Não fazer sentido faz sentido…

Fazer sentido, nos dias de hoje, pode ser um papo filosófico de horas e horas e, provavelmente, sem chegar a conclusão satisfatória… mas, vamos tentar…

O que faz sentido para você?

Ah, pois é...

Ah, pois é…

Bem, fazer sentido é algo extremamente variável, e, muitas vezes, o sentido acaba vindo pormenorizando coisas piores… vai saber…

Comecemos pelo amansa:

sen.ti.do

Adjetivo.
1.Pesaroso, triste.
2.Magoado, ressentido.
3.Em princípio de putrefação.
Substantivo masculino.
4.Fisiol. Faculdade pela qual se percebem, pela ação de órgão específico, sensações de origem interna ou externa. Há cinco sentidos: visão, audição, olfato, tato e gustação.
5.Senso (1).
6.Propósito, objetivo.
7.V. acepção.
8.Atenção (1).
9.Direção, rumo.

Não… não ajudou muito… mas, creio eu, que o sentido venha mais do “senso”… deixa ver…

sen.so

Substantivo masculino.
1.Faculdade de apreciar, de julgar, de sentir; sentido.
2.V. juízo (3).

Julgar, juízo… tá esquentando… mas, para julgar, tem-se que ter, primordialmente, noção das coisas…

no.ção

Substantivo feminino.
1.Conhecimento vago ou superficial acerca de algo.
2.Concepção, ideia. [Pl.: –ções.]

Juízo + conhecimento = senso = sentido

Não sou lá um expert em matemática, mas, creio que a equação,  baseada na lógica linear, não esteja lá muito errada…

Pois bem, retomando, o que faz sentido para você?

Qual é o sentido de postar um troço desses no meio do texto, pô?!

Qual é o sentido de postar um troço desses no meio do texto, pô?!

O sentido pode ser encontrado em um contexto, sobre um assunto específico, ou, de maneira pontual, mas, pode-se encontrá-lo somente quando se consegue ver o todo.

Complicado, não?

Para alguns, o que eu estou dizendo agora, pode não fazer sentido algum…

Pois isso pode, recorrendo à fórmula anterior, ser mais falta de conhecimento deles do que falta minha…

Para alguma coisa fazer sentido, é necessário que a pessoa tenha compreensão e capacidade de entendimento para tal. Capice?

Baseado nisso, dá para se dizer que nem tudo o que o seu conhecimento (parco ou vasto) te apresenta, fará sentido. Há coisas que estão além da nossa compreensão. Podendo serem alcançadas com a evolução intelectual, claro. Mas, o “não fazer sentido” pode estar restrito mais à sua falta de recursos do que a premissa em si, estar errada.

Coisas acontecem o tempo todo no mundo, e, certamente algumas delas não fazem o menor sentido quando chegam a nosso conhecimento. Pode ser sinal de que estamos alheios à muita coisa…

O que não faz sentido, também, pode ser algo benéfico. Afinal, não conseguir compreender, por exemplo, porque ainda existam guerras religiosas até hoje, sendo que todas, entre si, pregam amor incondicional e justiça… para mim não faz sentido algum… e me orgulho disso…

Por outro lado, conhecer os supostos motivos para tal pode me deixar extremamente irritado, enojado e (puto da cara) indignado. Neste caso, tenho o conhecimento, mas meu juízo (que é baseado em meus valores morais) diz que isso é coisa de gente doida, ou, mentalmente prejudicada.

Tem gente que acha que suas vidas fazem sentido. Acordar, trabalhar, ganhar grana, pagar as contas, e, se der, se divertir. Tem gente que acha que ter dinheiro e levar uma vida rotineira não faz sentido, que deve ter algo mais aí nesse meio que deva dar sentido à sua existência… algo maior, talvez… um propósito…

Propósito?

pro.pó.si.to

Substantivo masculino.
1.Intenção, intento.
2.Deliberação, resolução.
3.Tino, prudência.

A propósito.
Por falar nisso; por sinal.
De propósito
Deliberadamente; por querer.
Vir a propósito.
Ser oportuno, conveniente.

Intenção… interessante…

Pois dá para confundir que o sentido da vida esteja escondido em algum propósito específico… mas, nem sempre ele é específico… pode estar em um conjunto de resoluções e aprendizados que, são a base do conhecimento, e, pré-requisito para o senso, ou sentido…

Aprendizado… que vem de aprender:

a.pren.der

Verbo transitivo direto.
1.Tomar conhecimento de.
Verbo transitivo indireto.
2.Tornar-se capaz de (algo), graças a estudo, observação, experiência, etc.: Aprendeu a falar inglês.
Verbo intransitivo.
3.Tomar conhecimento de algo, retê-lo na memória, graças a estudo, observação, experiência, etc. 

