Igualdade e justiça não são a mesma coisa…

Venho há anos ranzinzando sobre alguns métodos que o politicamente correto impôs à nossa sociedade e que, ao invés de ajudar, atrapalha cada vez mais…

São tantas as burradas que não dá para enumerar todas em um post só e eu teria que escrever um livro… quem sabe um dia?

O motivo desse post é o bom e velho sistema de cotas. Lendo matéria no UOL, que diz que com metade da nota “normal”, um cotista tira vaga de outro… tá aqui a matéria:

Com metade da nota, cotista entra nos cursos mais concorridos da Uerj

Lendo a matéria, aliás, noto que além de cotas raciais, temos também os integrantes do ensino público que também têm o direito de tirar nota melhor… o que, para mim, é a chancela de que o governo sabe que seu ensino público é uma porcaria, mas, ao invés de qualificá-lo, prefere desqualificar a entrada de pessoas na faculdade pública…

“Bem, estão reparando erros históricos de Preconceito (ECAAAA), injustiças sociais e tantas outras maldades feitas pelos ricos cáucasos-descendentes”, dirão…

Já dizia Aristóteles, há uma porrada de anos atrás: “A pior forma de desigualdade é tentar fazer duas coisas diferentes iguais.” – Agora, apliquem isso ao sistema atual vigente…

Não é minha intenção aqui travar um embate entre classes, aliás, é justamente ao contrário… embora eu possa dizer que, nivelar por baixo é justamente desmerecer todos aqueles que conseguiram sem a ajuda desse sistema. Lembro aqui a história no novo herói nacional, o Ministro Joaquim Barbosa. Já dizia a música Hey Joe, nos lembrando que nem todos na favela são bandidos:

“Menos de 5% dos caras do local
São dedicados a alguma atividade marginal
E impressionam quando aparecem no jornal
Tapando a cara com trapos
Com uma uzi na mão
Parecendo árabes árabes árabes do caos.
Sinto muito cumpadi
Mas é burrice pensar
Que esses caras
é que são os donos da biografia
Já que a grande maioria
Daria um livro por dia
Sobre arte, honestidade e sacrifício
Sacrifício…
Arte, honestidade e sacrifício….”

Link: http://www.vagalume.com.br/o-rappa/hey-joe.html#ixzz2J0n7TnvI

Como alguém pode pregar igualdade e discriminar pessoas por raça e origem? Pergunto: se esse mesmo critério fosse usado para excluir e não para incluir, como seria a reação geral dos prejudicados?

E é aí que eu quero chegar. Um critério não pode ser simplesmente usado com sentido único. Ou é ou não é. Pode-se segregar pessoas ou não????

Se pode segregar, então, amigos, a banca paga e a banca recebe… infelizmente…

O que eu quero dizer com isso? Simples, é que isso pode piorar o que já é ruim…

Podemos, por exemplo, fora do mundo deturpado das mentes que bolam esse tipo de coisa, concluir que, pode-se levar benefício até certo ponto… depois, caindo no mundo da concorrência, como é que ficarão essas mesmas pessoas? Dependendo de cotas pelo resto da vida? Implantarão sistema de cotas para concursos públicos para garantir que essas pessoas consigam emprego depois? Orientarão professores a facilitar a vida de quem entrou na universidade por cotas?

Teremos cabeçalhos de provas com “Nome”, “Curso”, “Disciplina”, “Categoria de Entrada na Universidade” para lembrar ao professor que se a questão da prova respondida for de um aluno cotista ele dá certo e para um aluno “normal” a questão está errada?

Relativizando poderemos continuar esse mar de asneiras acima ad eternum…

O cerne todo da questão restringe ao mercado… e é aí que está meu objetivo nesse post. Tive um professor na faculdade que não fazia chamada, dava a aula dele sem se preocupar com quem conversava ou não… dizia ele aos alunos mais próximos e que demonstravam interesse: “O mercado filtra…”.

Pois realmente o mercado filtra… e, no mercado, na iniciativa privada, quem faz as regras são os empresários e empreendedores. E, ao menos que formos viver o resto da vida com leis “reparatórias”, essas pessoas correm o risco de terem suas vagas perdidas em detrimento de quem não foi cotista…

POR QUÊêeÊêÊÊÊÊÊê??????????????????

Porque um empresário pode, em seu raciocínio (ou na ausência de), concluir que os não cotistas tiveram vida mais dura, e, dessa forma, são pessoas com mais preparação para o mercado, por exemplo…

Tal qual, hoje em dia, embora ninguém diga, alguns já preferem, em igualdade de condições técnicas, contratar um perfil masculino, ao invés de feminino, pois homens não engravidam e nem necessitam ficar até 6 meses em casa com um custo alto para as empresas…

Realidade é dura, não?

Também já tem gente que não contrata fumantes para não ter que aturar aquelas “descidas” em horário de trabalho para alimentar o vício. Sim, eu sei que já existe normas para esses casos, mas, o mais fácil ainda é não contratar fumantes do que ter mais uma coisa a controlar…

Enfim… cada pessoa tem o direito de ser como bem entende, fazer o que der na telha e chegar aos seus objetivos da forma que mais for possível. E, em contrapartida, os outros tem o mesmíssimo direito de analisar como você é, como se porta e como chegou até ali, para usar essas características em uma análise de você em relação ao seu concorrente.

E aí, meus amigos, o quesito é subjetivo e extremamente variável. Pois há todo o tipo de pessoa para uma mesma situação. Os que curtem dar força a alguém para simplesmente auxiliá-lo, e há os que aproveitarão para dar o troco de quando não passaram no vestibular para a matéria que queriam, pois as cotas diminuíram suas chances de entrada… sim, estupidez, eu sei… mas a estupidez é a coisa mais inclusiva que temos na sociedade… ela não discrimina raça, cor, credo ou preferência sexual… há estúpidos em TODAS as partes (inclusive entre os blogueiros)

O resultado final disso tudo é: continuarmos com nosso ensino público sucateado, e, além disso, termos o mercado rejeitando currículos de candidatos cotistas, ou, lá na frente, profissionais menos qualificados, gerando uma força de trabalho de péssima qualidade, com muita demanda de gente querendo trabalhar, mas, com poucos com capacidade para tal. Poderemos ver o que já vimos em outros países, com taxistas bacharéis em direito ou engenharia, e vendedores de loja formados em administração… com imigrantes de outros países menos “desenvolvidos” trabalhando em sub-empregos que os nossos bacharéis não mais terão interesse em trabalhar… Com a crise na Europa então, é capaz de revermos imigrantes italianos voltando às lavouras brasileiras… para ilustrar a ironia…

Ainda acho que a melhor maneira de se resolver isso é QUALIFICAR O ENSINO. Mas, como todos já sabemos e o Tio Maslow revira-se no túmulo até hoje, quanto mais gente preocupada em apenas sobreviver e garantir seu sustento, menos gente teremos preocupada com a moralidade das ações de quem nos governa. E assim a banda toca: regada à pão e circo, desde a Roma antiga…

...e se não tiver pão, que comam brioches...

…e se não tiver pão, que comam brioches…

Igualdade é uma coisa, justiça é outra beeeeeem diferente...

Igualdade é uma coisa, justiça é outra beeeeeem diferente…

Para uma seleção justa, todos terão o mesmo exame: Subam naquela árvore...

Para uma seleção justa, todos terão o mesmo exame: Por favor, subam naquela árvore…

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