Mais heróis e menos mártires…

O martírio é o estágio supremo de um ser em matéria de sofrimento, embora um mártir é uma pessoa altruísta a ponto de passar por esse sofrimento supremo em nome de alguma causa ou de alguém.

Para não perder o costume:

Uma pessoa que se sacrifica por uma crença, por uma fé, ou por outra pessoa.
Do Lat. martyriu < Gr. martýrion, testemunho

s. m., sofrimento ou suplício de mártir;
grande sofrimento;
aflição;
Bot., planta passiflórea, flor-da-paixão.

Em se tratando de mártires, imediatamente lembramos da figura de Cristo, que, em nome da fé, passou pela crueldade humana até o fim trágico. Não entrarei no mérito da parte de “salvar-nos do pecado”, pois acredito que cada um deve arcar com seus próprios atos, mesmo tendo um exemplo supremo como o do mártir da cristandade.

A intenção neste texto é de atentar para o fato de que todos admiramos mártires, pois são pessoas elevadas ao ponto de morrerem por uma causa ou por alguém.

No dia de ontem, do trágico incêndio em Santa Maria, que comoveu o mundo todo, tivemos alguns exemplos de heróis e de mártires.

Heróis que auxiliaram pessoas na tentativa de salvar ou atenuar seus sofrimentos, mesmo em detrimento de seu bem estar…

he.rói
Substantivo masculino.
1.Homem extraordinário pelos feitos guerreiros, valor ou magnanimidade.
2.Protagonista de obra literária.

Não, caro Aurélio, os heróis de ontem não protagonizaram uma obra literária, embora merecessem fazer parte de uma.

E, além destes heróis, magnânimos, tivemos mártires, que, com a mesma atitude heróica, sucumbiram frente à situação. Ouvia hoje de um rapaz que tirou umas 14 pessoas antes de não voltar mais. Um herói martirizado.

Além de prestar aqui todo o meu respeito à essas pessoas, tento, dentro do possível, analisar a situação toda em um nível mais macro.

Vimos exemplos no dia de ontem. Exemplos como há muito não víamos. Gente solidária, altruísta, heróica, desprendida de preconceitos ou quaisquer outros itens limitadores para, “simplesmente”, servirem aos que necessitavam.

Sim, a catástrofe, infelizmente, tem o poder de unir. E é aí o ponto central de tudo.

Por que necessitamos de catástrofes para agirmos de forma exemplar?

Podemos agir de forma heróica todos os dias. E sem necessidade de ser em situações tão arriscadas e catastróficas como a de Santa Maria. Aliás, podemos agir de forma heróica para, justamente evitar que existam catástrofes dessa magnitude novamente.

Como?

Nos importando com nossos semelhantes SEMPRE, como fizemos ontem.

Que tenhamos consciência de que todos os dias podemos salvar alguém, em vários níveis, e sem necessidade de chocarmo-nos com cenas dantescas como as apresentadas.

Sim, eu chorei vendo televisão ontem e ainda hoje. Com tantas matérias que ressaltam o sofrimento de quem foi e o pesadelo dos que ficaram e perderam seus entes queridos.

Colocar-se na pele do outro. Tentar imaginar o que se passa com ele, tentar mensurar seu sofrimento e, quem sabe, tentar algo que amenize. Atos heróicos, pouco valorizados no mundo atual.

Dizem que o melhor estrategista não é aquele que vence a guerra, mas, o que evita que ela se inicie. Frase simbólica para mim, afinal, pretendo um dia, viver em um mundo que não mais precise chocar as pessoas para atentá-las ao fato de que devemos nos importar com nossos semelhantes, independente de quem sejam.

Morte de jovens dói sim. Morte de crianças, de adultos, de idosos, animais… A morte de forma estúpida e abreviada nos inconforma e nos deixa um sentimento de como breve pode ser nossa passagem por aqui. Não sabemos como e até quando viveremos, mas, podemos sim sermos pessoas que agem como agiram todos em Santa Maria ontem.

Não creio que existam mortes “lindas”, como tentam glamourizar, mas, se eu morresse como o rapaz de ontem, salvando 14 pessoas, tal qual um outro garoto numa tragédia com um ônibus escolar nesse nosso mesmo RS, morreu afogado depois de salvar outros 10 colegas, e, tantos outros que não recordo, poderia dizer que morreria com a sensação de dever cumprido.

Não é como morrer, mas sim pelo que morrer. Não em guerras estúpidas por disputas de territórios ou por fins comerciais, como vemos hoje em dia. Essa, para mim, é a lição deixada por Jesus (embora eu não pretenda que este post tenha cunho dogmático, apenas atentando para o exemplo): a de fazer o que é certo, mesmo que isso nos custe a vida. É claro, poucos tem a capacidade de chegar a esse ponto de elevação, mas, ainda assim temos vários exemplos de como pessoas fizeram isso de fato.

