Era uma vez…

Todos os contos de fadas, os que eu conheço, pelo menos, tem séculos de existência. As amálgamas vindas depois, que cruzam os originais, já são tentativas de adaptação do mundo -dito- moderno, aos clássicos. Maravilha. Mas, me pergunto se escritos no mundo de hoje, como seriam interpretados?

Dãããã

Dãããã

Sim, vivemos tempos onde o que se pensa ou fala, pode ferir a moral e os princípios de outros. Ou, simplesmente gerar reações extremadas por ignorância também, mas, ainda assim, pode trazer muita dor de cabeça.

E nem estou me referindo aos contos originais mesmo, onde eles são macabros, onde finais infelizes e lições duras são ensinadas (confiram as versões aqui). Já estou falando nas versões “Disney”, onde os finais supostamente felizes, hoje nem seriam tanto.

– E como isso poderia acontecer? -, vocês estão se perguntando. Bem, vejamos…

educação infantil

Achei esse site aleatoriamente no google, buscando por “contos de fadas”. E aí encontro essas sugestões, juntamente com a “explicação” de que TODA menina quer ser princesa lá no fundo de seu coração. E os meninos, querem ser super-heróis de muita ação…

Achou isso normal?

Pois você pode estar meio fora da tendência atual…

Vejamos para a primeira premissa, a de “toda menina querer ser princesa”, que vale para os dois casos, no exemplo, os ranços em potencial:

1) A necessidade da menina ser princesa é um estereótipo criado pela sociedade machista que faz com que elas aceitem a passividade de esperar por um príncipe para salva-las. Todas tem o poder de fazer sua vida por si só, a independência feminina, queimemos os sutiãs e blablablablablablabla…

2) E se a princesa lá no fundo do seu ser quer, na verdade, ser príncipe? Sapatinho de cristal é a simbologia homofóbica de uma sociedade que se importaria e a discriminaria se ela usasse coturno e vestisse farda do BOPE, matando o lobo mau ou a bruxa com um tiro de escopeta nos cornos…

3) Ninguém sabe o que habita o fundo do coração humano, tentar induzir isso na mente das crianças é um abuso! Deixem as crianças livres para escolherem seus próprios caminhos sem a repressão de seus pais subvertidos por uma época onde mentes retrógradas se impunham à vontade de todos e blablablablablabla…

4) A dicotomia “princesa x super-herói” é a segregação do sexismo de hoje em dia, onde ainda tentam criar personagens icônicos para inspirar crianças de forma subliminar e fazer com que reajam de forma programada e alienada para que no futuro sejam marionetes e blablablablablabla…

5) A idolatria infantil à personagens as afastam do caminho divino, onde o único que deve ser idolatrado é Deus!!! Isso fere os princípios de acordo com o livro de …. blablablablablabla…

6) As escolas não podem simplesmente ler qualquer livro para qualquer criança. Sua família pode não estar adaptada à história, sendo então cruel para uma criança gostar de um personagem que difere de sua realidade, causando controvérsia na pobrezinha que irá questionar-se porque em sua casa não é assim e blablablablabla…

Enfim, as bobagens acima, embora escritas por mim em conjectura, já foram ditas por alguém em algum momento, e, certamente, há quem as apoiem e há quem as rechacem veementemente.

Afff! Morri...

Afff! Morri…

Pois então, todos aqui já deram de cara com questões do tipo, não, talvez, especificamente com contos de fada, mas, certamente entenderão onde eu quero chegar com esse papo.

Eu escreveria um mini conto de fadas, assim, de improviso:

“Era uma vez, em um planeta longínquo, habitantes de diversas aldeias que tentavam a todo custo guerrear para que seus povos fossem mais bem sucedidos que os outros. E então, por milênios, os reis de cada aldeia enfrentavam-se com seus exércitos, matando muitos de seus entes queridos e exigindo sacrifícios de seus povos. Com o passar dos anos, as guerras, embora seguissem, desenvolviam-se mais arduamente no campo das ideias. E aí, a partir delas, as guerras intensificaram-se à medida que suas ideias seguiam contrárias. Os povos citavam suas diferenças para justificar seus atos, e, a cada reivindicação, um novo povo se erguia por se sentir lesado. Um certo dia, algumas pessoas desses reinos se deram contas que seus reis eram idiotas e perceberam que se eles parassem de tentar invadir o terreno alheio, se parassem de achar que seus povos eram superiores aos outros, ou, se simplesmente aceitassem que cada um tem sua própria ideia e não há nada de errado com isso, talvez, eles não mais precisariam enfrentarem-se em campos de batalhas ou em argumentações estúpidas. Aí, os cidadãos desses povos, esqueceram que eram de reinos diferentes, percebendo que, em suas essências, eram apenas filhos do mesmo planeta. TODOS. E então, passaram a conviver tranquilamente, discordando ou não entre si, em paz. Fim.”

Vai pombinha... vai cagar na cabeça da bruxa má.

Vai pombinha… vai cagar na cabeça da bruxa má.

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