Tomar conhecimento… tornar-se capaz…

Pois eu iria além e diria que, para aprendermos mesmo, não basta tomar conhecimento. É necessário vivenciar, absorver, experimentar… e, neste quesito, erros fazem parte do processo. Errar para se ter noção qualitativa ou quantitativa do que não se deve repetir é, também, base do conhecimento.

Errando, podemos não fazer sentido à alguém em determinado momento, mas, estaremos fazendo sentido em nossas consciências. Lembrando-nos de que tudo faz parte de um processo maior. A evolução.

Desta forma, errar é aprender, que é conhecer, que é evoluir…

Então, meus amigos, dá para se concluir que não fazer sentido, faz todo o sentido… a longo prazo…

frase-esse-sentimento-de-me-encontrar-e-me-perder-e-que-aos-poucos-me-mata-uma-hora-faz-sentido-e-ana-carolina-96369

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Sintonia musical…

Ainda sigo em fase onde a música tem me inspirado sentimentos distintos. Algumas me irritam profundamente, e, outras, me transferem a consciência para um lugar melhor. Tenho viajado em algumas músicas como não fazia anteriormente. Certamente mudei minha percepção das coisas nesse último ano, e, talvez aí, tenha passado a absorver mais profundamente os conteúdos musicais.

Acredito nas teorias energéticas, onde dizem que conectamos frequências, e, nelas, podemos harmonizar e sentir em consonância com a junção disso. Traduzindo: acredito que, se nos desvincularmos do modelo 3D em que vivemos, ou, dos 5 sentidos, veremos que temos mais camadas de percepção do que aparentemente sabíamos. Ultimamente tenho sentido emoções diferentes com o que tenho ouvido. Não apenas no sentido musical, o qual abordo neste post, mas também em outras situações. Questão de conexão mesmo. Acredito nisso.

Pois bem, não posso deixar de exemplificar, usando os extremos dos sentimentos, minha irritação ao ouvir músicas do estilo AHHHH LELEKLEKLEKLEKLEKLEK… ou, variantes do tipo Fazer Lererê/Parapará/Coisa boa/Uma Sopa pa nóis (ah não, essa não é música)…

São engraçadas? Sim, são… mas, só se encaixam em situações em que se está propenso a tal…

Explico, claro…

Você está em uma aula de Yoga, ou, simplesmente meditando. Aí chega um amigo seu e começa a contar piada… ok, piadas são legais, mas não para o momento em que você se encontra…

Você ali querendo encontrar o seu interior e expandi-lo, enquanto a criatura conta piadas sobre expandir o interior alheio… não dá né?

Da mesma forma, músicas com conotação sexual, como o funk e o neo-sertanejo, – dito universitário, em clara sacanagem com quem faz faculdade, afinal, nem todos estão ali só pela farra – acabam me irritando.

Sim, eu sou chato… mas, explico também.

Desde tempos muito antigos que usa-se o pão e circo como instrumento de manipulação de massa. E, a julgarmos pela porcaria que anda o mundo ultimamente, onde queima-se pessoas porque “só” tinham 300 reais, não creio que seja lá o momento de piadas…

A sexualização banalizada de um povo faz parte do processo de imbecilização da nação. Afinal, o sexo faz parte do “circo”, quando é encarado da forma atual. Sem sentimentos ou envolvimento. Apenas um “desafogo”, como bebidas, drogas, etc… resumindo, uma fuga da vidinha medíocre e cretina que a maioria de nós leva…

Desculpe a sinceridade…

Mas, voltando ao início e retomando a linha de raciocínio inicial, eu diria que, para mim, tenho conseguido conectar em nível mais profundo com coisas que estou em consonância. Ao conectar com uma energia similar (de alta vibração, claro), somam-se e vibram em uníssono… reverberam mais alto… enfim…

Sendo assim, músicas de alta intensidade me inspiram, e, as de baixa, me irritam… e é claro, talvez ainda me irritem por eu não estar conseguindo me desvincular delas. Afinal, o fato de me irritarem é falha minha e não delas…

Acho também que, em um certo momento, ao encontrarmos o tão esperado equilíbrio, conseguiremos filtrar nossas percepções para que o contrário não nos desestabilize. Se alguém aí conseguir ou conseguiu, me avisem.

