Resignar-se ou rebelar-se?

Resignação é palavra muito usada, e, geralmente, vincula-se à fé…

Dentre os tantos livros que li, nos espíritas, encontrei muito esta palavra… o que, para variar, me levou à incontáveis contestações em debates sobre o assunto.

Bem, para saberem a parte do livro espírita que se refere a isso, aqui está o link:

http://www.youtube.com/watch?v=tHmv4kcNxhc

Mas, o que nos diz o nosso querido e amigo de sempre, o amansa-burro?

Vejamos…

re.sig.na.ção
Substantivo feminino. 
1.Ato ou efeito de resignar(-se).
2.Paciência com os sofrimentos, as injustiças, etc. [Pl.: –ções.]

re.sig.nar
Verbo transitivo direto. 
1.Demitir-se de; renunciar.
Verbo pronominal.
2.Ter resignação. [C.: 1]

Ok, ter paciência com os sofrimentos e injustiças… ou, demitir-se… pera… DEMITIR-SE????

de.mi.tir
Verbo transitivo direto. 
1.Tirar cargo, função ou dignidade de; exonerar.
Verbo pronominal.
2.Exonerar-se. [C.: 3]

Tirar cargo, função ou DIGNIDADE de… peralá… aí temos um problema…

Resignar-se, em um determinado grau, transfere à outrem a função… seria, basicamente, entregar seu destino na mão de alguém…

No link que relata a visão espírita, ainda por cima, temos a obediência, juntamente com a resignação…

Uz-U-Uz, cada um com sua cruz...

Uz-U-Uz, cada um com sua cruz…

Ok, estamos aí falando de uma doutrina cristã, que prega a paz e o bem, e, pressupondo que estas sejam as palavras de Deus diretamente, não convém desobedecer o “Hômi”…

Mas, no meu caso, costumo tentar raciocinar tudo o que me é entregue como informação…

Aplicando o conceito em nível mais global, até porque, tendo em vista todas as mudanças em que o mundo se encontra, em vários níveis, não posso deixar de vincular uma coisa à outra. E, sendo assim, eu diria que o mundo cansou-se de resignação…

Tenho uma tia que, há anos adoentada com uma série de problemas, sempre que perguntava como estava, me respondia com um: “ah, como Deus quer…”.

Pois me recuso a pensar que um Deus bondoso queira ver a minha querida tia naquela situação por tanto tempo… tampouco quero pensar que ela se coloca nessa situação por, justamente crer que as coisas todas acontecem porque “Deus quer” simplesmente…

Certamente para quem crê neste conceito divino, ou numa egrégora coletiva que seja, não questiona o fato de que seus destinos estão selados desde antes do nascimento e que uma lei kármica ditará o rumo de suas vidas, e, no caso de alguém que tenha vindo para cá simplesmente para pagar suas dívidas passadas usando as “moedas correntes astrais” conhecidas, o amor ou a dor, e, com isso, resignam-se à “pagar a dívida”.

É claro, concordaria, no caso, analisando simplesmente sob a ótica de que problemas nos ensinam lições, quando os enfrentamos e aprendemos com eles. E não quando nos acostumamos ou nos resignamos à eles.

Bem, isso a partir de um período da vida não mais me parece razoável de aceitar.

#Chateado

#Chateado

Acredito que certos dogmas sirvam como ensinamentos em fases iniciais de vida. Um Abecedário da vida onde se dão algumas regras básicas à quem não tem nenhuma. Agora, com o passar do tempo e a evolução intelectual, passa a ser insuficiente. Pelo menos para mim. E, daí para frente, comecei a me bater com este conceito de “obediência e resignação”.

Aos que, lendo até aqui, me tomam por um ateu, cético ou um Herege (que está contido no meu próprio sobrenome, Ketzer), digo que, pelo contrário. Sou uma pessoa que está ligada a um sentido espiritual aprofundado. Mas, com o passar dos tempos, não consegue se ater à regras. Não às opções atuais, pelo menos.

Ao meu ver, a resignação e obediência não são benéficas no estágio em que a humanidade vive. Muito pelo contrário, elas trancam – e muito – processos de renovação que são imperiosos para o desenvolvimento humano como um todo.

Não falo exclusivamente no sentido religioso, apenas o usei como exemplo para embasar o texto.

Vejamos o caso das revoltas populares que o mundo está vendo ultimamente… não só a brasileira… tivemos em outros países anteriormente e, dia a dia, estamos nos deparando com pessoas que cansaram de regras caducas, que cansaram de seguir sem questionar conceitos pueris, tradições defasadas, líderes que se baseiam em leis mal feitas, mal executadas ou, simplesmente, desrespeitadas.

Rebelem-se! Seja pelo direito de queimar sutiãs ou a rosca. Cada um, tendo a vontade de combater um sistema que não lhe pareça lógico, erga-se e vá em frente. Mas, lembrem-se de fazê-lo no sentido de que esta sua reivindicação proporcione evolução a todos e não apenas à sua visão específica e egoísta.

Jesus dizia: “conheceis a verdade e ela vos libertará”, enquanto, por exemplo, aqui no Brasil, o pessoal aplique a: “deturpeis a verdade e ela vos libertará”. Estão aí alguns operadores do direito que não me deixam mentir sozinho.

Pára de empurrar, seu pulíça! Meus peitos foram parar nas costas!!!

Pára de empurrar, seu pulíça! Meus peitos foram parar nas costas!!!

Pois a rebeldia destes tempos, configura bem a exigência de mudança que se faz imperiosa, e, que não tem como se resignar esperando que aconteça por si só. O povo cansou de esperar. Cansou de depender de outros. Cansou de demitir-se ou, não ser digno de mudar…

Pois, paradoxalmente, ao julgarem-se dignos, indignaram-se… ou, simplesmente, ao não demitirem-se, rebelaram-se contra a resignação.

Essa rebeldia, que é o sintoma de que é necessário que se mude algo, deve, a seguir, conseguir a consciência do que deve-se melhorar. O que devemos deixar para trás e o que devemos trazer para nossas vidas… com essas mudanças, com a evolução que a rebeldia desperta, talvez, aí sim, podemos nos resignar na paz coletiva e em um ambiente onde todos queiram um bem comum…. daí, neste dia, eu certamente me resignaria e viveria tranquilamente. E com o bônus da obediência não mais ser necessária, pois, cada um agiria em prol de si e de outros por vontade própria e não por ordem de quem quer que seja… isso, para mim, amigos, chama-se evolução/avanço/progresso.

maior-fator-evolucao-humana-afranio-peixoto-citacao

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