Ainda penso no dia em que exaltaremos heróis que não precisaram morrer para levar suas causas adiante. Heróis que não precisaram do martírio para poder chocar o resto do mundo à ponto de fazê-los repensar suas atitudes. Que um dia, nosso nível de ignorância se extinga e apenas deixemos nossos heróis cumprirem suas missões em paz.

Não preciso elencar muitos destes mártires aqui para saber que nossa humanidade matou a maioria dos que tentaram levar nossos níveis de consciência além. E, em suas mortes estúpidas, geraram revoltas, questionamentos e uma mudança em cada um que sentiu a dor da perda. Dizem que nesse ato supremo é que se consolidam as mudanças sutis de consciência.

Mas por que temos que sofrer para mudar? Por que temos que presenciar estas mortes para nos darmos conta da necessidade de mudança para que deixem de ocorrer?

Quem sabe não passamos a nos questionar frequentemente este tipo de coisa?

Se você necessita realmente de uma imagem tocante para tal, vá em frente, o mundo está cheio delas. Mas, eu, me fazendo esse mesmo questionamento, prefiro ver sorrisos de pessoas que não mais passam por situações horríveis para me inspirar.

Não creio que imediatamente se dará essa mudança, mas, simplesmente, um pouco melhor de cada vez, pode-se ir longe. Inspiremo-nos nos heróis e mártires de ontem, rezando e AGINDO para que não necessitemos deles para despertar tudo o que há de bom em nós. Apenas nossa vontade para tal.

Esse comercial da Coca-Cola, independente de tentar vender um produto, vende uma ideia que é justamente a mesma que tento difundir aqui…

Uma homenagem a todos os heróis da vida real, mesmo que sejam os de ações simples.

Igualdade e justiça não são a mesma coisa…

Venho há anos ranzinzando sobre alguns métodos que o politicamente correto impôs à nossa sociedade e que, ao invés de ajudar, atrapalha cada vez mais…

São tantas as burradas que não dá para enumerar todas em um post só e eu teria que escrever um livro… quem sabe um dia?

O motivo desse post é o bom e velho sistema de cotas. Lendo matéria no UOL, que diz que com metade da nota “normal”, um cotista tira vaga de outro… tá aqui a matéria:

Com metade da nota, cotista entra nos cursos mais concorridos da Uerj

Lendo a matéria, aliás, noto que além de cotas raciais, temos também os integrantes do ensino público que também têm o direito de tirar nota melhor… o que, para mim, é a chancela de que o governo sabe que seu ensino público é uma porcaria, mas, ao invés de qualificá-lo, prefere desqualificar a entrada de pessoas na faculdade pública…

“Bem, estão reparando erros históricos de Preconceito (ECAAAA), injustiças sociais e tantas outras maldades feitas pelos ricos cáucasos-descendentes”, dirão…

Já dizia Aristóteles, há uma porrada de anos atrás: “A pior forma de desigualdade é tentar fazer duas coisas diferentes iguais.” – Agora, apliquem isso ao sistema atual vigente…

Não é minha intenção aqui travar um embate entre classes, aliás, é justamente ao contrário… embora eu possa dizer que, nivelar por baixo é justamente desmerecer todos aqueles que conseguiram sem a ajuda desse sistema. Lembro aqui a história no novo herói nacional, o Ministro Joaquim Barbosa. Já dizia a música Hey Joe, nos lembrando que nem todos na favela são bandidos:

“Menos de 5% dos caras do local
São dedicados a alguma atividade marginal
E impressionam quando aparecem no jornal
Tapando a cara com trapos
Com uma uzi na mão
Parecendo árabes árabes árabes do caos.
Sinto muito cumpadi
Mas é burrice pensar
Que esses caras
é que são os donos da biografia
Já que a grande maioria
Daria um livro por dia
Sobre arte, honestidade e sacrifício
Sacrifício…
Arte, honestidade e sacrifício….”

Link: http://www.vagalume.com.br/o-rappa/hey-joe.html#ixzz2J0n7TnvI

Como alguém pode pregar igualdade e discriminar pessoas por raça e origem? Pergunto: se esse mesmo critério fosse usado para excluir e não para incluir, como seria a reação geral dos prejudicados?

E é aí que eu quero chegar. Um critério não pode ser simplesmente usado com sentido único. Ou é ou não é. Pode-se segregar pessoas ou não????

