Lógica: use com parcimônia…

A lógica é o que nos diferencia de alguns animais, não é?

É sinônimo de inteligência, certo?

Nem tanto…

Bem, iniciemos pelo de sempre: o amansa…

ló.gi.ca
Substantivo feminino. 
1.Coerência de raciocínio, de ideias.
2.Modo de raciocinar peculiar a alguém, ou a um grupo.
3.Sequência coerente, regular e necessária, de acontecimentos, de coisas.
4.Filos. A ciência dos princípios normativos e formais do raciocínio.

raciocínio… ok… vejamos:

ra.ci:o.cí.ni:o
Substantivo masculino. 
1.Encadeamento, aparentemente lógico, de juízos ou pensamentos.
2.Capacidade de raciocinar.

Encadeamento APARENTEMENTE lógico, de juízos ou pensamentos…

ju.í.zo
Substantivo masculino. 
1. Ato de julgar.
2. Conceito, opinião.
3. Modo equilibrado de pensar e agir; tino, ponderação, senso, bom senso, siso.
4. Foro ou tribunal onde se processam e julgam os pleitos.
5.Pop. Mente, pensamento.

Conceito, opinião… ok…

Bem, dessa forma, podemos aí concluir que usar a lógica pode ser apenas um encadeamento de pensamentos onde o SEU juízo seja utilizado… o que não quer dizer, necessariamente, que você esteja fazendo algo bom a partir daí…

A lógica pode nos produzir situações como esta:

Notemos que na cena acima, o grande líder popular utiliza a sua lógica para “iluminar” as mentes dos cidadãos enfurecidos e com sede de justiça… mas, ainda assim…

Por mais ridícula que a cena possa ser, ela diz muito sobre a sociedade atual… onde utilizam-se “lógicas” diversas para “ensinar” o pessoal…

O próprio conceito de lógica diz que é Modo de raciocinar peculiar a alguém, ou a um grupo. Embora, também diga que: Coerência de raciocínio, de ideias…

A lógica, como instrumento técnico, a que eu aprendi na faculdade de informática, nos anos que cursei, ensinava:

A noção de argumento é fundamental para a lógica. Argumento é um conjunto de enunciados que estão relacionados uns com os outros. Argumento é um raciocínio lógico.
Observe o seguinte argumento:

Todos os homens são mortais.
Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal.

Este é um argumento formado por duas premissas e uma conclusão.

Os dois primeiros enunciados são as premissas e o último enunciado é a conclusão. Os fatos apresentados nas premissas servem de evidência para a conclusão, isto é, são eles que sustentam a conclusão.

Para que o argumento seja válido, não basta que a conclusão seja verdadeira. É preciso que as premissas e a conclusão estejam relacionadas corretamente. Distinguir os raciocínios corretos dos incorretos é a principal tarefa da lógica.

Os argumentos sempre apresentam uma ou mais premissas e uma conclusão.

Silogismo categórico é um argumento composto por três enunciados, sendo duas premissas e uma conclusão.

Fonte: http://educacao.uol.com.br/disciplinas/filosofia/logica—argumento-um-conjunto-de-enunciados-articulados-entre-si.htm

Vou te dar zero, guri!

Vou te dar zero, guri!

Ter coerência nas ideias também é algo bem complicado hoje em dia…

co:e.rên.ci:a
Substantivo feminino. 
1.Qualidade, estado ou atitude de coerente.
2.Harmonia entre ideias, ou acontecimentos.

Harmonia de ideias é sinônimo de lógica? Até pode ser… mas, ainda assim, pode produzir coisas do tipo:

A mulher foi feita da costela de Adão;

Vegetarianos não comem carne;

Logo: vegetarianos ou são ateus (para refutar o criacionismo) ou são gays…

E, caso eu quiser alongar essa palhaçada acima, ainda poderia concluir que: pela “coerência”, nenhum católico vegetariano pode “comer” mulher… enfim…

Notem que estou ridicularizando a lógica, pois, bem sabemos que ela pode ser usada como argumento inconteste para se firmar uma tese ou um simples pensamento…

Mas, para tal, é necessário que a sua lógica (seu pensamentos, conceitos e juízos) estejam de acordo com a apresentada pelo outro para que este argumento lhe soe bem… do contrário, a sua lógica estará contrária…

Temos aí lógicas baseadas em crenças, descrenças, ou, meramente refutáveis, ou seja, as que buscam apenas combater os argumentos ou premissas…

Algumas pessoas lhe parecem ilógicas? Alguns sistemas lhe soam completamente absurdos? O mundo não faz sentido algum?

