Errar é evoluir…

Todo mundo tem o sagrado direito de errar, embora quase todo mundo te diga diariamente que errar te diminui e te torna alguém menos capaz do que outros.

Eu, sinceramente, não acredito nisso… aliás, desconfiem sempre de quem “não erra nunca”…

Sabidamente, cuidar da vida alheia é sempre mais fácil (ou mais divertido) do que cuidar das nossas. E, na mesma proporção, os problemas dos outros são muitississíssimos (momento Chaves) mais fáceis de resolver.

Pois, ao meu ver, o velho chavão “A dor ensina a gemer”, seguido por derivados como “só metendo o dedo na tomada para saber que dá choque”, nos indicam que, a prática é o que nos torna melhores (ou não) diariamente.

Já dizia minha professora de matemática que só fazendo muitos exercícios como tema e na aula é que eu saberia usar a famigerada trigonometria. Descobri que colar também ajudava a me livrar dela, embora não fosse o correto e nem me tornasse um ás(no) matemático. Aliás, a escola não te dá o direito de escolher o que você deseja aprender, como na faculdade, por exemplo, por não te julgar capaz de discernir o que é melhor para você. Então, impõem-lhe matérias.

Da mesma forma, a vida impõe-nos “matérias” a serem aprendidas independentemente da nossa vontade, embora também, haja psicólogos que achem que somos responsáveis direta ou indiretamente por tudo o que nos ocorre. Mas, como não concordo com tudo o que dizem, vou manter a linha dizendo que não há planejamento na vida, por mais que se tente.

Imprevisível são as reviravoltas diárias, as situações, os confrontos, as fatalidades… e, da mesma forma, nossa capacidade de compreensão, absorção, estratégia e resolução para cada problema que nos ocorre não anda na mesma velocidade. Acredito que por mais que tenham lhe dito o que é certo ou errado, desde pequeno, ou o amedrontado com a possibilidade de ir para o inferno por cometer algumas ações, só realizando algumas cagadas é que poderemos através do arrependimento depurar nosso “organismo”.

Certamente descartaremos nessa hipótese os extremos, afinal, não é necessário matar alguém para saber o quão é errado isso. Mas não pela ação em si, mas por valorizar a vida alheia e respeitá-la. Dirão também, é claro, que alguns que negam que matariam alguém, talvez o fizessem em momentos extremos. Auto-defesa, talvez, ou defendendo alguém.

De minha parte, posso dizer que, hoje em dia, lembrando de algumas lágrimas que fiz verter, posso dizer que de forma alguma gostaria de repetir as ações que levaram ao resultado. Embora outras tantas lágrimas foram inevitáveis.

Eu acredito no conhecimento nato, e, algumas regras já nascem conosco, mas, na grande maioria, ou lemos o manual, ou então avançamos na velha “tentativa e erro”.

Cada um de nós encontra-se em estágios evolutivos diferentes. E, cada um pode mudar radicalmente sua forma de ver o mundo da noite para o dia, movido por algum evento forte o bastante. Quem quase perdeu a vida, por exemplo, pode deixar de dar tanto valor ao dinheiro e o status, da mesma forma de quem um dia esteve na África pode ter vergonha de comprar um diamante daí para frente.

O que eu tento dizer aqui é: Para aprender algo, iniciamos com um conceito básico, que geralmente o questionamos, o colocamos à prova, vemos o resultado e, dependendo do que aquele resultado nos desperta, passamos a agir…

Não???

Pois bem, diga-me então como regras simples, tais quais os 10 mandamentos ou os 7 pecados, que são usadas para explicitar o que devemos ou não fazer em um conceito católico, pode, no mesmo sistema, gerar situações onde, mesmo praticando tais ações, resolvam-se com orações, penitências e jejuns?

Nada ainda? Vamos adiante…

Adiantaria alguém insistentemente te dizer para não transar com aquela namorada, pois o certo aos olhos de Deus é o casamento antes, e após, só transar para procriar? Você até pode ouvir, concordar e tals, mas, hipocritamente, às escuras faria o que bem entendesse…

E onde está o erro nisso?

Para mim, o erro está em não ser você mesmo e aceitar que te digam o que é certo ou o que é errado. Não só na questão sexual relatada acima, mas, para toda e qualquer situação que a vida te apresentar… O problema não está em errar, mas sim em se afinizar com isso.