Falácias e ciladas

Eu posso, com certeza, afirmar que estamos em uma ditadura de falácias. Engodos ditos e escritos, disfarçados de politicamente corretos, mas, que na grande maioria das vezes nos encoleira, nos prende para não pagarmos de antissociais (sim, hoje em dia é assim que se escreve. Obrigado acordo gramatical por jogar anos de estudo – e cola- fora).

Termos endemoniados que ninguém mais ousa sequer usar para não sofrer as consequências, que vão desde arder no fogo do inferno, até processos e sabe-se lá mais o que a mente moderna pode prever como sanção.

Hoje aina me deparei, pela enésima vez, com o termo “preconceito”, muito usado geralmente para dar um “calaboca” em alguém que insiste em dar sua própria visão do assunto e foge do consenso imposto. Se você é contra alguma coisa que está espraiada na sociedade, fatalmente você vai ouvir que é preconceituoso mais dia, menos dia.

Se você não acha bonito o homossexualismo, preconceituoso! Se você é racista, é preconceituoso, se acha loiras burras, preconceito!

Há uma diferença abissal entre preconceito e a discriminação. Você pode ter um pré-conceito errado, e pode, depois de conhecer o conceito, mudá-lo e rever sua posição, mas, em hipótese alguma, você pode segregar alguém baseado em conceitos errados (baseado no que quer que seja, eu diria).

Bem vejamos, com o auxílio do nosso amigo amansa, o que entendemos por preconceito:

pre-con-cei-to

s. m.
fôrma de pensamento na qual a pessoa chega a conclusões que entram em conflito com os fatos por tê-los prejulgado. O preconceito existe em relação a quase tudo e varia em intensidade da distorção moderada a um erro total.m.
Conceito antecipado. Opinião, formada sem reflexão. Preocupação; superstição.
Pois bem, dá aqui para concluir que preconceito é chegar a uma conclusão sem se ter o todos dos fatos, ou, na pior das hipóteses, é dizer algo sem a reflexão adequada. Pode ser distorcida ou errada.
Então, se você não concorda com uma coisa, você não é necessariamente preconceituoso. Você pode SIM ter chegado àquela conclusão bem pensada, estudada e refletida. Bem, ela é errada? Sim, pode ser que sim, e, isso então faz da sua conclusão errada, burra, estúpida ou qualquer outro adjetivo, mas não necessariamente preconceituosa.
Aliás, o tal preconceito, em algumas situações, é o que chamam de feeling… e ele pode salvar sua vida…
Você está numa rua deserta e vê um estranho se aproximar… você vai esperar ter o todo dos fatos antes de dar no pé??? SEU PRECONCEITUOSO!!! O tal estranho pode apenas estar ali indo para casa… mas, para quê arriscar?
Também podemos chamar de preconceituosos todos aqueles que vislumbram tendências, dizem como irá se comportar o mercado, a bolsa, um país… enfim, a maioria dos analistas podem ser chamados de preconceituosos, pois especulam sobre algo que não temos o todo dos fatos ou, por estarem com opiniões prejulgadas para tal. A partir daí, com uma bela pitada de relativismo, podemos chegar a lugar nenhum em qualquer discussão sobre o assunto. E daí, diria o nosso nobre amigo Arthur Schoppenhauer, pai da dialética erística, que podemos vencer um debate sem ter razão, em sua obra “A arte de ter razão”, que justamente aborda os estratagemas da dialética erística…
Onde quero chegar com tudo isso?
Simples, todos nós estamos agindo sob parâmetros pré-estabelecidos. Regras sociais, políticas, etc… dessa forma, limitamos nosso pensamento, e, de forma alguma devemos perder a nossa capacidade de questionar, de não concordar, mesmo que alguns o fulminem com milhares de argumentos e citações. Se não lhe soa bem, busque conhecer melhor o assunto, aprofunde-se nele. Com o conhecimento do assunto, ninguém estará cometendo o “pecado” do preconceito, pois estará embasado nos conceitos. Simples assim.
É claro, ao abordarmos conceitos, deveremos tentar entendê-los, e, também, certamente, questioná-los. Um conceito pode ter prazo de validade. A lei de talião serviu há 2000 anos, mas, hoje em dia não serve (ao meu ver). Hitler fez o que fez baseado em conceitos que ele julgava procedentes e tentou explicá-los no seu mein kampf, mas, por mais conceituado que estivesse, não o impediu de fazer uma grande merda.
Pesquisar, estudar, raciocinar, compreender, filtrar e absorver. Para mim, esta é a regra.
Não aceite pacotes prontos. Não fique com apenas uma visão das coisas. Ouça, busque, examine, filtre e absorva o que lhe for interessante, de resto, guarde numa gaveta até que se tenha mais conhecimento sobre o que não lhe é compreensível ou inaceitável para o momento, ou, se achar que aquilo é totalmente desprezível, jogue fora.
Busque o SEU conhecimento. Faça seu arcabouço de informações e ideias. Isso é evolução. Preconceito não é crime, é simplesmente um aviso para que falemos menos e estudemos mais.

“E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música….” – Friedrich Nietzsche

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