Bem, isso pode não ser de todo ruim…

Como argumentei antes, a lógica é baseada em um sistema ou conjunto de pensamentos, valores, juízos de alguém ou algum grupo… sendo assim, não é necessariamente algo SEU… pode ser apenas algo que foi programado no seu cérebro desde a infância e que, hoje em dia, lhe parece lógico…

Cê tá quendo me enrolar, rapá?!

Cê tá quendo me enrolar, rapá?!

Não, estou tentando mostrar que nem tudo o que é lógico para uma pessoa, é lógico para outra… pessoas estão em níveis diferentes de evolução intelectual… e, dessa forma, alguns, simplesmente não têm alcance para entender algumas lógicas…

Mais ou menos como tentar ensinar física quântica a quem mal e porcamente sabe matemática… complicado…

Mas, ainda assim, não é demérito algum não saber… ou saber menos do que alguém… só eu recomendo que não absorvam essa lógica alheia, de alguém que PARECE saber mais do que você… pois o fato da lógica do que ele diz não for bem inteligível, pode ser também, apenas, que essa pessoa está querendo te enrolar…

Dito isso, concluo dizendo que ouvir outros é um bom COMEÇO para que você inicie a busca de respostas… filtre, conteste, pesquise, e, só após muito ponderar, você terá condições, baseado na SUA lógica, de saber se a lógica alheia é razoável ou não…

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Eu também... tem algum armário aí para eu ir para Nárnia?

Eu também… tem algum armário aí para eu ir para Nárnia?

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Preço e valor

Todo homem tem seu preço…

Em determinado momento da vida, acho que quase todo mundo já ouviu esta máxima…

Gosto da frase “completada” pelo Nietzsche, que diz: 

nietzsche

E, talvez a partir desta frase do filósofo ranzinza, iniciemos o post de hoje…

Será que tudo nesta vida tem seu preço?

Iniciemos pelo amansa velho de guerra para começar a formar o conceito:

pre.ço(ê)
Substantivo masculino. 
1.Quantidade de dinheiro necessária para comprar mercadoria ou serviço; expressão monetária do valor.
2.Relação de troca de um bem por outro.
A preço de banana. 
Bras. Muito barato.
A qualquer preço.
Sem poupar esforço, mesmo com grande perda ou sacrifício; a todo custo.

Acho que na primeira frase da explicação já podemos encontrar o cerne da questão a qual eu me refiro… quantidade de dinheiro necessária para comprar MERCADORIA ou serviço… a parte que se refere à expressão monetária do valor, também é controversa, afinal, valor é um conceito variável e que pode ter um significado diferente para cada pessoa… vejamos aí:

va.lor (ô) 

Substantivo masculino. 
1.V. valentia (1).
2.Qualidade que faz estimável alguém ou algo; valia.
3.Importância de determinada coisa; preço, valia.
4.Legitimidade, validade.
5.Significado rigoroso de um termo

Vejamos aqui que, analisando os conceitos, nos deparamos com o fato de que preço se atribui à mercadorias ou, à prestação de serviços… que, pela explicação da administração, atribui ao serviço, a equivalência à um objeto de troca… ou, mercadoria… afinal, serviços estão aí no mercado e pessoas remuneram-se com isso… até aí, nada de mais…

Mas, dizer que o preço é a expressão monetária do valor, não me cai bem… afinal, o valor de alguém, como já escrevi em outro post: https://seguraorojao.wordpress.com/2013/03/01/o-devido-valor-de-cada-um/, é mais medido pelo que esta pessoa tem dentro de si, referindo-me à valores morais, do que pelo quanto ela realmente pode se “vender”…

Podemos notar também nos termos acima, que deixa-se em aberto as hipóteses de vincular valor e preço a algo ou ALGUÉM… e, mesmo que um dos significados remeta à valentia… ainda assim, pode-se encarar como um “serviço”… vemos aí que mercenários – alguns corajosos (e hollywoodianos) e outros nem tanto, que são remunerados por sua dita valentia…

Sendo assim, alguém que realiza um feito relevante, ao ser pago por ele, tem o seu valor diminuído?