Se você está na fase “as mina pira”, ok. Sem problemas. Desfrute daquilo que te faz feliz. Nem estou aqui querendo dizer que quem ouve música gospel está em estado mais elevado que os demais. Apenas falo aqui de sintonia… para, é claro, levar à pergunta: com o que sua alma sintoniza?

Alguns ficam felizes quando em um filme de terror, o mocinho resolve destroçar o vilão… com requintes de crueldade, de preferência… outros, quando seu time aplica uma goleada, já, outros, quando simplesmente ouvem uma voz de alguém querido ao telefone… tanto faz…

O importante não é o meio pelo qual você se sente feliz, mas sim o fato de ter chegado à este estado. Tal qual, poderíamos aplicar aí, religiões. Se te faz ser uma boa pessoa, tanto faz para quem você reza ou de qual forma o faz… ou mesmo, se você não precisa de nada disso para ser uma boa pessoa…

A sintonia é uma forma de conseguirmos utilizar um meio para conectar a um estado específico. Se é por meditação, música, visão, olfato, etc… é o de menos…

Pensemos com mais profundidade ao que temos nos conectado. Com o que sintonizamos? Nos faz bem? Nos leva a pensar no quê? Como nos sentimos ao acessar isso tudo?

Pois bem, cada um sabe de si… mas, deixo aqui, ao final, um exemplo do que me inspirou hoje.

Você sempre pode voltar para casa…

Sou dos que acredita que o entendimento pode estar nas pequenas coisas também. Às vezes, podemos ter uma epifania a partir de uma frase em um livro, ou mesmo em uma música. Já tive grandes insights vendo, por exemplo, “Como treinar seu dragão”, animação da Dreamworks.

Pois bem, hoje tive uma dessas ouvindo, desta vez com atenção, a letra de uma música do Jason Mraz. Prestem atenção no teor da letra:

93 Milhões de Milhas

A 93 milhões de milhas do Sol
Pessoas se preparam, se preparam
Porque lá vem, é uma luz
Uma linda luz, além do horizonte
Para dentro de nossos olhos
Oh, minha nossa, que linda
Oh minha bela mãe
Ela me disse, filho, você irá longe na vida
Se você fizer tudo direito, amará onde estiver
Apenas saiba, onde quer que você vá
Você sempre poderá voltar para casa

A 240 mil milhas da Lua

Percorremos um longo caminho para pertencer a este lugar
Para compartilhar essa vista da noite
Uma noite gloriosa
Além do horizonte há outro céu brilhante
Oh minha nossa, que lindo, oh meu pai irrefutável
Ele me disse, filho, às vezes, pode parecer escuro
Mas a ausência da luz é uma parte necessária
Apenas saiba, que você nunca está sozinho, você sempre poderá voltar pra casa

Pra casa, casa

Você sempre pode voltar

Toda estrada é uma ladeira escorregadia

Mas há sempre uma mão em que você pode se segurar
Olhando mais profundamente através do telescópio
Você pode perceber que seu lar está dentro de você

Apenas saiba, que onde quer que você vá, não, você nunca está sozinho, você sempre voltará pra casa

