Dissonância cognitiva?

O termo é complicado, mas, seu entendimento é muito mais. Porém, entender este conceito pode ajudar, e muito, na minha tentativa de mostrar visões macro de nossas realidades.

Eu diria, para início de conversa, que a dissonância cognitiva é uma ferramenta de evolução. Mas, é apenas a minha interpretação da coisa.

Engraçado esta gravura, na net, estar elencada em "princípios da persuasão", né não?!

Engraçado esta gravura, na net, estar elencada em “princípios da persuasão”, né não?!

Começo, como sempre, no amansa:

dis.so.nân.ci:a
Substantivo feminino. 
1.Som ou sons desagradáveis de se ouvir.
2.V. desarmonia (2).
§ dis.so.nan.te adj2g.

cog.ni.ção
Substantivo feminino. 
1.Ato de conhecer.
2.P. ext. Conhecimento, percepção.

Ok, desarmonia de conhecimento. Beleza.

Vamos tentar ressaltar alguns aspectos retirados do Wikipedia (cliquem no link para o tema completo):

“A teoria da dissonância cognitiva afirma que cognições contraditórias entre si servem como estímulos para que a mente obtenha ou produza novos pensamentos ou crenças, ou modifique crenças pré-existentes, de forma a reduzir a quantidade de dissonância (conflito) entre as cognições.”

“A dissonância pode resultar na tendência de confirmação, a negação de evidências e outros mecanismos de defesa do ego. Quanto mais enraizada nos comportamentos do indivíduo uma crença estiver geralmente mais forte será a reacção de negar crenças opostas.”

“Em defesa ao ego, o humano é capaz de contrariar mesmo o nível básico da lógica, podendo negar evidências, criar falsas memórias, distorcer percepções, ignorar afirmações científicas e até mesmo desencadear uma perda de contato com a realidade (surto psicótico).”

Que mané rompimento com a realidade? Eu nasci em corpo de avestruz, mas me sinto uma toupeira por dentro...

Que mané rompimento com a realidade? Eu nasci em corpo de avestruz, mas me sinto uma toupeira por dentro…

Calma… o Nietzsche (saúde!) falava na tal Transvaloração, que, no mesmo link do Wikipedia diz:

“Por outro lado, Nietzsche fala em transvaloração, entendendo por isso o processo pelo qual a dissonância cognitiva passa para a história. Em outras palavras, o modo pelo qual os valores vão mudando ao longo do tempo. Nos primeiros choques, a consciência rejeita as contradições de seus “princípios” assentados em convicções. Depois, começa a envergonhar-se de suas evidências, e por fim a admitir o que antes seria impossível. O processo de mudança é por isso lento e de alta ansiedade.”

Não, eu não engoli um macaco!!!

Não, eu não engoli um macaco!!!

Bom, o que o tio aí quis dizer, é que, ao longo da vida, alguns conceitos enraizados, os quais podemos ter defendido com unhas e dentes, podem ser percebidos, com o avançar de tecnologias, conhecimentos, etc; de formas diferentes, podendo nos fazer notar o tamanho do mico que pagamos em falar aquele monte de bobagem no alto de nossas propriedades…

Ou não?

Alguns acham que certas coisas não mudam nunca na vida. O conceito de bem e mal, certo e errado, etc… mas, baseiam-se no que, pela descrição da dissonância cognitiva, podem ser apenas um “defesa do ego”, ou, simplesmente, optar pelo mais fácil, ou seja, basear-se pela “sabedoria” alheia… ou, seus tratados, convenções ou religiosidades…

Tá, e daí?

Tá, e daí?

E daí que conflitar conhecimentos é sempre muito útil, pois ele invariavelmente irá gerar mais inteligência para a pessoa em questão.

Explico:

É a famosa tese, antítese para se gerar a síntese. Base, ao meu ver, para a qualidade do conhecimento. De outra forma, aceitar diretamente o conceito alheio, pode ser até pior do que não ter nenhum…

Kant falava do “véu da ignorância” para tentar falar da pureza de pensamento na hora da decisão, tentando dar isonomia aos processos decisórios, mas, há quem ache que a ignorância é uma bênção, por outro lado…

527094_353969844680297_1717866642_n

Ah, pois é… mas, eu acho que é o dever de cada um tentar mostrar o que sabe ao outro. Caso não aceitem, não pode-se abrir as cabeças com um machado e socar o conhecimento lá dentro. Tem-se que querer aprender primeiramente… ou, pelo menos, ter disposição para tal.

A dissonância cognitiva não é uma funcionalidade nata de cada um… é algo que deve ser desenvolvido ao longo da vida, começando pelo salutar ato de não comprar a primeira ideia que nos aparece só porque alguém disse que era a melhor delas…

Não acreditar nos outros não é mera desconfiança, e, portanto, um defeito de caráter. É tentar analisar se essa pessoa não está tentando te repassar um conceito que, por mais que ela acredite que seja maravilhoso, pode ser algo que você, municiado de mais dados que ela, pode achar uma bobagem sem tamanho…

frase-a-ignorancia-e-uma-especie-de-bencao-se-voce-nao-sabe-nao-existe-dor-provavelmente-john-lennon-127825

Não saber, para alguns comodistas, pode parecer uma vantagem, pois aí não precisam conflitar suas morais ao saber de algo. Sim, ao tomar conhecimento de alguma coisa que, por exemplo, vai contra sua moral e suas crenças e deixar por isso, sem ação, te torna cúmplice da má ação…

frase-se-ages-contra-a-justica-e-eu-te-deixo-agir-entao-a-injustica-e-minha-mahatma-gandhi-140352

Pois é, o fardo de ter que agir pode ser pesado demais, então, para alguns, melhor abster-se do conhecimento. Simples assim.

Pois, para mim, isto pode-se comparar à covardia.

Não ter acesso ao conhecimento é bem diferente de abster-se dele…

Pois o mundo do conhecimento é bem complicado também. Temos a informação e a desinformação. Ou, a contra-informação, como se chamava nos tempos da guerra fria. A contra-informação é a afirmação do quão perigosa a informação pode ser, e, dessa forma, inventaram uma informação contrária para anular a outra.

Podemos chamar a contra-informação de consonância cognitiva de má fé? Creio que sim… mas isso é “achismo” meu…

Inúmeros filósofos tentaram falar desse tipo de coisa, mas Arthur Schopenhauer falou em sua dialética erística, sobre maneiras em que podemos ardilosamente desmerecer algum oponente à ponto de vencer um debate sem se ter a mínima razão.

Desta forma, também dá para saber que o poder de enrolação alheio também é fator interessante e influenciador em um ambiente onde o pessoal com poder decisório (ou votantes) for em sua maioria, pessoas ignorantes… ou que abstiveram-se do conhecimento, ou, simplesmente, ficaram enraizados em suas crenças, e, acabaram reféns das mesmas…

Deu para entender onde eu queria chegar?

Pois bem, quero dizer que o conhecimento pode ser libertador e escravizador ao mesmo tempo. Depende de como o usamos… e, conflitos para que nos forcemos a repensar conceitos, atitudes, etc; são benéficos ao final.

Saibamos que há interesses revestidos na ignorância alheia, afinal, quanto mais ignorantes no mundo, mais fácil manter o status e o poder centralizado. Adquirir conhecimento é dar trabalho extra à quem tenta nos subjugar, e, sabemos, não é interessante para o pessoal…

"Vadias não sabem do meu Zarathrusta"

“Vadias não sabem do meu Zarathustra”

Anúncios

Um pensamento sobre “Dissonância cognitiva?

  1. Pingback: Aceitação ou entendimento? | Segura o Rojão

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s