Bem, está confuso… vou reformular…

Ao precificar o seu valor, a pessoa automaticamente perde o seu valor?

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Acho que ainda pode-se realizar boas ações, mesmo que remuneradas… afinal, trabalhadores todo santo dia dão o melhor de si, mesmo que remunerados, e, nem por isso perdem suas dignidades… me refiro aos honestos, é claro…

Vivemos em uma sociedade em que nem tudo se é valorizado… nossa cultura valoriza os campeões, os que se destacam apenas… e há quem ache que o vice-campeão é o primeiro perdedor de uma lista enorme em um campeonato…

Perder é do jogo… perder-se, aí sim, é algo bem mais complexo… e, acreditem, alguém pode perder-se mesmo sendo o campeão…

Abraço lá para o Edilson, o Zveiter, o Dualib e a nação Corinthiana de 2005...

Abraço lá para o Edilson, o Zveiter, o Dualib e a nação Corinthiana de 2005…

Enfim, sacanagens à parte, voltemos ao pensamento de que pode-se perder ganhando, ou ganhar perdendo…

Perder um dinheiro fácil pode fazer alguém ganhar? Pode… afinal, qual seria o preço a ser pago para se conseguir tal dinheiro?

Ah, pouca coisa… uma assinaturazinha aqui, uma vista grossa ali… um discursinho inflamado acolá… nada que já não tenhamos visto anteriormente, né?!

Pois é… e, é justamente nestes casos é que percebemos que algumas coisas têm preço, mas, não necessariamente valor…

Algumas pessoas sequer cogitariam tal dinheirinho fácil, se o custo para tal fosse a perda de seus valores… já, outros, sequer cogitariam deixar o cavalo passar encilhado, afinal, os governos anteriores fizeram/todo mundo faz/o mundo é dos espertos/(coloque aqui a desculpa que melhor lhe cair)…

"Juro dizer a verdade, nada mais que a verdade, com a ajuda do MEU DEUS!"

“Juro dizer a verdade, nada mais que a verdade, com a ajuda do MEU DEUS!”

A teoria administrativa trata do assunto dizendo: A soma dos esforços que despendemos para obter o que buscamos representam o preço que pagamos para obter o que queremos, enquanto a soma dos benefícios que recebemos ao obter o que buscamos representa o valor!

Ou, tentando colocar em uma equação: Valor = Percepção de Benefícios/(Preço + Expectativas)

E, é claro, neste caso, entra-se no mérito do benefício percebido… afinal, para ser considerado benefício, alguém tem que dar o devido VALOR à ele…

Quanto você pagaria por um copo de água estando à direita e o quanto pagaria estando à esquerda?

Quanto você pagaria por um copo de água estando à direita e o quanto pagaria estando à esquerda?

Da mesma forma, hoje em dia, consideramos um baita benefício na nossa comercialização de pessoas, que ela tenha honestidade… enquanto há pessoas (como eu) que acreditam que honestidade não é um benefício que alguém pode agregar ao seu serviço, mas sim NADA MAIS, NADA MENOS DO QUE A SUA OBRIGAÇÃO!

Eu diria que algumas pessoas têm sim o seu preço… algumas vendem a moral, outras o rim, ou o corpo (com ou sem beijo na boca)… vendem seus trabalhos… e, outros não se vendem de forma alguma… não deixam com que o dinheiro seja valorizado ao ponto de lhes dar motivo a fazerem o que não querem…

Assim é "miurreáu", meu camarada...

Assim é “miurreáu”, meu camarada…

Ok, benefício é de quem o percebe, né?! O que eu vou fazer?

Mas, ao final de tudo, eu diria que todos tem um preço… e é aquele algo que o motiva a aceitar as condições… ou, que o leva a agir…

E é aí que divide-se o joio do trigo…

Enquanto alguns agem por dinheiro, ou, simplesmente por benefício próprio, outros, agem pelo bem comum… que pode incluir o seu próprio benefício, que consiste em justamente ver o bem prevalecer… o correto, o justo, o digno…

E, sabemos muito bem, amigos, fazer o que é correto, nos dias de hoje, invariavelmente acaba cobrando um preço alto demais de quem age assim… mas, é justamente aí  que mede-se o valor de cada um…

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E se os malucos estivessem certos?