Casa, casa

Casa
Ohhh

A 93 milhões de milhas do Sol

Pessoas se preparam, se preparam
Porque lá vem, é uma luz
Uma linda luz, além do horizonte
Para dentro de nossos olhos
Além da letra, espetacular, sugerir coisas além da visão normal, como luzes vindas além do horizonte, e, certamente, poderiam ser interpretadas de inúmeras formas, o fator que realmente me levou longe no pensamento foi a parte onde se fala “Apenas saiba, que onde quer que você vá, não, você nunca está sozinho, você sempre voltará pra casa”.
Esta parte da música, em um primeiro momento, me deu um aperto no peito. A indagação de onde seria a minha casa me veio à mente.
– Obviamente é onde eu moro – pensei em seguida (sim, eu converso comigo em meus pensamentos).
– Não, lá é apenas o lugar onde eu moro… – pensei em seguida.
Pois bem, notei aí que o lugar onde eu moro é uma coisa, minha casa é outra… aliás, a tradução correta para “Home” não seria casa, mas sim, LAR.
Lar é um termo muito mais forte do que casa, ao meu ver. Pelo menos eu acho…
Casa é a construção física, o local de residência, já, o lar, pode ser desde a pátria, a terra natal, até, simplesmente, o lugar onde você se sente bem.
Essa música é espetacular, tanto na musicalidade que te remete à calma, tranquilidade, quanto na letra, que me fez refletir sobre a nossa experiência terrestre, vindos de lugares muito distantes. Sim, eu acredito que nossas almas são multidimensionais, embasado em nada mais, nada menos, do que o meu achismo e aceitação interna quando penso nisso em relação aos dogmas atuais.
Explicá-lo-ei:
“Estar em casa” é algo muito amplo a se pensar. Pelo menos para mim. Você pode ter a posse de um imóvel, mas, nem sempre pode sentir-se em casa nele. Pode-se viver a vida toda com alguém, mas, pode-se sentir-se em casa com alguém que acabou de conhecer…
Sentir-se em casa, como o próprio termo diz, vem de sentimento… ou seja, como nos sentimos em relação à algo. E isso nos faz voltar à vaca fria: os sentimentos são nossos em relação às coisas, e, não o inverso.
Enquanto alguns podem encontrar “suas casas”, ou, portos-seguros, em alguns, ou em locais, outros, mais sabiamente ao meu ver, podem encontrar em si mesmos. Leva-se o lar dentro de si… seu porto seguro está dentro de cada um…
Sempre podemos voltar para casa… voltarmo-nos para dentro de nós mesmos… refletir… conectar com aquela energia que te leva longe e te faz sentir unido com algo maior… maior do que o próprio corpo… isso é voltar para casa… afinal, estou cada vez mais convencido que nosso conceito de racionalidade está totalmente invertido. Na interiorização é que se conecta com o todo, com o lar, com a harmonia de tudo, dos mundos, das pessoas, dos seres… e aí, essa música realmente me fez reconectar com isso… e, mesmo com a saudade de casa que as vezes nos bate, fica a dica de que voltar só depende de nós… da capacidade de olhar e buscar dentro, e não fora…

Era uma vez…

Todos os contos de fadas, os que eu conheço, pelo menos, tem séculos de existência. As amálgamas vindas depois, que cruzam os originais, já são tentativas de adaptação do mundo -dito- moderno, aos clássicos. Maravilha. Mas, me pergunto se escritos no mundo de hoje, como seriam interpretados?

Dãããã

Dãããã

Sim, vivemos tempos onde o que se pensa ou fala, pode ferir a moral e os princípios de outros. Ou, simplesmente gerar reações extremadas por ignorância também, mas, ainda assim, pode trazer muita dor de cabeça.

E nem estou me referindo aos contos originais mesmo, onde eles são macabros, onde finais infelizes e lições duras são ensinadas (confiram as versões aqui). Já estou falando nas versões “Disney”, onde os finais supostamente felizes, hoje nem seriam tanto.

– E como isso poderia acontecer? -, vocês estão se perguntando. Bem, vejamos…

educação infantil

Achei esse site aleatoriamente no google, buscando por “contos de fadas”. E aí encontro essas sugestões, juntamente com a “explicação” de que TODA menina quer ser princesa lá no fundo de seu coração. E os meninos, querem ser super-heróis de muita ação…

Achou isso normal?

Pois você pode estar meio fora da tendência atual…

Vejamos para a primeira premissa, a de “toda menina querer ser princesa”, que vale para os dois casos, no exemplo, os ranços em potencial:

1) A necessidade da menina ser princesa é um estereótipo criado pela sociedade machista que faz com que elas aceitem a passividade de esperar por um príncipe para salva-las. Todas tem o poder de fazer sua vida por si só, a independência feminina, queimemos os sutiãs e blablablablablablabla…

2) E se a princesa lá no fundo do seu ser quer, na verdade, ser príncipe? Sapatinho de cristal é a simbologia homofóbica de uma sociedade que se importaria e a discriminaria se ela usasse coturno e vestisse farda do BOPE, matando o lobo mau ou a bruxa com um tiro de escopeta nos cornos…

3) Ninguém sabe o que habita o fundo do coração humano, tentar induzir isso na mente das crianças é um abuso! Deixem as crianças livres para escolherem seus próprios caminhos sem a repressão de seus pais subvertidos por uma época onde mentes retrógradas se impunham à vontade de todos e blablablablablabla…

4) A dicotomia “princesa x super-herói” é a segregação do sexismo de hoje em dia, onde ainda tentam criar personagens icônicos para inspirar crianças de forma subliminar e fazer com que reajam de forma programada e alienada para que no futuro sejam marionetes e blablablablablabla…

5) A idolatria infantil à personagens as afastam do caminho divino, onde o único que deve ser idolatrado é Deus!!! Isso fere os princípios de acordo com o livro de …. blablablablablabla…

6) As escolas não podem simplesmente ler qualquer livro para qualquer criança. Sua família pode não estar adaptada à história, sendo então cruel para uma criança gostar de um personagem que difere de sua realidade, causando controvérsia na pobrezinha que irá questionar-se porque em sua casa não é assim e blablablablabla…

Enfim, as bobagens acima, embora escritas por mim em conjectura, já foram ditas por alguém em algum momento, e, certamente, há quem as apoiem e há quem as rechacem veementemente.

