravidão é um problema que remonta tempos imemoriáveis da história da humanidade. Ela nos remete à pessoas desprezíveis que abusam do ser humano em benefício próprio, nos lembra de épocas em que pessoas eram espólios de guerra, nos lembra de tempos em que escravos eram pessoas de nível inferior à seus senhores ou, meramente utensílios…

Enfim, nos lembra de tempos em que a humanidade era demente, bárbara e outros adjetivos que nos envergonham de fazer parte dessa linhagem…

Mas, peraí… será que estamos em tempos muito diferentes daqueles hoje em dia?

Não creio…

Eu diria que a escravidão adaptou-se aos novos tempos…

É claro, em alguns cantos do planeta, ela prossiga como era à época, mas, nos locais (ditos) civilizados, elas se travestem de outras coisas…

Bem, iniciando pelo de sempre: o amansa.

es.cra.vi.dão
s. f. 1. Condição de quem é escravo. 2. Servidão. 3. Falta de liberdade; escravatura.

Na primeira… falta de liberdade…

Mas, a liberdade consiste em quê?

li.ber.da.de
s. f. 1. Estado de pessoa livre e isenta de restrição externa ou coação física ou moral. 2. Condição do ser que não vive em cativeiro. 3. Condição de pessoa não sujeita a escravidão ou servidão. 4. Independência, autonomia. 5. Ousadia. 6. Permissão. 7. Imunidade. S. f. pl. 1. Regalias, franquias, imunidades, privilégios concedidos aos cidadãos pela constituição do país ou de que goza um país, uma divisão dele, uma instituição etc. 2. Familiaridade importuna; atrevimento, confiança: Tomar liberdades com alguém.

Vários pontos podem ser considerados neste conceito de liberdade: pessoa isenta de restrição ou coação física ou moral é um dos principais aspectos a serem questionados. A pessoa não sujeita à servidão é outro… e, de resto, é um “benefício” CONCEDIDO POR ALGUÉM… em resumo, a liberdade é uma concessão, aos olhos da lei, ou, uma condição de alguém que alguém isento de coação.

Ok, e daí, todos se perguntam à essa altura do campeonato…

E daí que, sob alguns prismas, podemos notar que, mesmo sendo livres aos olhos da lei, podemos ser escravos de muita coisa… e por escolha própria…

De joelhos, verme!

De joelhos, verme!

Ok, e nem toda escravidão é ruim também… vá lá…

Mas o ponto em questão é onde vivemos apenas em função das sensações… e, para notar este tipo de coisa, é preciso, claro, se conhecer muitíssimo bem…

Em função de quê temos vividos ultimamente? O que é a parte boa do seu dia, por exemplo?

Certamente as respostas irão variar de acordo com o dia, com o pensamento do momento, com as condições de vida, com os acontecimentos recentes… enfim…

Alguns vivem suas vidas no “piloto automático”, apenas esperando algo de bom acontecer… para alguns, pode ser a sexta-feira chegando, uma cerveja com uns amigos, sair finalmente com aquela moça que você dá em cima há tempos… e por aí vai…

Mas, para cada opção, há uma pergunta: é realmente isso que te faz feliz ou isso é apenas algo usado para fugir da “dura realidade”?

Alguns dormem, outros bebem, outros se drogam, outros fumam, etc… e a psicologia aborda alguns destes casos como “fuga da realidade”…

cheirar-pó-de-café

E tal qual utilizamos de algumas fugas para, de forma sensorial, desconectarmo-nos com algo ou alguém, basicamente, estamos postergando decisões ou soluções para o problema de fato.

Mais ou menos, num exemplo infantil: se temos uma pia cheia de louça suja em casa, a ponto de já estar juntando baratas, não adianta tacar inseticida nelas o tempo todo. Se não lavar a louça, elas sempre voltarão…

Mas há quem diga: ah, mas as vezes é tanta barata que não dá nem pra chegar perto da pia…

Bem, talvez alguns precisem de algumas “muletas” iniciais para conseguir andar (estou bom de figura de linguagem hoje, não?!), tal qual remédios psiquiátricos, mas, ainda assim, o ideal seria não deixar chegar nesse ponto.