O grande Raul Seixas, eternizou sua obra dentre os brasileiros, mas, não pôde fugir do rótulo de “Maluco Beleza”.

E já dizia ele, em toda sua “maluquez”, que os demais se esforçam tanto para parecerem normais nos dias de hoje. Enquanto ele controla a sua maluquez e mistura com a lucidez…

Bem, como de praxe, vamos ao amansa:

lu.ci.dez
(ê), s. f. 1. Qualidade ou estado de ser lúcido. 2. Brilho, claridade. 3. Clareza, nitidez. 4. Precisão de ideia, compreensão rápida.

lú.ci.do
adj. 1. Que luz ou resplandece. 2. Polido, luzido. 3. Claro, diáfano, transparente. 4. Que tem clareza e penetração de inteligência.

Clareza, brilho, resplandecente… peraí, já vi este conceito em algo parecido…

lu.cí.fe.ro
adj. Poét. Que dá ou traz luz.

Coincidentemente (ou não), vincular algo lucífero à Lúcifer – ou o cramulhão, o coisa-ruim, etc, etc, etc; mas, que, em hebraico, nada mais significa do que “o portador da luz” – não é apenas um conceito religioso, ao MEU ver, é claro…

Demonizar a lucidez, a luz, ou, como o próprio conceito diz, a precisão de ideia, me parece sintoma suficiente de pessoas que vêem ameaça em clareza de ideia…

A física quântica corrobora com isso...

A física quântica corrobora com isso…

Dentre as tantas “doideiras” que o imortal maluco aí dizia, envolvendo política, a situação brasileira, a sociedade em que vivia-se à sua época, para mim, fica claríssimo que se tratava de alguém à frente de sua época, que, hoje em dia, para mim, é mais um brilhante filósofo do que o dito maluco, que para seus pares da época parecia…

A incompreensão de outros em compreendê-lo em seu próprio tempo, lhe rendeu mais risos do que a devida atenção que merecia. Em um lugar onde ainda o status fala mais alto do que o conteúdo, quem é que levaria a sério um cara envolvido com drogas, magia e sabe-se lá mais o que atribuíam ao doido?

E nem digo apenas suas frases pontuais, com letras ácidas e a enorme capacidade de criticar com humor (característica que, para mim, é sinônimo de inteligência avançada). Falo de como tentava demonstrar, lá no alto de sua “maluquez”, que o mundo é quem estava doido, e não necessariamente ele.

Acho que hoje em dia consigo entender o que ele quis dizer…

Neste mundo atual, onde tantas controvérsias e iniquidades regem sociedades, conceitos, leis, etc; digo que parecer “normal” neste ambiente, para mim, é a verdadeira loucura.

Achar normal ainda guerras religiosas, por recursos, riquezas… achar normal que uma vida humana valha menos do que dinheiro, achar normal que destrua-se tudo em nome do avanço tecnológico… achar normal manter a maioria na ignorância, pois assim é mais fácil manipulá-los…

Reduzir seu status à roqueiro é sacanagem...

Confundir sua criação à seu estilo de vida, chama-se autenticidade…

Bem, posso me incluir então no time dos malucos…

Mas o que seriam estes malucos?

ma.lu.co
adj. Adoidado, extravagante. S. m. 1. Doido, mentecapto. 2. Aquele que parece doido. 3. Indivíduo apalermado. 4. Extravagante. 5. Doidivanas.

ma.lu.car
v. 1. Intr. Dizer ou praticar maluquices. 2. Intr. Andar pensativo. 3. Tr. ind. Discorrer ou cismar como maluco em.

Vejamos que, não por acaso, andar pensativo está contido no conceito de malucar…

Realmente amigos, se observarmos melhor estes conceitos, veremos que demonizamos os “lúcidos” e pensar é coisa de maluco…

E que tal lhes parece isso?

VIVA A SOCIEDADE ALTERNATIVA!!!

VIVA A SOCIEDADE ALTERNATIVA!!!