Afff! Morri...

Afff! Morri…

Pois então, todos aqui já deram de cara com questões do tipo, não, talvez, especificamente com contos de fada, mas, certamente entenderão onde eu quero chegar com esse papo.

Eu escreveria um mini conto de fadas, assim, de improviso:

“Era uma vez, em um planeta longínquo, habitantes de diversas aldeias que tentavam a todo custo guerrear para que seus povos fossem mais bem sucedidos que os outros. E então, por milênios, os reis de cada aldeia enfrentavam-se com seus exércitos, matando muitos de seus entes queridos e exigindo sacrifícios de seus povos. Com o passar dos anos, as guerras, embora seguissem, desenvolviam-se mais arduamente no campo das ideias. E aí, a partir delas, as guerras intensificaram-se à medida que suas ideias seguiam contrárias. Os povos citavam suas diferenças para justificar seus atos, e, a cada reivindicação, um novo povo se erguia por se sentir lesado. Um certo dia, algumas pessoas desses reinos se deram contas que seus reis eram idiotas e perceberam que se eles parassem de tentar invadir o terreno alheio, se parassem de achar que seus povos eram superiores aos outros, ou, se simplesmente aceitassem que cada um tem sua própria ideia e não há nada de errado com isso, talvez, eles não mais precisariam enfrentarem-se em campos de batalhas ou em argumentações estúpidas. Aí, os cidadãos desses povos, esqueceram que eram de reinos diferentes, percebendo que, em suas essências, eram apenas filhos do mesmo planeta. TODOS. E então, passaram a conviver tranquilamente, discordando ou não entre si, em paz. Fim.”

Vai pombinha... vai cagar na cabeça da bruxa má.

Vai pombinha… vai cagar na cabeça da bruxa má.

O Sistema é F%#%

Já dizia o Capitão Nascimento, nos 2 BRILHANTES filmes da franquia “Tropa de Elite”, que o sistema é foda. E, no desenrolar das obras-primas, prova-se com uma visão nada fictícia, de que realmente o sistema está acima das ações. Ele rege as ações. Ele cria os personagens, define vilões e mocinhos e, com vários ardis, manipula a massa ignorante, eterna fiadora desse sistema. Afinal, sem a massa ignorante, nenhum sistema-porcaria seria viável.

Estudei na faculdade, durante meus anos de análise de sistemas e sistemas de informação, sobre sistemas. E, uma cadeira específica, a Teoria Geral de Sistemas, me fez aprender que (quase) TUDO são sistemas. Para quem não manja bem do assunto, um videozinho que dá para se ter uma ideia. Além do link anterior para o Wikipedia.

Tá, então fala AGORA onde tu quer chegar... ou PEDE PRA SAIR, MOLEQUE!

Tá, então fala AGORA onde tu quer chegar… ou PEDE PRA SAIR, MOLEQUE!

Calma, Capitão… o senhor sabe melhor do que ninguém que o sistema é um organismo vivo, que se retro-alimenta. Ele cria interdependência de seus entes e, de uma certa forma, acaba, paradoxalmente, dependendo desses entes à mesma medida que eles dependem do mesmo.

Cuméquié, 01?!

Cuméquié, 01?!

Eu explico.

Alguns sistemas estão além da nossa limitada percepção. Por exemplo, como nos filmes, o sistema político gera várias empresas que dependem dele para sobreviver, tal qual, por outro lado, bancam-no. No segundo filme, os políticos falcatruas se beneficiavam do sistema, à medida que abasteciam seus subsistemas corruptos. Pudemos entender que uma pessoa que comprava um simples “baseadinho”, financiava o tráfico de drogas, que por sua vez financiava políticos, que por sua vez, amordaçavam a polícia, que por sua vez, cobrava propina dos traficantes, que por sua vez, cobravam seus devedores “pontualmente”…

Do outro lado, os que criticam esse tal sistema, fazem parte de outro sistema, que mesmo antagônico, não deixa de ser um sistema também.

