Recursos Humanos?

Recursos Humanos. A arte de desenvolver pessoas em suas carreiras. Será que é isso mesmo que o termo quer dizer?

As empresas, sobretudo as de serviços, devem primar por seus recursos humanos, afinal, são eles que irão agregar riqueza a seus empregadores, correto? Desta forma, então, em função do processo produtivo dessas empresas, as pessoas são recursos, de fato.

Mas, o que isso quer dizer, ó raios?!

re.cur.so
s. m. 1. Ato ou efeito de recorrer. 2. Auxílio, proteção, socorro. 3. Meio, expediente. S. m. pl. 1. Bens materiais, dinheiro, haveres. 2. Meios pecuniários.

Bens materiais, haveres, meios pecuniários… pecuniário???

pe.cu.ni.á.rio
adj. 1. Relativo a dinheiro. 2. Representado por dinheiro.

Ok, entendi. As pessoas fazem parte da empresa e são importantes para ela, tanto quanto a matéria prima, o capital (e daí também o termo “capital humano”) e o maquinário.

Até aí, nada de errado, certo? Errado. (ficou complicada esta frase)

No momento em que as empresas “usam” pessoas com essa mentalidade, ela apenas é uma “utilidade” para essa empresa. Nada mais do que isso.

Nosso querido Marx travava seus textos focados na luta entre patrões que visavam lucro (e ainda visam) e seus empregados, eternos explorados na cadeia produtiva. Achacados cada vez mais em função do lucro, mal dividido. Já, Domenico de Mazzi, em seu “O ócio criativo“, falava que, um dia, os computadores farão o trabalho cerebral e os robôs farão o trabalho braçal. E aí, se esse dia chegar (se é que já não chegou), como ficam os tais “recursos humanos”?

Meus amigos, o mundo capitalista divide-se entre o que não é proibido em lei com o que deve ser ressarcido judicialmente. E, desta forma, pessoas são cada vez menos pessoas para serem utensílios. A diferença que computadores e robôs não cansam, não recebem 13º salário e nem têm filhos pequenos que volta e meia se lascam no colégio.

Segregar em nome da produção é algo que, por mais que esteja proibido em lei, ainda é praticado. Perfis de pessoas que encaixam-se ou não, jeito de vestir, jeito de falar, etc; e, ainda podemos chegar ao ponto, por exemplo, de explicar o porque algumas mulheres sempre foram preteridas no mercado de trabalho: elas ficam grávidas e a lei lhes dá direito a ficar em casa, como “custo” para a empresa. Outros já medem a produção por hora daqueles que fumam e a toda hora dão uma “descidinha” para alimentar o vício. Já, outros, chegam a ponto de imaginar como seria contar com aquela profissional em seus dias de TPM… enfim, são PESSOAS, não recursos. Pois, no momento em que são considerados recursos, devem-se despir de suas idiossincrasias, seus conceitos, sua forma de pensar para simplesmente ficar com a forma da empresa que os emprega. Acharam um absurdo isso? Pois esse é o princípio da ética kantiana (Immanuel Kant). Sendo cada um de nós “apenas” recursos usados para gerar lucro, em troca de remuneração, podemos concluir que perdemos um pouco de nossa humanidade a cada vez que acordamos para trabalhar. Correto? Não.

É claro que há lugares onde flexibiliza-se todos esses conceitos e o empregado é chamado de colaborador -termo mais ameno-, recebe participação nos lucros e inúmeros benefícios. Essas empresas, geralmente, são geridas por pessoas que entendem que esses colaboradores, recursos ou sabe-se lá Deus que outro termo ainda irão achar, são PESSOAS. E, enquanto pessoas, ou o “humanos” do termo que abordamos aqui, são imperfeitos, falíveis e, certamente necessitam evoluir na vida. Enquanto máquinas devem ser trocadas por tecnologias melhores, o capital deve ser valorizado, as pessoas de uma organização devem ser devidamente bem tratadas, pois, do contrário dos demais itens produtivos, elas necessitam de MOTIVAÇÃO, no popular: o que elas ganham em abrir mão de si mesmas para tal tarefa. E nesse cálculo, a remuneração é apenas um dos itens…

Ou sobe todo mundo junto, ou então “acidentes” começam a acontecer o tempo todo… como na revolução industrial que caíam ferramentas nas engrenagens…

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2 pensamentos sobre “Recursos Humanos?

  1. Rogério, a motivação é um dos termos mais mal utilizados no mundo corporativo. Motivação é sempre motivação de uma pessoa para fazer algo. Não é motivação da empresa para o funcionário.
    O que as empresas mais fazem é tirar a motivação das pessoas com excessos de disciplina e cobranças que em condições de maior adequaçao ao perfil individual não existiriam. A teoria da uma noção da importância que a motivação exerce, é a vontade de agir. Só que cada um tem um esquema diferente motivacional, alguns preferem conquistar coisas, outros preservar, outros ajudar os outros e isso é algo intrinseco da personalidade. Ou seja, motivação não é algo que se muda da noite pro dia, em uma reunião. Outrossim a continuação da vida da pessoa, que dentro do trabalho exerce um papel complementar, porque ninguém deixa a cabeça e o coração em casa para ir trabalhar, eu copiando a Bergamini aqui.

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