Me parece que o controle mental que a dita “normalidade” infringe é totalmente baseado no conceito de que questionar velhos conceitos é algo perigoso. Contestar ainda é atitude mal vista pela maioria dos baluartes da sociedade…

Vincular o “Faze o que queres, há de ser o todo da lei”, dito também pelo suposto satânico  Crowley, à práticas satânicas, também me remete novamente ao conceito Lucidez x Lúcifer…

Dizer que a SUA vontade é o que deveria reger sua própria vida, pode ser um susto para os defensores da “lei e ordem”… achando que, claramente, liberar à todos que ajam de acordo com suas vontades é algo temerário (e é, se for usado com a ausência da moralidade), me parece mais um sintoma do medo do rebanho querer mandar no pastor…

É afro-ovino para vocês, seus racistas!

É afro-ovino para vocês, seus racistas!

Não me refiro à religião quando me refiro à pastor e rebanho, ou, até poderia, mas, incluso na minha crítica à tudo o que limita e rejeita o pensamento próprio… demonizar questionamentos, refutar conceitos próprios e ficar apenas com uma visão invasiva das coisas, é algo que também não consigo mais aturar nos dias de hoje.

“Mas se eu quero e você quer
Tomar banho de chapéu
Ou discutir Carlos Gardel
Ou esperar Papai Noel
Então vá!
Faz o que tu queres
Pois é tudo
Da Lei! Da Lei!”

Não sou defensor da lei do Thelema, de Crowley, do 666, do demo, ou seja lá qual vínculo possa se fazer com isso tudo o que digo aqui, mas, concordo em gênero, número e grau que se possa ter o poder sobre suas ações… e, como disse anteriormente, acho que todo este processo se inicia com uma reforma moral. Reforma esta que propicie que a sua vontade seja adequada ao convívio com os outros…

União das vontades...

União das vontades…

A visão, amigos… a visão que propicia ver adiante, que propicia analisar, pensar, criticar, entender… e não falo apenas do sentido de enxergar, falo da visão que é tão necessária para iniciar-se qualquer processo. E, não por acaso, a administração diz que a visão orienta uma meta a longo prazo…

“Através dos séculos existiram homens que deram o primeiro passo ao longo de novos caminhos, sem outros recursos além de sua própria visão”. (Ayn Rand)

"Quem não tem colírio usa óculos escuros Quem não tem filé come pão e osso duro Quem não tem visão bate a cara contra o muro"

“Quem não tem colírio usa óculos escuros
Quem não tem filé come pão e osso duro
Quem não tem visão bate a cara contra o muro”

O dever é a desculpa do reativo…

“É meu dever fazer…”

A frase aí pode ser interpretada como algo que pessoas responsáveis praticam, afinal, as pessoas de bem cumprem seus deveres, certo?

Uma bela sociedade democrática é dividida entre deveres e direitos, não é?

Sei não… vamos, como de praxe, ao nosso querido amansa-burro:

de.ver.
v. tr. dir. 1 Ter obrigação de. 2 Ter por obrigação. 3 Ser devedor de uma quantia ou valor. Intr. 4 Ter dívidas. s. m. 1 Obrigação de fazer ou deixar de fazer alguma coisa. 2 Tarefa, incumbência.

Ok… ter obrigação… vamos ver:

o.bri.ga.ção
s. f. 1. Imposição, preceito. 2. Dever, encargo, compromisso. 3. Ofício, emprego. 4. Benefício, favor. 5. Dívida, hipoteca. 6. Título de dívida. 7. Pop. A família. 8. Pop. Esposa ou amásia.

Eita… vemos que obrigação pode nos remeter desde algo que nos é imposto (que é a minha deixa), até esposa ou amante… vai entender a cabeça do pessoal que inventa essas coisas, não é?

E pode isso, produção?!

E pode isso, produção?!

Enfim, na verdade, o ponto em questão é justamente indagar se, por acaso, alguém ao cumprir o seu “dever”, estará necessariamente fazendo a coisa correta?

Pois eu diria que, ao MEU VER, não. Nem tudo o que é devido, é correto. Nem tudo o que faz-se, necessariamente está indo ao encontro de seus princípios.

Certamente, irmã...

Certamente, irmã… mas seria conveniente os proselitistas de plantão atentarem para tal…

Pessoas clamam o “dever” para justificar atos que, certamente não o fariam por conta própria.

E, aí eu indago e vejo problema, na situação onde quem de fato determina os deveres e obrigações de cada um…

O banco determina o dever de cada um, quando cede um empréstimo, por exemplo. Mas, para alguém submeter-se às regras da tal instituição financeira, é necessário primeiramente, que ela seja uma pessoa devedora. Ou não ter capacidade para tal sozinha.