Tudo muito bem, e, dito isso, posso dizer que não era ainda aí o meu ponto.

O ponto é justamente tentar pensar se, ao darmos conta de que tal ação é apenas um impulso sensorial para compensar alguma coisa, e, a partir daí começássemos a agir apenas em função de coisas que realmente nos façam sentido, o que é que ficaria?

Não sei, mas peraí que eu vô fazê uma sopa pá nóis...

Não sei, mas peraí que eu vô fazê uma sopa pá nóis…

Me refiro à compulsões, à vícios, e a tudo o que serve como uma dose de alívio para um problema ou, simplesmente, para desviar dele…

Mas, apesar da indagação servir para a reflexão de cada um de nós, o intuito do post é mais profundo: é perguntar a quem serve isso tudo?

Como assim????

Sim, esse estilo de vida que levamos, na verdade, pode ser, produto do meio em que se vive, mas, pode também, ser consequência para o meio em que vivemos estar assim.

Complicou, né?

Sim, eu sei…

E, ao meu ver, a resposta nem é tão complicada assim…

Há eras a humanidade convive com o famoso “pão e circo”, o velho panis et circensis da Roma antiga e que servia para manter o povo sob controle. E, no link do Wikipedia, cita a questão fundamental:

Panem et circenses [ludos] é a forma acusativa da expressão latina panis et circenses [ludi], que significa “pão e jogos circenses“, mais popularmente citada como pão e circo. Esta foi uma política criada pelos antigos romanos, que previa o provimento de comida e diversão ao povo, com o objetivo de diminuir a insatisfação popular contra os governantes.

Sim, o ponto é a velha manipulação das massas… e, em cima disto, podemos tentar abrir o leque do pensamento para, por exemplo, algumas questões do tipo:

– Por que não se combate efetivamente o problema das drogas?

– Por que há tantas campanhas liberalistas ultimamente?

– Por que estimula-se tanto as sensações?

– Por que existe tanto assistencialismo?

Sabemos que as necessidades básicas, ou a sobrevivência, fazem com que abdiquemos de coisas “secundárias”, tipo a moralidade, por exemplo…

Não por acaso, já me irritava ao ver o comercial da cerveja que prega algo do tipo: mesmo que a vida seja uma merda porcaria, tomando uma gelada com a galera, tá tudo bem…

Pois é… quem aqui não tem aquele amigo no Facebook, por exemplo, que é o arauto da sexta-feira?… aquela pessoa que inicia a segunda-feira já contando os minutos para chegar novamente a sexta?

Creio que todos… fora, alguns que agora leem isso e que são os próprios… eu mesmo fui um… até virar profissional liberal e me dar conta que qualquer dia da semana é igual quando não se tem ninguém pagando seu salário religiosamente em dia no fim do mês…

pois bem, posso dizer (por experiência própria) que isso é sintoma de que a sua vida não anda nada bem… ou, que está na hora de lavar a louça aí dentro…

Tal qual a tosse não é uma doença em si, e sim apenas um sintoma de algo  que devemos tratar, creio que alguns hábitos sejam também um indício de que algo precise ser revisto, pensando, e, talvez, mudado…

Estamos em dias em que a escravidão a qual nos dispomos, beneficia um sistema onde quem controla as sensações, consegue controlar ações… e, tal qual um traficante que gere uma infinidade de dependentes químicos seja um inimigo social, também devemos pensar em quem nos “fornece” algumas fugas… talvez, abdicar de nossa consciência por momentos de alívio, possa custar muito mais caro do que uma ressaca ou uma crise de abstinência…

Tudo baseia-se no controle… temos os que buscam-no de um lado, e, do outro lado, os que cedem-no em troca de algo, sem sequer saber disso muitas vezes…

E a pergunta final é: abrir mão disso tudo então? Claro que não… apenas não fique escravo disso.

Não é a “droga” (ou a muleta) em si, mas sim o fato de criarmos dependências de algo externo… ou de alguém…

50 Ton(elada)s de grana...

50 Ton(elada)s de grana…

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