Se pode segregar, então, amigos, a banca paga e a banca recebe… infelizmente…

O que eu quero dizer com isso? Simples, é que isso pode piorar o que já é ruim…

Podemos, por exemplo, fora do mundo deturpado das mentes que bolam esse tipo de coisa, concluir que, pode-se levar benefício até certo ponto… depois, caindo no mundo da concorrência, como é que ficarão essas mesmas pessoas? Dependendo de cotas pelo resto da vida? Implantarão sistema de cotas para concursos públicos para garantir que essas pessoas consigam emprego depois? Orientarão professores a facilitar a vida de quem entrou na universidade por cotas?

Teremos cabeçalhos de provas com “Nome”, “Curso”, “Disciplina”, “Categoria de Entrada na Universidade” para lembrar ao professor que se a questão da prova respondida for de um aluno cotista ele dá certo e para um aluno “normal” a questão está errada?

Relativizando poderemos continuar esse mar de asneiras acima ad eternum…

O cerne todo da questão restringe ao mercado… e é aí que está meu objetivo nesse post. Tive um professor na faculdade que não fazia chamada, dava a aula dele sem se preocupar com quem conversava ou não… dizia ele aos alunos mais próximos e que demonstravam interesse: “O mercado filtra…”.

Pois realmente o mercado filtra… e, no mercado, na iniciativa privada, quem faz as regras são os empresários e empreendedores. E, ao menos que formos viver o resto da vida com leis “reparatórias”, essas pessoas correm o risco de terem suas vagas perdidas em detrimento de quem não foi cotista…

POR QUÊêeÊêÊÊÊÊÊê??????????????????

Porque um empresário pode, em seu raciocínio (ou na ausência de), concluir que os não cotistas tiveram vida mais dura, e, dessa forma, são pessoas com mais preparação para o mercado, por exemplo…

Tal qual, hoje em dia, embora ninguém diga, alguns já preferem, em igualdade de condições técnicas, contratar um perfil masculino, ao invés de feminino, pois homens não engravidam e nem necessitam ficar até 6 meses em casa com um custo alto para as empresas…

Realidade é dura, não?

Também já tem gente que não contrata fumantes para não ter que aturar aquelas “descidas” em horário de trabalho para alimentar o vício. Sim, eu sei que já existe normas para esses casos, mas, o mais fácil ainda é não contratar fumantes do que ter mais uma coisa a controlar…

Enfim… cada pessoa tem o direito de ser como bem entende, fazer o que der na telha e chegar aos seus objetivos da forma que mais for possível. E, em contrapartida, os outros tem o mesmíssimo direito de analisar como você é, como se porta e como chegou até ali, para usar essas características em uma análise de você em relação ao seu concorrente.

E aí, meus amigos, o quesito é subjetivo e extremamente variável. Pois há todo o tipo de pessoa para uma mesma situação. Os que curtem dar força a alguém para simplesmente auxiliá-lo, e há os que aproveitarão para dar o troco de quando não passaram no vestibular para a matéria que queriam, pois as cotas diminuíram suas chances de entrada… sim, estupidez, eu sei… mas a estupidez é a coisa mais inclusiva que temos na sociedade… ela não discrimina raça, cor, credo ou preferência sexual… há estúpidos em TODAS as partes (inclusive entre os blogueiros)

O resultado final disso tudo é: continuarmos com nosso ensino público sucateado, e, além disso, termos o mercado rejeitando currículos de candidatos cotistas, ou, lá na frente, profissionais menos qualificados, gerando uma força de trabalho de péssima qualidade, com muita demanda de gente querendo trabalhar, mas, com poucos com capacidade para tal. Poderemos ver o que já vimos em outros países, com taxistas bacharéis em direito ou engenharia, e vendedores de loja formados em administração… com imigrantes de outros países menos “desenvolvidos” trabalhando em sub-empregos que os nossos bacharéis não mais terão interesse em trabalhar… Com a crise na Europa então, é capaz de revermos imigrantes italianos voltando às lavouras brasileiras… para ilustrar a ironia…

Ainda acho que a melhor maneira de se resolver isso é QUALIFICAR O ENSINO. Mas, como todos já sabemos e o Tio Maslow revira-se no túmulo até hoje, quanto mais gente preocupada em apenas sobreviver e garantir seu sustento, menos gente teremos preocupada com a moralidade das ações de quem nos governa. E assim a banda toca: regada à pão e circo, desde a Roma antiga…

...e se não tiver pão, que comam brioches...

…e se não tiver pão, que comam brioches…

Igualdade é uma coisa, justiça é outra beeeeeem diferente...

Igualdade é uma coisa, justiça é outra beeeeeem diferente…

Para uma seleção justa, todos terão o mesmo exame: Subam naquela árvore...

Para uma seleção justa, todos terão o mesmo exame: Por favor, subam naquela árvore…