Essa relação entre devedor e credor estabelece as regras primordiais do que será executado entre as partes. Vejamos então:

O quanto o devedor necessita daquilo para que possa se submeter às regras do credor?

Já dizia meu pai, do alto de sua sabedoria que: “Manda quem pode, e obedece quem tem juízo (ou precisa. Dependendo da situação, ele trocava o final da sentença que geralmente era usada para me mostrar quem é que mandava no pedaço).

Com grana é bem mais fácil, né não?!

Com grana é bem mais fácil, né não?!

Esta relação que o dever nos remete, para mim, é um contrato moral que afirmamos com alguém ou algo. Pode ser uma ideologia, uma crença, uma pessoa, etc… mas, o que de fato me parece é que é, meramente, uma troca.

Ok. Dirão que na vida tudo é uma troca. E não estarão errados. E, justamente daí que acabamos embasando o meu “achismo” anterior. É uma troca onde envolve-se valores… podendo ser morais ou monetários propriamente ditos.

Mas quita-se a dívida quando, meu camarada?

Mas quita-se a dívida quando, meu camarada?

O policial que desce o cacete em manifestantes pelo país está cumprindo com o seu dever, correto? Ou seja, ele é pago para defender o patrimônio público e zelar pela segurança das pessoas. Bem, alguns desses policiais, provavelmente gostariam de estar participando das manifestações, afinal, eles têm suas próprias ideologias (mesmo que induzidas ou impostas por dogmas). Mas, ali estão porque o dever manda. Certamente alguns aproveitam para, com ideologia oposta à dos manifestantes, clamar o dever para justificar atos covardes de agressão desmedida…

Do outro lado da moeda, há participantes de manifestações que acreditam que seja seu direito clamar por um país melhor… e, para tal, é seu DEVER se unir aos demais e praticar o ato cidadão de protestar por dias menos nojentos e indignos no país.

Sendo assim, unidos na ideologia, pessoas cumprem seus deveres, escudados por seus direitos… mas, ainda assim, nada lhes dá o direito de depredar e vandalizar a cidade…

Peralá, mas direitos não são aquelas coisas que ganhamos quando cumprimos nossos deveres?

É o que alguns credores querem que acreditemos, certamente…

E quem é que escreve a Constituição, cara pálida?

E quem é que escreve a Constituição, cara pálida?

Vejamos que os ditos patriotas abraçam-se nas constituições para clamar a lei como sendo soberana, inconteste e, sobretudo, a detentora de nossos deveres e direitos como cidadãos… resumindo, é um contrato de prestação entre partes…

Não preciso lembrar que as leis são escritas por políticos… e, mais precisamente, os de Brasília…

Será então que ela é realmente incontestável? Com que intenção essas pessoas escreveram tais leis? Ela realmente é inclusiva à todos ou beneficia apenas aquele grupo de pessoas cujas quais eles prometeram defender ao serem eleitos (vulgo clientes políticos)?

Da mesma forma, posso afirmar que nem tudo o que é lícito é legal. Ou seja, pode a lei não proibir (ou permitir), mas, nem por isso a coisa torna-se moralmente aceitável…

Exemplo? Claro… a lei permite parlamentares aumentarem seus salários ao bel prazer… valores estratosféricos, ainda mais se comparados à inoperância de suas atividades, e, infinitamente superior ao merecido, se comparados aos valores dos demais trabalhadores da nação… como os professores… e policiais… que cumprem seus deveres dando pau justamente no pessoal que está bradando que estes mesmos queridões que escrevem as leis e ditam nossos deveres, são justamente os que estão FODENDO estragando o país.

Finalizando então, queridos amigos, creio que, ao cumprirmos certos deveres, tornamo-nos CONIVENTES com as ações ou más ações que estes deveres nos remetem.

Não nos tornemos escravos do dever. Cumpramos aqueles aos quais nossa moral corrobora apenas… e, é claro, sobre unica e exclusivamente NOSSA vontade.

Apenas pensamos nisso.

Nosso único dever é para com nossa moral.

Nosso único dever é para com nossa moral.

Isso, para mim, chama-se inteligência e alta moralidade...

Isso, para mim, chama-se inteligência e alta moralidade…