Peralá, companheiro! Eu não faço parte de nenhum sistema corrupto!

Peralá, companheiro! Eu não faço parte de nenhum sistema corrupto!

Claro que não faz, companheiro… o senhor faz parte de outro sistema. O sistema que combate o sistema corrupto, que, por sua vez, tem a mesma estrutura de sistema que aquele ao qual combate. Afinal, a teoria de sistemas é clara. E o que diferencia um sistema do outro? Seus entes, é claro…

Em todo sistema, citando o corpo humano como exemplo (sim, o corpo humano é um sistema também), podemos dizer que há partes boas e partes ruins. Temos nossos micro-organismos que nos detonam e os que nos curam… só para exemplificar.

Pois então, em todos os outros sistemas também temos peças boas e peças ruins. É claro, alguns sistemas geram “saídas” ruins ao fim de seus processamentos, mas, não quer dizer que não tenham partes boas nesse processo. E é aí que a coisa começa a complicar…

Se complicar mais que isso, te apresento o "saco" e te mando pra vala... e sem botar na conta do Papa...

Se complicar mais que isso, te apresento o “saco” e te mando pra vala… e sem botar na conta do Papa…

Calma… eu quis dizer que complica porque é justamente aí que o pessoal se perde. Alguns sistemas, sendo antagônicos, duelam diretamente esquecendo-se que partes de seus processos são válidas, apenas focando nas “saídas” dos mesmos… sim, apesar de um sistema trazer malefícios, ainda há pontos positivos em alguns deles. Tal qual também existam sistemas onde não há nada de bom…

O problema mesmo é quando alguns sistemas, os sociais, por exemplo, geram pessoas problemáticas, raivosas e intolerantes. Daí, amigos, a perda é muito maior do que a dos sistemas financeiros, por exemplo.

Dá, POR FAVOR, para ser um pouquinho mais objetivo?

Dá, POR FAVOR, para ser um pouquinho mais objetivo?

Vou tentar… bem, eu vou direto ao cerne de um caso atual e que tem muito me enchido a paciência ultimamente. A contenda homofobia x religião. Dela podemos extrair dois sistemas antagônicos, que, por sua vez, são subsistemas de um outro maior… o político. Não esquecendo que, em um dos casos, o sistema político ainda é subsistema do sistema religioso.

Vejamos:

– os sistemas, em tese, são bem intencionados. Um defende os valores cristãos, e o outro, a liberdade de amar quem se bem entender nessa vida. Certo (me corrijam se eu estiver errado)?

– os sistemas têm algo em comum. O cristão, que baseia-se totalmente na bíblia, que unica e exclusivamente prega amor, paz, compreensão, tolerância e todos os outros maravilhosos exemplos imortalizados por Jesus, a dita obra. O gay, baseia-se em amar pessoas do mesmo sexo. Ou, simplesmente, amar.

– os sistemas são contraditórios em si mesmos, pois nenhum deles está gerando como “saída” o que, em tese, pretendiam. Temos ressentimento, ódio, agressões e medidas de intolerância.

– os sistemas estão sendo utilizados por entidades políticas para mover seus participantes, militantes, fiéis ou simpatizantes, fazendo com que desvie-se o foco de outra contenda, como por exemplo, fichas sujas sendo empossados em comissões de justiça.

Resumindo: por mais bem intencionadas que as duas partes sejam, estão sendo usadas como massa de manobra de um outro sistema que se faz valer deles para abrir uma cortina de fumaça defensiva.

tropa

Sim, avisou… e eu também…

Pois o que vemos, ao final disso tudo, que ao combaterem-se, os sistemas se contradizem em essência. Pessoas que reivindicam amor, odeiam, e os que querem exaltar os exemplos de Jesus, o contradizem.

Por outro lado, podemos afirmar que ambos têm coisas à agregar socialmente. Gays têm direito a relacionarem-se como acharem melhor (sem a necessidade de atentar ao pudor em público, tal qual os héteros), enquanto os religiosos têm o direito de valorizar o conceito de família tal qual assim entendem. O que nenhum deles pode, é claro, tentar enfiar goela abaixo do outro seus “achismos”. Até porque, quando as lideranças dos dois lados resolvem radicalizar em nome da causa, apenas conseguirão piorar ainda mais a situação. Afinal, já vimos anteriormente casos onde tentar cercear o direito do outro à discordar e que acabaram muitíssimo mal.

Puxa o meu dedo...

Puxa o meu dedo…